quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Chamem a troika

Aviso: se és daqueles portistas que fica contente quando o nosso clube perde para poderes dizer que tens razão e que está tudo mal, é melhor não leres.


O FC Porto está em crise. Não ganhamos há três jogos, o que neste clube é algo de muito preocupante e apenas visto em raros momentos em que algo vai mal. E, claro, não nos enganemos: algo vai mal. Mas antes de ir aí, permitam-me evidenciar uns factos à facção portista que está convencida que o mundo vai acabar.

Não temos ninguém à nossa frente no campeonato, já vencemos um troféu esta época e a nossa passagem na Liga dos Campeões não está comprometida. Isto em qualquer outro clube português era motivo para andar tudo no Marquês a festejar. No Porto estamos furiosos. Ainda bem, é bom sinal.

No entanto, temo que esta "exigência" dos adeptos não sirva para nada, além de incomodar ainda mais a equipa. Não defendo, obviamente, que se deva bater palmas depois da derrota vergonhosa na Rússia. Só não percebo em que é que acham que estão a ajudar ao concluir com toda a veemência que o Vítor Pereira é um idiota, os jogadores são todos parvos e que se vocês mandassem é que isto ia tudo ao sítio.

Se há coisa que aprendi com as poucas e passageiras crises portistas é que está sempre lá alguém atento para as resolver a curto prazo. O que me deixa descansada, mas não a dormir.

Para mim, neste momento, há três grandes problemas no FC Porto, que têm de ser resolvidos já, uma vez que os nossos adversários estão muito melhores esta época e, ao contrário do ano passado em que tivemos a vida facilitada, prometem dar luta até ao fim.

1- O cansaço da equipa. É aqui que está, provavelmente, a essência desta crise. Como é possível que, à sexta jornada, os nossos jogadores só aguentem 45 minutos? Comparar o Álvaro, o Moutinho e até o Hulk do ano passado com os deste ano é doloroso. A equipa entra bem nos jogos, com mentalidade vencedora e cabeça para cima, joga para ganhar e normalmente até marca cedo. Mas depois os minutos passam e é vê-los a fazer asneiras, a não correr tanto, a ficar à espera da bola, a passar a bola aos outros para ver se ninguém nota que estão mal. O que se passa? O que terá errado na pré-época? O que terá de fazer o treinador para resolver isto? Como terá de mudar a equipa para evitar este esgotamento? Não sei. E é por isso que a Sporttv contratou o Freitas Lobo e não a mim.

2- A dependência de Hulk. Sim, Falcao faz falta, mas já lá vai e não nos podemos agarrar a isso. Temos um James aparentemente ainda melhor do que no ano passado, mas com um atitude idiota que nos pode ter custado um resultado. O Kléber é bom, mas também ainda não é um dos melhores. Ainda por cima lesiona-se todos os jogos. Eu sei que não sou grande olheira, mas o ano passado, como jogadora de egolo, aprendi que não era bom meter o ponta-de-lança do marítimo porque o gajo estava sempre KO. Aprendi eu, mas pelos vistos não aprendeu quem decidiu não contratar mais ninguém para aquele lugar. E agora vamos ter de arrastar-nos um ano com o Walter a receber um ordenado para ir comer picanha e a equipa sem um ponta-de-lança. Incrível, não é? Estavam à espera de quê?

3- A falta de sorte. Parece um argumento à sportem, mas não deixa de ser válido. Somos os recordistas de bolas à barra, o que nos custou pelo menos um empate com o feirense e a consequente menor confiança para o jogo seguinte. No entanto, acho que o mais evidente é que aquela estrelinha que o ano passado nos acompanhou não mora mais no Dragão. É um pormenor, talvez, mas o benfica que ganhou na Roménia pareceu-me o Porto do ano passado (sempre por cima, também não era difícil devido à "qualidade" dos outros, e um pequeno susto no fim, que, graças à estrelinha, não entrou) e o Porto que perdeu com o Zenit pareceu-me o benfica do ano passado (somos muita fortes, isto está no papo, partantos já marcámos e agora jasus que vêm aí os gajos e já fomos). E sabem o que isto quer dizer, não sabem?

Está na hora de chamar a troika e resolver isto, minha gente. Agora acalmem-se lá e vão mas é a Coimbra apoiar os rapazes.

domingo, 25 de setembro de 2011

Empate, agressões e os anos que já lá vão

Empatámos. Se foi um bom resultado? Foi melhor para o Benfica do que para o porto, sem dúvida. Foi na casa deles, estivemos a perder duas vezes e é um campo onde, infelizmente, raramente nos safamos, sequer. Mais, é um campo onde o Benfica facilmente desiste, entra em tilt, e acredita ele próprio que é impossível virar as coisas. Não nos enganemos, num porto – Benfica no Dragão, historicamente, o porto é favorito. Até nos anos 60 e 70 o era, quanto mais agora. Portanto, assumo sem complexos que fico de certeza mais contente com o empate de ontem do que a Catarina.
O porto dominou a primeira parte – sem ser avassalador, como o seu treinador tenta passar – e o Benfica não dominou a segunda – como Jesus tenta passar – mas foi mais matreiro (ou menos totó que o porto). O empate, por muito que satisfaça menos o porto, é justo. Por mais voltas que se dê, vem-se parar aqui: foi um empate e agora faltam 24 jornadas, logo se verá.
Compreendo as declarações indignadas pedindo uma agressão de Cardozo. Compreendo porque eu também nunca tinha visto uma agressão daquelas, onde um toque nas nádegas dá uma súbita vontade dor de cabeça (Fucile parece ter um AVC). Os jogadores do porto pedem não só a expulsão, como temem que Cardozo os mate a todos no jogo da Luz com este golpe que lembra muito a técnica que a Uma Thurman aprende no Kill Bill, onde com uma série de toques em pontos estratégicos faz o coração explodir. Enfim, o toque de Cardozo foi pior que uma agressão, foi uma coisa de assassino profissional. Os jogadores do porto quando agridem, são pelo menos 3 (Maniche, Costinha e Jorge Costa) e o jogador do Benfica está no chão (Simão). E é uma coisa à séria, com estaladas, mesmo à frente do árbitro. E aí, sim, compreende-se que tenham ficado todos em campo. Agora um golpe no rabo que afecta a cabeça? Irradiação, no mínimo!
Acerca do pano da claque azul: sobre as constantes bocas em relação ao fascismo tenho a dizer várias coisas: em primeiro lugar, lembro que dos dois lados, Benfiquistas e Portistas (sim, aqui com maiúsculas), houve vítimas desse regime escabroso e ordinário. E a esses, os que sofreram e lutaram contra ele, muito obrigado. E esses é que contam. Dos dois lados há muitos Benfiquistas e Portistas que desprezam o Estado Novo e por isso têm o meu respeito.
Agora, não aceito nem nunca aceitarei, essa mentira mil vezes repetida do Benfica como clube do regime, como se o Benfica tivesse ganho só por isso, enquanto o porto perdia porque estava ocupado a planear o 25 de Abril. Ora, após a revolução de 28 de Maio de 1926, nasce o regime que em 1933 passaria a ser designado como Estado Novo. E é durante o fascismo, que Abílio Urgel Horta, que foi presidente do porto duas vezes, consegue do fascismo uma formidável prenda: o Estádio das Antas! Pois é, o mítico “tribunal”, esse símbolo democrático contra os supostamente salazaristas vermelhos, foi financiado pelo fascismo e, vejam lá, inaugurado a 28 de Maio de 1952, exactamente 26 anos depois da revolução. Já o Benfica foi expropriado do seu próprio campo, com a desculpa da construção de uma rua que se concluiu em 1992, e obrigado a arrendar terrenos ao sporting (sim, leram bem) e a jogar no Estádio do Campo Grande entre 1941 e 1954, só tendo conseguido inaugurar o seu estádio 30 anos depois.
Volto a escrever que não estou a chamar fascistas aos adeptos do FCP, nem estou também a dizer que os Benfiquistas foram todos heróis revolucionários e que, sim, houve um aproveitamento do regime fascista das vitórias do Benfica. O que é bastante diferente de colaboracionismo. Como se deve rebolar no caixão Abílio Horta quando os portistas se queixam do fascismo...

Na imagem, Manuel da Conceição Afonso, Presidente do Benfica nos anos 30 e 40. Operário e conhecido anarquista.

Reparei ainda que no pano dos super, o Benfica é representado pelo Eusébio e o porto por Pinto da Costa. E isso é o símbolo de uma diferença muito grande: o maior símbolo do Benfica é, de facto, Eusébio, que jogou futebol, é reconhecidamente um dos maiores de sempre e, que se saiba, nunca aconselhou árbitros sobre questões familiares. E o Benfica já era grande antes do Eusébio (a primeira Taça dos Campeões Europeus foi sem o King) e continuou a sê-lo depois. Já o porto nasceu com PdC e a sua quadrilha. Antes, pouco ou nada era. E depois, como será?


sábado, 24 de setembro de 2011

A enorme vantagem de um empate

«Acelera Dragão, que os anos 60 já lá vão». A frase exibida no Topo Sul do estádio diz muito do que são os clássicos de hoje. Diz quase tanto até como a frase do treinador adversário no final do jogo: “O benfica defendeu bem a vantagem”. É que, em 2011, esta equipa empatar no Dragão é um sucesso.

Contam-me os meus avós que, nos ditos anos 60, o Porto estava muito longe dos vermelhos. Não havia dinheiro, apoio, figuras carismáticas e até adeptos que conseguissem lutar contra o domínio ultra-infiltrado na sociedade – e na política, claro.

Esse tempo vai mesmo muito longe, quando, em pleno século XXI, o rival entra no nosso estádio de cabeça baixa, médios defensivos e uma enorme esperança de que pelo menos não levem cinco. Não levaram, muito longe disso até, porque têm uma equipa muito melhor do que a do ano passado e porque nós ainda andamos às aranhas. Mas a atitude, essa, demonstra muito do quanto mudaram estes clubes em 50 anos.

O FC Porto dominou a primeira parte por completo, podia ter marcado mais do que um golo (isto do benfica ter efectivamente um ser humano na baliza incomoda-me, não estava habituada) e podia ter ficado em superioridade numérica. Curiosamente, acabou por sofrer um golo contra a corrente do jogo (adoro clichés!) de um rapaz que, se já estivesse nos balneários, dificilmente tinha conseguido rematar. A resposta foi óptima e a vantagem surgiu novamente - e naturalmente. Depois adormecemos e, na terceira jogada completa dos outros, sofremos o segundo.

Infelizmente, ainda há muito por melhorar neste FC Porto. Perceber como não se segura um jogo aparentemente fácil, por que não aguentam os jogadores 90 minutos e, sobretudo, a que propósito é que fomos uns anjinhos. Vejo culpas distribuídas por treinador (comido pelas evidentes substituições alheias) e jogadores (demasiado amiguinhos e bons rapazes… isto de andarem a trocar camisolas com aqueles gajos deixa-me maluca). Vejo ainda confiança a mais, como se o escudo de campeão nacional vencesse jogos por nós. E temo ver motivação a menos, que é uma coisa que a mim me ultrapassa, porque se por um segundo vestisse aquela camisola tinha motivação para dar e vender.

Sim, fiquei furiosa por não ganhar. O campeonato fica exactamente na mesma e hoje rio-me da capa d’A Bola, que, se não tivesse o resultado ao lado, daria para pensar que o benfica tinha dado 0-10 no Dragão e que a vitória valia 21 pontos (os tais que nos separaram a época passada). Mas eu sou do Porto e fico sempre furiosa por não ganhar. Estou mal habituada. Estou habituada a vencê-los, a humilhá-los, a vê-los desistir à 6ª jornada. Pena que não possa ser sempre assim e que tenhamos mesmo de acelerar para os superar e aos seus amigos que dão amarelos a jogadores agredidos.

Felizmente, os sorrisos vermelhos que vejo hoje já me animaram. É bom vê-los contentes. É natural, estão com os mesmos pontos do que nós à 6ª jornada e, nas últimas décadas, isso é excepcional. Percebo a teoria de que um empate em casa do rival, principalmente tendo sido inferior em campo, seja um resultado agradável. Não posso é dizer que a compreendo, porque eu nasci em 1986 e nunca um empate na luz me deixou feliz. Saio sempre de lá chateada. Menos o ano passado, confesso.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sumário: ganhar aos mouros

Ninguém nasce ensinado. Aí está uma velha máxima que no futebol é por demasiadas vezes esquecida. Vítor Pereira, por exemplo. Há pouco mais de um ano e meio era um desconhecido, passou a integrar a equipa técnica do FCPorto e agora, de repente, torna-se treinador principal do campeão nacional e vencedor da Liga Europa. Não é fácil, diga-se.

Por muito que acredite nas mil e uma reportagens sobre o «professor» Vítor Pereira, um grande estudioso, que passa a vida a pensar em teorias táctico-técnico-coisas, a prática mostrou-me, no domingo, que o nosso mister ainda precisa de uma ajudinha. E eu, como não tenho mais nada que fazer numa semana em que naturalmente só penso nisto, vou dar-lha.

Vítor, bota os olhinhos nisto então.

Helton. Ok, esta é óbvia. Mas tens de fazer uma coisa importantíssima: explicar ao nosso capitão que o adversário até pode estar com os intestinos a sair-lhe da boca que nunca se deixa de olhar para a bola para o ir ajudar. Aquele golo sofrido na luz há duas épocas ainda me está entalado.

Sapunaru e Álvaro. O Fucile é bom rapaz, tem jogado bem, mas precisamos da altura do Sapu. Tens é que lembrar-lhe que o objectivo é acabar os 90 minutos em campo, porque já sabes que o moço tem motivos para desatar a exterminar aqueles gajos.

Rolando e Otamendi. Basicamente, deixa-te de esquisitices. Estes são os dois melhores centrais do Porto e não me parece haver lugar sequer para dúvidas. Esquece o Maicon, esquece o Mangala, e reza.

Fernando, Guarin e Moutinho. Ah e tal porque o Belluschi e o Defour são muito lindos. Nada disso. Fernando para tapar bem lá atrás, Guarin para aguentar com o caceteiro do Witsel e Moutinho para tirar a bola ao Aimar mais depressa do que este se vai atirar para o chão.

Hulk, Varela e Kléber. O C. Rodriguez que fique na bancada a insultá-los que aí é mais útil. E por favor não me faças outra vez aquilo de precisar de ganhar e tirar o ponta-de-lança.

Vês como é fácil? O resto é lembrar-lhes do quanto me farão feliz se isto resultar.

P.S. 1 O M. chama "adjunto" ao nosso Vítor, como se isso fosse um grande insulto. O Mourinho era o "tradutor" e o AVB era o "laranjinha", não é assim? Que comecem as hostilidades cá em casa.

P.S. 2 Li agora o anterior post do M.. Nada que me surpreenda, isto de colocar pressão nos árbitros. Sim, porque nós acreditamos que o Jorge Sousa também lê este blog. Eu, claro, serei muito superior a isso e só espero que os jogadores do FCP entrem em campo sem mãos.

24 de Maio de 1997, o dia em que o cometa Halley passou no Estádio das antas

Leitor, se me lês e nasceste depois de 1976, assististe a muitos acontecimentos históricos na tua vida. Desde a queda do Muro de Berlim ao desastre de Chernobyl, passando pelo Mundial de 1986, onde viste Maradona destruir a Inglaterra e vingar as Falkland.
Eu, que nasci em 1984, não me lembro de Maradona em 86. E também não me lembro da passagem do cometa Halley, o cometa periódico cuja passagem é sempre um marco histórico. Aliás, o cometa Halley lembra-me sempre a história do professor de Filosofia do meu Pai, que na primeira aula se apresentou da seguinte maneira: "Em 1910, 3 factos abalaram o Mundo: Implantação da República Portuguesa, Passagem do Cometa Halley e o nascimento de Elidóro Sebastião Frescata, que sou eu!". E desta figura, que nunca conheci, mas cujo nome memorizei de tantas vezes ouvir a história, fiquei sempre com passagem do cometa Halley como um género icónico de momento raro. De Elidóro Frescata sublinho ainda que, no dia da morte de Salazar, colocou uma gravata vermelha e andou às voltas da estátua do liceu, o que merece sempre ficar por escrito.
Mas enfim, estava eu a dizer, caro leitor, que se nasceste depois de 1976, viste o cometa Halley. Talvez te lembres, talvez não, mas foi um momento raro, que só se voltará a verificar em 2061.
Ora, leitor, se nasceste depois de 1976, também assististe a um acontecimento com a raridade do cometa Halley: um penalty a favor do SL Benfica na casa dos azuis. Pois é, após um penalty nosso lá é tão raro como o cometa Halley e, desconfio, tem uma periodicidade diferente, mais difícil de calcular. Corria o ano de 1997, e o improvável herói foi António Costa, que num assomo ímpar de coragem, assinalou um penalty na área azul. Convém acrescentar que estávamos na 32ª jornada, que o fóculporto vencia por 2-0 e já era campeão. E que dez minutos depois António Costa expulsou um jogador do Benfica. Mas pronto, o homem marcou o penalty. E isso foi histórico, porque pessoas com 34 anos só viram esse e mais nenhum. Nem na Taça. No máximo, um livre de 7 metros no dragão caixa. Resta-nos aguardar que o próximo chegue antes de 2061!

E, na 6ª feira, é isto que vamos enfrentar. Uma equipa fortíssima suportada por um sistema que conseguiu que só nos fosse assinalado um - um! - penalty em sua casa nos últimos trinta e quatro - 34!!! - anos. Ao Benfica só se pode pedir um jogo perfeito, longe de qualquer caso. Como sempre, eles preparão o jogo com o ódio que os caracteriza. Não podemos ter medo desse ódio e não os podemos deixar embalar por ele. Temos de ser frios. Temos de ser muito inteligentes. Temos de controlar o Hulk (sem o marcar homem - a - homem, estás a ouvir, Jesus?), temos de explorar bem as costas deles e ser muito, mas mesmo muito inteligentes - já disse isto?
Força Benfica!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tropeções

Se há coisa à qual o fóculporto nos habituou foi à sua competência. São raríssimas as eliminações na Taça contra equipas mais pequenas e aqueles deslizes que comprometem campeonatos. Habituados a fruta até para um fóculporto - Estrela da Amadora e contando com a presença de vários amigos como treinadores, (pontificando Domingos e Pedro Emanuel como ex-jogadores, Luís Miguel como cunhado do próprio treinador do fóculporto, além da vassalagem já clássica de braga, nacional, setúbal e união de leiria), é muito raro o o clube do Guarda Abel tropeçar.
Foi, então, com surpreendida alegria que recebi o empate dos azuis ontem.E é bom porque volta tudo ao inicio. Desde o começo do campeonato que marquei o clássico da jornada como decisivo. O Benfica não podia chegar lá atrasado, sob o risco de perder e ficar com o título por um canudo. Seguir-se-ia uma Xistrada qualquer e pronto, mais um título por falta de comparência.
Sonho com o dia em que os tropeções deles sejam normais. Um tempo de sonho onde não há treinadores de equipas pequenas familiares do treinador dos azuis. Cabe-nos a nós ser perfeitos. Porque mesmo quando o fomos, só celebrámos a 15 minutos do fim do campeonato.
Concentra-te, Benfica. E não tropeces.

Lição nº 1

Estamos em tempo de regresso às aulas. Os paizinhos correm para os supermercados para comprar mochilas do Justin Bieber. Os meninos folheiam os livros caríssimos com aquele cheiro a novo que depressa desaparecerá com os primeiros TPC. Os professores queixam-se dos horários, dos alunos, dos pais, do ministério, do tempo, da astrologia e da falta de sorte no Euromilhões. Enfim, é um ano lectivo como outro qualquer.

Eu adorava o regresso às aulas. A ansiedade, a excitação, o receio do desconhecido. Ansiedade de conhecer os novos professores, excitação de rever os amigos, receio de disciplinas mais difíceis. E perguntam vocês: a que propósito está esta gaja a falar disto? Será para disfarçar o terrível resultado de ontem? Sim, também. Mas sobretudo porque queria fazer uma analogia brilhante entre o regresso às aulas e o empate com o feirense, mas entretanto perdi-me e preferia só ficar-me pelo disfarce.

Ora bem, parece-me que o regresso às aulas do meu clube estava a correr bem. Conseguimos segurar alguns jogadores cruciais na equipa, superámos os traumas AVB e Falcao com alguma tranquilidade e, o mais importante, fomos ganhando. Não parecia haver razão para ansiedade.

A equipa já dava espectáculo, Hulk e James numa forma incrível e os adversários, como sempre, iam ficando para trás. De excitação, portanto, já estávamos cheios.

A única coisa que faltou a este FCPorto até aqui foi receio. Ninguém se importou de ficar sem Hulk e Álvaro Pereira para o jogo em Aveiro. Afinal de contas, era só o feirense. Ninguém estranhou ver Mangala, um jovem inexperiente, titular assim de repente. Cristian Rodriguez no 11, numa forma péssima, qual é o mal? Moutinho, Belluschi e Guarin, e ninguém a tapar o meio-campo, qual é o problema? Pior: ao intervalo, com 0-0, fica-se sem ponta-de-lança, porque o salvador Hulk ficou em casa, o Kléber está sempre lesionado e o Walter só é bom a comer picanha.

Até ontem, estávamos todos a dormir. O presidente, que espero que esteja a tratar de trazer um ponta-de-lança em Janeiro. O treinador, que espero que não volte a achar que o feirense é só o feirense. Os jogadores, que espero que na sexta-feira sejam mais espertos. E nós, os adeptos, que temos de reflectir sobre isto tudo.

Não quero com isto traçar nenhum cenário negro. Continuo a achar que somos melhores do que os outros e que se tudo correr bem vamos ser campeões. Acho até que, se tivéssemos tido aquela pontinha de sorte que tínhamos o ano passado, esta vitória tinha sido nossa. Só quero que a lição número 1 seja: os jogos valem todos três pontos.

P.S. Que fique aqui registado que nunca mais vou ao estádio de Aveiro. É provavelmente o estádio português que fica mais perto de uma entrada da auto-estrada, mas a polícia consegue sempre inventar outra forma de, mesmo com o estádio a 1/3 da sua lotação, manter-nos ali uma hora às voltas. Odeio aquilo. Principalmente depois de um empate.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Não há almoços grátis

A frase é do Prémio Nobel da economia Milton Friedman e significa, resumidamente, que nunca se obtém nada sem dar algo em troca.

Os presidentes do benfica e do sportem, esses tão odiados rivais que só se juntam por um ódio ainda maior - o FC Porto -, almoçaram juntos na semana passada. Para discutir eleições na Federação, dizem eles.

O certo é que, apenas alguns dias depois, Duarte Gomes fez uma grande partida na luz e Paulo Baptista esteve onde foi preciso em Paços de Ferreira.

Portanto, resumidamente, não há almoços grátis.

Eles andam aí. E são amigos. É preciso estarmos atentos.

P.S.1 Falcao disse hoje que o seu sonho é jogar a Supertaça Europeia. Lamento informá-lo que provavelmente perdeu a sua oportunidade.

P.S.2 Eu tento evitar rir-me do treinador do benfica, porque tenho pena, mas depois deste jogo com o "NAITEDE" é impossível não o fazer.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Eu, ex-anti-Moutinho, me confesso

Há quem diga que há uma vida antes e depois de Cristo. Há até um calendário todo catita, com um 0 no dia em que o rapaz nasceu. Segundo o meu vasto conhecimento cristão, sei que, para trás, ficam os homens-macaco de a. C. e, para a frente, ficam as grandes civilizações de d. C.. Eu, que só sou crente quando vejo que é possível o Postiga marcar um golo, acho que há um Moutinho antes e depois do Verão de 2010, um macaco que se transformou num dos melhores.

O Moutinho a. V. era o maior palhaço do futebol português. Estava constantemente a atirar-se para o chão, rebolava que nem uma menina (adoro esta expressão, sobretudo porque sou menina) e fazia queixinhas aos árbitros, com aquela cara tristonha de rapazinho infeliz. Eu, sempre com a minha grande visão de futuro, nem sequer achava que ele valia alguma coisa. Quando lia nos jornais que tinha sido o melhor em campo do sportem, pensava: "bem, é o sportem, não é difícil". Quando ouvia os comentadores chamar-lhe "coração de leão", vomitava. Quando via os lagartos a idolatrarem-no, tinha cada vez mais a certeza de que o odiava.

Há muita gente que ainda hoje me recorda o meu ódio ao Moutinho a. V.. E, sim, confesso que ele era enorme. Durante anos, ir a alvalade quase que se resumiu a passar 90 minutos a insultar o "anão", "pigmeu" ou "gnomo", com algumas palavras pelo meio como "filho" e "da". Ele tirava-me do sério mesmo. Já nessa altura alguns me tentavam dizer que um ódio assim quase que tocava no amor. O que eu, devidamente fundamentada nos meus sentimentos, desmentia categoricamente.

E, depois, chegou o dia 0. 3 de Julho de 2010. Moutinho no F. C. Porto por 11 milhões de euros. Que grande estalo na minha cara. E agora? Como é que é possível que alguém (voltando à gíria religiosa, neste caso, o Papa) o ache "um jogador à Porto"? Não quero que a camisola do meu clube vá parar àquele corpo que tanto me apeteceu espancar nos últimos anos. E este dinheiro todo porquê, se ele não vale nada?

Foram dias difíceis no mundo de Catarina. Mensagens de amigos a gozarem-me. O rosto incrédulo do M., confuso entre o "ok, vai ser mais fácil ainda odiá-lo no Porto" e o "se o Porto o foi buscar é porque é capaz de o gajo ser bom". Os pais com aquele "eu bem te disse...", porque já me tinham avisado desta possibilidade.

Até que o vi com a camisola azul e branca. Primeiro, pareceu-me logo maior. Os substantivos "anão", "pigmeu" e "gnomo" deixaram imediatamente de fazer sentido. O M. diz que é por causa das drogas. Eu acho que é mesmo uma questão de clube. Segundo, porque passou a ser o "Juoum" Moutinho, o que lhe deu logo outra auto-estima. Depois, vi-o a jogar. Mas vi com os meus olhos muito azuis, não com aqueles olhos vermelhos de raiva com um adversário. E, porra, como o gajo é bom!

Numa equipa onde havia um Falcao e um Hulk, um Helton na melhor forma de sempre, surpresas constantes com Belluschis, Guarins e afins, era difícil para alguns olhar para ele. Nos jornais, deixou de ser consecutivamente o melhor em campo. Para os comentadores, não era certamente o "coração de dragão". Mas a nós, aos adeptos, conquistou-nos.

Conquistou-nos com aquela postura correctíssima dentro e fora de campo (o M. diz que ele continua a atirar-se para o chão, mas isso é porque ele não vê as constantes agressões ao Moutinho d. V.). Conquistou-nos com a garra, a vontade de dar tudo, o espírito à Porto. Conquistou-nos, sobretudo, porque joga sempre, sempre bem.

Sim, estou apaixonada por este Moutinho d. V.. Acho que ele é dos melhores médios do mundo, faço "uhhhhhhhhhhhh" quando ele faz aqueles passes maravilhosos, insulto todo aquele que se atrever a tocar-lhe. E fiz de tudo para que ele ficasse por cá, porque gajos que preferem o atlético de madrid ao Porto há muitos, mas Moutinhos d. V. já não se fazem.

Numa ida a pé à Senhora da Graça, nestas férias, desabafei que o estava a fazer como promessa para que ele não saísse. Foi uma graçola para os companheiros de viagem, desgastados por horas a caminhar debaixo de um calor abrasador. Eu sabia que havia uma pontinha de verdade naquilo, só não sabia que havia alguém mais maluco do que eu. É que, quando chegámos ao cume, na igreja, havia um livro onde os mais crentes escreveram à Nossa Senhora. Pediam-lhe saúde, amor e até dinheiro. O meu pai, que nisto da crença só mesmo quando vê um golo do Djaló, escreveu: "FAZ COM QUE O MOUTINHO FIQUE!". Assim mesmo, tratando-a por tu, porque nisto dos pedidos mais vale ser directo. E ela fez.

A Senhora da Graça, portanto, é uma gaja impecável. E o Moutinho faz hoje 25 anos. Parabéns, campeão!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Jesus

"Jorge Jesus foi um turning point para o Benfica" - a frase é do J., que é um dos meus lagartos preferidos e que, nessa mesma noite, me ganhou uma cerveja numa aposta sobre o clube dele (que não é, obviamente, a minha especialidade).

Não sei se Jesus é ou não um turning point porque Jesus é, para mim, o paradigma da bipolaridade Benfiquista que vivemos. Com Jesus o Benfica pode massacrar, dar 5 a 3 adversários de seguida e depois ver o Gil Vicente jogar tranquilamente no seu meio campo e ter mais campos e, quiçá, empatar 2-2 um jogo que perdia 0-2 aos 15 minutos.
Escrevo sobre Jesus devido ao facto de ter deixado de fora Capdevilla da convocatória da Champions, uma provocação irreal que só pode ser justificada com a necessidade de marcar posição, com o lembrar que foi com ELE que o SLB chegou novamente à fase de grupos. Jesus acha-se acima de Jesus himself.  E se essa confiança ilimitada e determinada sapiência táctica que lhe reconheço (o Benfica de Jesus é o primeiro Benfica que faz pressão desde 93/94, elogio que sobressalta porque o Benfica de Quique jogava em contra-ataque contra o Penafiel para a Taça, na Luz) nos deram o título de 09/10 e, dentro do desastre inenarrável de 10/11, uma série de jogos onde se jogou seriamente à bola. Jesus tem qualidades tácticas, quanto a mim, muito fortes, como se tivesse ocupado uma boa parte do cérebro normalmente destinada a falar português com truques da bola portuguesa, o que lhe confere alguma vantagem competitiva.
Por outro lado, Jesus encarna perfeitamente o marialva, o pintas com a mania que é o maior, que engana toda a gente. O maior do café, com tudo de irritante e, pior, de nefasto para o Benfica que isso acarreta. Ao contrário do que se diz, Jesus não precisou de ser campeão pelo SLB para se achar o maior. Já no Belenenses, Jesus tinha proclamado a descoberta do 5º momento do futebol: "o quinto momento do jogo de futebol" ("a estratégia posicional, ou a bola parada. Ninguém no mundo disse, fui eu o primeiro treinador a dizer"). Ou seja, Jesus sempre se achou o maior, o mestre da táctica. O mundo é que demorou - e em alguns casos demora - a reconhecê-lo. E o Benfica que ature isso. Na época passada tivemos um arranque inacreditável em grande parte devido a um planeamento no qual não sei qual foi a sua responsabilidade, mas também devido a uma relação com os jogadores já destruída provavelmente devido ao facto de Jesus os tratar como meros peões na sua estratégia "muita" forte. Depois, além do arranque à ceportém, ainda fomos ao dragão jogar com o Javi sozinho contra o mundo e com o motivadíssimo David Luiz a defesa esquerdo. Ah, grande mestre da táctica. Depois, claro, foi espremer Gaitan e Salvio até chegarmos de gatas a Braga e sermos eliminados pelo Custódio. Enfim.
Mas Jesus continuou. E, a custo, lá aceita que Witsel tem que jogar. E que se o belga não encaixa no 4-1-3-2 kamikaze, então a táctica tem que encaixar no 8. Mas se Rui Costa acha que é mais para o Benfica do que Jesus, este também continuou cá para lhe lembrar que ainda é cão sem dono e deixou um campeão da Europa e do Mundo (e que jogou as finais, não é como o Polga que foi carregar os sacos ao Ronaldinho Gaúcho) fora da Champions.
Honestamente, não sei o que pensar. O Benfica é treinado por um labrego que até sabe umas coisas de bola, mas que tem a mania que o Mourinho nem para adjunto dele serve. Preocupa-me o dia em que este homem sair do SLB e começar a disparar para todo o lado. Preocupa-me mais ver o Javi sozinho, a levar com 3 médios. Quero, horrível e desesperadamente, ser campeão. E não sei se o Jesus é ou não homem para me dar essa alegria outra vez. Espero que sim.


PS: Uma homenagem atrasada e muito sentida, já que Freddie Mercury faria 65 anos há uns dias, se fosse vivo. E com o forte desejo que o puto que gritou um golo imaginário do fóculporto que me fez ter uma paragem cardíaca leve umas boas palmadas do pai:


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

90 minutos à Pepe

Peço desculpa, mas só agora é que consigo falar deste tema com a frieza, imparcialidade e seriedade que tanto caracteriza este blog. A Supertaça europeia já foi há uma semana e finalmente eu estou preparada para dizer que o barcelona mereceu ganhar. Que fique registado, portanto, o momento histórico em que um dos autores deste blog reconhece com especial rectidão que a equipa adversária jogou melhor do que a sua.

Ora bem, quem ouvir isto até pensa que o barcelona é, sei lá, a melhor equipa de sempre. Eu, por acaso, até acho que é. Mas eu só tenho 24 anos e uns vídeos do YouTube, portanto também não sou grande coisa. Só sei que eles são umas bestas dentro de campo.

Até à passada sexta-feira, eu adorava ver o barcelona jogar. Aquele tiki-taka, aquele Messi, aquele Xavi, aquele Iniesta, tudo junto é mais do que suficiente para pagar a nossa Sporttv (sim, nós somos muito poupados, nunca jantamos fora nem vamos ao cinema, mas há mínimos senhor ministro das Finanças). Só que eu nunca tinha jogado contra este barcelona. E eu, que sempre fui uma felizarda, posso dizer-vos com toda a prontidão que foram os piores 90 minutos da minha vida.

É horrível jogar contra aqueles gajos. Eu até passei a semana a ignorar o jogo, convenci-me que estava perdido e que não valia a pena pensar nisso. Mas depois o árbitro apitou e eu tive de me tornar no Pepe. Perdi a conta às vezes em que entrei de carrinho ao Messi, fui expulsa por agredir o Xavi ou rasguei a camisola do Iniesta no desespero.

Vocês não imaginam (nem eu, confesso) a minha cara de pânico durante os 90 minutos. E isto, saliente-se, com o Porto a entrar muito bem no jogo, a pressionar relativamente alto, a obrigar o barcelona a falhar passes (SIM, EU CONTEI E FORAM PARA AÍ UNS TRÊS!!!!) e a ser organizado o quanto baste para não levar 5 ou 6. A minha equipa, devo dizer, foi brilhante. E conheço muito poucas que pudessem dizer o mesmo.

Mas depois houve aquele miúdo. Só para vos contextualizar: estávamos a ver o jogo numa localidade algarvia, num apartamento reservado a portistas (e ao M., enfim), com as esplanadas lá fora cheias de adeptos do barcelona desde pequeninos (falo de pessoas que nunca jogaram uma Supertaça europeia, só para verem o nível). E, de repente, lançamento lateral para o Porto no último terço do campo. E o miúdo: GGGGGGGGGOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!

Ora, se ele está lá fora a gritar golo e eu sei que a televisão está atrasada em relação às outras, é porque... oh meu deus... será???? É GOLO NOSSO CARALHO!!! VAI SER, VAI SER!!! GOLO! GOLO! VAMOS GANHAR ESTA MERDA!!! É TUDO NOSSO! ATÉ OS COMEMOS! ONDE VAIS COM A MERDA DA BOLA HULK???? POR QUE É QUE A PERDESTE SE VAI SER GOLO NOSSO MEU GRANDE ESTÚPIDO???? MAS QUE RAIO ESTÁ A FAZER A BOLA NUM GAJO DO BARCELONA SE VAI SER GOLO NOSSO?!? OH FODA-SE QUE A TELEVISÃO ESTÁ MESMO ATRASADA! VAI É SER GOLO DELES! VAMOS LEVAR 5 OU 6, É O FIM DO MUNDO, QUERO QUE ISTO ACABE, EU QUERO MORRRRRRRRRREEEEEEEEEERRRRRRRRRRR!!!!

E nada. Nem uma jogadinha de perigo. O monólogo anterior passou-se na minha cabeça durante cerca de 30 segundos e, no fim, tudo o que consegui dizer foi "puta que pariu o miúdo que nos enganou". Ainda bem que o miúdo não era meu conhecido, meu familiar, ou até meu filho, porque ia ser difícil explicar aos senhores da Segurança Social que eu o tinha espancado, mas por uma razão perfeitamente compreensível.

O que aquele rapazinho conseguiu foi fazer-me acreditar, por um momento, que conseguíamos ganhar aquilo. E podíamos ter ganho. Quem sabe se o árbitro não tivesse roubado. Quem sabe se o Falcao não tivesse saído. Quem sabe se o Messi tivesse desejado ser pescador. Mas aquilo não se faz e os pais deviam saber educar os filhos para estas coisas.

No fim, estava exausta. Frustrada, claro, porque sou uma perdedora espectacular. Triste, obviamente, porque o mundo só faz sentido quando o Porto ganha. Mas sobretudo cansada. Cansada pelos 90 minutos mais intensos da minha vida, onde fui guarda-redes, fui defesa, fui avançado, fui o Pepe, fui adepto, fui treinador, fui o gajo que vai levar a água, fui o maluco que partiu a perna ao Messi, fui o anormal que deslocou a anca ao Iniesta e fui o terrorista que disparou contra eles todos.

Enfim, uma semana depois, pelo menos já passou. E há uma coisa que eu não me esqueço: é que nós estivemos lá. E vocês?