sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Onde é que tu estavas no 4-4 em Leverkusen?

Depois do sorteio de ontem não há como não recordar Leverkusen e aquela jornada de enfarte na Taça das Taças. O Benfica de 1994 era maravilhoso e jogava à bola que se fartava. E era humano, nos seus defeitos e nas suas teimosias. Recordo-me dele com carinho e com um sorriso - agarrei-me com força a este Benfica durante 11 anos, portanto é natural. E, de tantas grandes jogatanas dessa época, lembro-me nitidamente de Leverkusen.

Eu vivia em Faro e tinha 10 anos. E agora podia continuar e dizer que "era uma criança como todas as outras". Mas não era. Tinha 10 anos, era muito bom aluno, mas muito calado. Não saltava telhados nem fazia descidas perigosas de bicicleta. Vivia no terror de me perder (era o que eu tinha mais medo, era de me perder). Enfim, era um marrão. Mas adorava futebol e o Benfica. Se havia confusão no recreio eu afastava-me. Mas se havia futebol estava sempre lá, suado e com as calças rasgadas, prontas a levar mais um remendo no joelho. Fazia as vontades todas aos meus pais e nem discutia com a minha irmã (mais velha do que eu, com interesses diferente). 

A temporada corria bem ao Benfica. Íamos em primeiro no campeonato e a caminhada europeia continuava.  O João Pinto estava numa forma inacreditável e eu estava feliz e confiante. Quando nos calhou o "Bayer de Leverkusen", só me ocorreu perguntar - eu sabia que retoricamente - que aquele não era o Bayern. O meu Pai disse-me que não, mas que eram o "fortíssimos" e, do alto do seu pessimismo habitual, que está agora irremediavelmente entranhado em mim, prognosticou logo: "Vamos ser eliminados.". Aos 10 anos eu tinha medo de muita coisa: de não ter os trabalhos de casa certos, de me perder a ir para casa, que alguém me batesse na escola, etc. Agora, de uma equipa que eu nunca tinha ouvido falar, não. E logo eu, que sabia de cor o 11 da Juventus, do Milan, do Barcelona e do Boavista do Manuel José. Enfim, um expert. Em 1994, ver um jogo de futebol em Faro podia tornar-se uma aventura (nós nem tínhamos SIC) e foi com alegria que recebi a notícia que íamos ver o jogo a casa dos Pelica, que tinham satélite e tinham a DSF (onde eu viria a ver, uns anos mais tarde, as finais dos Bulls contra os Utah Jazz). Podíamos ir ver o jogo. Em nome do manto sagrado, foi-me levantada a hora de me deitar. E lá fui eu, super confiante.
Não jogámos nada, nada, nada. E aquilo mexeu comigo. Primeiro estava controlado, mas depois, exasperado pelos estrangeiros que o Toni tinha escolhido e com a nossa incapacidade de passar o meio campo, comecei a soltar comentários. Se bem me lembro, de lágrimas nos olhos, cheios de raiva, acho que disse, inclusive, que o Toni era "um burro de merda". Recordo-vos que eu era muito bom aluno e nunca me portava mal, portanto isto deve ter sido mais bizarro do que parece. O Isaías marcou o 1-1 mesmo sob o apito final, num golo cheio de ressaltos e lá me aliviou um bocado. À ida para casa, no mais perto que o meu Pai teve que se zangar comigo uma infância inteira, ele lá me confrontou (não sei se com estas palavras exactas, a minha memória é muito boa, mas não chega a tanto. Bem, não interessa, o tom era mais ou menos este.): "Portaste-te um bocado mal. Já estavas a falar mal de toda a gente. Do Toni, do Isaías, do Paneira...". "Pois foi", anuí. "Não podes sofrer tanto. Já te tinha dito que eles eram mais fortes e que íamos ser eliminados.". E, confrontado com a fria realidade, lembrando-me das lágrimas que vertera sem parar depois de termos levado 3-0 da Juventus no ano anterior, decidi aceitar a derrota e não sofrer com o jogo da segunda mão. 

Não me lembro de nada entretanto. Não me lembro de um acontecimento. Não sei o que se passou entre 2 e 14 de Março de 1994. Mas lembro-me, com exactidão doentia, do dia 15.
Entrámos de branco em Leverkusen. O branco impoluto, à Benfica, que o Glorioso envergava quando os adversários tinham a ousadia de envergar a cor do manto sagrado. Mas eu, como era bom rapaz e já o tinha prometido ao meu Pai, entrei em campo calmo e aceitando a derrota anunciada.
Fizemos um jogo louco, brilhante. Cheio de alma, cheio de vida. A equipa jogava cada bola como se o mundo acabasse depois daquilo e trocava-a com arrogância, com uma superioridade que não era própria de quem ia enfrentar Kirsten, Schuster e Paulo Sérgio. Tabelas, fintas e graça, mas a bola não entrava. Em cada jogava, empolgava-me por dentro, mas não me queria mexer, para não mostrar ao meu Pai que, no fundo, lhe estava a mentir e que acreditava. Foi com surpresa que o ouvi gritar ao Isaías "CHUUUUTA!" e larga um "Merda" quando os alemães cortam. Afinal, ele também acreditava. 
E, apesar de descomplexados, apesar de estarmos a limpar a imagem da primeira mão, 1-0 deles, frango do Neno. Um clássico de 1994: cada cruzamento era um suplício. Um género de Roberto, mas com uma super equipa à frente e capaz das manchas mais impossíveis. Porra. Fiquei chateado, mas continuei a acreditar. Porque não? Estávamos a jogar tão bem.
Segunda parte e 2-0 deles. Schuster. Baixei os braços, desaminado. E o meu Pai desatou a insultar toda a gente. Toni, Neno, William, Abel Xavier. Tudo uma merda. E eu, feito estúpido, a acreditar. Eu achava que sim, que éramos melhores. Logo a seguir, canto nosso. O meu Pai ainda está a insultar alguém nosso, bola no Rui Costa, calcanhar e um grande berro: "MAS PORQUE É QUE ESTE GRANDE ESTÚPIDO VAI CHUTAR?" e antes da frase a acabar, já a bola entrou. Golo nosso. Um golaço inacreditável do Abel Xavier. E eu aos pulos na sala. O meu Pai a olhar para mim e para o Abel Xavier, sem saber estava mais incrédulo de eu ainda acreditar se do Xavier ter marcado aquele golo. 

Fiquei possuído. Senti que íamos virar aquilo. Canto nosso. Levanto-me, faço gestos para a televisão, mando toda a gente subir, quero ganhar a estes alemães, quero pedir desculpa a toda a gente de me ter portado mal em casa dos Pelicas, quero ganhar, quero que o Benfica ganhe. Filmam a área alemã e o meu Pai (grande noite, Pai, estavas em forma): "PORQUE É QUE O JOÃO PINTO, COM AQUELE TAMANHO, INSISTE EM SUBIR NOS CANTOS CONTRA OS ALEMÃES?!" Rui Costa bate e JVP faz o 2-2. A minha Mãe veio à sala tal era o meu estado de euforia. Almofadas pelo ar, o meu Pai em cima do sofá e uma gritaria de envergonhar o terceiro anel. No contra-ataque, quando o Kulkov fez o 3-2, eu e o meu pai abraçamo-nos no sofá como o Kulkov e o Yuran e eu já estava no céu. O Benfica não jogava, planava na relva. Rui Costa fez dos melhores jogos da sua carreira e Paneira e Isaías estavam impossíveis para os alemães. A equipa girava, encantada consigo mesma. "Ainda vamos perder isso." - a frase foi do meu Pai, mas esta é uma característica que eu hoje tenho. Estamos a ganhar 3-1 ao Marítimo, estamos com um a mais e a dar um festival, mas eu sinto sempre que algo me vai lixar a noite. Que ainda posso acabar mal disposto. Foi, claramente hereditário. Quando os alemães fizeram o 3-3, foi a primeira vez que me lembro de ter um timbre adulto e concentrado. Deixei de ser um miúdo de 10 anos, crente e iludido nos poderes divinos do Glorioso e perguntei: "Quanto tempo falta?". Esta maturidade, ganhara-a nos infantis do Farense, onde já tínhamos sido previamente ensinados a "demorar mais tempo a ajeitar as meias antes de marcar um livre quando estivéssemos a ganhar". Lembro-me de tudo ser confuso, extremamente rápido e alucinante.

Comecei a chorar convulsivamente no 4-3. Corriam-me lágrimas e lágrimas, não isoladas, mas como se uma camada de água me cobrisse a cara, ma encharcasse. Lembro-me da tristeza de tudo aquilo, do meu Pai ir acender um cigarro e afagar-me a cabeça antes. Foi uma coisa que parecia definitiva, um golpe que demoraríamos anos a sarar, uma cicatriz para a vida. E podíamos ter sido tão felizes, não podíamos? O Kulkov e o Yuran ainda há pouco estavam abraçados, como é que a vida pode ser tão miserável, tão cruel? 

E eis que o Rui parte na direcção do meio campo deles. Sem a poesia em movimento, mas com uma velocidade até inusitada. Nós levantamo-nos no sofá. E o Rui dá no JVP. E nós já estamos aos berros, e a minha Mãe já está a entrar na sala. E o JVP, da esquerda para a direita, finta um. E nós já estamos em cima do sofá, há muitos berros, há muita confusão, e não sei se sou eu que grito ou se é o meu Pai ou se a minha Mãe, mas o JVP prega o Lupescu ao chão e dá no espaço e parece que há uma força de todos nós que empurra o Kulkov, chuta Kulkov, chuta, e o meu Pai grita GOOOOOOLO e abre os olhos de espanto para a televisão e está de braços no ar, até que percebe, espantado, que eu não gritei golo, e olha para mim e eu parei de respirar. 
Não entrei em paragem cardio-respiratória, não tive de ser reanimado nem nada, mas, quando o Kulkov meteu o 4-4, estive uns bons 3 segundos sem conseguir respirar com a emoção. Quando o ar me voltou, gritei e gritei (sozinho, porque os meus pais estavam petrificados de medo que eu caísse ali para o lado) e dei voltas à casa e gritei ainda mais. Lembro-me de que, quando o jogo acabou, toda a sala era um caos. Sofás virados ao contrário, almofadas espalhadas, muita cinza no chão. Lembro-me da minha felicidade e de me rir do meu Pai e dizer-lhe que ele não acreditava e que eu sim e do sorriso dele, maior do que ele queria admitir. 

Ainda hoje, quando falamos do 4-4 em Leverkusen, recordamo-lo como o jogo em que eu parei de respirar. Acho que foi dessa vez que toda a minha família atingiu a dimensão da minha loucura, da minha devoção ao Benfica. E ainda hoje acho, ou tenho a certeza, que foi nesse jogo que também eu percebi o meu Benfiquismo. 



20 comentários:

  1. 94 foi um grande ano, apesar de ter começado tão mal, com as saídas de futre, sousa e pacheco e a rábula do JVP. Foi esse 4-4, foi o 3-6 que também começou com uns frangos do neno nos cantos

    Em 94 Faro ainda não era assim tão grande para te perderes. Eu passei várias férias em Faro desde pequeno e estivesse onde estivesse, bastava apontar ao são luís ou à doca e sabia sempre onde estava.

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  2. E é isto o Benfica.
    Também era puto, mas recordo-me (mais ou menos, vá...) dessa grande jogatana.
    Repetir-se-á a História?

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  3. Parabéns.
    Mais um texto brilhante.
    Prende a leitura da primeira à última linha.
    Apaixonante.

    Abraço
    ricardo martins
    @rfam

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  4. caríssimas(os),

    a todas(os) vós, votos sinceros de Boas Festas e de um próspero 2013!
    (de preferência com muitos e agradáveis sorrisos azuis-e-brancos)

    ps:
    M.,
    desculpa lá, mas dessa época, também me lembro (muito) bem deste jogo, curiosamente ante o campeão alemão em título...
    (curiosamente, ou talvez não, um encontro que passa ao lado da comunicação social. talvez pelo feito único, à data, de uma equipa lusa em solo germânico. se calhar foi com muita fruta e afins, mas que ainda é único, lá isso é...)

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todas(os) vós! ;)
    Miguel | Tomo II

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  5. Penta whatsoever: eu lembro-me muito bem deste jogo, um dos jogos mais emocionantes da história recente do meu Benfica, e desse jogo, uma lição de futebol do FCP, e o melhor jogo (acho eu!) com a camisola do Porto de um daqueles jogadores que, tal era a classe, admirava mesmo sendo do inimigo: o Timofte. A segunda parte do Timofte, claro.
    Este que aqui interessa foi um dos momentos inesquecíveis, dessa época de 93/94 que foi, percebemo-lo depois, estruturante da manutenção do Benfica como o maior clube português (independentemente do sucessso desportivo).

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  6. Chorei a ler isto, porra! Brilhante!

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  7. Mais um excelente post, fiquei emocionado tudo de bom e que 2013 seja um grande ano com saúde e como o nosso Benfica campeão :)

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  8. Excelente texto! Foi um jogo, um ano que me marcou bastante mesmo se o meu benfiquismo se tenha manifestado assim 3 anos antes em Londres, curiosamentecom 10 ano de idade também.

    Penta, essa vitimização é idiota. Ninguém esqueceu esse jogo os media falaram bastante pois ffoi um dos grande resultados na historia so futebol português. Eu nunca me esqueci do golo do Rui Felipe ou ainda da cara de gozo a olhar para a camara do Otto Rehaggel quando ja estava de papo cheio.

    Ma estas a comparar o incomparavel. Penso ter mais logica comparares a emoção deste jogo em Leverkusen com a do jogo do Porto em Milão, o da afirmaçao do Jardel e do Artur a vomitar.

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  9. Nunca me esquecerei desta noite. Foi a primeira vez que chorei pelo Benfica. E logo de alegria.

    Vi o jogo no meu quarto, em casa dos meus pais. Sozinho. Era um benfiquista louco desde miúdo, mas que vivia numa casa onde ninguém ligava. O meu Pai nem gosta de futebol.

    Mas eu sabia o que esta ali perante mim. E no 4-4 os berros foram maiores que nunca, estava aos saltos em cima da cama, sem parar, enquanto ao mesmo tempo, chorava.
    Entraram-me pelo quarto e ao verem-me assim, perguntaram assustados o que se passava. Não tinham a percepção do que se estava ali a fazer naquele dia...

    Ainda guardo o jornal do dia seguinte. Algures. Mas guardo.

    Dos melhores jogos de sempre. Orgulho.

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  10. Lembro-me perfeitamente não só dos dois jogos com o Bayer (na Luz estava lá sentado, com a mesma idade que tu), tal como me lembro do jogo com a Juventus dos 3-0 (Silvino tem que ser substituído logo no início ficámos apenas com uma sub para fazer, tudo correu mal, a começar por termos falhado várias vezes o 3-1 na Luz) e tal como poderíamos ainda citar o jogo do Arsenal em que (tal como tu) acabei abraçado ao meu pai na nossa sala de jantar.

    Nunca esquecerei o 4-4 até porque foi um dos melhores jogos do Kulkov, na minha opinião a verdadeira alma da nossa equipa nesse dia, e eu era um fã do Kulkov (se houvesse competência na Luz teríamos despachado o Yuran mas jamais o Kulkov). Sem ofensa ao Rui, ao JVP, ao tiro do Abel, etc, o Kulkov para além das tarefas defensivas, faz duas arrancadas que desequilibram totalmente os Alemães, não houve pai para ele. Acabou o jogo esgotado mas deixou um jogo para a história.

    Tal como tu, também sou um pouco pessimista no meu doentio Benfiquismo, mas claro que vou lá estar na Luz (como sempre) para receber o Bayer. Até porque ... já são amigos.

    Abraço lampiónico, muito identificado com o que escreves, mas na latitude de Lisboa ...

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  11. Obrigado pelos comentários. Penta: qualquer pessoa que goste de futebol lembra-se desse jogo. Eu lembro-me bem.
    Epá, acho que todos os Benfiquistas vibraram mais com este jogo porque foi uma montanha russa. Até fico nervoso só de me lembrar. Bom 2013!

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  12. peço desculpa por só "responder" agora.
    e, antes de tudo, um Próspero 2013 para todas(os), com muita saudinha (que bem vamos precisar e para fazer ver ao actual ministro da dita, cumprindo com um desejo que... enfim...).

    que fique bem claro que o meu comentário anterior não é (nem pretende ser) uma qualquer espécie de «vitimização».
    apenas não consigo perceber o regozijo dos benfiquistas com um jogo que resultou num empate conseguido a ferros, numa verdadeira «montanha russa» e que terá sido «estruturante da manutenção do Benfica como o maior clube português (independentemente do sucesso desportivo)» - daí o termo de comparação com o encontro de Bremen.
    mas eu não sou benfiquista, portanto...

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todas(os) vós! ;)
    Miguel | Tomo II

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  13. Penta: não foi o jogo, foi a época de 93/94, capice? Isto porque a essa época seguiu o que se seguiu, mas tenha calma, que já caímos e já nos levantámos. Também o seu FCP caiu durante muitos anos e se levantou, não foi provavelmente no seu tempo de vida, concedo-lhe isso.

    Curioso é como o seu mau fígado dá sinal logo em resposta a um comentário em que elogio o jogo de Bremen e a exibição do grande Timofte. Diga-me lá: admira algum jogador do Benfica dessa altura? O João Pinto? O Rui Costa? O Paneira? O Isaías? Ou os óculos que usa não lhe permitem enxergar o vermelho?

    O jogo de Leverkusen foi grande, porque o Benfica eliminou uma das maiores equipas alemãs, na altura em que a Alemanha era o campeão do mundo em título, e que nessa época acabou em 3º enquanto o Werder Bremen acabou em 8º. Foi-o, também, como o M. referiu, por ter sido emocionante nas suas incidências. Quando ganhou em Milão com o Jardel e o Artur, não lhe deu também um gozo especial ter dado a volta ao jogo?

    Irra, que a clubite irracional exaspera-me!

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    1. André Carapinha

      não é «clubite irracional»; se fosse clubite não comentaria num post dedicado ao Benfica nos termos em que penso que o fiz: com Respeito.
      mas, se pretende "falar" de Futebol e sem «clubites irracionais» à mistura, desmontemos o seu comentário.

      primeiro parágrafo:
      a época de 1993/1994 foi, de facto, inesquecível para o SL Benfica: foi campeão (conseguindo um bravo empate nas Antas) e atingiu as meias-finais da Taça das Taças (sendo derrotado pelo Parma, na eliminatória a seguir à do post em causa).
      o que se seguiu foi o início do vosso "ocaso", com o desmembramento de uma equipa campeã, o que fez com que, em dezoito anos, apenas tenham conseguido três títulos. como é que chegaram a este extremo? responder-me-á com o argumento recorrente da «fruta», dos «quinhentinhos» e do «sistema». eu contra-argumento com o que vos é inato: falta de uma liderança forte e pujante desde Fernando Martins.
      e isto, meu caro, não é «clubite irracional»; é a dura realidade dos factos.

      segundo parágrafo:
      o meu «mau fígado» já levou a tecer elogios rasgados, lá no meu estaminé, ao futebol praticado pelos génios que foram Rui Costa, Paulo Sousa, Isaías e Bento.
      infelizmente os meus «óculos» não me permitem recuar mais no tempo, pois não passo de um puto (dado que pertenço à colheita de '75).

      terceiro parágrafo:
      respondo-lhe com a inocência do meu comentário anterior, o qual refere que não sou benfiquista, pelo que não consigo compreender o vosso contentamento com um empate, mesmo que com incidências a fazerem lembrar uma montanha-russa.
      mesmo assim, concedo que a «irracionalidade» desta minha outra perspectiva de um mesmo jogo estará em mim e só em mim, reafirmando que, para a época em causa, o Werder Bremen era o campeão alemão em título (se terminou em oitavo lugar, isso são outros «quinhentinhos»).
      (e sim!, o jogo de Milão foi indescritível, mas só viria a acontecer na época de 1996/97)

      ps:
      não me leve a mal, mas a mim «exaspera-me» a má criação, a má educação, a falta de respeito e o insulto gratuito - motivo mais do que suficiente para dar por encerrada a nossa "discussão".
      tudo o que se seguir a este meu comentário (e se não for eliminado) e da sua parte, não merecerá a minha consideração e respeito.
      passe bem.

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    2. Muito bem, "Penta". Encerremos a discussão em virtude da minha putativa "má criação, má educação, falta de respeito e insulto gratuito", estejam eles onde estiverem nos meus dois posts, o que ficará certamente à consideração dos leitores que consigam despir os óculos vermelhos ou azuis.

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    3. Muito bem, "Penta". Encerremos a discussão em virtude da minha putativa "má criação, má educação, falta de respeito e insulto gratuito", estejam eles onde estiverem nos meus dois posts, o que ficará certamente à consideração dos leitores que consigam despir os óculos vermelhos ou azuis.

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  14. O Penta não compreende a importância dada pelos benfiquistas a um empate (4-4 na Alemanha depois de ter estado a perder 2-0... realmente nada de extraordinàrio) que finalmente apenas significou a qualificação para as meias-finais de uma competição europeia.

    Radicalizando tamanha frieza logica, diria igualmente que não compreendi por que razão os portistas fizeram uma grande festa quando deram 5-0 ao Benfica jà que finalmente significou apenas a conquista de 3 pontos.

    Percebe onde quero chegar Penta?

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    Respostas
    1. quais 5-0?
      se forma os "primeiros", estes deram origem à conquista de uma Supertaça...

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