terça-feira, 4 de setembro de 2012

Obrigada, Hulk

Estava a trabalhar na redacção do Porto quando me chamaram para ir à janela ver a nova contratação do FCP. A primeira coisa que pensei foi que nunca tinha visto um jogador de futebol tão largo. Percebi imediatamente que a alcunha «Incrível» não devia ser por acaso.

Mas aquela que guardo carinhosamente como a primeira recordação tua, Hulk, e que tão bem te define, aconteceu na tua estreia no Estádio do Dragão. Jogávamos contra o belenenses e tu entraste já na segunda parte. O FCPorto ganhava, mas 1-0 é um resultado que nunca satisfaz aquela plateia. Houve um livre e tu assumiste que querias bater. O Mariano, coitado, ainda não devia ter treinado muitas vezes contigo, porque se colocou à frente. Saiu lesionado. E tu ainda marcaste o segundo. Percebi imediatamente que tínhamos ali os pés mais fortes do mundo.

Se há momento teu que o mundo não pode esquecer é aquele que protagonizaste em alvalade, com o único jogador que pesava mais do que tu na altura. Eu estava lá, e desde que pegaste na bola que comecei a gritar “Hulk, Hulk, Hulk”. E gritei, e gritei, e gritei. E tu correste, e deixaste o Rochemback para trás, bem para trás, e fuzilaste-os. Percebi imediatamente que tínhamos ali um Fenómeno.


Depois, Hulk, foi uma questão de ires aguentando os assobios do Dragão. Sonho com o dia em que terei oportunidade de dar dois estalos a cada adepto que te assobiou e que, a qualquer falhanço da equipa esta época, vai questionar a tua venda. Eles existem, como sabes. Mas tu não lhes ligaste puto. Continuaste sempre o mesmo: forte, possante, irreverente, decisivo e muito, muito egoísta. Hulk, aqui que ninguém nos ouve, perdoa-me todas as vezes em que soltei um audível “passa a bola filho da puta”. Tu é que tinhas razão. Eu não o percebi imediatamente, mas a bola tinha de ser tua.

Até que chegou aquele dia. O túnel. O maldito túnel. Foste tão menino Hulk. Naquela altura já te deviam ter explicado o que aquela casa gasta. E tu, mesmo assim, caíste. Não imagino o que te terá passado pela cabeça quando era a tua cabeça que queriam. Suspenderam-te de imediato, que é uma coisa que não acontece, por exemplo, a jogadores que mandam árbitros ao chão. Tentaram que te fosses embora, que a tua carreira acabasse logo ali, e depois vieram corrigir o erro. De quatro meses para três jogos. E ainda me recordo bem daqueles arautos da verdade desportiva a fazerem as contas e a apregoarem que o FCPorto até fazia mais pontos sem ti do que contigo. Oh, Hulk, percebes agora como me rio deles, não percebes?

O que eles talvez não saibam é como isso nos ajudou a ver-te como um jogador à Porto. Outro qualquer, o Sapunaru, por exemplo, não conseguiria controlar a raiva por eles. Tu fizeste melhor: humilhaste-os.


E calaste-os. Porra, Hulk, este é o melhor silêncio do mundo. E qualquer um percebe isso.





Agora, Hulk, está na hora de ires. E eu tive o privilégio de ver o teu último golo com a nossa camisola, quando fuzilaste aquele guarda-redes de voz fininha no sábado. Um portista sabe que esta foi a melhor maneira de saíres do nosso clube. Parece-me que tu até nem querias muito, o que me faz admirar-te ainda mais. Ambos sabemos que vais para pior e que vais ter saudades do que já ganhaste aqui. E também ambos sabemos que o Porto vai sentir a tua falta, mas vai continuar a ganhar. Mas obrigada, Hulk. Muito, muito obrigada. És Incrível.

4 comentários:

  1. Prontos.
    Já não preciso de escrever o que penso. Está tudo aqui. É só levar este link comigo.

    Obrigado C. por mais esta bela prosa.

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  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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