sábado, 8 de setembro de 2012

Uma infância feliz a ver o Benfica ganhar no Subbuteo

Num Natal, em Espinho, os meus pais e os meus tios guardaram-me uma prenda especial. Após toda a excitação da noite natalícia, não desconfiando eu que muita da alegria nas faces rosadas dos meus pais e tios eram devido ao vinho que tão bem acompanhava o bacalhau, deram-me uma caixa grande. Quando abri, era um jogo de subbuteo. Benfica e Setúbal na caixa que trazia ainda guarda-redes, bola e balizas. O meu pai explicou-me mais ou menos as regras e, de seguida, o meu Tio João (é a memória mais nítida que tenho dele), esquecido da regra "deixa o miúdo ganhar", bateu-me por 3-2, fazendo com que o Setúbal passasse a ser uma equipa odiada.

A Itália, lá atrás, fez muitas vezes de Belenenses. O Espinho e a Juventus na outra ponta e, cá à frente, o Boavista.

O subbuteo passou a ser a minha companhia, o meu mundo, um tabuleiro onde eu podia, finalmente, dar largas a todo o futebol que me fervilhava no corpo. Passei, então, a recortar d'"A Bola" todas - todas - as fichas de jogo para saber os onzes e suplentes de cada equipa. Só isso justifica que eu ainda diga de cor: Alfredo, Casaca, Nogueira, Barny, Caetano, Nelo, Tavares, Bobó, Marlon, Ricky e Artur para o Boavista de Manuel José. Era suposto o meu cérebro estar ocupado com coisas mais úteis, mas aquela prenda - mal sabiam os meus pais - mudou a minha vida. 

Desde aí que, sozinho, passei a fazer os meus campeonatos, praticando a escrita (mal entrara na primária) em cadernos onde escrevia pacientemente Benfica - Chaves; Boavista - Porto; Chaves - Sporting e por aí adiante. Depois, ia para o campo. Óbvio que isto obrigou os meus pais a ter que me comprar montes de equipas, que coleccionei e que ainda guardo. Nos anos e no Natal, tios, pais e avós sabiam que escusavam de me vir com outros brindes: eu queria equipas, equipas, equipas. Óbvio que toda a gente me oferecia o Benfica - o que me aborrecia imenso, o Benfica já eu tinha, o Beira-Mar é que era difícil de encontrar. Lembro-me perfeitamente de pedir, meio culpado, meio contrariado, o Porto e o Sporting. Fomos à Rua de Santo António e lembro-me da sensação de culpa: pedir uma coisa aos meus pais que, sabíamos todos, era odiosa. Mas o Benfica tinha que ganhar a alguém, portanto havia que coleccionar essa gente. 

 Jogadores colados de equipas muito, muito, muito derrotadas 

Jogava sempre na sala, em cima do tapete, que fazia com que a bola não fosse tão rápida como nos azulejos da sala e com que o campo não patinasse tanto. Os tempos dos jogos eram de 5 minutos por parte, marcados no relógio do velhinho VHS. Eu jogava pelas duas equipas e fazia o relato, em jeito de Gabriel Alves, dizendo imensos "aliiiiii", que era um vício de relato de Gabriel Alves (se virem o relato do 3-6 que está no Youtube, o Alves no relato do 3º do JVP, diz "E ALI, João Pinto..."). No fim, apontava o resultado no caderno e fazia a pontuação e a lista de melhores marcadores. Depois ia para o corredor com a bola e fazia o Domingo Desportivo, imitando os golos que haviam sido marcados naquele mundo mágico. atirando a bola contra o móvel e fazendo-me de guarda-redes desesperado, que não conseguia chegar àquele remate colocadíssimo, enquanto na minha cabeça ecoavam comentários à Domingo Desportivo.
As bolas iam várias vezes para baixo do sofá e eu metia a régua da escola a tapar atrás da baliza e às vezes livros e tudo o mais para impedir que as bolas fossem lá parar. É que se ficassem demasiado longe  tinha que chamar alguém, porque eu não conseguia levantar o sofá sozinho, e, se chamasse muitas vezes, mais cedo ou mais tarde o jogo pararia. 

Um fiscal de linha que, pisado, teve que ficar com a bandeira colada ao cotovelo

Quando eu jogava subbuteo, as equipas arrumavam-se tacticamente, exactamente na disposição que os jornalistas d'"A Bola" haviam escalado a equipa no diagrama. O Paneira, sabia eu, era aquele boneco na meia direita. E várias vezes flectia para o meio e marcava. Antes de chutar eu fazia o relato "Perde a bola o Belenenses e, ALI, Paneira a rematar... GOOOOOLOOOOOO. GOOOOOOLO DO BEN-FI-CA!" e juntava os jogadores, como se eles se abraçassem, mas não muito, porque depois tinha que os distribuir outra vez pela táctica e os minutos no VHS passavam rápido e tinha que mudar de campo.
O Benfica, nas minhas mãos, era cheio de ases e de craques, e os outros, nas minhas mãos, falhavam passes atrás de passes e passavam a bola ao Paneira e só marcavam golos ao Neno se o Benfica já tivesse 4 ou 5 de vantagem e os minutos no VHS já estivessem quase a anunciar o escaldante Beira-Mar - Estoril que se seguiria.
Uma vez uns amigos do meu pai foram jantar a nossa casa e tive que arrumar as coisas mais cedo. Estava eu, pacientemente, a arrumar um Penafiel-Sporting (3-0 Penafiel, lembro-me bem), quando o Ninito, um amigo do meu pai, Benfiquista doente - e, logo, uma pessoa fantástica - me pediu um dos meus cadernos. Lembro-me perfeitamente dos risos quando ele disse: "Isto é que é um filho: 8 jornadas e o Sporting tem 0 pontos".  Eles riram-se muito e hoje eu também me rio, mas na altura lembro-me de pensar que, se calhar, mas só se calhar, eu fazia alguma batota. Mesmo com a sensação que estava a prejudicar ligeiramente os de alvalade, a época acabou por não melhorar para eles, acabando numa escandalosa descida que mereceu especial reportagem no corredor de minha sala. Como não tinha assim tantas equipas, no ano seguinte jogaram de novo o campeonato e, tragicamente, desceram mais uma vez.

Mas nem tudo foram rosas para o Glorioso. Já com 5 títulos na manga (sim, eu lembro-me de tudo isto vivamente), numa manhã de sábado, enquanto davam desenhos-animados, jogava-se o muito aguardado jogo do título. Adivinharam: Benfica-Farense (um crónico segundo lugar). Estava eu muito bem a brincar, a fazer os relatos na minha cabeça e às vezes alto e o Benfica a ganhar 2-0, quando a minha irmã, cansada de fazer os TPCs, resolve chatear-me e dizer que quer jogar. Eu lá lhe explico: quem ganhar é campeão, Benfica-Farense, está 2-0 e tal e ela diz que vai jogar pelo Farense. A minha irmã é 6 anos mais velha do que eu, portanto tive que comer e calar. Falhei o 3-0 com o Yuran (era tão mais fácil quando eu segurava o guarda redes adversário, ainda por cima com a mão esquerda...) e ela fez 2 golos (fez batota de certeza). 2-2. E agora? Agora, penalties. Perdi. Fiquei furioso, mas tive que escrever no caderno: Farense campeão. Foi, até eu deixar de jogar, a única mancha no incólume palmarés Benfiquista.

Farense campeão. Como não tinha o nome dactilografado para o placard, tive que o escrever.

Vieram depois as descobertas: as equipas na Europa, as selecções. O Espinho deixou de ser o Espinho e passou também a Juventus. O Braga a Arsenal, o Estoril a Suécia. O Chaves passou também, vejam lá, a ser o Barcelona. Torneios e torneios (às vezes sem o Benfica, para equilibrar) sucederam-se na sala. Escrevia folhas e folhas sobre Taças Uefas imaginárias, fazia sorteios, desenhava os jogos, fazia tudo. Deram-me, dois Natais mais tarde, um placard. Delirei. Folhas e folhas com nomes de equipas para eu recortar e meter no placard, dando cada vez mais verosimilhança ao meu mundo, fazendo-me aprender a escrever Tottenham Hotspur e a ver ali, magicamente dactilografado, BENFICA. Havia o Milan, a Juventus, o Real. Mas havia o Benfica. Amava aquele placard.
O campo era cada vez mais real. E as caixas onde vinham as equipas eram os autocarros para os jogos. O meu avô e o meu pai davam-me equipas e viam, deliciados, os jogos. Aliás, muitas das equipas eu nem sequer queria - estou a falar a sério - porque em princípio não jogariam com o Benfica, mas o meu avô achou um escândalo eu não ter a selecção holandesa (que viria, num torneio de Verão, em Espinho, a ser o Blackpool). E vai daí, decidiu dar-me éne selecções. Fiz um Mundial aos pés dele na casa dos meus avós, ficando ele felicíssimo pela minha alegria a comemorar o Mundial com a Argentina que ele me oferecera.  


                             As selecções, quase todas oferecidas pelo meu avô.

A primeira vez que viajei na vida - sou um  rapaz com mesmo muita sorte - foi a Londres, com 9 anos. Lembro-me do Big Ben, do museu de História Natural, de nunca deixar de dar a mão aos meus pais. Mas do que me lembro melhor foi de entrar numa loja que só vendia subbuteo. O céu. Pessoal: o céu. Abri muito os olhos de alegria, o meu pai pegou-me no ombro, levou-me lá para fora e disse-me: "Porta-te bem. Escolhes duas equipas, é a tua prenda." Concentrei-me. Revirei a loja. Comprei o Milan (Savicevic, Boban, Maldini) e o PSG (Valdo, Ginola, Ricardo Gomes). A equipa do PSG tinha umas tiras nas mangas. Era a primeira equipa que eu via pintada assim. Pareceu-me que tinha comprado um palácio.

 Reparem nas mangas. Que delícia.

No último dia, o meu pai mostrou-me que me tinha comprado o Liverpool (também com riscas nas mangas e que, mais tarde, viria a ser muito mais vezes o Bayer de Leverkusen. Quando jogava contra o Bayer, o Benfica jogava todo de branco, melhorando substancialmente a performance daquela equipa, que era várias vezes o Guimarães.) e o Arsenal. O Arsenal, que nós tínhamos acabado de vergar em Highbury, tinha, inclusive o patrocínio nas camisolas. Os olhos do meu pai brilharam mais do que os meus nesse pormenor, juro.
JVC. Mítico.

 Muitas vezes repetiram estes bonecos o 4-4 em Leverkusen.

Apesar de ter sido uma criança relativamente solitária no mundo do subbuteo, muitos clássicos partilhei com o meu grande amigo Tiago Palma. Companheiro de carteira desde os 6 anos, foi o Tiago que me explicou a regra dos golos fora nas competições europeias, distraindo-me tanto nessa aula, que ainda hoje não consigo fazer contas de dividir por números com mais de um dígito. Partilhámos muitas futeboladas no pátio da escola, no parque perto de minha casa e na rua atrás de casa dele. Farenses-Benfica e Benficas-Farense sucediam-se até à exaustão. Sem entrar nos campeonatos que até tinham direito a caderno - porque isso envolvia uma perseverança e uma rectidão que me obrigava a fazer disputar nebulosos jogos como Setúbal-Porto antes de ir dormir-, travámos duelos mortais na minha sala e na dele. Como os bonecos de subbuteo eram relativamente frágeis e os duelos entre nós aguerridos e bem disputados (quem nunca perdeu pontos no São Luís que atire a primeira pedra!), passámos a jogar com os bonecos dos bolos de anos, feitos em PVC, mais maleáveis e transportáveis. Pintámos os do Sporting de preto, o alternativo do Farense, e jogámos até ao infinito.
A rapaziada com que eu e o Tiago pontificávamos.

São os meus brinquedos que nunca deixei a minha mãe dar. Aprendi a escrever e a contar com eles. Tenho memórias vivas de jogos, de torneios, de coisas que aconteciam à minha volta enquanto o Benfica triunfava sem parar em Portugal e no estrangeiro, no tapete verde e as repetições do corredor. Não encontro subbuteos em lado nenhum e gostava de continuar a coleccioná-los.
Não gosto muito de dedicatórias, mas neste tem de ser: um abraço ao Tiago Palma pelas tardes a ver futebol a jogar futebol e a conversar sobre futebol, e um obrigado aos meus pais, por me terem feito uma criança tão feliz.

Esta é a equipa do meu coração. Vermelha e branca, altiva e humilde, com garra e técnica. O Benfica da minha infância, o Benfica que ficou, para sempre, guardado no meu coração.

18 comentários:

  1. Gostei!!

    Fez-me lembrar as horas e horas que eu passava a jogar championship manager. Mas era com o F.C.Porto. Volta e meia também havia algumas coisas estranhas do tipo a equipa contrária jogar sem guarda-redes. Bons tempos!!!

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  2. Conclusão: se em vez de andares a brincar com bonecos tivesses estado atento à bola a sério, podias ter sido do FCPorto se fosses esperto ;)

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    1. Cara C.,

      Nesses tempos (como eu os recordo) um jogo de subbuteo era normalmente bem mais importante do que o jogo real dos nossos clubes.
      O que não quer dizer que eu não fosse sempre o Porto ou não tivesse sido essa a primeira equipa que comprei.

      PeLiFe

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  3. Só digo assim: Memorável, simplesmente magnífico!!! E porquê? Porque, dizer que adorei seria pouco!
    Estaria a ocultar os momentos fantásticos vividos da minha infância, por vezes, esquecida pela correria do dia-a-dia. Tenho que te brindar pelas tuas palavras. Ninguém melhor que eu para compreendê-las rigorosamente a cada pormenor. E que bom ser recordado e incluído neste teu relato e feliz período de vida.
    As horas passados neste jogo representava emoção, alegria, adrenalina e euforia. E, por isso, foi com um enorme sorriso que li estas fabulosas palavras!
    Para não falar, da gargalhada que dei ao imaginar o teu pai, muito tranquilamente e subtilmente, colocando a mão no teu ombro para acalmar-te. Até eras um tipo contido e controlado, vai-se lá imaginar como foi a tua euforia! Mas, eu imagino, é fácil! Eu vivi aqueles momentos tão intensamente e tão detalhados quanto tu, e mais, fizeste-me vivê-los novamente!
    Este Manuel, trouxe memórias detalhadamente incríveis, que me fez viajar naquelas tardes fervorosas em que ninguém podia entrar na sala, que se tornava um autentico estádio de futebol, com as imaginárias bancadas do São Luís repletas de playmobiles e de legos, os imaginários adeptos que enchiam os sofás da minha sala. Lembro-me perfeitamente de carregar no play da aparelhagem para fazer suar o hino do Farense e, simultaneamente, jogar, pequenas tiras de papel higiénico previamente rasgadas, para dentro do rectângulo de jogo a quando da entrada da equipe do SC Farense. Mais emotivo ainda, era nas finais, em que o Farense esteve merecidamente presente em 99% das vezes, que eram agendadas nos dias em que os meus pais não estavam em casa. Os fósforos e seu fumo, vindos por detrás da faixa dos recém nascidos South Side Boys, simulavam as tochas na entrada dos leões de Faro em campo. Ambiente Infernal no São Luís! Por cima dos habituais e emotivos relatos, fazia suar seus cânticos.
    Lembro-me, particularmente da mítica final, da ainda, chamada Taça dos Campeões Europeus, entre SC FARENSE e AC Milan. BRUTAL! Farense alinhando humildemente com Zé Carlos, Portela, Luisão, Stefan, Paixão, Sérgio Duarte, Hajry, Pitico, Mané, Hassan e Djukic. O colosso e todo poderoso AC Milan, defendendo o titulo de campeão Europeu obtido frente ao Barcelona por 4-0, no ano transacto, alinhava com Rossi, Tassoti, Baresi, Costacurta, Maldini, Albertini, Donadoni, Lentini, Boban, Papin, Van Basten.
    O favoritismo do Milan notou-se, desde o primeiro minuto, dentro de campo. Parecia o massacre de Dili!! Era medonho! Dramatizadamente sofredor era o tom do meu relato. O ênfase que lhe dava, para além de importante, era crucial.
    Até que ao minuto 39 (40 minutos de jogo) num contra ataque, conduzido velozmente pelo Pitico, como era sua principal característica, sofre uma entrada dura do Albertini justamente um pouco antes da meia lua. Destaquei, de imediato, o Hajry para bater o livre directo. Composta a cerrada barreira do Milan, fiz explodir o colocado pé esquerdo do Hajry na bola....e GOLOOO! Não sei como, mas poderia repetir o batimento daquele pontapé mil vezes seguidas que, não teria entrado daquele jeito! Aquele grandioso golo levantou o parque dos principes. (estádio eleito para a final)
    E assim, foi escrita numa página bela da história do Subutteo, um dos muitos títulos do meu Grande Farense :)

    Somente para terminar, vou identificar as duas únicas e grandes diferenças para a história do meu amigo Manuel:
    Ao contrário do meu grande amigo, os bonecos, os quais eu praticava o subutteo eram, os tais dos bolos de anos, como ele referiu.
    Mas principalmente e, como deverão ter reparado, o FARENSE ganhava a maioria das vezes! Ao contrário da história que o Manuel relembrou, o Benfica aparecia imediatamente atrás do Farense, como o segundo grande da história do Subutteo! :D

    Foram enormes os nossos grandes embates de domingo à tarde! Jamais esquecerei tais momentos!

    Obrigado Manuel, por partilhares tais momentos em tuas enormíssimas palavras!

    Grande Abraço Amigo

    TP

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  4. Excelente post caro M.

    Eu felizmente tinha o meu irmão (do benfica e ano e meio mais velho) para jogar.
    Ainda recordo um dia em que, revoltado com uma qualquer injustiça num jogo disputado no chão do nosso quarto, eu resolvi atacar a equipa dele e esmaguei-lhe uma boa meia dúzia de jogadores.

    As equipas mais bonitas que tínhamos eram um West Ham e um Manchester City. Ambos trazidos de Londres (mesma loja? Não recordo a história, mas é possível).
    Era tudo melhor nessas equipas. OS materiais, as pinturas, os detalhes e a caixa.

    Depois ainda passámos pelo futebol de caricas. Os guarda redes eram caixas de fósforos (das pequenas) cheias com moedas de 5 e 10 escudos e completamente fitacoladas.

    Destas equipas de caricas temos ainda, guardada pela minha mãe, toda a tralha, incluindo dezenas de equipamentos (pintados e recortados à mão, claro).

    Também ainda temos as equipas de subbuteo.
    Abraço,
    PeLiFe

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  5. Mê,

    O Subbuteo apareceu-me tarde no meu quarto (tambem como prenda de Natal). Tinha um Arsenal (sem JVC) e uma Sampdória e talvez por isso não lhe achei a piada que ele merecia. Aproveitei-lhe o campo (sei que parece mariquisse, mas aprendi a utilizar o ferro de passar com o campo de Subbuteo) e as balizas para os meus jogos com cromos dobrados em L. Antes do subbuteo jogava nas costas de um tapete de arraiolos que se ainda for vivo concerteza tem as linhas riscadas a vermelho no traseiro. As balizas eram em plastico, do tamanho das de subbuteo e tinham-me saido num bolo de anos com uns jogadores de futebol cerêmicos (mais fraquinhos fisicamente que o Mantorras, já se esbardalharam todos). Os jogos com cromos em L fizeram toda a minha infancia e arrisco dizer que talvez ainda no 10º ano eu tenha jogado isso, Curiosamente comecei a jogar com cromos dos TOU que saiam nos bolycaos. Depois evolui para uns cromos de uma caderneta da longa Vida (foi a unica vez que a vi e ninguem que eu conheça se lembra dela... ja pensei se não foi um sonho meu). Depois passei para as cadernetas Panini e sei que ainda tracei a direito 2 cadernetas completas do Mundial 94. Desses jogos de 10 minutos cada recordo que o SLB era realmente potente e os nossos rivais eram de uma fraqueza atroz. Penso que já não resiste nada disso na casa dos meus pais, nem jogadores (era uma gaveta cheia desse material) nem dossier com todos os campeonatos e melhores marcadores e o camandro. Sei que fazia campeonatos de portugal, competições europeias e fiz Mundiais.
    Antes destes campeonatos de cromos fazia desses jogadores de bolos de anos (um classico) e de caricas, que comecei a fazer no Mundial 86 pois saiam jogadores da selecção nacional no vedante das caricas de Sagres ou de um refrigerante qualquer. Ha coisa de uns 3 ou 4 anos lembro-me de ter achado o vedante com o Jaime Pacheco imprimido numa gaveta minha em casa dos meus pais... estupidamente deitei fora.

    Só quem jogou estes jogos pode entender perfeitamente a utilidade e a necessidade das jeolheiras de napa nas calças de ganga...

    Abraço

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  6. Nota-se que és bem mais novo que eu, pois os meus grandes ídolos do Subutteo eram o Humberto, o Carlos Manuel, o Filipovic, o Chalana, bem como o Falcão, o Sócrates, o Scirea, o Cabrini, o Paolo Rossi, o grande Marco Tardelli. Nessa altura o Farense andava na 2.ª divisão ainda antes da chegada do Paco como jogador, disputando jogos com o Barreirense, o Olhanense, o Lusitano de Évora, etc., pelo que do Algarve apenas usava a camisola às riscas para o Portimonense, aproveitando-a ainda para Espinho e Varzim. Inicialmente ainda cravava o meu pai para jogar, mas ele fartava-se pois eu queria jogar partes de 45 minutos. Não disputei campeonatos, mas passei horas a jogar antes do aparecimento do spectrum. E nessa altura, o Benfica nao ganhava só no Subutteo.

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  7. Tiago:
    Ahahah, muito bom, grande descrição. Quando jogávamos com os bonecos dos bolos de anos a bola era a do tragabolas (aquele jogo dos hipopótamos), a do subbuteo era muito grande! Lembro-me muito bem disso. Lembro-me dos legos e playmobis a fazerem de público, de braços no ar, lol. Foram mesmo muitas tardes a jogar a isso :)


    PeLife:
    Nem imagino o que é jogar Subbuteo contra um irmão um ano mais velho do clube rival... Os bonecos são autênticas preciosidades e deu-me particular gozo observá-los. E sim, às vezes, o que acontecia no Subbuteo era quase tão importante como na vida real.
    Constantino:
    Não sonhaste: houve uma colecção da Longa Vida em 1994. Sei disso porque no dia em que fiz 10 anos (sou de 1984), fui com a minha mãe ao supermercado, ela comprou os tais iogurtes para virem cromos e a senhora, como soube que eu fazia anos, deu-me montes deles a mais. A caderneta só tinha cromos individualizados por jogadores para os 5 primeiros da época passada: Benfica, Porto, Sporting, Guimarães e Boavista. Os outros eram 2 cromos para fazer uma fotografia da equipa. Acabei essa colecção!
    Ah, eu nunca tive a Sampdoria e era daquelas equipas que nunca sequer vi em lojas. Parecia-me espectacular, porque o equipamento era único.

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  8. há subbuteos à venda no olx
    autenticas preciosidades

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  9. M.,

    Exactamente, era mesmo essa colecção. Assimd e repente lembro-me que o fcp tinha o antonio carlos que andou a correr atras do paulinho santos num treino dos corruptos e o guarda redes do SLB era o Silvino. Tu dizes que era de 94, mas eu acho que era de 92/93. Repara que as equipas que vinham os 14 ou 15 jogadores eram as que estavam nas competições europeias e o Guimarães (do mitico Tanta) foi à UEFA em 92/93 mas em 93/94 não foi. Penso que foi o Mareteme. E o antonio carlos já tinha sido despachado por querer espancar o paulinho santos..

    Eu não quero apostar, mas acho que havia tambem uns cromos de simbolos de clubes internacionais ou coisa parecida.

    Esta colecção fi-la quase toda numa semana porque havia um tipo na minha turma que tinha o irmão a trabalhar na Longa Vida e levava mochilas cheias de cromos para a escola para vender à malta baratinhos (os 100 paus para malhar uma bucha à hora do almoço eram gastos em cromos). Coincidencias do camandro, o irmão que trabalhava na Longa Vida é agora funcionário da minha empresa!!!!

    Abraço

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  10. Moçe, ma vocês son de Fare, déb?

    É que eu também sou, e isto é o retrato da minha infância, cuspido e escarrado. Prontos, tirando a parte do Benfica. Ah, e do Farense, que nunca exagerei tanto. Uma Taça de Portugal, de vez em quando, ainda ia...

    Espectacular!

    Alex F.
    Azul ao Sul

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  11. Tiago Palma, o teu gr não era o Lemajic ? Ou o Rufai ? No limite podias pôr o Barão. Eo Carlos Pereira ? E o Resende ?

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  12. Genial... E é bom saber que não fui o unico!

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  13. Genial. Grande post, faz-nos regressar à nossa infância, na perfeição. Também tive este jogo, mas cedo adaptei-o (nomeadamente o campo e as balizas) para as minhas equipas e selecções... de caricas! Ah pois é!!! Tinha tudo. Em tempo de Mundial, lá tratava de ir pedir caricas na tasca mais perto de casa, recortava papéis, colocava os números das camisolas e desenhava a respectiva bandeira. Depois, para a Taça dos Campeões Europeus, o mesmo. Em casa, sozinho, o Benfica ganhava sempre. Na rua, com os amigos, o mais certo era acabar tudo à estalada. Grandes tempos. Em Castelo Branco, no Verão com tardes de 40 graus...

    Mais uma vez, grande post!

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    1. Rusty,

      Aprendi a jogar futebol de caricas na Travessa da Fonte Nova em Castelo Branco. No intervalo destes jogos ia ver treinos do SBCB no Vale do Romeiro. Sim, com esses 40 graus à sombra.

      Abraço.

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  14. Excelente relato, em que me revi grandemente, embora não fosse com os bonecos de subbuteo que eu jogava.

    De qualquer modo, fica a indicação: é fácil comprar equipas de subbuteo no ebay (é o que eu faço) e actualmente o subbuteo foi relançado no mercado pelo que é possível comprar equipas novas em lojas portuguesas (Corte Inglés, toys r us, etc).

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  15. Excelente.
    Visite www.vivesubbuteo.blogspot.pt e conheça alguém parecido consigo...eu :)
    Abraço

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  16. boas, este blog ainda continua activo? sou o Sérgio de Espinho e descobri este blog por acaso, jogo subbuteo a nivel de competição num clube do Porto, se quiserem saber mais respondam, abraço

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