terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu quero ser o Vítor Paneira


El futbol es la recuperacion semanal de la infancia – Javier Matias, “Salvajes y sentimentales – Letras de fútbol”

Quando jogava à bola com os meus amigos, na época onde nos sentávamos na sala de aula no intervalo de jogar à bola, e onde cada um de nós tinha um nome do seu jogador preferido, eu era o Vítor Paneira. Nunca quis ser o Magnusson nem o Águas nem o Valdo. Eu queria ser como o Paneira.
Vem isto a propósito da Catarina ter chegado a casa e, com o sorriso que me preenche, ter-me dito com ternura que tinha falado com o Paneira, como quem diz “Desculpa, eu sei que gostavas que tivesses sido tu”. Eu não gostava só de falar com o Paneira. Eu quis – e quero – ser como ele.

Vítor Paneira tem um nome tão português quanto invulgar e se houve jogador que personficou o Benfica em campo foi ele. Paneira (havia um tipo na minha escola que dizia “Páneira” e eu odiava-o por isso) era quem eu queria ser.
De Paneira guardo praticamente tudo. A finta letal para fora e os arranques. Mas, sobretudo, a inteligência com que lia o jogo e a concentração. Paneira jogava concentrado, como se tudo dependesse daquilo. Paneira jogava com olhar sério, expressão dura, sem sorrisos. Quando marcava explodia para a bancada, com os braços a rodar no ar, partilhando a alegria e o alívio que os verdadeiros adeptos sentem quando marcamos.

A minha primeira memória exacta do 7 da minha infância – e, logo, da minha vida – é de um Salgueiros-Benfica. Paneira estava no banco e eu fiquei alarmado. O meu pai explicou-me que o escondíamos da temível Juventus (do Trap), que viria à Luz jogar os quartos de final da UEFA. Ganhámos 0-3 com um golaço impressionante do Kulkov (um chapéu a 30 e tal metros ao Pedro Espinha) e o Paneira entrou no fim para defesa direito. Quando a Velha Senhora veio à Luz, ganhámos 2-1 com dois golos do Paneira. Seríamos depois eliminados em Turim, no jogo que me fez ficar a detestar a Juve para sempre, com o primeiro golo a ser marcado pelo Kohler, que depois de partir o nariz ao Silvino (esse frangueiro traidor que se desviou dos penalties com o PSV) encostou para o 1-0. Mas dizia eu, ganhámos 2-1. O Paneira partiu-os todos. E lembro-me dos festejos, loucos como um grito, a atirar-se para os abraços dos adeptos. Eu queria ser assim. Eu queria ser jogador do Benfica, ter um nome português e invulgar, marcar na Luz cheia e atirar-me para as bancadas.

Paneira tinha um semblante carregado como se jogasse xadrez. Parecia imune às bancadas adversárias, parecia que vivia num mundo só seu, que sabia esperar até à última pela entrada do defesa esquerdo adversário para, com a parte de fora do pé direito, fintar para fora e arrancar para o cruzamento. Tive sempre a sensação de que Paneira era a única pessoa no mundo que queria tanto ganhar como eu.

Há um lance mágico na final da Taça de 92/93 contra o Boavista em que a equipa troca toda a bola rápido, o Paneira tabela com o Águas e à saída do guarda redes, Paneira pica a bola para golo. O vermelho que estava no Jamor explodiu. Foi a coisa mais bonita que a melhor equipa que eu me lembro do SLB fez. Estava em casa, numa tarde soalheira, com o Tiago Palma, Farense fanático e simpatizante do Glorioso. Vimos o jogo felizes. A minha mãe tocou à porta e eu, como era um puto (demasiado) bem comportado, desci os 3 andares para a ajudar a carregar as compras. Quando subi, o Tiago – nunca me hei-de esquecer da cara dele – disse-me com pena: “O Futre marcou um golão”. Eu perdi aquele 3-1 porque ajudei a minha mãe com as compras. Tinha 9 anos e nunca mais me esqueci disso. O Paneira faz parte disso, desse constante regresso à infância.

O Paneira é a minha ligação ao meu avô, quando festejámos os dois um 1-0 ao Beira – Mar no último minuto, de penalty, em 93/94 (roubaram-nos uns 4 penalties nesse jogo, antes que se ponham com bocas). O meu avô foi buscar-me a casa do Tiago, eu desci a correr, pedi-lhe para por o relato e estávamos na Avenida 5 de Outubro em Faro quando o Paneira rematou.

Foi a época de todas as épocas, para qualquer Benfiquista da minha geração. Os verdes haviam-nos roubado Paulo Sousa (que é o maior verme, o maior traste, a pessoa por quem tenho menos respeito no mundo) e Pacheco e tinham uma super equipa. Nós estávamos destruídos, quase perderamos também JVP e os russos bebiam como russos. Naquela noite maravilhosa de 14 de Maio de 1994, Paneira não fez os 3 de JVP nem os 2 de Isaías e nem sequer aquele último do Hélder. Mas estava lá.

É ele quem salta sobre a bola no 3º golo, depois do livre do Aílton e a mete ao segundo poste. É ele quem assiste o Hélder no 6º golo. Mas guardo o 4º com carinho.
Para quem não sabe – e portanto não é do Benfica – a perder por 2-3 ao intervalo, Carlos Queirós retirou o defesa esquerdo, Paulo Torres. A ala esquerda ficou ali, ao relento. E Paneira, como bom xadrezista, explorou o erro até ao limite. Fê-los sangrar. E hoje, ao rever pela enésima vez o resumo do 3-6 (já sei quase tudo de cor), apercebo-me que Paneira os quis castigar por todos nós. Por todos os que nos sentimos humilhados com a saída de Paulo Sousa, por todos os que – como eu – fomos gozados no recreio. Outros foram no café, outros no trabalho. Paneira pensou em nós. E no 4º golo investe pela esquerda. Passa um, passa dois e adianta demais. Paulo Sousa cobre a bola. E Paneira acredita. Paneira acredita que o traidor vai falhar, acredita que vai ficar com a bola, acredita que o recreio vai voltar a ser bom. E Paneira ganhou a bola ao traidor. Porque é ele era o Benfica e acreditava sempre até ao fim e lutava, lutava, lutava como nós lutaríamos com aquela camisola vestida. E depois cruzou. JVP finge que não é nada com ele e deixa a bola passar. Isaías matou-os.

Tinha 12 ou 13 anos. Paneira tinha sido escorraçado da Luz e jogava no Vitória. Ganharam-nos na Luz 1-3 e Paneira, aos microfones na rádio, mostrava toda a sua mágoa contra aquele Benfica. Contra o Benfica que o expulsara, contra aqueles dirigentes que destruíram que restava de mística no meu clube. Nunca vi esse jogo, esses golos. Lembro-me bem da tristeza que senti quando o Paneira falou do lado de lá.

Se o Benfica um dia voltar a ser Benfica, vamos buscar o Paneira. Será treinador de juniores ou ficará só por ali, a fazer o que bem entender. Paneira é a infância e a juventude de muitos de nós.
Tenho 28 anos. Às vezes, no caminho para casa, ainda me imagino jogador do Benfica, capaz de levantar a Luz, arrepiado com a sensação de marcar um golo pelo clube do meu coração. Imagino-me a correr para a bancada, de braços no ar, como um grito. Eu, aos 28 anos, ainda quero ser o Vítor Paneira.


39 comentários:

  1. Que bonito! Que saudades do Paneira. Que saudades do Benfica.

    Abraço

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  2. Epá, texto maravilhoso!
    Obrigado aos dois e por favor não parem de escrever :)

    Cumprimentos Portistas!

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  3. Grande Vitor!

    Para quem não tem acompanhado, está a fazer um grande trabalho no tondela, prestes a chegar à II liga.

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  4. É por pessoas como tu que o Benfica (o nosso Benfica, o Benfica do 3-6) continua vivo.

    Obrigado.

    André

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  5. Obrigado... eu hoje aprendi a amar o Paneira, já gostava dele, hoje compreendo que ele é um comigo, com todos nós... obrigado!

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  6. Um dos melhores de sempre...se fosse brasileiro ou argentino era um Deus na Luz.Grande Paneira, ainda hoje sinto a tremideira do Trapatoni quando falhamos a goleada nessa eliminatoria tao mal perdida.

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  7. Caro M.,

    Paneira tinha uma caracteristica que só não era original porque alguém teve a brilhante ideia de lhe juntar o Isaias no mesmo balneário: ambos nunca poderiam concorrer a troféus de jogador do ano, por exemplo. Mas em ambos existia uma aura mistica que os tornava idolos das peladas de recreio. Tenho quase a certeza que por essas escolas fora, houve muito mais Paneiras e Isaias do que Valdos, JVP ou Mozers (sim um puto central sarrafeiro preferia ser Isaias que Mozer). Talvez houvesse neles aquele toque que faz o adepto pensar "olha um gajo igual a mim e joga na minha equipa". Talvez tenha sido essa a principal razão de artur jorge tudo ter feito para os colocar fora do Glorioso.

    Quanto aos momentos que falas, recordo Paneira agarrado à rede no 1-0 à juve e a correr para o mesmo sitio no 2-1, perante o desespero de Vitor Correia na rtp "Paneira não pode ir para a rede... Paneira pode ver o segundo amarelo...".

    Jogos com o Beira Mar e com o Gil Vicente na Luz fizeram-me odiar até à raiz da minha aorta (não sei se isto existe, mas vamos partir do principio que sim) o Acacio e o Vital. Foram os percursores do "Costinhismo" e do "William Andemismo". Só lá ia de penalty e a explicação pode ser encontrada numa celebres declarações do guardião aveirense, olimpicamente ignoradas, nas quais ele admitia ter recebido uma mala de dinheiro pela vitoria 1-0 contra o SLB em 92/93 (se não estou em erro).

    A Final da Taça recordo de ver no Fundão, num café na Rua JOrnal do Fundão. Toda a gente recorda Futre, Paneira, Aguas, JVP etc... eu recordo Neno... os cantos pah, os cantos...

    Do 3-6 o que dizer? A confirmação de que o SLB acabou será no dia em que se fizer um jantar de comemoração desta data... já esteve mais longe.

    Já agora, do paneira fica essencialmente a finta do "desvia para o lado direito e corre" e a camisola fora dos calções na área da nadega direita e coxa da perna direita.

    Abraço

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    1. Rei Constantino (para quem não sabe, o Constantino é o monarca incontestado da blogosfera Benfiquista): esses cantos do Neno, quase 20 anos depois, ainda me enervam. O Roberto parecia o Michel, comparado com o Neno (em cruzamentos). Leverkusen, o 3-6, o 5-2... Em todos os grandes jogos, lá estava o Neno. Dá a ideia de que, com Roberto, podíamos ter ganho a Taça das Taças.

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  8. como é bonito o Futebol vivido com paixão!

    (sei que parece um comentário "panisgas" - um pouco gay, pronto! - mas gosto de ler as tuas prosas. como já alguém o afirmou antes e eu subscrevo, as tuas crónicas já merecem um livro.
    e, já agora, aproveito a ocasião para me desculpar por um comentário anterior, bastante insultuoso para contigo. faço-o novamente por saber que, na altura, fui incorrecto e muito estúpido também. e badalhoco. um verdadeiro energúmeno, pronto!, e não se fala mais nisso.
    o que realmente interessa é que estava errado e tenho que te parabenizar pelo teu benfiquismo. sim!, porque também há benfiquistas puros. tu és um deles. e conquistaste o meu respeito e admiração.)

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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    1. Não se fala mais disso, Miguel :) E és o comentador mais assíduo do blog, portanto ainda tens mais créditos. Abraço!

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  9. Caro M.,

    Eu, portista com 41 anos, vi muitas vezes o Paneira ao vivo na Luz, que era perto de casa.
    Sempre gostei muito dele e sempre achei que era um jogador à Porto. Estava enganado no clube, assim como o vosso Maxi. Deviam ter vestido de azul e branco.
    Que ala direita seria com aqueles dois!

    O Diamantino, mais brilhante mas também mais pedante, é que era mais o vosso tipo de jogador.

    Abraço e continua a trazer-nos pérolas destas.
    Obrigado.
    PeLiFe

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    1. Caro PeLiFe, sou benfiquista e quase que compreendo esta sua afirmação ;) Às vezes, na Luz, olho para o lado e penso: "Que faz esta gente a assobiar o Cardozo?" Acho que para bom entendedor, meia palavra basta! Só não posso concordar com o comentário sobre Diamantino... era abnegadíssimo em campo e não o considerava nada pedante, mas antes brilhante. Fora de campo, confesso que não me recordo e não sei se é a isso que se refere. Um abraço.

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    2. Caro Anónimo,

      O Diamantino era também um grande jogador.
      O meu "pedante" era no sentido em que, não só não era tão esforçado (especialmente se fosse para defender) como era arrogante a jogar (porque sabia que era muito superior à generalidade dos adversários que lhe apareciam pela frente).

      Lembro-me de um jogo na Luz em que o Diamantino fintou umas 3 ou 4 vezes seguidas o Laureta (fraquíssimo defesa esquerdo do Porto que fomos buscar, salvo erro, ao Guimarães). Só descansou quando, para grande vergonha minha, sentou o Laureta no chão.

      Falando de extremos, e não querendo puxar a brasa à minha sardinha, o Jaime Magalhães também era um jogador da mesma altura que me dava um gozo enorme ver jogar. A sua exclusão do Euro 84 foi uma injustiça tremenda!

      Abraço,
      PeLiFe

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    3. Não me lembro desse episódio do Diamantino ;) ... O Jaime Magalhães era muito bom, de facto! Lembro-me de um golo que nos (Benfica :))marcou com 120 mil nas bancadas, com 1 pontapé de 35 metros em que o Silvino nem se mexe... Lembra-se? Acho que o jogo ficou 1-1. Aliás, nos anos 80 e princípio dos 90, eram 2 grandes equipas... o Benfica talvez com mais classe, mas o Porto era de um espírito fantástico. Era temível defrontar Jaime Magalhães, Bandeirinha, João Pinto, Gomes... e depois Branco, Geraldão, Domingos, Timofte... Tenho saudades do futebol ao Domingo à tarde ;) Abraços, MT.

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    4. Caro MT,

      Também tenho saudades. Eu, sócio do slb porque fica ao lado de casa e tive que aprender a nadar com professor, ia amiúde ver jogos na luz ao Domingo à tarde. Acompanhava o meu irmão mais velho, benfiquista.
      Era o tempo das goleadas. Na luz era um fartote. Mas felizmente existiam algumas excepções que alegravam o coração de um puto portista que não podia ir às antas. Como um célebre jogo do Farense do Paco Fortes.

      Mas de facto não havia nada como um benfica porto. Grandes jogos. Tremenda emoção. Eram dois dias por ano que já acordava angustiado e ansioso e passava o dia todo nervoso e à rasca.

      Já há muito que não me lembrava desse golo do Jaime Magalhães. E eu estava lá! Quando falou nele lembrei-me logo. Grande golo. Grande equipa. Foi em Janeiro de 88. O Porto era o campeão europeu (fui investigar. Não tenho memória para isto). E o resultado foi mesmo 1-1. Golo do benfica? Diamantino. Nem de propósito.

      Abraço
      PeLiFE

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    5. Caro PeLiFE, o futebol era bem mais bonito e muito mais acessível. Caro consócio :P , lembra-se que só 4 ou 5 vezes por ano é que se pagava bilhete, certo. E com menos de 12 anos, era sempre entrada livre!!!!!! Um abraço e pode ser que nos encontremos nas roulottes, um dia destes ;), que para mim, é o que resta do futebol mais puro! Abraço, MT.
      PS: Nesse jogo do grande golo do Jaime Magalhães, estariam seguramente mais de 110 mil pessoas no estádio. Saudades, taaaaaaantas, da antiga LUZ!

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    6. Era só para agradecer aos dois.
      Um abraço

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    7. Caro M., eu... nós (certo PeLiFe?) é que agradecemos este blog! Um abraço, MT.

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    8. O que é verdadeiramente saudoso, neste texto, além da justíssima recordação de um dos maiores talentos da história do Benfica, é o reconhecimento, neste diálogo, entre um Anónimo - que pena uma pessoa com esta estatura moral assinar assim - e o PeLife, que a relação entre os adeptos do Benfica e do FC Porto não foi sempre a sequela doentia e actual da rivalidade clubística. Parabéns ao M. pelo texto brilhante e por estes dois comentadores - posso chamar-vos assim - pela eloquente demonstração de desportivismo e de urbanidade.

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  10. Também era o meu jogador preferido à época! Como sou um pouco mais velho que tu, ainda fui a tempo de idolatrar o Nené em puto, mas o Paneira é o ídolo da adolescência (portanto, o Nené é o meu jogador preferido de sempre e o Paneira o 2º, porque, como apontas bem, nada ultrapassa um ídolo de infância. Dois números 7, será coincidência?).

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  11. Caro M, faço minhas as palavras do Miguel (Tomo II). Quando publicares um livro de crónicas eu compro. Mesmo que sejam todas do Benfica. Olha e se quiseres traduzir para o Inglês e precisares de ajuda é só dizeres.

    Quanto ao V. Paneira, sim senhor, um rapaz capaz de criar cabelos brancos na cabeça de um jovem Portista ainda não teenager. Como o PeLiFe diz acima, enganou-se no clube.

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  12. Texto simplesmente genial =) eu não me lembro do Vítor Paneira com tanto pormenor porque sou um pouco mais nova mas lembro-me que ele foi o meu primeiro ídolo do Benfica! =)

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  13. O Paneira era e é tãaaao grande! Que saudades!!!! Grande, grande jogador!! Estava na Luz no penalty contra o Beira-Mar, eu e mais 80 mil pessoas, num Domingo à tarde! Estava na Luz no jogo contra a Juventus do Baggio e do Viali! Também me lembro muito bem daquele que terá sido o pior (ou um dos piores) momento da sua carreira... o penalty falhado contra o Parma :P Mas lembro-me também do jogão que fez em Itália, 2 semanas depois! E do jogão que fez em Alvalade... e do jogão que fez numa tarde de chuva, na Luz, num empate a 0 com o Gil Vicente, onde falhou um golo isolado nos últimos minutos... Era um grandíssimo jogador, muito sóbrio e com grande classe! Tenho saudades do Paneira!

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  14. Olha e eu tenho 22 e o meu ídolo é e será o R9(fenómeno), nunca esquecerei aquelas arrancadas quando jogava no barça, no inter, na selecção com Bebeto. Nostálgicos jogos na TVI... Mais tarde a elegância do Zidane conquistou-me(qual Messi, qual Cristiano).
    No Benfica JVP(mas depois..."não se mencione o excremento") Karel Poborský!! Simão levava o Benfica às costas mas faltava-lhe qualquer coisa para ser ídolo, essa coisa, essa mística peculiar que o Aimar tem.

    Gosto muito dos teus textos, quando escreveste o magnífico texto sobre a "vida-vieira-censura-morte" do Benfica baptizei-te de Carol Reed.
    Grande abraço!

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  15. O Paneira era fantástico. Dele só tenho uma má recordação...um penalty falhado na luz contra o Parma na meia final da taça Uefa.

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  16. Eu, que infelizmente não cheguei a tempo de ser como o Paneira, após ler isto, também quero ser como ele!

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  17. Estou como o Constantino. O Paneira e o Isaías eram os "ídolos das peladas de recreio". Também adorava o Paneira, mas pela sua exuberância e força, o Isaías era aquele que sempre quis ser!

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  18. Incrível como a leitura de textos como este, e respectivos comentários pode até trazer à memória, mais do que imagens, cheiros... sob a forma de recordações. Muito obrigado a todos por este bocadinho... :')

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  19. Sendo eu mulher, também quis ser o Paneira. O meu grande ídolo por quem derramei muitas lágrimas no dia em que saiu do meu Benfica. Lembro-me como se fosse hoje, sentada no sofá em frente á tv, incrédula, em choque, com as lágrimas a caírem pela face, sem as conseguir controlar. O Paneira saía do meu Benfica. E eu chorava. Insultava os dirigentes. Chorava.
    Ao ler o teu texto as imagens daqueles jogos passaram pela minha cabeça...parecia que estava a ver novamente o Paneira a jogar... Que saudades do nº7 de camisola larga a deliciar-nos com as suas jogadas fenomenais. Saudades de um jogador com garra, com mística, com raça, com querer.
    Sou mulher, e também quis ser o Paneira ;)

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  20. Possivelmente a minha primeiras memorias do Benfica é o golo do Paneiro contra a Juventus que vai festejar para a rede e leva amarelo. E o nariz partido do Silvino (se não me engano esse jogo deu na SIC, numa altura que ainda não se apanhava bem SIC em tudo lado, e na minha terra só havia uma casa que apanhava com pouca chuva e fomos para lá ver o jogo).

    Os senhores de bigode destruíram o Benfica.

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  21. Caro Manel.
    Nós já nos conhecemos, por intermédio de um amigo em comum (Manuel Soares). Queria felicitar-te, a ti e à tua esposa, por este fantastico blog e não estivesse eu a fazer uma peça sobre ti e o nosso grande ídolo Vítor Paneira, concerteza ficaria a ler os posts desmesuradamente. Não sei se vai a tempo mas se for, é para saberes que na quarta-feira à noite estreia no futebol slb e também na informação. É uma tarefa árdua esta de demonstrar o afecto entre o adepto e o ídolo, ainda para mais, o grande Paneira, vou tentar. Espero que gostem. Qualquer coisa é só dizeres. Um abraço

    Nuno Miguel Machado, BENFICATV

    nunomachado@slbenfica.pt

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  22. E acabei precisamente agora de ver (em repetição) a peça da Benfica TV que, está a altura desse grande acontecimento. Que inveja pois o Paneira foi um dos grandes idolos da minha juventude também e, sei que é lamechas, mas até me comovi com esta dupla carga de emoções de rever o velho Paneira humilde como sempre com o criativo autor deste espaço e, depois ler aqui este maravilhoso texto que me fez viajar de volta aqueles tempos... que saudade e, como aqui já alguém referiu, sensações diversas, como até cheiros e imagens desfocadas que se me materializaram por momentos... Obrigado a todos os participantes, ao M. e, claro, a ti Vitor, que deixaste um legado bem rico de admiradores como poderás aqui ver (ler). Anseio o dia que resurjas no meu SLB, para qualquer função que esteja a tua altura. ET PLURIBUS UNUM! Luis Carvalho

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  23. Todos nós que vivemos essa época temos inúmeras saudades e um grande carinho pelo Srº Vitor Manuel da Costa Araújo.E é bem verdade que nos jogos da escola Paneira e Isaias eram os preferidos.Na ultima final da Taça este senhor entrou para as bancadas do Jamor junto dos adeptos do Benfica.Houve uma altura em que esteve ao meu lado,e eu timidamente cumprimentei-o.Naquele momento o jogo passou para segundo plano,tinha acabado de falar com o meu maior ídolo de sempre do Benfica,recordei-me de tudo aquilo que o nº7 nos tinha proporcionado,da maneira sacana como foi corrido do nosso clube pelo poeta infiltrado.Como o autor do blogue e muitos outros benfiquistas que aqui já comentaram,eu também quis ser o Vitor Paneira.A quem escreveu este magnifico texto o meu muito obrigado.Paneira foi um dos últimos símbolos de um verdadeiro Benfica,esse Benfica que foi destruído em 1994 todos nós sabemos por quem e a mando de quem.

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  24. Confesso que nao gosto muito da blogoesfera e portanto nunca tinha lido este texto.Mas vi a reportagem na Benfica Tv e fiquei com curiosidade,porque tambem eu era fan do V.Paneira.Lembro me do meu falecido Pai dizer sempre:este Paneira tem uns pezinhos de ouro.Tenho 28 anos tal como tu,e acredita que fiquei emocionado com este texto,porque se tivesse um blog e escrevesse um texto do nosso 7 era isto que escrevia,nem mais nem menos.Exatamente igual.E a primeira vez que dou uma opiniao em um blog,mas tinha de o fazer.E um muito obrigado ao Vitor e a tantos outros pelas alegrias que me deram,que me faziam abraçar o meu velhote e sao as melhores recordaçoes que eu tenho de infancia.SOU DO BENFICA E ISSO ME ENVAIDECE.VIVA COSME DAMIAO.VIVA O BENFICA.SEMPRE PRESENNTES.

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  25. Obviamente com 1 centésimo da qualidade deste teu texto sobre Vítor Paneira, mas também há cerca de 1 ano e tal escrevi sobre ele.
    Vítor Paneira foi também o meu ídolo. E, com 35 anos, de todos aqueles que vi, aquele que será sempre o primeiro, o melhor e que simboliza o meu Benfica.
    Esta frase "Desculpe, estou no melhor Clube do Mundo e está a perguntar-me se vou para o Sporting?!” nunca a esquecerei.

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  26. Bonito. É este o único adjetivo, o mais simple e mais belo, que poderá caracterizar este texto. Revejo-me em todos os momentos. Tenho 33 anos e comovi-me a lêr estes relatos, pelo seguinte: tenho, ainda hoje, um equipamento do benfica, marca aronick, comprado pelo meu avô na loja do benfica, com o número 7 nas costas que vestia e me punha em frente ao espelho do guarda fatos dos meus pais a imaginar o dia em que sentiria o alegria suprema de entrar em campo com ele envergado. Na escola (vivia em VN Gaia) era eu o primeiro defensor do benfica, muita porrada levei e dei por causa do benfica. A minha professora primária (portista) marcava um jogo de Porto-Benfica no final do ano letivo e eu, pouco habilidoso para a bola, matava-me para vencer, sempre com o meu equipamento 7 vestido... Tantas memória... Bonito lembrar.

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  27. Hoje estava eu a jogar futebol com o meu filho de 5 anos, como sempre todos temos os nossos ídolos. O meu pequeno quer ser o seu ídolo "Gaitan", e inesperadamente pergunta-me "Pai quem queres ser?", a minha mente vem de imediato, Vítor Paneira. Neste momento está a dormir e navego pela internet à procura de lhe mostrar quem é o mágico da época do Pai. E chego aqui a este texto maravilhoso que transmite de forma fiel o sentimento que tenho pelo "meu" mágico. Sem o protagonismo que é dado nos dias de hoje os mágicos, Paneira seria hoje, com as condições e a visibilidade dos media, um dos grandes jogadores do mundo futebol. Pena tenho que o meu Benfica não faça regressar um dos seus mais fiéis exemplo de um jogador a BENFICA. Os meus parabéns por tamanha homenagem ao melhor e mais carismático jogador do meu clube que tão maltratado foi por dirigentes sem memória e gratidão. Obrigado

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