sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Luta de classes

Em toda a História, em todos os contextos políticos, económicos e sociais, facilmente encontramos sempre um opressor e um oprimido. Karl Marx (que eu vou citar aleatoriamente porque nesta casa ninguém liga nada a estas coisas) identificou-os como burguesia e proletariado. Na quarta-feira, em Manchester, eu vi de um lado o city e do outro o FCPorto.

Os três avançados deles custaram 100 milhões de euros. Nós temos o Kléber. Dar-se ao luxo de entrar de início com Aguero, lá pelo meio deixar o Dzeko dar uns toques e nem sequer usar o Balotelli devia ser proibido. Nós, que tínhamos de marcar pelo menos dois golos para passar, deixámos o nosso único ponta-de-lança no banco, e nem nos atrevemos a metê-lo para não piorar a situação.

Lembro-me que, nas aulas de Educação Física, o professor escolhia dois alunos para fazerem as equipas. Às vezes, um deles não era muito inteligente, por isso, e apesar de poderem escolher à vez, as equipas ficavam tão desiguais que o professor intervinha e trocava alguns de um lado para o outro para equilibrar as coisas. Devia ter sido assim nesta eliminatória.

Podem argumentar que é assim que se sentem todos os feirenses, rios aves e afins em relação aos dois grandes do futebol português. Sim, ok, compreendo. Mas o city não é o que é porque ganhou mais, ou porque tem mais adeptos, ou porque é melhor. Aquele clube é o que é graças a um bilionário qualquer que lava lá o seu dinheiro. Pior: lá têm tanta consciência disso que têm uma grande faixa no centro da bancada onde se lê "Manchester thanks you Sheikh Mansour". E isso mete-me nojo.

A luta foi desigual. Sabíamo-lo desde que a porcaria do sorteio nos ditou tal sorte. Mas isto é futebol e, se na História o oprimido se tem tramado de revolução em revolução, pelo menos nos relvados já vimos muitos Davids a humilhar Golias. Acreditámos, claro, e ainda fomos a Manchester mostrar como se apoia um clube àqueles meninos ricos que têm um palmarés com meia dúzia de títulos nacionais. Nós somos Porto e, apesar de oprimidos pela força do capital, já ganhámos muito mais do que eles.

Levámos 6-1, mas não nos sentimos humilhados. Jogámos bem, fizemos o que podíamos e houve várias incidências que os ajudaram. Temos consciência que eles nos deram a bola quando quiseram, que fomos controlados e que com este Porto só iríamos lá com uma dose de sorte que nos foge constantemente esta época. Mas, enfim, a nossa luta não é esta. O que interessa agora é controlar os danos e lutar pelo campeonato.

Antes de terminar, permitam-me uns momentos a sós com esse esteio da verdade desportiva, Michel Platini. Aposto que este ano, se tiveres a final de Manchester que tanto desejas, não vais ficar preocupado com os sheikhs e russos que andam por aí a destruir o futebol. Desde que eles joguem com um ou dois ingleses não há problema nenhum, não é?

2 comentários:

  1. Antes ganhar com dinheiro do que com café e fruta.

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  2. ... ou com o "petróleo" de Angola, ou com "pó" nos pneus. ele há para todos os gostos.
    o que (vos) safa é que há sempre um João «pode ser o João» Ferreira para desempatar, certo? certo!

    e que a Briosa jogue bonito este Sábado, é o que eu (também) vos desejo.

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todos vós! ;)

    Miguel | Tomo II

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