segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Horrível

Quando saí do Dragão após o jogo com o guimarães, convenci-me que o FCPorto - sem ponta-de-lança, com um treinador na corda bamba e jogadores com a cabeça bem longe – ia lutar pelo título. Jogámos bem, o público não se portou mal e houve até momentos de alegria, tão raros quando a minha equipa não vai em primeiro, com 20 pontos de avanço sobre o segundo.

Não estava, portanto, a contar com isto. Temi nova ausência de Hulk (nem todos podem ter 4 ou 5 destes…) para um terreno onde uma vez se festejou uma vitória sobre o FCPorto que deu o título ao sportem como se isso também valesse um campeonato para o gil. Mas lembrei-me que a táctica tantas vezes experimentada este ano do 4x3xcaos até tem vindo a funcionar.

Estranhei, desde logo, a braçadeira em Rolando. Eu sei que o nosso presidente tem um fetiche estranho com ele, mas dar a responsabilidade de liderar a equipa num momento tão instável a um rapaz que, ao que me parece, se fosse abordado por dois miúdos de 5 anos na rua, num local escuro, lhes entregava a carteira, o relógio e o telemóvel aos gritos, antes de perceber que lhe iam pedir um autógrafo, não me parece muito inteligente.

Depois, vi o horrível no seu esplendor. Já se sabia que o gil vicente, que na semana passada tanto atacou, e correu, e foi para a frente lançado, não ia jogar assim connosco. E assim foi. A apatia nos primeiros 15 minutos foi total. Não houve remates, não houve lances de génio, não houve nada. De um lado, uma equipa que ia fazer de tudo para não perder. Do outro, uma equipa que ia fazer de tudo para não ganhar.

Aos 15 minutos, depois de uma falta evidente, mas para o lado errado, o cruzamento foi para a entrada da área e até parecia um desperdício. Mas o central do gil foi mais inteligentes do que três (TRÊS!!!!) jogadores do FCP e cabeceou a bola por cima do guarda-redes mais mal colocado do mundo. Ainda ninguém tinha acordado – nem mesmo o adversário – e já perdíamos.

Quem esperou uma reacção à Porto, como eu, ainda hoje se pergunta o que terá acontecido depois. Na defesa, pareciam malucos, a deixarem os avançados do gil tão sozinhos, tão sozinhos, que pareciam o Hélder Postiga. No meio campo, em vez de pegarem na bola e resolverem aquilo, lançavam-se contra os cotovelos adversários na grande área, imitando o João Vieira Pinto contra o inocente braço do Paulinho. E, lá à frente, o caos era tanto que até o Kléber teve duas oportunidades de golo, que o guarda-redes adversário, uma vez com as mãos e outra com uns pontapés, safou.

O FCPorto esteve a perder 3-0 e só não foram mais porque não houve mesmo hipótese de inventar mais lances de perigo para o gil. Eu não vi mais o jogo. Garantem-me que a coisa melhorou, que reduzimos a vantagem e que as entradas de Belluschi e Danilo abanaram um bocado aquilo. Eu não acredito que tenha deixado de ser horrível.

O título parece-me entregue (e o verbo aqui utilizado não podia traduzi-lo melhor) e resta-nos agora tentar amortizar as consequências de uma época onde nunca fomos Porto. Revoltem-se, agarrem-se uns aos outros e mandem uns embora, se for preciso. Vão buscar quem sabe o que isto é, como o nosso Comandante. Temos uma Liga Europa para disputar e muita paixão para ultrapassar.

O FCPorto a cinco pontos do primeiro é uma sentença de morte. Não esperem que alguém apelide o encontro na luz de “jogo do título”, como gostam de o fazer quando os outros estão a 8 ou 10 pontos de nós. Não acreditem que a tarefa tão bem executada na Feira e em Barcelos está terminada. E, sobretudo, não voltem a vestir essa camisola se não estiverem dispostos a lutar contra esta merda.


P.S. Aos leitores do futuro, que venham aqui parar graças a uma pesquisa estranha no google, algures em 2025, devo esclarecer-vos que este meu texto foi uma tentativa de analisar os problemas do Porto à maneira do jornal A Bola, isto é, sem referir que o árbitro (Bruno Paixão, esse velho camarada da roubalheira) foi o grande responsável pelo resultado.

2 comentários:

  1. C., compreendo a tua desilusão, pois parece ter acabado o tempo da fruta e dos rebuçados. Quanto à análise do jogo e da "roubalheira de que foram alvo", dou-te a minha visão das jogadas (tipo põncio, e portanto impardcial, mas ao contrário): o penalte sobre o belga não existe porque não há intenção; o penalte sobre o kleber também não, pois a bola já não estava lá e também não houve intenção ! O off-side que origina o 2ª golo do Gil é possível que exista, mas o fiscal está muito próximo e não tem direito a repetição, sendo pois o erro aceitável !
    Continuaçon

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