terça-feira, 11 de outubro de 2011

Elogio à minha namorada

Há quem escreva cartas de amor. As coisas ridículas, etc, etc. 
Eu hoje escrevo à Catarina porque percebi que há coisas que só uma namorada tão fanática como eu me podia dar. A Catarina é bonita, inteligente, tem sentido de humor. É daquele clube, mas eu consigo evitar pensar nisso. O que se passou hoje será motivo de inveja por milhões e milhões de fanáticos por todo o mundo (sim, acredito que este blog é lido a uma escala mundial). 
Vamos de férias e faremos escala em Londres. Outros quereriam ver o Big Ben para tirarem fotografias para o facebook. Não foi preciso conversar com a Catarina para procurar um jogo da Premier League.
O que é extraordinário é que o elogio não é este. Eu sei, eu sei. Muitos de vós, leitores, não eram capazes de convencer a vossa namorada a ver um derby de Londres e isso deve ser absolutamente deprimente. Mas a Catarina está noutro nível. Acontece que nesse dia só o Chelsea - Everton, mas era impossível para apanhar o voo da noite. E eis que a Catarina diz as palavras mágicas: "E da First Division?".
Não sei se cheguei a chorar, mas foi quase. "First Division?". Lamento o machismo completamente retrógrado, mas quantas raparigas no mundo pensariam nisto? E destas, quantas sugeririam, em vez de ir ver o Big Ben, ir a um West Ham - Blackpool? E são momentos como este que me fazem esquecer que a Catarina gosta de um clube que, bom, enfim. 
E pronto, deixei um elogio público à minha namorada. Não por ela ser a mulher mais linda do mundo, que é, mas porque sugeriu irmos ver um jogo da "First Division". Um jogo que pelos vistos também não vamos conseguir ir ver, mas o que conta é a intenção.
A Catarina jura que eu disse: "Nunca te amei tanto como neste momento". É capaz.

Allez Custóias, allez

Não é qualquer clube que consegue ser manchete do «Correio da Manhã». Entre tantos pedófilos apresentadores de televisão, criminosos que matam a mãe, espancam a mulher e violam os filhos e grandes falcatruas de políticos, chega a ser uma honra estar entre tão ilustres companhias.

Infelizmente, é raro ver sequer o meu clube na capa. A não ser que perca, o FC Porto não costuma reunir os requisitos necessários para ser notícia neste jornal de referência. Em sentido contrário, há uma certa equipa que veste de vermelho (e às vezes de cor-de-rosa) que normalmente consegue um destaque ou outro graças a factos tão importantes para o nosso país como «SAVIOLA MARCA TRÊS NO TREINO», «GAITAN TEM UMA NAMORADA MUITA BOA» ou «ARTUR NÃO VIVE EM CIMA DE UMA CASA DE FRANGOS COMO ROBERTO».

Já Pinto da Costa pode orgulhar-se de ser várias vezes chamado à primeira página. Ou porque anda a comer uma brasileira de 24 anos, ou porque está noivo, casado e divorciado ao mesmo tempo, ou porque tem como «acompanhante de luxo» uma concorrente da Casa dos Segredos. Desta vez, no entanto, não é ele a notícia.

Hulk, Sapunaru, Helton, Fucile e Rodriguez foram acusados pelo Ministério Público pelo crime de ofensa à integridade física, devido aos famosos incidentes do túnel. Este crime pode ser punido com pena de prisão até três anos ou multa. Isto depois de passar a fase de instrução, se for a julgamento e se o juiz os condenar. O que, em linguagem «correio da manhês», quer dizer que já deviam estar atrás das grades, a apanhar sabonetes no chuveiro e, se possível, que cada dia lá dentro dê três pontos ao benfica.

Atenção: acho muito bem que os jornalistas acompanhem estes casos e até compreendo que a noticiabilidade disto justifique o destaque num jornal como este. Já não compreendo tão bem a obsessão do Ministério Público por casos já julgados pela justiça desportiva. Desta vez, ainda não tivemos direito a uma equipa especial, com os mais dignos magistrados totalmente dedicados a isto, a canalizar milhares de euros, a deixar de lado investigações menores como primeiros-ministros que financiam outlets por favores. Mas acredito que as equipas das outras prisões já estejam a tremer. A fiar-nos na vontade desta gente, para o ano Custóias terá uma equipa do caraças.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A C., os amigos... e o futebol

Este texto foi escrito pela S., a minha melhor amiga, que não percebe nada de futebol (é do benfica, imaginem...), mas que compreende quando digo que não posso ir ter com ela quando não a vejo há muito tempo porque joga o Porto.

Cresci benfiquista por uma questão hereditária. O meu pai é benfiquista e o meu avô paterno era benfiquista certamente porque algum antepassado remoto decidiu que era um clube com futuro (e não se enganou). Sou benfiquista mas essa herança clubística nunca foi mais do que um acessório engraçado. Sou benfiquista por piada, por simpatia e até mais por empatia pelo benfiquismo do meu pai. Resumindo, sou benfiquista mas isso está longe de me definir. Poderia ser do sportem (ou nem tanto) e não seria uma pessoa diferente. O futebol nunca sobressaltou a minha vida.

Até há 7 anos atrás, quando conheci a Catarina.

A miúda era dos Super Dragões mas tinha os dentes todos. A conversa dela era interessante e os temas variados. Tinha piada e parecia inteligente. Falava de futebol com propriedade e não usava palavrões como pontuação. Não sei se já disse que ela era dos Super. Imaginem a minha confusão perante a antítese do estereótipo das claques.

"Não posso ir aos anos da x. Joga o Porto."

"Tenho que sair mais cedo. Joga o Porto"

"Vou faltar. Vou à Alemanha ver o Porto"

E a esta loucura somavam-se o pai, a mãe, o irmão. Simpáticos, mas loucos, todos eles. Fazia-me confusão aquela agenda que o FCP moldava. Aceitava que havia coisas superiores a nós, como a fé e a religião. A Catarina acrescentou a essa lista o futebol.

A Catarina trouxe cor à minha vida e, quem a conhece, não tem dúvidas relativamente à cor pintada. Aprendi a respeitar e a gostar desse azul forte que, para ela, é um estilo de vida, uma tribo, uma guerra. Lembro-me de adormecer em Roma, na nossa viagem de finalistas, a ouvir a história da claque do Porto e de outras claques portuguesas. E a gostar. Passei a contar histórias da claque e a rir como se as tivesse vivido com ela. Ainda fico meio embevecida quando a oiço discutir futebol com argumentos tácticos que me soam sempre a fórmulas químicas.

Há 7 anos atrás, eu e a Catarina não éramos amigas. Hoje, sou benfiquista também por empatia pela portista que ela é.

domingo, 2 de outubro de 2011

FC Porto mais perto da permanência

Aí está uma sugestão para o pequeno título de amanhã no canto inferior direito da primeira página da d'A Bola, ao lado do "CORAÇÃO DE LEÃO" e por baixo de uma entrevista exclusiva ao roupeiro do benfica, com uma citação super noticiosa, do género "NINGUÉM NOS PÁRA" ou "O JESUS TEM UM PENTEADO MUITA FORTE".

O FC Porto venceu em Coimbra uma equipa forte, que tem feito um bom campeonato e num jogo em que tinha muito pouco a ganhar, mas tudo a perder. É verdade que a pressão existia, após dois empates e uma derrota vergonhosa na Liga dos Campeões. Interna, claro, porque estamos habituados a ganhar sempre. Mas sobretudo externa, daqueles bichos papões que vêem em cada percalço do Porto um passo dado em direcção ao seu desejo imenso de que este clube acabe.

Gostei do jogo. Sem ter sido brilhante, a equipa soube ser eficaz e gerir o resultado. Posso sempre pedir mais, mas, enfim, por agora acho que chega, uma vez que o grande objectivo desta partida passava por evitar ficar a 20 pontos do benfica e a 15 do sportem.

É que os portistas que andam para aí a mandar vir com a sua equipa ainda não repararam, mas nós, mesmo sem perder, estamos a ficar cada vez mais para trás no campeonato. Não é naquela coisa idiota dos pontos, a que nos costuma deixar não sei quantos à frente dos outros. É numa outra, algo de imensurável, quase divino até.

É que eu este fim-de-semana vi os jogos super difíceis da malta da 2º circular, contra adversários tão amigáveis, e vi gente a cantar durante meia hora seguida, estavam aos saltos e a bater palmas, dizem que o benfica é a paixão deles e que o sportem é o seu grande amor.

E tive inveja daquilo. Porra, eles são tão felizes. Eu gostava de andar assim extasiada como aquela gente. Mas não, passei o jogo com a académica a roer as unhas e a pensar que temos de ganhar os próximos jogos todos, para não os deixar escapar ainda mais.