quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O copo e a ironia

Um copo está meio cheio ou meio vazio consoante a nossa sede. Frente a um rival sem James, que tem ganho 1-0 em golos de bola parada a adversários de menor nomeada, o nosso habitual optimismo (e aqui refiro-me ao Benfica, porque quem me conhece sabe que optimista vem muito longe na minha tabela de caracterização) até tinha alguma razão de ser. Eles, estranhamente, face ao passado recente, vinham pessimistas. E digo estranhamente, porque eu, sendo doente pelo meu clube, tenho um respeitinho muito grande à equipa de futebol das riscas à presidiários e gosto da sua forma de jogar calculista e controladora, ao invés da loucura constante do nosso 4-1-3-2, que tantas vezes se transforma num 2-0-8. 

Os azuis controlaram o jogo, mas não foram o Barça, que foi quase a ideia passada pelo Vítor Pereira. E nós não fomos tão meninos - não houve lances como o segundo golo deles no ano passado. Tudo bem, não havia James, mas não houve falhas dessas da nossa parte. 20 minutos de loucura e depois muito respeitinho, um empate justo.
Eu, mesmo pessimista, fico sempre lixado de não ganharmos a quem quer que seja, quanto mais ao clube do grande Martins dos Santos. Acho que entrámos nervosos, acho que o Melgarejo, mesmo superando as expectativas, depois de nos enterrar com o Braga, enterrou muito neste jogo. Ao Salvio exigia-se mais nos lances um contra um contra o Alex Sandro e Cardozo, meu amigo e camarada, responsável por tantas e tantas alegrias, falhou aquele golo (mas está perdoado. Cardozo, além de um goleador, irrita a Marta Rebelo, portanto eu perdoo-lhe tudo). 
Jorge Jesus, treinador com méritos indiscutíveis (o canto de Cardozo, com cabeceamento de Salvio à figura é uma delícia), aprendeu a ser mais cauteloso, mas ainda não lê este blog, daí que o meu desejo de jogarmos em 4-3-3 certos jogos seja só uma ilusão minha. 

Mas também tiro coisas boas: o Porto é excessivamente calculista. Especula pouco ou nada. E se isso é um seguro de vida em jogos difíceis, contra equipas de retranca (que não aquelas, tipo Setúbal, que abrem as pernas e fazem 2 faltas por jogo) e sem o seu craque, pode ver-se aflito. Num campeonato como o português, duro, faltoso e defensivo, isto poderá ser uma desvantagem. Infelizmente, têm-na contornado. Esperemos que isso acabe.
Já nós, apesar da crónica incapacidade de fazer 30 segundos que seja de posse de bola contra equipas do mesmo nível, pelo menos não jogámos com os dois laterais a extremos e os médios centro na área adversária, o que, parecendo que não, é quase novidade. E eu vi - juro! - o Gaitan fechar no meio e parar contra-ataques. 

Enfim, mais a frio, foi um bom jogo de futebol, de equipas com características muito diferentes, mas que jogam bem à bola (o golo de Matic é de bandeira e o passe de Jackson para Varela uma monstruosidade). E digo-o sem falsos desportivismos, só desejo mal ao clube do agora presidente do Belenenses e queria que o Benfica jogasse só contra adversários fáceis em que à meia hora estava 4-0, mas acho importante dizê-lo. E quem do Benfica não perceber o adversário que enfrentamos, não perceberá a importância de nos mantermos focados no campeonato, sem loucuras.
Posto isto - que toda a gente já disse, mas eu precisei de alguns dias para arrumar as ideias - segue a luta. Nada de pessimismo exagerados nem dos optimismos bacocos. É ganhar hoje em Coimbra e segunda ao Moreirense. O copo está a meio. Vamos enchê-lo?

Uma última notinha sobre árbitros, porque senão fica toda a gente a pensar que só a Catarina é que é uma fanática doente e que eu sou um tipo politicamente correcto (que é das coisas que mais me irrita, eu sou tão ou mais doente do que ela): dá-me um gozo do caraças ver os azuis a estrabucharem com árbitros. É que, para mim, ver Pinto da Costa a mandar bocas à Liga e tecer considerações sobre nomeações de árbitro em público é sempre refrescante. Ou fina ironia. Tempos houve onde tínhamos de ir ao Youtube ouvi-lo falar. Eram tempos em que ele não precisava de mandar bocas aos árbitros pela televisão, eles iam lá a casa. Ou é falta de memória ou de vergonha.


3 comentários:

  1. Tudo bem, concordo com quase tudo. Mas M. pegar naquela imagem tao velhinha e tão gasta é como ilustrar o Benfica atual com a imagem do Eusébio.

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  2. Bom post!

    O JJ disse ontem que anda a ler muitos blogs e está em sintonia com os desejos benfiquistas.

    Decerto, mais cedo ou mais tarde, irá passar por aqui.

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  3. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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