quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O futebol ao contrário

Feira, Barcelos, Madeira. Não se fala de outra coisa. As arbitragens estão a ter influências evidentes nos resultados e estão pelo menos a tentar ajudar a resolver o campeonato e a taça. E quem achar o contrário é melhor fechar já esta página e ir a correr ouvir o Rui Santos.

Este texto não vai ser, contudo, uma argumentação sobre o quanto o FCPorto tem sido prejudicado e os seus rivais beneficiados. É um facto, portanto não vou perder tempo com isso. Prefiro antes constatar como neste assunto somos todos iguais.

Recordo perfeitamente o dia em que conheci o pai do M., um benfiquista à séria (não escrevi lampião porque o respeitinho é muito lindo). Porto e benfica jogavam de seguida e decidimos ir lá a casa ver as duas partidas. Primeiro foram eles e eu, apesar da vergonha inicial, não evitei marcar umas faltas, assinalar uns foras-de-jogo e reclamar uns cartões. Lembro-me da cara do meu sogro, estupefacto, de olhos abertos para o M., provavelmente a questionar-se onde é que ele tinha desencantado uma extraterrestre.

O jogo ainda nem a meio ia e já ele desabafava:

- Tu vês tudo ao contrário...

E é mesmo assim. Um jogador do benfica caía ao chão e eu gritava que se estava a atirar para a piscina, que se via perfeitamente que não era nada, enquanto eles pediam amarelo e talvez vermelho por uma entrada tão dura. O fiscal-de-linha levantava a bandeira e eu via claramente aquela perna à frente do defesa, enquanto eles exemplificavam na sala como o jogador do benfica estava três ou quatro metros atrás.

Além da visão, também outros sentidos são afectados. Eu insultava o comentador, claramente lampião, que não conseguia dizer que os nossos estavam a jogar melhor. E eles a insistir que o gajo era do Porto, toda a gente sabia disso, lá estava ele outra vez a elogiar o benfica para disfarçar.

E as repetições, meu deus, como se esquecem de as passar quando não favorecem o benfica! E eles a defender que todos os realizadores da Sporttv têm o cartão de sócio do FCP no bolso.

Tudo ao contrário, de facto. O benfica ganhou esse jogo com um golo decorrente de um livre cuja falta não existiu. O M., antes deste ser marcado, admitiu que não era nada. O meu sogro calou-se, porque foi mais esperto e aprendeu primeiro do que nós o que se deve fazer quando o inimigo está mesmo ali. Quando é mesmo muito, muito evidente, só podemos remeter-nos ao silêncio. Admitir, nunca. Só quando estamos a ganhar por 5-0 e devia ter sido marcado um penalty para os adversários. Aí sim, damos aquele ar de adeptos racionais, e dizemos com um ar condescendente:

- O árbitro podia ter marcado...

O Porto jogou a seguir e a história repetiu-se, mas ao contrário. Quando é o M. a ver um jogo com os meus pais, exactamente a mesma coisa. Todos nos queixamos, todos estamos convencidos que somos os mais prejudicados e que o mundo está contra nós. Todos nos lembramos daquele campeonato roubadíssimo, daquele árbitro que favorece sempre o mesmo e daquele penalty que até o Tribunal do Jogo assinalou por unanimidade. Todos chamamos ladrão ao Paixão, gatuno ao Proença e cabrão ao Duarte Gomes.

Não acho que sejamos todos malucos, embora compreenda se assim o pensarem. Acho é que somos todos uns adeptos do caraças, que os nossos clubes têm muita sorte em ter pessoas assim a defendê-los e que o Porto e o benfica são muito diferentes, mas nós não.

4 comentários:

  1. C., tens toda a razão, desta vez !
    A fruta e os rebuçadinhos foram mandados para casa do costa, o calheiros veio do Brasil, e o pratas andou a perseguir o paulinho santos !

    Bjs

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  2. Ó C, por vezes pergunto-me: será que a C acredita mesmo naquilo que escreve? ´;)

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  3. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=1178046
    Aqui está a prova redonda de que nem sempre é assim ;)

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  4. caríssima C.:

    eis só eis o meu estado de espírito para hoje:
    «amo-te FC Porto»!

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todos vós! ;)
    Miguel | Tomo II

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