São nomeações sempre mais ou menos discutíveis e que têm muito a ver com o contexto da altura em que acontecem. É estranho, por exemplo, que o único treinador tricampeão português (Jesualdo Ferreira) não tenha recebido essa honra. Quaresma, por exemplo, só pode ter sido um erro de casting.
Em 2011, para o jornal A Bola, o Homem do Ano foi Paulo Bento. O seleccionador nacional, suponho eu, foi nomeado porque conseguiu o apuramento para o Euro 2012. Não me lembro de outra coisa que ele tenha feito este ano, mas isso sou eu que andei tão distraída que não reparei que o benfica foi campeão.

Voltemos a Paulo Bento. Terá, obviamente, o seu mérito pela qualificação. Não era fácil substituir um mestre dos maus resultados como Carlos Queiroz. Difícil mesmo era colocar jogadores como Ronaldo, Nani e Moutinho a jogar péssimo futebol. E ele conseguiu-o. Talvez seja por isso que mereça a nomeação.
Portugal, que eu me lembre, teve uma qualificação miserável. Perderam-se pontos idiotas, fizeram-se exibições indescritíveis e nem sequer se deram bons exemplos. Ricardo Carvalho e Bosingwa, dos poucos internacionais com cartas mais do que dadas, foram afastados pela má disposição do nosso seleccionador. Não é o primeiro Homem do Ano que é arrogante (Mourinho e Ronaldo já o foram). Mas é o primeiro Homem do Ano que o é sem nunca ter ganho nada de jeito.
O palmarés, aliás, é invejável. Quatro segundos lugares no campeonato é de uma regularidade incrível. E uma Taça da Liga perdida para o fortíssimo setúbal do também vencedor Carlos Carvalhal. Estou a ser injusta, admito. Em quase cinco anos, ganhou duas Taças e duas Supertaças, a grande maioria ao meu clube, que nessa altura, nunca percebi porquê, parecia incapaz de ultrapassar no campo o sportem extremamente tecnicista de Paulo Bento.
Tenho saudades desses tempos. Hoje, quando vejo o Elias a passar a bola ao Capel, este a levar a bola à linha e a cruzar para o Volcesinkel (é assim que diz o senhor comentador da SIC e eu gosto) percebo como era bom quando o sportem não sabia construir uma jogada. Volta Paulo Bento, estás perdoado.
Este ano, assim de repente, também não estou a ver mais ninguém. André Villas-Boas só foi campeão, ganhou a Taça de Portugal e a Liga Europa. João Moutinho ganhou isso tudo no campo, exemplarmente, e ainda foi à Selecção mostrar como se faz. E Pinto da Costa - vamos perder a cabeça! - só é o presidente com mais títulos do mundo. Nenhum deles entrou nos critérios do Homem do Ano da Bola. Isto é, ganharam, foram os melhores e foram reconhecidos lá fora.
Para este ano de 2012, já antevejo uma corrida interessante. Eusébio e os seus 1500 exames no hospital privado que interessa publicitar na abertura dos noticiários são uma hipótese. Luís Filipe Vieira e os seus 1500 títulos no futsal são outra. Domingos e as suas 1500 desculpas para desresponsabilizar uma época que já está a ser miserável também me parece bem. Enfim, todo um rol de hipóteses que espero que continue a não passar pelos verdadeiros e únicos campeões.

P.S. O Homem do Ano 2011 teve ainda uma particularidade deliciosa. A capa não era inteiramente do Paulo Bento. No canto inferior direito lá estava ele, Jorge Jesus, a brindar ao novo ano com uma mensagem de esperança para os seguidores. A Bola pode nem sempre ser muito óbvia, mas nunca anda a dormir.
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