quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Guerra dos Tronos

O FCPorto é um clube estável há 30 anos. Ganhamos mais do que os outros porque somos melhores e porque os outros teimam, felizmente, em não aprender com os erros. Somos mais unidos, mais ambiciosos e mais exigentes. Temos altos e baixos como todos, mas, na hora da verdade, seja na última jornada ou ao minuto 92, olhamos nos olhos dos rivais e sentimos que somos mais fortes.

benfica e sportem mudaram muito em 30 anos. De presidentes, treinadores e equipas, de adeptos que, sem antecedentes familiares, passaram a usar tons de azul, de objectivos e conquistas diminuídos e também de mentalidade. Hoje, ambos têm uma certeza: o alvo a abater somos nós.

Do benfica já sabemos o que esperar. Não precisamos de grande motivação para alimentar esta guerra. Esta rivalidade está entranhada nos nossos avós, que viram como nos faziam pequenos à beira deles, nos nossos pais, que aguentaram tantos anos sem ganhar, e em nós, que, apesar das grandes humilhações que lhes temos proporcionado, sabemos como é difícil lutar contra eles.

Com o sportem, no entanto, parece que precisamos que alguém nos lembre que a guerra não acaba quando o adversário está caído no chão, a definhar. Desta vez foi o novo presidente, rapaz de voz rouca e ego maior do que o buraco financeiro do clube, que anunciou o corte de relações com o FCPorto. Portanto, resumindo, o sétimo classificado do campeonato não quer nada com o primeiro.

A guerra dos tronos no futebol português é isto: enquanto nós continuamos a dominar, os outros insistem em tentar derrubar-nos. E, de vez em quando, lá aparece um «lord» qualquer a mostrar serviço aos seus seguidores, que exigem o ódio ao Porto como ponto de partida para «o novo ciclo» de batalhas que aí vêm. Vestem as armaduras, exibem os seus estandartes ao alto com orgulho e gritam que estão prontos.

Na ficção, uma música foi escrita para eternizar o fim da «casa» Reyne de Castamere. No fundo, serve de aviso para todos aqueles que declaram guerra aos mais fortes quando não estão notoriamente preparados para a travar. Na realidade, tentem não esquecer-se disto, lagartos:



And who are you, the proud lord said,
that I must bow so low?
Only a cat of a different coat,
that's all the truth I know.
In a coat of gold or a coat of red,
a lion still has claws,
And mine are long and sharp, my lord,
as long and sharp as yours.
And so he spoke, and so he spoke,
that lord of Castamere,
But now the rains weep o'er his hall,
with no one there to hear.
Yes now the rains weep o'er his hall,
and not a soul to hear.

14 comentários:

  1. Ou seja: fogo, eramos tão amigos e eramos da minha equipa contra os os vermelhos. És mau. Deixaste-me... Estou tão triste. Vais jogar contra mim é? Fogo... logo nós que eramos da mesma equipa...

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  2. Quando se escreve, benfica e não Benfica, está tudo dito relativamente aos adeptos do clube. :P

    Estarão, seja com estabilidade ou não, sempre à sombra da grandeza do Benfica. Mas mais curioso, é que a culpa nem é do Benfica e Benfiquistas. É mesmo do Porto e Portistas, e de toda a mentalidade que os molda.

    É sempre um prazer ler-te, independentemente da cor clubística.

    E agora sem o Sporting? Tadinhos... :P

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    1. @ Germano Bettencourt

      «Quando se escreve, benfica e não Benfica, está tudo dito relativamente aos adeptos do clube»

      também conheço muitos epítetos de adeptos do teu clube relativamente ao meu. inclusive, antigos dirigentes. e não passam por colocar o nome em letra minúscula.

      como se costuma dizer, "à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecer". e dar-se ao Respeito, também.

      cumprimentos.

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    2. Gente pequenina há em todo o lado. Longe de mim colocar isso em causa.

      Referia-me a esta autora em especial. A necessidade de ela, enquanto adepta daquele clube, escrever Benfica como escreve.

      No entanto, tenho a dizer em minha defesa, que sei como as coisas funcionam nos blogues, e apenas estava a entrar no espírito. Picar e ser picado. Aliás, acho que a autora percebeu isso, e eu coloquei o dito Smile com a "língua de fora", e que resolveste ignorar na TAG.

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  3. Bom, se és fã dos livros e já leste os seguintes sabes bem que nenhuma "casa" está a salvo... incluindo os Lannister.

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    1. Já li os livros e longe de mim querer comparar o FCPorto aos Lannister. O paralelismo fica-se pela música :)

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    2. O Porto também paga sempre as suas dívidas, mas em géneros...

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  4. Nós somos os Starks e eles os Lanisters, nós pertencemos a Winterfell e eles à capital do Império ehehe, realmente essa série podia ser uma analogia com o FC Porto e Benfica.

    Quanto ao Bruno(Rambo)de Carvalho é para o lado que durmo melhor.

    Eu quero é saber quem vai ser o nosso próximo treinador, isso sim, desperta-me alguma ansiedade.

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  5. Cara C, na minha visão, Lisboa é o Império Romano, e o benfica é César e os milhões de soldados romanos.
    O Porto é a pequena aldeia gaulesa, e o FCP é Asterix e Obelix, got it?:-)

    Sobre o ex-porting do bruninho, a resposta é simples:é a mesmíssima tática de vale e azevedo, vilarinho e orelhas.Atacar o FCP para ganhar notoriedade e destaque na imprensa amiga da capital e desviar atenções aos sucessivos falhanços ano após ano e aos rombos financeiros.

    Mainada.

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  6. É lógico que se trata de uma táctica antiga. Ma agora vir associar a sua origem a ex-(e actual) presidentes do Benfica é cegueira, quando se sabe bem quem a criou. E ainda a usa. Aliás, basta ver todas as declarações do vosso presidente desde que se sagraram campeões (e jogadores, e ex-jogadores, e ex-treinadores e etc). É claro que todos a usam, o cerrar fileiras contra um inimigo, real ou imaginário, tem sido bastante eficaz a presidentes de vários clubes.

    Quanto ao paralelismo com a Guerra de Tronos, não esquecer que essa música ficou esta semana tristemente associada a um casamento... vermelho :P

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  7. "O Porto é a pequena aldeia gaulesa, e o FCP é Asterix e Obelix, got it?:-)"

    Pois, até o Casagrande já deu com a língua dos dentes sobre a poção mágica..

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    1. o Hernâni, o Nuno Assis e até o Francisco Jordão também experimentaram o "pó" dos pneus...

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    2. O Casagrande quando "esteve" no FCP jogou meia dúzia de jogos completos se tanto, fez 1 ou 2 golitos se tanto, passou o resto do tempo lesionado gravemente, não contribuindo decisivamente para nada que o FCP tenha ganho no período em que "cá esteve", e se dúvidas haviam sobre isso, nada melhor que Octávio Machado como testemunha de defesa:-)

      Ao contrário dos slbombos, em que para além dos 3 casos acima citados pelo PENTA 1975, há pelo menos mais 3 casos conhecidos de poção mágica nas várias modalidades, incluindo o caso em que o basquetebolista disse (sem ficar vermelho de vergonha) que era para "queda de cabelo":-)

      E diga-se de passagem que no caso Nuno Assis, a nossa federação simplesmente arquivou (ou ia arquivar) o caso, mas a FIFA não achou piada, reabriu o caso e o Assis pegou 6 meses de gancho.

      E já sabes o que acontece quando Asterix e Obelix dão de caras com um exécito romano:_)

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  8. O paralelo da Catarina é pefeito. A música "Rains of Castamere" serve normalmente para lembrar a outros aquilo que os espera quando antagonizam a casa de Lannister... Lembra uma certa gente, a norte de Portugal, que, para mal do desporto, há 30 anos que cá andam!

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