segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Horrível

Quando saí do Dragão após o jogo com o guimarães, convenci-me que o FCPorto - sem ponta-de-lança, com um treinador na corda bamba e jogadores com a cabeça bem longe – ia lutar pelo título. Jogámos bem, o público não se portou mal e houve até momentos de alegria, tão raros quando a minha equipa não vai em primeiro, com 20 pontos de avanço sobre o segundo.

Não estava, portanto, a contar com isto. Temi nova ausência de Hulk (nem todos podem ter 4 ou 5 destes…) para um terreno onde uma vez se festejou uma vitória sobre o FCPorto que deu o título ao sportem como se isso também valesse um campeonato para o gil. Mas lembrei-me que a táctica tantas vezes experimentada este ano do 4x3xcaos até tem vindo a funcionar.

Estranhei, desde logo, a braçadeira em Rolando. Eu sei que o nosso presidente tem um fetiche estranho com ele, mas dar a responsabilidade de liderar a equipa num momento tão instável a um rapaz que, ao que me parece, se fosse abordado por dois miúdos de 5 anos na rua, num local escuro, lhes entregava a carteira, o relógio e o telemóvel aos gritos, antes de perceber que lhe iam pedir um autógrafo, não me parece muito inteligente.

Depois, vi o horrível no seu esplendor. Já se sabia que o gil vicente, que na semana passada tanto atacou, e correu, e foi para a frente lançado, não ia jogar assim connosco. E assim foi. A apatia nos primeiros 15 minutos foi total. Não houve remates, não houve lances de génio, não houve nada. De um lado, uma equipa que ia fazer de tudo para não perder. Do outro, uma equipa que ia fazer de tudo para não ganhar.

Aos 15 minutos, depois de uma falta evidente, mas para o lado errado, o cruzamento foi para a entrada da área e até parecia um desperdício. Mas o central do gil foi mais inteligentes do que três (TRÊS!!!!) jogadores do FCP e cabeceou a bola por cima do guarda-redes mais mal colocado do mundo. Ainda ninguém tinha acordado – nem mesmo o adversário – e já perdíamos.

Quem esperou uma reacção à Porto, como eu, ainda hoje se pergunta o que terá acontecido depois. Na defesa, pareciam malucos, a deixarem os avançados do gil tão sozinhos, tão sozinhos, que pareciam o Hélder Postiga. No meio campo, em vez de pegarem na bola e resolverem aquilo, lançavam-se contra os cotovelos adversários na grande área, imitando o João Vieira Pinto contra o inocente braço do Paulinho. E, lá à frente, o caos era tanto que até o Kléber teve duas oportunidades de golo, que o guarda-redes adversário, uma vez com as mãos e outra com uns pontapés, safou.

O FCPorto esteve a perder 3-0 e só não foram mais porque não houve mesmo hipótese de inventar mais lances de perigo para o gil. Eu não vi mais o jogo. Garantem-me que a coisa melhorou, que reduzimos a vantagem e que as entradas de Belluschi e Danilo abanaram um bocado aquilo. Eu não acredito que tenha deixado de ser horrível.

O título parece-me entregue (e o verbo aqui utilizado não podia traduzi-lo melhor) e resta-nos agora tentar amortizar as consequências de uma época onde nunca fomos Porto. Revoltem-se, agarrem-se uns aos outros e mandem uns embora, se for preciso. Vão buscar quem sabe o que isto é, como o nosso Comandante. Temos uma Liga Europa para disputar e muita paixão para ultrapassar.

O FCPorto a cinco pontos do primeiro é uma sentença de morte. Não esperem que alguém apelide o encontro na luz de “jogo do título”, como gostam de o fazer quando os outros estão a 8 ou 10 pontos de nós. Não acreditem que a tarefa tão bem executada na Feira e em Barcelos está terminada. E, sobretudo, não voltem a vestir essa camisola se não estiverem dispostos a lutar contra esta merda.


P.S. Aos leitores do futuro, que venham aqui parar graças a uma pesquisa estranha no google, algures em 2025, devo esclarecer-vos que este meu texto foi uma tentativa de analisar os problemas do Porto à maneira do jornal A Bola, isto é, sem referir que o árbitro (Bruno Paixão, esse velho camarada da roubalheira) foi o grande responsável pelo resultado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Besta

O medo foi uma importante conquista da selecção natural e os mais aptos têm medo.
Os pré – históricos que não tinham medo foram todos comidos por tigres que enfrentaram “corajosamente” sem armas, sem precauções, sem medo. Os que perceberam que os tigres os podiam comer ficaram à espera deles em cima das árvores com lanças e aprenderam a fazer buracos.
A primeira vez que eu vi a besta do Hulk foi a marcar um golo aos pastéis. A cara de pouco esperto sossegou-me. Aquele olhar meio vazio não podia fazer mal a ninguém. Mas depois, enfiado no conforto do sofá a ver um duelo entre a rapaziada às riscas horizontais contra as riscas verticais para a Taça – se não me falha a memória – vi um dos acontecimentos mais fantásticos do futebol português.
O destino ou o fado ou o resultado de múltiplos fenómenos físicos e biológicos após o Big Bang colocaram Hulk e Rochemback num duelo de corrida. Ainda hoje recordo o Rochemback em esforço, a dar tudo, com as banhas a balançarem em câmara lenta e o respirar pesado, com se o Homer Simpson se tivesse levantado do sofá. E aquela besta com aquele ar alucinado de quem só vai matar alguém a ganhar metros e metros ao gordo, como se tivesse caído no caldeirão da poção mágica quando era pequenino. E depois fuzilou o Rui Patrício. Um tiro que se lhe acertava na cabeça ia fazer a cabeça do Patrício explodir e ia sair ar por todo o lado e perceberíamos que ele nunca vai perceber a regra do atraso ao guarda redes. E foi aí que eu percebi que era preciso ter cuidado com aquela besta e ganhei respeitinho.
Depois o rapaz veio para a ribalta com o escândalo do túnel e passou a símbolo e arma de arremesso. No ano a seguir passou-nos por cima com aquele ar de alucinado.
Hulk é extraordinário. O arranque é impressionante, o remate de pé esquerdo tem um quê de loucura, que tanto pode ferir alguém na bancada, como ser um golão. E o pior é que o tipo aprendeu isso, aprendeu que é perigoso. Quando o Hulk tem a bola tenho medo que ele arranque e que nos atropele. É um medo diferente do que tinha de Falcao, mas é um medo muito real. Quero que se vá embora e depressa. Era importante que não fosse por 100 milhões de algum árabe otário (até porque aquela Besta não vale isso) porque isso ia ser mais uma arma de arremesso. Mas era importante que aquele olhar estúpido, alucinado e altamente perigoso se fosse embora.
Não tenho por Hulk o respeito que tive por Lucho. Nem o terror que tinha por Jardel. Mas quero que ele se vá embora. Se isso mostra medo ou não, estou-me a marimbar. Não o quero é aqui.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O fenómeno existe e é nosso

Deram-lhe nome de um herói de banda-desenhada. É bruto, é uma criatura, é selvagem. Quando pega na bola, leva tudo à frente. Vêem-se defesas a fugir, outros a voar. Pelo menos na minha cabeça, sim.

Consigo imaginá-lo a mudar de cor, a enfurecer-se e a lutar contra os maus. Claro está que nem sempre o faz com magia. A sua força sobre-humana torna-o trapalhão e traz-lhe muitas vezes a pior opção possível. É incrível, claro, e não tem jeito nenhum para superstar. É por isso, também, que o admiro.

You're making me angry. You wouldn't like me when I'm angry.

É um prazer ter Hulk na minha equipa. Vejo nele muito do que vi em tempos no “Fenómeno”, o Ronaldo bom, mas ainda com mais força. Aqueles ombros largos e o rabo do tamanho de uma aldeia queriam mesmo que ele fosse para qualquer lado, menos para um relvado. Mas ele, como o tal herói, não foi feito para agradar a ninguém.

O problema para muitos é que agrada. Agrada-me ter um jogador tão valioso, tão decisivo, tão único. Agradam-me os golos, os passes, as corridas desenfreadas e tantas vezes inconsequentes. O nosso presidente disse o óbvio: como Hulk, não há mais nenhum no mundo.

Nunca me poderei esquecer da sua estreia com as nossas cores. Era um livre normal, longe da baliza e numa posição nada favorável para o remate. Ele não quis saber. Rematou com toda a sua força e acertou no único jogador da barreira que por acaso era da mesma equipa do que ele. O Mariano saiu lesionado.

Hulk is not afraid. Hulk is strongest one there is.

Infelizmente, como na banda-desenhada, é um incompreendido. Nas bancadas cada vez mais idiotas do Dragão assobiam-no. Os adversários, vá lá, já se esqueceram de vir com aquelas contas segundo as quais o Porto fazia mais pontos sem ele. É que eles, ao contrário de vocês, suas grandes bestas, sabem o que é tê-lo pela frente.

Hulk é o medo dos adversários e a nossa força, ao mesmo tempo. É o Rochemback a ficar para trás e o David Luiz a ficar no chão. São aqueles remates indefensáveis e aquelas fintas estonteantes. Hulk só há um, e é nosso. E quem não perceber isto é um adepto insignificante.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Aimar, mas com sotaque

Eu e o M. decidimos escrever sobre um grande jogador da nossa equipa e sobre um grande jogador da equipa do outro. Esta é a minha resposta ao belo texto anterior.

Há jogadores que, por muito que tente, não consigo odiar. Aimar é um deles, se não mesmo o melhor exemplo. Para mim, não era suposto Aimar estar no benfica.

Era eu adolescente quando comecei a ouvir falar em mais um novo Maradona. A carinha laroca e o estilo argentino levaram Aimar até aos meus cadernos de escola, onde colava recortes de jornais dos meus jogadores preferidos (e mais giros).

Como adepta da selecção argentina e seguidora atenta da Liga Espanhola, não me foi difícil acompanhar a evolução da sua carreira. Só que, um dia, infelizmente e inexplicavelmente, Aimar foi parar ao benfica.

Claro que depressa me convenci que ele vinha cá passar umas férias e passear um traseiro com tendência crescente. Aimar no benfica só podia ser peça com defeito. Certamente que só iria fazer uma perninha, jogar uns minutos e rechear a conta bancária.

Vendo bem as coisas, não deixa de ser isso. O pior é que, naqueles minutinhos em que toca na bola, faz aquilo que o M. tão bem descreve. Aimar ainda está todo ali, mas só um bocadinho mais palhaço (pensavam que ia ser só miminhos, não?).

Sim, insulto-o quando se atira para o chão ou quando coloca a bola na mão do adversário com o seu jeitinho de menino bem-comportado que nas costas vai fazer queixinhas à professora dos outros. Mas não consigo odiá-lo.

É estúpido não gostar de Aimar, não tentar apreciar um pouco ao longe ou não perceber o que ele faz. Como é bastante estúpido que ele esteja no benfica, o clube dos maus, dos parolos que idolatram jogadores como o Nuno Gomes.

Porra, Aimar, o que raio estás aí a fazer?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Houve um dia em que Corto Maltese vestiu a camisola do Benfica. Chamávamos-lhe Pablo Aimar.

Não vi o jogo com o Gil (estava a trabalhar, olhando nervosa e frequentemente para o telemóvel à espera que o meu pai marcasse os golos via mensagem), mas segundo me dizem, parece que foi preciso Aimar entrar. Vejo o resumo e só me dão o terceiro golo, com Pablo a marcar e a levantar os braços, como quem só não quer incomodar. É impossível colocar toda a classe de Pablo Aimar num resumo. E quando penso nisso, sinto saudades. Antecipo as saudades que vou ter – e que portanto já tenho – de Pablo Aimar.

O meu primeiro deslumbre com o 10 argentino vestido à Benfica foi num Paços – Benfica (3-4 na Mata Real). Entrou no fim de um jogo confuso, que o Benfica insistia em não conseguir dominar. O cabelo desgrenhado e os calções que lhe parecem sempre demasiado grandes. O Paços bombeia bolas para a nossa área e uma sobra para Aimar, que tinha tudo para devolver docemente a um dos nossos defesas, para que este pudesse chutar a bola com sofreguidão. Aimar fingiu com o corpo esse movimento, os defesas do Paços lançavam-se já para saltar e esperar que o chutão do nosso defesa lhes batesse no corpo, quando Aimar se limitou a voltar-se, os defesas enganados, e ele com aquele ar de pirata, de gentil cavalheiro da fortuna, pronto a sair a jogar.
A jogada perdeu-se, mas houve ali poesia. Uma coisa bonita, desumana na sua impossibilidade de ser feita por qualquer um, mas ao mesmo tempo de uma estranha moralidade, trazendo ordem ao caos. Aimar é isso, o pirata que, através do engano, encontra a luz na desordem.



Corto Maltese é o pirata apaixonado pela ideia de estar apaixonado. Solitário e companheiro, há em Corto a bondade dos que defendem os mais fracos (como Maradona) e a malandragem da ópera de Chico Buarque. Um revolucionário sem partido, sempre pronto para ler um clássico ou para uma luta com facas. Depois acende um cigarro e desaparece na névoa. Pergunto-me, às vezes, onde estará Corto Maltese e se é verdade que desapareceu mesmo na Guerra Civil Espanhola.


Pablo Aimar é isso, é o Corto Maltese. Não nos diz ser do Benfica desde pequenino, mas mete o pé em cada bola como se tivesse vivido toda a vida no Terceiro Anel. Respeita mais do que ninguém os rivais, mas é o primeiro a querer enganá-los com aquele seu futebol tão ordeiro e tão mentiroso. Pela barbicha à D`Artagnan, pelas recepções de veludo quando a bola vem no ar, impossível de agarrar, vejo em Aimar essa poesia justiceira, que vai trazer o Benfica de volta. Na maneira como troca a bola com Saviola, com quem se entende de uma maneira criminosa, tudo em Aimar é inteligência (imagino Aimar e Saviola novos e juntos no Benfica e é como ler A Juventude de Corto Maltese e saber como Corto Maltese e Rasputine se conheceram).

Como Aimar, Corto não é o herói perfeito. Às vezes é cruel nas suas vinganças, muitas vezes parte corações pela melancolia da coisa, que aprecia bem mais do que finais felizes. Aimar nunca ganhou a Bola de Ouro, um Mundial, uma Champions, Corto nunca encontrou nenhum tesouro ou nenhuma princesa. E essa imperfeição, essa melancolia que os quase heróis também trazem, são a razão porque Pablo Aimar será sempre lembrado numa noite de copos no Bairro a falar de bola e porque muitos ainda esperam ver Corto em Lisboa (onde Pratt o desenhava, quando morreu).




E é por essa admiração que ontem fiquei triste por ter perdido o que o Mago trouxe ao jogo. Mais triste fico quando não sinto por parte da direcção do Benfica a urgência em renovar com este homem.
Pablo não ficará connosco sempre, como Corto não ficou com os irlandeses, nem com Cush, nem sequer com Rasputine. Mas não ficar com Pablo é não querer ler A Balada do Mar Salgado ou o Tango. E isso é simplesmente criminoso.

Hoje tenho saudades de Pablo Aimar. Tenho saudades da bola colada ao pé e daquilo que me trouxe. Vejo ainda, nitidamente, Aimar isolar-se frente a Rui Patrício e percebo tudo em banda desenhada. A anca vira-se para a direita, o pé direito aponta e há uma pequena pausa – do tamanho do Mundo – para que Patrício caia. A mentira do pirata completa-se e Aimar arranca para o outro lado. A bola, sempre amiga e companheira, por estranhas diabruras do destino ousou fugir-lhe. Pablo alarga a passada, cresce ao sentir as bancas já de pé, mas lembra-se dessa honra, desse código secreto que só os cavalheiros da fortuna conhecem. Aimar porventura não conhecia Cosme Damião, mas sabe que foi acarinhado e reabilitado pelos Benfiquistas e que a única coisa que pode e tem que fazer é retribuir (como Corto a caminho de Samarcanda). Então, deixa que um sportinguista se atire, acredite que a bola pode não entrar. E com o cheiro do mar e do Benfica a fazer-lhe voar o cabelo – sempre desgrenhado, sempre pirata – levanta a bola sorrateiramente. É golo. É o tango argentino. E no meio da loucura, da banda desenhada, das saudades do futuro, perguntamos a Aimar se já esteve apaixonado por um clube e ele, como Corto, responde-nos que sim, há muito tempo, e nós, embevecidos, acreditaremos sempre que foi pelo Benfica.
E eu vou ter, como ontem, saudades de sentir isso.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

«Vada a bordo, cazzo!»

Dizem-me bastantes vezes que eu sou uma pessoa optimista. Acredito mesmo que esse optimismo me tem trazido muitas coisas boas na vida. Em cada obstáculo, em cada má notícia, em cada sentimento mau, vejo uma oportunidade de os ultrapassar e sentir-me melhor com isso. No futebol, não.

Ando desanimada com isto. Acho que o FC Porto não vai ser campeão e isso não tem nenhum lado positivo. Entristece-me, deixa-me frustrada e com esperança que o tempo não passe para que isso nunca se confirme. Nunca soube perder e não tenciono aprendê-lo.

Os números não suportam o meu pessimismo. Estamos na luta, perdemos poucos pontos e todos sabem que este Porto tem muito por onde melhorar, tornando-se o habitual perigo.

No entanto, estamos encalhados. Não temos ponta-de-lança, o Incrível está lesionado e há um sentimento de debandada iminente desde que AVB nos deixou. Aos poucos, vejo-os a vestir o colete para aquilo que acreditam ser um salva-vidas. Falcao e Fucile, provavelmente Sapunaru e Guarin, daqui a uns meses talvez Álvaro Pereira e Hulk, no mínimo. Apetece-me gritar-lhes para ficarem, para voltarem a ser felizes aqui, mas terei mesmo algo para lhes dar?

A água, não há como esconder, está a entrar. Cada vez são menos os que acreditam no treinador e cada vez são mais os que vêem os outros a crescer. A tarefa adivinha-se árdua.

Eu, apesar de todo este pessimismo, estou disposta a remar contra a maré. Não abandono este navio. Os ratos já fugiram. Ficámos nós. Está na hora de subir a bordo e resolver isto depressa. Antes que vá ao fundo.



Frase dita por Gregorio De Falco, o comandante do porto de Giglio, a Francesco Schettino, o comandante do Costa Concordia.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Palhaçadas de Inverno

1. «Mercadoria» para a equipa B

A novela Djaniny é digna de análise. O rapaz, só pelo nome, tem ar de craque. Ao longe, falava-se de um goleador nato vindo dos escalões inferiores. Eu, que ao contrário do Freitas Lobo tenho vida, confesso que só reparei bem nele pela primeira vez quando, isolado em frente ao guarda-redes adversário, escorregou e rematou sem querer. É claro que eu já tinha ouvido falar em ordenados pagos a jogadores do leiria e até estava a achar estranho que não surgissem negociações à última da hora. Estilo Jardel e olhanense, estão a ver? Foi portanto ali, naquele falhanço, que passei a saber do interesse do benfica no Djaniny. Interesse que virou polémica nos dias seguintes, com o pai do rapaz, «benfiquista de coração» e por isso nada suspeito, a vir queixar-se que estavam a tratar o filho como «mercadoria». Já não havia nada a fazer, o filho nunca iria para um clube assim. O benfica realmente foi indecente: o mínimo que havia a fazer a um gajo que falha um golo assim era dar-lhe um contrato. Para surpresa minha, um ou dois dias depois lá estava o craque de camisola vermelha a sorrir para a foto. Hoje, o futuro treinador dele já veio dizer que o melhor que o espera é a equipa B. Portanto, a ver se percebi: o benfica joga com o leiria, encosta um rapaz de 20 anos à parede, contrata-o e depois envia-o para as reservas. Se isto fosse no Porto...

2. sportem nas quatro frentes

Diz-me o M., que tem paciência para ler blogs lagartos, que os nossos rivais verdes estão loucos de euforia depois do empate caseiro com o FCP. Não é para menos: estão a apenas 8 pontos do primeiro e jogam em Braga no domingo, quem sabe em busca do quarto lugar. Isto, para eles, é continuar na luta pelo título. É verdade que são os únicos que estão em «quatro frentes», mas para isso temos de considerar que o paços de ferreira também ainda está no campeonato, certo? Se isto fosse no Porto...

3. Messi, Ronaldo... e a estrela do zenit

Danny não se cala. Não sei quem é que ainda lhe põe microfones à frente, mas o rapaz pelos vistos gosta tanto disso como de fazer xixi. Eu acho bem, sempre me anima um bocado. Esta semana, li que a grande estrela do zenit se sentiu como Messi ou Ronaldo no Dragão. Confusos? Eu estive lá e posso garantir-vos que, em termos de futebol, ele esteve um bocado longe dos dois melhores jogadores do mundo. A única coisa em comum que encontro é que realmente são os três jogadores de futebol. Deve ser isso.

4. Dragonce Vikkkkkktórya

Ainda estou à espera que o Djaló chegue ao Porto. Se o Correio da Manhã diz, é porque ele vem aí. E quase que aposto que vai viver naquela casa que o mesmo jornal anunciou que o Paulo Bento já tinha comprado para ser treinador do FCP. Se por azar não vier, vai ser uma grande perda para a próxima filha do super-casal, cujo nome estaria pelo menos mais aproximado do significado (sportem e vitória não são propriamente sinónimos).

5. Isto é o sportem

Em alvalade, testemunhei a essência do novo cântico dos lagartos. «Isto é o sportem», cantam eles, alegremente, enquanto o Porto os domina em casa. É verdade, é mesmo isso o vosso clube. Isso e uma direcção empenhada em colocar símbolos nazis nas paredes, em intimidar os árbitros no túnel, em expulsar jornalistas e em fazer os seus adeptos acreditar que está mesmo tudo bem. Não está, para gáudio cá de casa, e isso deixa-me feliz. Só não gosto de ver o Domingos no meio disto tudo. Enquanto são os Cristóvãos desta vida a fazer essas figures tristes, eu sento-me no sofá a aplaudir. Agora o meu Mingos não devia entrar nesta onda verde e branca (não azuis, como os fumos), muito menos quando acaba de ser claramente beneficiado numa eliminatória da Taça de Portugal onde esteve a um Paulo Baptista de ver o Jamor por um canudo.

6. Santos da casa não fazem milagres

A novela Danilo já enjoa. Começou logo torta, com um negócio inexplicável. Continuou assim, com o Santos a adiar sucessivamente a libertação do jogador. E vai acabar mal, quando os adeptos começarem a exigir que o lateral direito dos milhões resolva todos os problemas da equipa. E ai de mim se entretanto continuo a pensar se este dinheiro não daria para comprar um ponta-de-lança...

7. Acabou a crise

Assim de fininho já veio a público uma nota interna do Conselho de Ministros a preparar-nos para mais medidas de austeridade. O nosso rating é «lixo» para as três maiores agências de rating. O Catroga está na EDP e o Frexes na Águas de Portugal. Enfim, o que é que isso interessa se o Eusébio está bom e o benfica vai em primeiro? Ai Portugal, Portugal...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O problema não é o fanatismo do outro, é o nosso

Eu e a Catarina gostamos de viajar, já viajámos muito. Gostamos de sair à noite, de ir beber um copo. De jogar às cartas um contra o outro, a contar cada vitória.
Gostamos de ver séries juntos no sofá. De ler, ler muito.
Mas de tudo isto gostamos como pessoas normais. Quero dizer: às vezes gostamos demasiado de ganhar no crapot um ao outro - de preferência num aeroporto qualquer (e posso adiantar que os últimos scores não me foram muito favoráveis). Às vezes eu levo demasiado a sério a minha fixação por policiais negros, às vezes a Catarina não espera por mim para ver o Dexter. Enfim, somos um casal como tantos outros: gostamos das nossas coisas, gostamos de as partilhar, somos felizes.
Mas depois há o futebol. O jogo que comanda os horários cá de casa: "O Benfica joga a que horas?", "Só volto do Porto depois do jogo", etc. Em relação ao jogo e aos nossos clubes, a nossa fixação ultrapassa tudo. Cada pormenor, cada amarelo, cada calendário do rival, cada benefício, tudo é vivido até ao último instante. Mas nós temos a mania que não. Quem, nós? Então um casal de jovens tão inteligentes, tão viajados, tão apaixonados, ia lá agora eu torcer pelo United só para o City não ter um jogo da Taça mesmo a meio da eliminatória com o Porto, podendo assim gerir melhor o esforço e eliminá-los! Eu? Porra, eu gosto é do Raymond Chandler.

A Catarina tem a mania que eu sofro mais. Exemplo: em Sydney, às 6.30 da manhã, eu e o nosso anfitrião - o Mago, companheiro de bancada e sentido de humor - levantámo-nos para ver o Beira Mar - Benfica. No golo, como é nosso hábito, não gritámos. Gesticulámos de alívio, que é o que as pesssoas que sofrem com isto fazem. Um gesto seco, tipo soco, como quem pode finalmente gritar - mas não grita. É uma alegria de alívio, de quem sofreria muitíssimo se, em 90 minutos, aquele momento não existisse. Ora, a Catarina levanta-se e pergunta: Quanto está? E nós: 1-0. 1-0 porque, mesmo em Aveiro ou em Apucarana, o Benfica está primeiro. A Catarina, que não tinha ouvido o GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLOOOOOOOOOOOOOOOOOO que os que não sofrem com isto terão gritado, acreditou que ganhava o Beira-Mar. E 15 minutos depois, quando percebeu, foi como se levasse dois golos, porque o resultado virava de 0-1 para 1-0. E vai daí, ficou chateada. Que sofríamos muito, que se tivéssemos gritado golo ela tinha percebido e que escusava de sofrer (reparem: "Vocês sofrem muito e como fizeram isso fizeram-me sofrer a mim, que nem ligo nada a isto").
Isto aliado à minha estranha mania de dar indicações aos jogadores (porque se eu não disser "desce" virado para uma televisão num apartamento no centro de Lisboa, é óbvio que o Maxi, a jogar na Madeira um Maritímo - Benfica, vai ficar lá à frente), às vezes até de pé, criou esse mito cá em casa: "O Manel (sim, M. é de Manel) é um bocado sofredor e a Catarina é mais viagens".

Há uns dias - isto da internet tem graça - saiu uma fotografia panorâmica da Luz, no último derby. Podemos - como a polícia - passear pelas bancadas até encontrar as nossas caras. E a minha é, até com desconto, de um sofrimento, de uma tensão, que é um misto de estar a cagar e ser esfaqueado ao mesmo tempo, mantendo ainda a concentração suficiente para fazer, através do poder da mente, com que o Emerson faça um cruzamento milimétrico. À minha volta há pessoas a olhar para o lado, a bocejar, dando até a impressão que o jogo está parado. Mas eu estou ali, tudo contraído, à espera que o Javi cabeceasse e eu pudesse, enfim, gesticular para todo o lado, finalmente aliviado. A foto alimentou o mito, claro.
E eis que houve clássico esta semana. E que a Catarina foi fotografada. E percebemos: sofremos mesmo com isto. Tem uma foto a tapar a cara, de desalento. Tem uma de cabeça atirada para trás, pescoço esticado e braços cruzados, em pose de treinadora que não sabe o que pode fazer mais para mudar o jogo. E tem uma mesmo à mister: mão no queixo, olhar distante, pensando na próxima substituição. À volta, pessoas cantam, pessoas riem, pessoas fumam charros. E nós não percebemos isso: como é que há gente que vai ao Estádio e se diverte.

Quero com isto dizer que o ambiente cá em casa está carregado. Que apesar de conseguirmos conviver com o fanatismo um do outro, mal conseguimos sobreviver ao nosso. Antecipamos cada jogo com uma dor imensa, antecipando a perda de pontos que decidirá o campeonato. Ficamos nervosos, andamos às voltas na sala, não conseguimos trabalhar como deve ser. Há várias pessoas que me perguntam como é que eu, que sou doente pelo Benfica, vivo com uma igual do Porto. E isso nem sequer é pergunta. As derrotas do Benfica fazem-me sofrer tanto que nem que a Catarina mas gritasse aos ouvidos se agravavam. E sei que ao contrário é o mesmo. O nosso problema, repito, não é o outro gostar do rival. É nós gostarmos tanto do nosso clube.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Muita papa para comer

O FC Porto não é campeão há dez anos. Nesta década, passou por vergonhas como uma final da UEFA perdida em casa e um campeonato perdido num clássico e viu os rivais a lutarem por ambições maiores. Um deles, desses rivais, ganha troféus europeus, campeonatos de seguida e vende jogadores medíocres dez vezes mais caros do que os nossos melhores.

Vamos recebê-los na nossa casa. Já estamos a seis pontos de distância. Estamos fartos disto, de ser humilhados, da vergonha, da tristeza, do saber que não vai sobrar nada para nós. Queremos entrar em campo com tudo, mas a pressão é tanta… Não se admite outra coisa a não ser uma vitória categórica.

Os outros começam logo a jogar melhor. Há assobios, insultos, ninguém é poupado. O Estádio do Dragão vira um tribunal que admite a pena de morte. Em cada passe errado há uma sentença, em cada adepto há um carrasco. Como dar a volta a isto? Estamos fartos, não aguentamos mais!

Felizmente, os outros pelos vistos não querem ganhar. Facilitam-nos a tarefa sem um ponta-de-lança, parece-me óbvio. Sofremos, aguentamos e pelo menos não acabamos vergados. Ufa, já passou. No final, incendiamos tudo. Isto não é o nosso clube, não é um grande, não é nada.

Ora bem, por esta altura espero que já tenham reparado que imaginei um cenário em que FC Porto e sportem trocavam de papéis. Naturalmente, a realidade do clássico de ontem foi bem diferente. É que eles estão tão habituados a isto que empatar em casa com o rival que já está a seis pontos é um óptimo resultado, porque é uma das raras jornadas em que pelo menos este não vai fugir mais.

Domingos tem toda, toda a razão. O sportem está muito longe do benfica e ainda muito mais do FC Porto. Ele disse-o por palavras mais fofinhas, mas todos entendemos bem: o sportem já não se comporta como um grande de Portugal há muito tempo. O estranho, para mim, que sou uma privilegiada, é eles acharem isso normal.

Ontem, o que eu vi foi um estádio cheio para receber o campeão, sorrisos nas bancadas, aplausos para a equipa que jogou pior, cânticos de incentivo a jogadores como Capel e Carrillo, apenas bons quando os adversários são defesas do rio ave ou do olhanense. No fim, o campeonato está longe, muito longe, mas está tudo bem.

O presidente arranja guerras ridículas com jornalistas, o treinador dá-se bem com todos, os jogadores choram quando os adeptos se atiram para o fosso. É um cenário idílico. No sportem, isto é bom. Comparado, por exemplo, com o último ano, quando todos suspeitámos que o clube ia acabar, é mesmo muito bom.





Este sportem é querido. Lançou fumos azuis antes do jogo começar para nos sentirmos em casa. Não maltratou o Moutinho. Não jogou nada.

Infelizmente, este FC Porto não é muito mais feroz do que isso. Não quis ganhar. Não foi para cima deles. Não tem um ponta-de-lança. Mas enfim, pelo menos por cá não se festeja isso. Nós é mais títulos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eusébio a Homem do Ano 2012, já!

No dia 31 de Dezembro, o jornal A Bola tem a tradição de fazer capa inteira com aquele que consideram ter sido o Homem do Ano. Nos últimos anos, os premiados foram os seguintes portugueses: José Mourinho, o campeão europeu em 2010, Jorge Mendes, o melhor empresário do mundo em 2009, Nélson Évora, a medalha de ouro em 2008, Ricardo Quaresma, a estrela do FC Porto campeão em 2007, e Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo em 2006.

São nomeações sempre mais ou menos discutíveis e que têm muito a ver com o contexto da altura em que acontecem. É estranho, por exemplo, que o único treinador tricampeão português (Jesualdo Ferreira) não tenha recebido essa honra. Quaresma, por exemplo, só pode ter sido um erro de casting.

Em 2011, para o jornal A Bola, o Homem do Ano foi Paulo Bento. O seleccionador nacional, suponho eu, foi nomeado porque conseguiu o apuramento para o Euro 2012. Não me lembro de outra coisa que ele tenha feito este ano, mas isso sou eu que andei tão distraída que não reparei que o benfica foi campeão.



Voltemos a Paulo Bento. Terá, obviamente, o seu mérito pela qualificação. Não era fácil substituir um mestre dos maus resultados como Carlos Queiroz. Difícil mesmo era colocar jogadores como Ronaldo, Nani e Moutinho a jogar péssimo futebol. E ele conseguiu-o. Talvez seja por isso que mereça a nomeação.

Portugal, que eu me lembre, teve uma qualificação miserável. Perderam-se pontos idiotas, fizeram-se exibições indescritíveis e nem sequer se deram bons exemplos. Ricardo Carvalho e Bosingwa, dos poucos internacionais com cartas mais do que dadas, foram afastados pela má disposição do nosso seleccionador. Não é o primeiro Homem do Ano que é arrogante (Mourinho e Ronaldo já o foram). Mas é o primeiro Homem do Ano que o é sem nunca ter ganho nada de jeito.

O palmarés, aliás, é invejável. Quatro segundos lugares no campeonato é de uma regularidade incrível. E uma Taça da Liga perdida para o fortíssimo setúbal do também vencedor Carlos Carvalhal. Estou a ser injusta, admito. Em quase cinco anos, ganhou duas Taças e duas Supertaças, a grande maioria ao meu clube, que nessa altura, nunca percebi porquê, parecia incapaz de ultrapassar no campo o sportem extremamente tecnicista de Paulo Bento.

Tenho saudades desses tempos. Hoje, quando vejo o Elias a passar a bola ao Capel, este a levar a bola à linha e a cruzar para o Volcesinkel (é assim que diz o senhor comentador da SIC e eu gosto) percebo como era bom quando o sportem não sabia construir uma jogada. Volta Paulo Bento, estás perdoado.

Este ano, assim de repente, também não estou a ver mais ninguém. André Villas-Boas só foi campeão, ganhou a Taça de Portugal e a Liga Europa. João Moutinho ganhou isso tudo no campo, exemplarmente, e ainda foi à Selecção mostrar como se faz. E Pinto da Costa - vamos perder a cabeça! - só é o presidente com mais títulos do mundo. Nenhum deles entrou nos critérios do Homem do Ano da Bola. Isto é, ganharam, foram os melhores e foram reconhecidos lá fora.

Para este ano de 2012, já antevejo uma corrida interessante. Eusébio e os seus 1500 exames no hospital privado que interessa publicitar na abertura dos noticiários são uma hipótese. Luís Filipe Vieira e os seus 1500 títulos no futsal são outra. Domingos e as suas 1500 desculpas para desresponsabilizar uma época que já está a ser miserável também me parece bem. Enfim, todo um rol de hipóteses que espero que continue a não passar pelos verdadeiros e únicos campeões.



P.S. O Homem do Ano 2011 teve ainda uma particularidade deliciosa. A capa não era inteiramente do Paulo Bento. No canto inferior direito lá estava ele, Jorge Jesus, a brindar ao novo ano com uma mensagem de esperança para os seguidores. A Bola pode nem sempre ser muito óbvia, mas nunca anda a dormir.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Nós ainda vamos a tempo de uma grande carreira de bloggers!

Arruinámos as carreiras de bloggers um ao outro. Quando éramos (mais) jovens e (mais) imberbes, pontificávamos (verbo elogioso só utilizado na língua futebolística, já repararam? Não quero morrer sem ouvir dizer que sou um médico que pontifica em Santa Maria) no Diário de um Ultra e no Jornal da Tripeira.
A vida sorria-nos, éramos recorrentemente elogiados em fóruns, citados noutros blogs. A Catarina estaria hoje a pontificar no Porto Canal e eu estaria agora a acenar a qualquer coisa que o Máximo estivesse a dizer. Mas não, aqui estamos neste canto, perdidos e isolados. Parecemos o Abel Silva (o lateral direito de Riade, seus incultos!) ou o João Coimbra, a arrastar-nos em jogos entre amigos antes do jantar ou em terrenos ainda mais deprimentes, a sonhar com os palcos que nos foram prometidos. Eu e a Catarina já fomos quarter – back e cheerleader, invejados por todo o liceu. Hoje somos dois totós com botas ortopédicas e óculos de garrafão.




Ninguém confia em quem dorme com o inimigo. Eu percebo e sinto isso. Já ninguém me fala de possíveis contratações, já ninguém discute os erros tácticos de Jesus comigo com medo que eu me descaia numa noite apaixonada e que a Catarina, qual Mata Hari, vá depois contar ao Pinto da Costa. Todos condescendem, paternalizam o meu Benfiquismo como se já não fosse válido, enfim, sou tratado com um aleijado.

Vem isto a propósito de terem sido entregues prémios no Eterno Benfica e de eu nem ter sido nomeado. É uma injustiça lesa – Benfica e lesa – bloggismo até porque foram nomeados blogs não alinhados com a Direcção e pensei que nesse campo já tinha dado cartas suficientes. Mas não, neste canto já ninguém me lê. Ninguém tem paciência para blogs partilhados, como se o fanatismo do texto abaixo pudesse, de certa forma, abafar o fanatismo deste texto. Enfim, é de uma injustiça brutal. Não posso agora, como o Ricardo (que seria um muito justo segundo, mas distante do primeiro, melhor blog do ano), dar wallpapers aos meus fãs.

Serve este post para dizer então que 2010/2011, assim resumidamente, foi uma merda. E que 2011/12 até agora não está mal, mas que só pode ser avaliado daqui a uns meses. Isto, claro, porque eu não penso em anos civis. Não me serve de nada pensar em 2011 a partir de 1 de Janeiro (quando estávamos já arredados da luta do título) a 31 de Dezembro (quando estamos mesmo no meio de outra luta) porque se misturam coisas diferentes. O meu fim de ano são aquelas semanas estúpidas onde nem um amigável tenho para ver se só me entretenho com as cinco mil contratações diárias que me anunciam. Portanto, desejo um bom 2011/2012 ao Benfica (sem sequer perder tempo com aquela parvoíce do Euro 2012, ia lá agora gastar um desejo com essa parvoíce). E isso seria o Campeonato Nacional primeiro, a Champions depois (e quem não perceber que é preciso ganhar três, quatro, cinco campeonatos de seguida e que a Champions é uma coisa distante para nós, não tem uma noção real do nosso valor), seguida da Taça da Liga. O resumo de 2010/2011 – para os puristas dos anos civis - já o fiz mais do que uma vez e, assim resumidamente, foi uma época de merda.

Em termos de blogs, o Ontem Vi-te no Estádio da Luz, o 227218 (sugerido pelo Mago – outro grande blogger, mas intermitente) e a Mão de Vata seriam bons candidatos ao segundo classificado a seguir a mim. Um bom 2011/2012 para eles também.
Nós, no nosso cantinho vamos tentar recuperar as nossas carreiras de bloggers, aplaudidos pelos mais doentes de todos.