quarta-feira, 28 de março de 2012

Manifesto anti-braga

Parece que por estes dias sou das únicas pessoas neste país que não quer que o braga seja campeão. É que eu odeio este clube, não há nada a fazer. Eu e os adeptos do guimarães, claro, que desconfio que nem das próprias mães gostam.

Voltemos uns anos atrás. A primeira vez que fui a braga ver o Porto foi em 2001/2002, ao antigo 1º de Maio. Ainda dava os meus primeiros passos pelos estádios deste país, por isso achei que ia visitar mais uma equipa pequena, amigável até, daquelas que não chateiam ninguém. Pensei que seria giro ir passear a um estádio histórico, até porque infelizmente naquela altura já se adivinhava que o Porto não seria campeão, pelo que acreditei mesmo que ninguém levaria aquilo muito a sério.

Puro engano. Se a memória não me atraiçoa, não éramos muitos. Eu era miúda, mas já tinha aprendido que nunca se anda com o cachecol da nossa equipa à mostra quando estamos em terreno desconhecido. Mas houve adeptos do Porto que arriscaram e saíram-se mal. Lá dentro, as coisas não melhoraram. Eu vi o ódio nos olhos deles, ouvi-os a rimarem tripeiros com uma forma depreciativa de homossexualidade e a chamarem-nos povo de merda. A nós, nortenhos, que vivemos ali ao lado. Chocou-me a quantidade de adereços de um clube de Lisboa numa cidade do Minho. Os portistas mais experientes cantavam contra esse clube. E eles, surpresa das surpresas, cantavam de volta. Mas o que é isto? Por que raio é que estou em Braga a ouvir isto? Esta gente enganou-se? Não, não se enganaram. Durante muitos anos, ir ali era como ir à luz, mas a ouvir um sotaque muito mais intimidador. (Ganhámos 4-0 esse jogo, enorme McCarthy).

Braga e eu temos ainda menos em comum. A cidade (que é muito bonita e é uma maravilha para viver) respira um ambiente religioso que me enoja. Uma vez fui lá passar umas férias, umas semanas antes do último referendo do aborto, e não conseguia andar 5 minutos sem encontrar um cartaz ou um panfleto a chamar-me assassina e pessoas sentadas nos bancos de jardim a ler jornais da igreja. Blhack. Para piorar o cenário, a mais antiga claque do braga chamou-se, em tempos, Red Skins, o que joga muito a favor do meu ódio.

O braga de hoje, sublinhe-se, é muito, muito diferente. Um presidente e uma direcção fortes formaram uma boa equipa e, acima de tudo, conquistaram adeptos para o clube. Agora, ir a braga é ter cuidado com o cachecol, ouvir insultos e o mesmo sotaque intimidador, mas pelo menos já são pelo clube da terra deles. E isso merece toda a minha admiração.

No AXA, um dos estádios mais bonitos do país, é certo, mas cuja falta de bancadas atrás da baliza me faz comichão, canta-se só pelo braga, só há cachecóis do braga e só se torce pelo braga. Não me lembro em que ano, mas recordo-me que uma vez já estávamos lá dentro quando acabou um jogo do tal clube de Lisboa, que não venceu, e eu até me emocionei quando vi os bracarenses a comemorar o falhanço dos outros. Porra, foi lindo. Mas eu não me esqueço dos outros tempos.

E não me esqueço também que o braga está melhor, está mais sólido, mas nunca ganhou nada além de uma Taça de Portugal. Isto de ir buscar jogadores que os outros não querem é muito giro, quando eles ainda por cima jogam melhor do que as grandes estrelas tão bem pagas dos grandes ainda mais, mas para mim, que sou do Porto e quero ganhar sempre tudo, isso não chega. Ao braga, falta ganhar. Não estou a dizer isto como uma exigência, atenção. Acho que o braga chegar à final da Liga Europa e consolidar terceiros lugares sucessivos é suficientemente impressionante e acho muito bem que os bracarenses se sintam orgulhosos "só" com isso. Mas concordarão comigo que ao braga falta chegar aos jogos decisivos e ganhar. Podem fazê-lo já nas próximas semanas, mas até agora não vi nada.

Claro que eu até percebo que os lagartos torçam pelo braga campeão. Contentar-se em perder tanto como os rivais é suficiente. Compreendo que os lampiões também o façam. Afinal de contas, o vermelho ainda os une, e já não há assim tantos que não tenham como principal objectivo que o Porto não seja campeão. E, claro, aceito perfeitamente que os bracarenses acreditem que é possível, porque são a equipa que está a jogar melhor e que mais merece. Só não posso é levar a bem que haja adeptos do Porto que o digam, ainda que, quero acreditar, apenas como desabafo de quem está absolutamente desesperado.

Camaradas, a hora é de luta e podem crer que ninguém vai andar por aí com simpatias. Somos nós contra eles, todos, vermelhos ou verdes ou o que nos aparecer à frente. Dizerem-me que mais vale estes do que os outros soa-me a ter de escolher entre mandar-me de uma janela de um terceiro ou de um décimo andar. É que o que eu quero mesmo, mesmo, é não ter de me mandar de andar nenhum e festejar mais um campeonato do nosso FCPorto.

3 comentários:

  1. Eu sou portista a 100% e tal como tu acredito até ao fim que vamos ser campeões, no entanto digo, que a não sermos que seja o Braga, o Benfas é que nunca!! E como eu devem pensar muitos por isso é que por estes dias há muita gente que diz torcer pelo Braga...

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  2. fiquei fã deste blog textos muito bons tanto seus como do seu namorado....ontem estive ate as 6 da matina a ler os vossos textos... parabéns aos dois...
    ah e sou portista queria muito que o FCPorto fosse campeão mas o facto é que não merecem quem merece é o Braga que com recursos limitados joga o futebol que joga...

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  3. Também eu quero muito, apesar de tudo, que o nosso FC Porto seja campeão.

    Para que fique bem claro, na escala do querer, para mim, primeiro está o FC Porto, em segundo o FC Porto, em terceiro o FC Porto e assim sucessivamente...

    Mas se o meu querer não for correspondido, mal por mal, que seja o Braga, por quem eu nutro os mesmos sentimentos que tu, por me rever nas emoções que aqui nos relatas de forma tão avassaladora.

    Mais uma vez parabéns por este texto.

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