terça-feira, 28 de agosto de 2012

Eu e os selvagens


Há uma expressão célebre que diz que se pusermos alguns macacos com máquinas de escrever (a expressão é antiga, hoje usariam Macs e pareceriam hipsters, os macacos), ao fim de vários anos os macacos terão escrito as obras completas de Shakespeare.
Lembrei-me disto no Bonfim. Estava a ver o jogo junto ao RC e dá-se a cena clássica: Javi desce, Luisão e Garay abrem e toda a gente sobe lá para a frente. Como só o Witsel é que desce, mais tarde ou mais cedo sai um passe insensato ou um chutão cheio de fé para a frente. O problema foi que o RC disse o que ia acontecer como se eu estivesse a ver o jogo em diferido: “Agora o Javi dá ao Garay e o Garay chuta.” E assim foi.

Goleámos porque, só para a frente, o plantel do Benfica tem ao seu dispor: Cardozo, Rodrigo, Aimar, Carlos Martins, Gaitan, Nolito, Bruno César, Enzo Perez, Salvio. Com esta gente e enfrentando equipas falidas treinadas pelo José Mota, é como colocar numa arena uma horda de selvagens contra um hipster que frequente a FNAC da Baixa–Chiado. É óbvio que os selvagens vão conseguir bater-lhe, roubar-lhe os óculos de haste grossa, violá-lo e queimar-lhe o cadáver. Nas mãos de Jorge Jesus, não há a hipótese destes jogadores trocarem a bola e controlarem o jogo. Jorge Jesus, neste momento, é um general militar a quem dão uma super metralhadora e que, em vez de a disparar, atira-a contra a cabeça do adversário.

Não vou repetir os erros tácticos do Benfica porque já há gente a escrevê-lo muito melhor do que eu. O meu drama é o meu coração depender dessa selvajaria. Como qualquer bom adepto, ordeno mentalmente o que quero que o jogador faça antes dele o fazer. “Vai para cima dele”, “Desce”, “Mata o Hulk”, etc. O problema, neste momento, é que me sinto justamente a gritar com uma tribo lunática, praticamente sem hábitos de civilização conjunta, quanto mais de linguagem. Ainda para mais, dizem os jornais que os únicos da tribo que procuram a agricultura de subsistência (isto é: defender), podem ser vendidos. Não vou conseguir comunicar com ninguém, portanto. Se vendermos Witsel e Javi Garcia, quando perdermos a bola na saída para o ataque não vale a pensa gritar "Desce" a ninguém. É como pedir o "Romeu e Julieta" a um macaco. Ou pedir ao Jesus para jogar com 3 médios.

Não tendo a hipótese de me desligar (não há esse botão nos fanáticos), vou ter que entregar o coração a esta selvajaria. Esperar que a horda consiga mutilar consecutivamente os mais fracos de forma a que ganhe uma empatia entre si. Estou neste momento a imaginar Enzo Perez de tanga, a procurar com o seu olhar vazio Bruno César, também vestido tribalmente, os dois a trocar uma olhar de entendimento após um massacre a um Paços de Ferreira qualquer. A sede de sangue unirá a tribo e torná-la-à cada vez mais insaciáveis, tornanda-a assim cada vez mais forte frente aos fracos e mais previsível contra equipas com 2 neurónios.

A esperança reside na sorte de não apanharmos qualquer tribo mais inteligente, que se esconda em cima das árvores, deixando os nossos desorientados e a lutar entre si. Se se sucederem várias batalhas ganhas, os Benfiquistas acudirão ao estádio e gritarão cânticos de incentivo à maralha de ataque desorganizada que é a nossa equipa de futebol. Com alguma sorte no calendário (e, claro, nos jogos), poderemos chegar às batalhas decisivas sem termos já os 7-8 pontos de atraso habituais. E depois, pronto, pode ser que a tribo já tenha descoberto o fogo.

Estou lixado. Da minha felicidade depende a capacidade do Benfica deixar de ser selvagem. E isso é tão provável como macacos escreverem as obras completas de Shakespeare. Bem, antes os macacos que o Jesus.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Já não há heróis

Os jogadores do F.C. Porto são uns privilegiados. Fazem o que gostam e nós gostamos do que eles fazem. São ídolos de pequenos e de grandes, são aplaudidos e levados ao colo pelo Zé da esquina e pelo dono do banco e ouvem o seu nome cantado por milhares de gargantas fiéis. E tudo o que precisam de fazer é ganhar.

Levantam-se de manhã na sua casa de luxo, comem o pequeno-almoço feito pela empregada ou pela loiraça de 1,80m que se deita com eles na cama e sentam-se ao volante da última novidade do automobilismo para irem para o treino. Correm, fazem uns exercícios e convivem com as estrelas azuis e brancas. Regressam ainda a tempo de descansar, de jogar Playstation como eternas crianças e de brincar com os telemóveis mais caros do mercado. Uma ou duas vezes por semana, deixam a família feliz para viajar num autocarro ou num avião confortáveis, dormem num hotel de 4 ou 5 estrelas e, durante uma hora e meia, jogam à bola com a camisola mais bonita do mundo. 

Haverá melhor profissão do que esta? 

Sim, eu sei que a pressão e o cansaço também são enormes. A exigência é muita e poucos falhanços são permitidos. Entrar num estádio cheio e ser insultado não deve ser fácil. Ouvir um ou outro assobio de vez em quando não deve ser agradável. Não poder andar na rua, ir ao supermercado ou sair à noite sem estar sujeito a dar dezenas de autógrafos ou a levar uma cabeçada também não deve ser espectacular. Mas continuo a achar que uns milhares de euros no fim do mês e a nossa admiração compensam isso. 

Imagino que um operário fabril que ganhe o salário mínimo não tenha milhares de apoiantes a cantarem o seu nome se a máquina encravar e ele, fintando um ou outro parafuso saltitante, consiga enfiar o tubo no buraquinho da agulha, por muito bonita que esta imagem seja. 

Imagino que um pescador seja mais do que assobiado se um dia chegar à doca e disser ao patrão que só conseguiu 10 quilos de camarão porque a última vez que saiu para o mar foi há apenas 48 horas e não teve tempo de descansar entretanto. 

Imagino que um agricultor possa ir à vontade ao supermercado ou sair à noite, mas que não o faça muitas vezes porque alguém tem de ficar em jogo para as colheitas. 

Imagino que um jovem que estudou e que fez tudo o que podia para aprender a executar determinada profissão fique tão frustrado por estar desempregado que tenha que emigrar para qualquer lado, a qualquer preço, mesmo depois do dia 31 de Agosto. 

Eu sei que também sou uma privilegiada. Tenho 25 anos e tenho emprego, logo naquilo que tanto gosto de fazer. Trabalho de manhã, à tarde e à noite, aos fins-de-semana e aos feriados, conforme o calendário manda. Não ouço aplausos nem assobios, mas os meus leitores, desde o Zé da esquina ao dono do banco, são igualmente exigentes. Posso sonhar em ser contratada pela BBC, mas é muito pouco provável que isso aconteça, por muito que as minhas notícias evoluam. Certamente que não me vou retirar aos 35 anos e estou a rezar para que ainda tenha reforma se o fizer aos 70. Não espero ter uma casa ou um carro de luxo e muito menos vir a dar um autógrafo na vida (a cabeçada posso levar, não serei a primeira jornalista a fazê-lo). Faça o que fizer, nunca terei um salário que sequer se assemelhe ao vosso. E pior: nunca vou entrar no Estádio do Dragão, olhar para bancada e ver um adepto a pedir a minha camisola, a camisola do Futebol Clube do Porto com o meu nome. 

É este privilégio que poucos podem ter e que ainda menos sabem como é bom ter. E é por isso que não consigo perceber por que hão vocês de estar tão interessados em ir lutar pela Europa no tottenham ou pelo campeonato russo no zenit. Dinheiro? Coitados, são tão pobrezinhos. Fama? Em clubes de merda como esses? Títulos? Porque o Porto ganha tão poucos... 

Mas vão. Vão lá, a sério. Nós até precisamos do dinheiro. E eu consigo ter consciência que vocês não amam este clube como eu, por isso não vêem as coisas desta forma. No Porto de outros tempos, era um drama substituir um Vítor Baía, um João Pinto ou um Domingos. No Porto de agora, não há Álvaro Pereira, Hulk ou João Moutinho que não se esqueça de um dia para o outro. À vossa ambição desmedida, nós, os adeptos, respondemos com uma substituição rápida: hoje pedimos a vossa camisola, amanhã pedimos a de outro qualquer. É que, para nós, já não há heróis.



P.S. Bela vitória no sábado, embora a fraca qualidade do guimarães tenha ajudado. Gostei muito do Alex Sandro (tem tudo para ser melhor do que o palhaço do seu antecessor) e adorei ver que a cabeça do Hulk pode estar longe, mas o corpo, pelo menos até agora, mantém-se cá. Adorei sobretudo os foras-de-jogo idiotas e aquela defesa com a mão do N'Diaye na grande área, a fazer lembrar uma que ele fez com a cabeça na luz e que deu penalty.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os outros

Começou o campeonato e o Benfica não descurou a sua tradição de não ganhar e fez questão de mostrar, em apenas 90 minutos, todas as suas deficiências. Dado que, quando escrevo, o meu objectivo não é enlouquecer, vou abster-me de comentar o meu clube, dado que tudo é evidente demais.
Voltemo-nos, assim, para os demais.

O grande inimigo do Benfica é, como é óbvio, o clube do Guarda Abel. O Porto mantém a sua estrutura e o seu futebol. Um 4-3-3 com anos e anos, que ataca sempre pela certa, não deixando os adversários contra-atacar ou respirar no seu território. Contratou um bom avançado (a sua principal falha o ano passado), mas mantém-se sem suplentes à altura no meio campo (que bom que era que Moutinho tivesse um acidente ou se tornasse um Spur) e, na frente, depende de Hulk. E é aqui que temos que pedir a todos os anjinhos e aos Zenits e aos Atléticos para nos fazerem o favor de levar o homem de cá. Aparentemente, o Porto passará a jogar com James e Varela ou Atsu nas alas e, salvo qualquer descoberta na segunda divisão japonesa, o poder de fogo do clube de Martins dos Santos vai descer muito. Restará ao Porto – e é muito – a sua habitual competência, o seu sangue frio. E isso chega para os tornar favoritos. No entanto, um bom arranque do Benfica (e voltamos ao primeiro parágrafo) poderá expor as feridas que os azuis escondem tão bem: os ordenados em atraso, os casos recorrentes dos jogadores que querem sair, Álvaro Pereira e Kléber à porrada, etc.
Se o Benfica fosse competente, podia ambicionar por sal nas feridas do rival. Assim, resta-nos esperar que Hulk saia, que ninguém entre, e que um milagre aconteça.


Os verdes continuam o seu caminho estranho.  Apesar de já não ter Polga (aquele abraço!), o Sporting tem um plantel curto e com muito pouca gente que meta respeito e medo. Quando olho para os seus 11, invejo claramente Ínsua e acho que Carrillo se tornaria um grande extremo no Manchester United. Falta-lhes um criativo no meio campo, mas, mais do que tudo, falta-lhes exigência. O Sporting já não é – aos olhos de todos – candidato ao título. Até para os seus adeptos. O derby será, como sempre, um jogo perigosíssimo, e conto com o defensivismo de Sá Pinto para tentar tirar pontos aos azuis, já na 6ª jornada. Espero, também, que alguém lhe tire os comprimidos para podermos, finalmente, vê-lo mandar uma bolachada num árbitro. Sá Pinto: pelo Artur Jorge e pelo Liedson, terás sempre o meu eterno e incondicional apoio.

O Braga é um caso sério e preocupante. Tem o mesmo plantel da época passada, um treinador que vai querer acabar com o mito de 2004/2005 e uma estrutura férrea que se senta, com igual à vontade, nos camarotes do Dragão e da Luz. Apesar de nem uma Taça terem ganho nos últimos anos, o golpe “à Boavista” está quase à vista de todos. Aprecio especialmente Leandro Salino, Amorim (jogadores que cabiam no plantel do Benfica de caras, e o segundo só não lá está porque -> voltar ao primeiro parágrafo) e Lima. E odeio Mossoró, a quem desejo, sem qualquer pudor, que alguém lhe enfie a chuteira pela perna dentro, deixando-o sem jogar até aos 45 anos, quando poderá voltar a jogar na sua terra local, que não sei qual é, mas à qual irei só para o insultar. É dos jogadores que mais odeio no campeonato e que sonho encontrar a passarem na passadeira quando guio.
São uma maior ameaça que os verdes e nunca é demais repeti-lo.


Marítimo e Nacional continuarão a ser terrenos perigosos, pejados de brasileiros e de jogadores de Leste que parecem agigantar-se contra o Benfica. A claque feminina do Nacional continuará a ser mais irritante que o seu presidente (e isso é difícil). Danilo Dias podia ser suplente num grande ou ir para o Braga. E o Porto ganha lá sempre. Mais facilmente na Choupana do que nos Barreiros. É tudo o que sei sobre as ilhas.

Em Guimarães estará uma equipa falida cheia de jogadores que não conheço. É bom que sejam minimamente bons, senão acabam com aquele marroquino que, apesar do golo ao Porto há dois anos, se foi embora por estar cansado das ameaças. O que aprecio em Guimarães é a independência daquela gente insana. Odeiam com a mesma força Benfica, Porto, Sporting, Belenenses, Académica, Braga e Boavista. Julgo que nem a claque feminina do Nacional é bem recebida lá. Respeito isso.

Olhanense, Académica, Rio Ave, Setúbal, Beira Mar, Gil Vicente e Paços de Ferreira vão manter-se como a prova de endurance do campeonato. Vão estacionar o autocarro e bombear bolas para os seus brasileiros rápidos da frente, passar o tempo todo no chão e a fazer anti-jogo, à espera de um milagre numa bola parada ou num contra-ataque. Em Olhão, Coimbra e Vila do Conde moram treinadores ex-Porto (coincidências do futebol português), pelo que poderemos esperar 11 cães de fila em marcação cerrada e de faca nos dentes contra nós, contrastando com o futebol de ataque, agradável, com dois avançados e dois extremos bem abertos, com que enfrentarão (corajosamente!, rezarão as crónicas) os azuis. Malgrado o primeiro parágrafo, é rezar para que o Benfica seja mais competente contra estes adversários do que Porto e Braga. O Sporting cometerá o seu habitual suicídio nestes jogos.

Estoril e Moreirense são-me desconhecidos (eu trabalho, não tenho tempo para conhecer toda a gente, ok?), mas lutarão com o lote de cima para não descer e comportar-se-ão de igual forma. O jogo com o Estoril servirá para recordar o famoso “EstorilGate”, mas este fim de semana ninguém se lembrou de um célebre Gil Vicente – Porto jogado em Guimarães, pois não?
Da primeira à última equipa comentadas, uma coisa os une: todos detestam o Benfica. É bom que o Benfica aprenda a lição depressa. A de que é o alvo a abater em todos os estádios.

Não estivesse o Benfica tão focado em auto-mutilar-se e em insistir nos seus erros, e até podia estar cheio de ambição. Assim, bem, prometi a mim mesmo que não escrevia sobre isso. Anda lá, Zenit, compra o Hulk e dá lá 25 milhões de prenda de casamento à Fernanda!




Sem vergonha

Muito se tem falado de vergonha nos últimos dias. Seja através de discursos lidos ou de cassetes repetidas, a vergonha é uma constante no futebol português. E nesta jornada veio novamente ao de cima.

Gostei do jogo que o F.C. Porto fez em Barcelos. Tivemos várias oportunidades para marcar e praticamente não deixámos o adversário jogar. Gostei do Jackson, do Lucho e do Alex Sandro, e gostei de ver o Hulk ainda interessado em nós. Falhámos muito, é verdade, mas também falhámos porque o guarda-redes fez a exibição da vida dele. E perdoem-me aqueles (poucos) que esperavam vir aqui ler uma análise lúcida do empate, porque eu também creio que falhámos porque o árbitro considerou que agarrar o tronco, a bacia e a perna do Kléber durante vários segundos não é motivo suficiente para penalty. Árbitro esse que está tão perto do lance que quase que também é agarrado pelo jogador do gil. 

Esperei dois dias para escrever porque cheguei a acreditar que conseguia ser como aqueles portistas que alegam que o Porto tem de ser superior às falhas dos árbitros e que tinha de ter jogado muito mais para ganhar. Gostava mesmo de ser assim, mas não sou. Quanto mais vejo as imagens, quanto mais jornais leio, mais penalties vejo (o Mangala também é mandado ao chão na grande área e o James, se não fosse palhacito e não se tivesse encolhido logo, também tinha sido varrido). 

Não tenho vergonha, portanto, de assumir que acho que o campeonato começou com o F.C. Porto a ser prejudicado em dois pontos. Sim, também admito que se aquela primeira parte não tivesse sido tão adormecida não teríamos precisado de nos chatear com isto. Mas, assim de repente, lembro-me que começámos os últimos dois campeonatos com vitórias à rasca na primeira jornada e que isso provavelmente se repetiria se pelo menos uma destas faltas tivesse sido devidamente assinalada. A tradição ainda é o que era: os árbitros continuam sem vergonha de nos roubar em Barcelos. 

Quem também anda com falta de vergonha é o treinador do gil vicente, estrela de anúncios publicitários e ilustre mestre da táctica do anti-jogo. Comentou ele, no final da partida, que a equipa não jogou fechada e que nem sequer viu nenhum lance polémico. Saberá certamente este senhor que ninguém espera que a sua equipa assuma o jogo contra o bicampeão nacional, mas também não é bonito tentar fazer de todos nós, os que viram o jogo, estúpidos. O gil vicente não só jogou fechado, como passou os 90 minutos a fazer faltas, a demorar uma eternidade em cada lançamento e a aplaudir cada interrupção idiota que o árbitro deixava prolongar. Se ficam contentes com pontos ganhos assim, tal como ficaram com a vitória escandalosa da época passada, tudo bem, são um clube muito pequeno e eu compreendo, mas admitam-no. 

Outra vergonha que vai permanecer por cá pelo menos até ao dia 31 de Agosto é a daqueles jogadores que aproveitam cada microfone colocado à sua frente para exprimir desejos de jogar neste ou naquele clube, de brilhar neste ou naquele campeonato, ou de receber este ou aquele salário. Já chega a vergonha de arrastar o mercado até tão tarde, deixando as equipas vulneráveis aos caprichos dos grandes tubarões europeus, não precisamos de mais meninos com a cabeça longe quando já estão pontos em disputa. 

O que vale é que os nossos rivais estiveram à altura do momento. Na luz, o benfica, com mais um jogador devido a um erro do árbitro, teve todas as razões para ter ficado contente com o empate, tal foi a qualidade do jogo apresentado. Em Guimarães, o sportem de Sá Pinto manteve a sua estratégia de nunca assumir o favoritismo e cumpriu os mínimos para os seus tão pouco exigentes adeptos. Sem vergonha nenhuma, claro.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Se contratarmos outro extremo, a culpa também é do árbitro alemão?

Sente-se no ar o aroma dos anos 90. Ou dos 2000, já não sei. É como se víssemos o início de um filme que já vimos e, sem sabermos muito bem do que se trata, nos lembrássemos imediatamente do fim. Está no ar aquele cheiro nauseabundo e enjoativo do Benfica a abdicar de mais um campeonato por falta de comparência, oferecendo ao Porto a possibilidade de, fazendo os mínimos, facturar um terceiro campeonato consecutivo, isolando ainda mais a conquista de 2009/2010 como um acidente.

Escrevo a 16 de Agosto, a 15 dias do fecho do mercado. Entretanto, o Benfica já contratou Paulo Lopes, Michel, Hugo Vieira, Luisinho, Ola John e Salvio (falta-me alguém?). Assim como o ano passado já tinha contratado Artur, Wass, Witsel, Garay, Matic, Nolito, Bruno César, Enzo Perez, Mora e Rodrigo. Faltava, como ainda falta, um defesa esquerdo. Entretanto, gastaram-se em Salvio e Ola John 22 milhões de euros, isto para a posição mais bem preenchida do plantel. Já defesa esquerdo, nada. O erro é tão ostensivo (e o ano passado custou um campeonato) que me dá nojo. Dá-me nojo porque eu sofro com isto. Porque eu não durmo quando perdemos e ainda sou infeliz pelo que se passou o ano passado. Odeio que o Benfica perca e odeio de morte os culpados dessas derrotas. Irrita-me, portanto, que senhores usem mal o dinheiro que eu e outros papalvos lhes damos em quotas, cativos e afins. Usam esse dinheiro em negócios esquisitos com comissões e em troca dão-nos humilhações como perder campeonatos com 5 pontos de avanço.

Mas não há só incompetência na procura de um defesa esquerdo (vamos todos fazer um minuto de silêncio em memória da puta que pariu o olheiro que descobriu o Emerson), há uma despreocupação na procura do mesmo que pode parecer de cariz aventureiro - quase poética, quase boémia - aos mais distraídos. Para quem já conhece o que a casa gasta, sabe que é mais uma aposta de Jorge Jesus no seu Championship Manager particular. É que, para quem não sabe, além de um campeonato e 3 taças da Liga, JJ tem nos seus currículos as carreiras de Di Maria, David Luiz e Fábio Coentrão. Foram, de facto, negócios prodigiosos para o Benfica e o dinheiro dos mesmos fez concerteza falta. São negócios pelos quais estamos - de verdade - agradecidos. Eu não esqueço que quando JJ chegou à Luz David Luiz era um defesa esquerdo (insistência de Quique) horrível, Di Maria um Gaitan mas sem tanta técnica e Coentrão o próximo Diogo Valente. No entanto, as suas vendas não trouxeram títulos. Não recebemos taças, não fomos para o Marquês. É que JJ está apostado em fazer de Melgarejo um defesa esquerdo ofensivo, estilo Coentrão. Poderá resolver jogos e ajudar no ataque. Poderá ter um pendor ofensivo tal que no fim da época o vendemos acima de 8 milhões. Mas entretanto poderá dar aqueles 6 ou 7 pontinhos preciosos a perder. Ou então vai ser só mais um Djaló. Desde este meu humilde campo, pedia ao senhor Jesus para se deixar de ideias, para brincar no computador dele (se ele quiser até com a equipa do seu coração, aquela de verde) e não no meu Benfica. 

Assusta-me todo este descontrolo do jogo na Alemanha. Assusta-me e deprime-me, porque sei onde é que isto vai dar. Assusta-me que Luisão, Maxi e Carlos Martins fiquem assim num amigável. Vende-se a versão que a culpa de todos os males são os árbitros e o Porto (o Porto que nos ganhou sem ponta de lança e com o Vítor Pereira no banco), mas, pelos vistos, não se preparam os jogadores contra os árbitros. Se sabemos que todos os anos em Braga há festa, com supostas agressões, provocações, luzes que vão abaixo, expulsões aos nossos jogadores que são agredidos, a preparação mental dos jogadores do Benfica é esta? De cabeça perdida, à peitada aos árbitros? Longe de mim ser politicamente correcto: eu acho bem que os jogadores do SLB pressionem árbitros e até que insultem e provoquem adversários se for para nosso benefício, mas que o façam sem serem miúdos de 15 anos. Ninguém no Benfica prepara os jogadores para este tipo de situações, ninguém vai lembrar a Aimar que tem de jogar em vez de discutir com os árbitros, ninguém vai dizer aos jogadores mais novos, como Rodrigo, que quando uma situação destas acontece têm que fugir das expulsões e deixar o capitão ir resolver o assunto. Não, o capitão entrou à Kostadinov, não só arruinando esse argumento, como dando a imagem de um clube a naufragar na sua psicose com os árbitros. E o resto da comitiva riu-se para a UEFA ver.

O quadro está pintado à vista de todos. É um filme repetido, como aqueles clássicos que passam nas tardes de domingo: o Benfica na pré-época. É um deja vu de várias pré-temporadas onde o desequilíbrio do plantel se via de Marte: 2005/06, 2006/07, 2010/11, 2011/12, com a possibilidade de repetirmos o mágico início de época de 2007/08 com o despedimento de Jesus antes da 5ª jornada, sendo a sua cabeça a oferenda pré-eleições de Vieira aos sócios e ao mesmo tempo uma elegia a Fernando Santos e ao seu despedimento na primeira jornada.

Não torço contra o Benfica apesar de detestar esta direcção. Se formos campeões e Vieira celebrar o seu 3º título, sairei à rua, feliz e bêbado de felicidade. Nada me alegrava mais do que não ter razão, nada me faria mais feliz do que comer palavrinha a palavrinha este pessimismo. Mostrem-me até Maio que estou errado. Mas, infelizmente, não acredito. Já vi este filme muitas vezes. Já sei o fim.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Empurra benfica

O futebol voltou. Aleluia, irmãos! É verdade que ainda estamos todos apreensivos com as poucas entradas e as saídas que tardam em concretizar-se de forma a aliviar o caos financeiro dos clubes, mas o certo é que a bola já rola. E, para não variar, o F.C. Porto até já tem um título. A Supertaça não me parece, no entanto, suficiente para combater o sucesso dos nossos rivais.

O sportem, completamente imune à crise, como se sabe, continua a contratar craques e a arrecadar medalhas e diplomas nas modalidades, mesmo naquelas em que não tem atletas. Que classe, senhores viscondes! 

Já o benfica, entristecido pela falta de uma pré-época recheada de troféus e de estádios cheios com camisolas do Mantorras, optou por uma estratégia superior: mandar árbitros ao chão. 

Não consigo ver as imagens sem me rir. O árbitro, qual papoila saltitante, fez-me lembrar os não saudosos tempos dos mergulhos de João Vieira Pinto para a piscina, com a novidade deste ser para trás, digno de um novo desporto olímpico. 

Quanto à agressão do Luisão – sim, agressão, não alegada agressão, nem terá agredido, nem nenhuma dessas expressões que se usam para o desculpar –, não me parece grande novidade. Talvez ainda não o tivéssemos visto a fazer tal coisa com o peito, visto que é mais normal ser com as mãos... 


… ou com os pés...



Mas acho muito bonito o que certos jornalistas estão a fazer, todo este empenho em mostrar como Luisão é um fofinho que só deseja a paz no mundo. Segundo o novo acordo ortográfico imposto por Jorge Jesus na luz, e no domingo posto em prática pelo diretor de futebol do benfica, o que o árbitro fez foi «amandar-se para o chão». Esta é, aliás, uma tendência entre as pessoas que se aproximam muito do Luisão. Fartam-se de se amandar para todo o lado.







Duvido que Luisão vá ser castigado, mas preocupa-me que possa refugiar-se num vício antigo para fugir à intensa pressão mediática. E todos sabemos como o álcool pode provocar ainda mais violência.