domingo, 13 de janeiro de 2013

Vamos a eles, rapazes!

Tenho sempre dificuldades em escrever este tipo de textos, motivacionais, antes destes jogos. E tenho dificuldade porque acho que vou sempre escrever o óbvio, aquilo que não precisava de ser escrito.
Se eu fosse jogador do Benfica não precisava de vídeos, não precisava de psicólogos a dizerem-me para acreditar em mim. Quem precisa de acreditar em si quando veste o manto sagrado? Haverá maior motivação na vida do que vestir de águia ao peito? Estou plenamente convencido que se desse consultas vestido à Benfica que ia saber as doses dos fármacos todas de cor.

Isto para mim é óbvio e pungente porque eu sinto que vivi - e vivo - toda a vida com a camisola do Benfica vestida. A minha vida, a minha existência, define-se e funde-se com este clube. Não vale a pena enganar ninguém: quando o meu olhar se ausenta, quando estou 2 minutos em silêncio, eu não estou a pensar no sentido da vida nem na defesa dos direitos dos animais, estou a pensar no Benfica.
Se vocês, que hoje entram em campo, tivessem crescido como eu e aquela classe do Valdo vos tivesse impressionado a vós como me impressionou a mim, quando era pequeno, se vocês, ao invés de serem todos sul americanos, fossem da margem sul e tivessem passado a vida a explicar aos lagartos quantas vezes o Bento foi melhor que o Damas, mesmo que não tenham visto nenhum deles jogar, eu não precisava de vos escrever isto.



Lutem, matem-se, massacrem-nos. Rompam-se, rasguem-se todos, não deixem uma gota de suor por gastar. A nossa história não é só feita de génios como Eusébio, é também feita da massa de gente cujo inevitável caminho para a mediocridade e esquecimento teve uma curva inesperada com a camisola do Benfica vestida. A história do Benfica é feita dos Jaime Graças, dos Álvaros Magalhães, desses invisíveis e incansáveis lutadores, que se transformaram em gigantes que nem em mil anos serão esquecidos. 
Queremos a glória de volta. Queremos o Benfica de volta. Tudo o que vos peço, rapazes, é que deixem a pele em campo, que mereçam o carinho de um estádio e de um clube que, embora vocês não o conhecessem quando entraram pela primeira vez numa cancha no recreio, vos pode levar a uma eternidade muito maior, ao ponto de num recreio de uma qualquer escola no interior do país, um rapaz de 6 anos levar o vosso nome - argentino, paraguaio, brasileiro - nas costas.
E agora, só para vos orientar:

Artur: cuidado com os cruzamentos, dá segurança e orienta a rapaziada aí atrás.
Maxi: não subas à doida e joga à Maxi, como se a tua vida dependesse disso.
Garay: patrão, pá! Nunca deixes o colombiano saltar sozinho. E hoje vais marcar-lhes, num canto.
Luisão: concentra-te, homem, que já tens uns anos disto.
Jardel (se jogares): confiança e calma. Não te precipites.
Melgarejo: o Rámés não joga, portanto a noite pode não ser de pesadelo. Aproveita, sobe e desequilibra, que o Danilo defende mal.
Matic: calmeirão, tens-me surpreendido e pareces o Pirlo sérvio, com 1,90m. Cuidado na transição, que estes cabrões defendem e contra-atacam bem.
Enzo: nada de carrinhos estúpidos, estou cheio de medo que sejas expulso hoje. Passa mais e corre menos. Hoje tens de ter a cabeça no sítio.
Salvio: meu pequeno tanque, tens que desfazer o miúdo que te vai marcar. Cabedal para cima dele e confiança. Calma nos cruzamentos.
Gaitan: ouve lá, rapaz. Se correres e defenderes como os outros, ficas um super jogador. Sacrifica-te. Olha para o Maxi e vê o que ele corre. Depois saca uma genialidade que os lixe, boa?
Ola John (se jogares): miúdo, isto hoje é muito duro. Espero que te tenham explicado que hoje não pode haver ingenuidades nem meninices. Tens que ser incisivo e sacar esses teus cruzamentos que me convenceram.
Lima: eu duvidei da tua contratação, mas isto é a mesma pessoa que quase apostou um orgão vital como o Coentrão nunca ia ser ninguém. Tens sido fundamental e hoje precisamos de ti. Muito. 
Cardozo: meu querido amigo, confiava tudo ao teu pé esquerdo. Melhor que ninguém, tu sabes o que é marcar a estes gajos. Dá-lhes, Tacuara.

Jorge Jesus: mister, não invente. Não invente. E que tenha preparado bolas paradas e a transição defensiva. Ganhe o jogo e traga o caneco.

Bom, já só estamos a oito horas do jogo e a inspiração não deixa sair muito mais. Rapaziada, tragam o título para casa. Da vossa glória e eternidade, tratamos nós disso depois. 



1 comentário:

  1. SOU só eu que acho que o ambiente na luz anda deploravel? que estarem la 30000 ou 60000 é a mesma coisa? nao se apoia a equipa para alem dos 5 min seguintes a um golo ou quando a vitoria parece certa, é triste... onde anda o inferno da luz??? os NN tem que se organizar ha muita malta ali que nao ta la a fazer nada nao cantam mais que a primeira vez, na repetiçao ja so cantam 30 vozes, o inferno nao se faz de presenças faz-se com a VOZ CARALHO

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