Tenho imensa pena de não ter nascido com um dom. Gostava de
saber dançar, de conseguir cantar ou de aprender a tocar saxofone como a Lisa
Simpson. Mas nada. Não há arte neste mundo que me tenha caído em sorte. Nadinha
de nada. Se um dia o mundo acabar e os que fazem algo de extraordinário puderem
sobreviver numa espécie de arca, eu estou tramada.
Já aqueles que o têm cheiram-se à distância. Eu não vi
Maradona jogar mas sei que tem lugar garantido. Messi tirará o lugar a Noé.
Ronaldo comprará um lugar para entrar. E entre os outros, os que fazem parte
deste planeta, há muitos e cada vez mais que passam por nós.
Lá na frente, onde o dom é mais decisivo, só nos últimos
anos tivemos a sorte de ter Lisandro, o prazer de conhecer Falcao e o orgulho de
ver Hulk de azul e branco. O primeiro continua a ser muito bom, o segundo é o
melhor de todos e o terceiro é nosso e há-de ser. Mas não é deles que vos quero
falar, porque no Futebol Clube do Porto não vivemos do passado.
Eu, normalmente e à semelhança da maioria dos portistas,
sou uma adepta muito desconfiada. Nunca acredito em quem chega com rótulo de
estrela, duvido sempre das capas de jornais espampanantes e demoro muito tempo
a convencer-me que ali, naquele Lisandro, naquele Falcao ou naquele Hulk,
existe um dom.
Este ano, no entanto, confesso que me sinto fácil. Não sei o
que se passa, se é de mim ou dos sete jogos da Liga consecutivos a marcar, mas
Jackson Martinez atingiu-me em cheio.
Talvez tenha sido aquele golo contra o sportem, embora contra
estas equipas que lutam pela manutenção a tarefa de um ponta-de-lança esteja
naturalmente facilitada. As costas viradas para o guarda-redes, como se o
ignorasse, a bola a quase parar na coxa, com respeito, e o calcanhar que só se percebe bem à
terceira repetição. Talvez tenha sido isso.
Ou talvez seja pelas inúmeras vezes em que aparece no sítio
certo. Aqueles cruzamentos dos colegas que parecem todos certeiros, a bola que
sobra do adversário para ele ou o leve encostar lá para dentro. Talvez seja
isso também.
Ou então foi aquela bola que ele salvou num canto contra
nós, ou aquela recuperação no meio-campo, ou aquela abertura para a direita (ou
terá sido para a esquerda?) que enganou os defesas, ou aquela desmarcação
exemplar quando os colegas trocavam a bola a mil quilómetros por hora, ou
aquela calma arrepiante em frente ao guarda-redes. Pode ser isso, sim, admito.
Não sei o que se passa, mas há algo em Jackson que me faz
acreditar que há ali um dom. Não sei se são golos, se são fintas, se é técnica,
se é força, se é talento, se é sorte. Para já, sabe-me bem a dança.
P.S. Belo jogo na sexta, tanto da parte da equipa como dos adeptos. É mesmo assim que queremos, mister.
P.S.2 Não vou falar da arbitragem do "pode ser o João", a sério que não vou.
P.S.3 Faltam ___ dias para acabar o sportem.
Mais um texto delicioso. Aqui o blogue do Gin Tónico é fã...mesmo com uma costela vermelha acentuada.
ResponderEliminarBom texto... Este Jackson Martinez tem mesmo pinta de grande jogador :-)
ResponderEliminarPois é, este só cá fica no máximo um anito...
ResponderEliminar... o Jackson voltou a fazer "cha cha cha2.
ResponderEliminardesta vez, foi na pedreira, onde habita o «salBaduôre», e tiBemos mesmo aquela "pontinha de suórte" que o burgesso das madeixas tanto não queria que acontecesse.
com aquele ar de palonço que tanto lhe é característico (e comum a qualquer lampião), até se engasgou quando desejou que «bóm éra que perdêreçem os duois»...
esta noite, vai ter que digerir um mamute. e "inventar" o autocarro de dois andares para não ser muito humilhado em Barcelona. e pensar que o duelo da Segunda Circular é já na próxima jornada. a Vida não lhe sorri e a Sorte não quer mesmo nada com ele, 'tadinho.
(peço desculpa por concentrar a minha raiva na azia lampiónica do abstrôncio em causa, mas estava entaladinho :D)
somos Porto!, car@go!
«este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!
saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todas(os) vós! ;)
Miguel | Tomo II
Muito fixe este blog. Quer dizer, a parte Portista parece-me um bocado viciada (tal como o clube), mas gosto das crónicas. Gosto mesmo. Talvez por eu ser um lampião muito lampião (águia de prata (apesar de ter apenas 34 anos), lugar cativo no estádio, etc) cuja namorada é uma portista muito portista (sócia, cativa, etc é melhor nem falar). Daí que perceba perfeitamente a parte da partilha e a parte do dilema (que apesar de tudo nos junta mais que separa e ainda dá a oportunidade de mandar uma gargalhada mútua à custa do Sportém). Bastard love, hey?
ResponderEliminarRir do sportém com eles.... Boa, no fim da época eles riem-se de ti. Os sportinguistas não, mas os lagartos é que adoram ver o slb ser prejudicado com situações anomalas e também adoram rir-se com eles.
EliminarÉs um bom Lampião, junta.te aos lagartos, eu prefiro sportinguistas.
Dizer que o Hulk é melhor que o falcão é..., é..., não sei, talvez parvo. Mas a parvoice é tão natural como o nosso sério e honesto campeonato.
ResponderEliminarPara mim, não existe penalti quando o jogo estava 0-0, mas só não percebo porquê que no ano anterior houve, e que coincidencia, foi com o braga, e que falta de coincidencia os jogadores do braga não se quiexarem nem o presidente, o Peseiro ainda não aprendeu, Malandro.
Não se ganham campeonatos só com penalties a favor, dá muito nas vistas, assim é melhor: http://www.youtube.com/watch?v=wfajETQIvFU
Mas são opiniões...