quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Novo ciclo

Ao contrário do M., eu não passo o dia a pensar em como melhorar o FCPorto. Ao contrário do clube do M., no meu há tanta gente a pensar nisso que posso aproveitar o meu tempo de outra maneira. Talvez seja por isso que, quando eu sinto dificuldade em passar na cozinha devido ao amontoamento de lixo, eu perceba logo que está na altura de o deitar fora, enquanto o M. é capaz de viver semanas no meio do caos. Enquanto eu vejo lixo a mais, o M. está a pensar em como domar o Jesus. É compreensível.

No entanto, isto não quer dizer que eu não me preocupe com a minha equipa, principalmente quando ela perde dois jogadores cruciais e inicia um novo ciclo com outro treinador. Desde que começaram os jogos a sério que tenho confessado ao M. as minhas inseguranças. São todas normais em início de época, mas convém ultrapassá-las o mais rápido possível. E até as devia ter escrito antes de perdermos os primeiros pontos, mas a minha saúde não o permitiu e portanto vou parecer menos racional porque pelo meio vou lembrar-me do quanto nos roubou o cabrão do árbitro.

Dizia eu que tenho inseguranças. A principal é que ainda não percebi o que o treinador quer. Por momentos pensei que íamos ter um Porto de avalanche atacante (não que eu o deseje, a última coisa que eu queria que acontecesse na Terra era que a minha equipa ficasse à Jesus), mas depois vi o duplo pivô no meio-campo e baralhei-me. Achei então que os jogadores da frente iam ter mais liberdade para explorar a sua técnica, mas depois vi que o Fernando foi escolhido para construir jogo. Pareceu-me óbvio que se havia coisa que não iria preocupar-me era a solidez da defesa, porque os jogadores são os mesmos, mas depois vi o Otamendi e o Mangala constantemente aos papéis. Confiei que íamos abdicar da sonolência da equipa de Vítor Pereira, mas nunca imaginei que fôssemos desperdiçar a sua organização.

Mister Fonseca, como é? Queremos saber o que quer. É muito simpático nas conferências de imprensa, mas ainda não nos explicou isto. E isto, num clube estável e ganhador como o FCPorto, é essencial. Faça as experiências que precisar (não abuse mais, meter o segundo ponta-de-lança aos 90 minutos num jogo que está empatado já é um grande abuso), mas faça-nos compreendê-las (como em Viena, com substituições nada evidentes mas certeiras). Posso ser eu que não percebo nada de futebol, mas como é que o Izmailov passa de peça crucial para segurar o jogo na Áustria para não convocado? E o Herrera, que entrou sempre bem, merece mesmo estar atrás do Defour e do Josué nas suas preferências? Enfim, mas isto sou eu, que ainda não percebi qual é a sua ideia.

Acho que até não sou a única. É que eu olho para a equipa e nem sequer me posso queixar que os jogadores não correm, ou que não querem, ou que estão cansados. Não, pelo contrário. É-me até bastante difícil criticar algum deles. E é por isso que isto é tão preocupante: é que de repente parece que eles não sabem. Ou seja, também eles ainda não o perceberam. Eu sei que ter Licá e Defour não é bem a mesma coisa que ter James e Moutinho, mas, se o mister foi capaz de levar à Champions uma equipa com o Filipe Anunciação, a malta passou a acreditar em milagres!

Mas pior do que tudo isto é ver aqueles portistas que preferiam morrer de forma muito dolorosa a ter de aguentar mais uma época com Vítor Pereira a virem agora dizer que mais valia que tivesse ficado. É que é preciso uma lata, deixa-me doente. Amigos, o anterior já foi e agora é com este que temos de nos preocupar. Parem com essas manias antes que daqui a meia dúzia de jogos estejam todos a assobiar e a torcer para que o Porto perca para poderem dizer que têm toda a razão. Já não há paciência para este novo-portismo que acha que paga bilhete para ir ver ópera ao Dragão.

Por último, os rivais. O sportem este ano tem treinador e um bom treinador em Portugal é o suficiente para se ficar acima do sétimo classificado. Tem ainda um entertainer a presidente, que dá muito jeito para quem gosta de circo. Muito cuidado com eles, nos últimos anos tiraram-nos muitos pontos e até taças porque os desvalorizámos. E agora até estão em guerra connosco, porque aparentemente ainda há meninos que aparecem no futebol de um dia para o outro e acham que hostilizar o Porto é a solução para todos os males. Ainda não repararam que as últimas décadas nos mostraram que estes são os primeiros a desaparecer de cena e quase sempre pela porta do cavalo.

E o benfica, sempre o benfica, que manteve as estrelas do plantel (um dia iremos perceber a que custo) e ainda colmatou falhas (Jesus só demorou quatro anos a perceber que Javi ou Matic sozinhos não chegavam para compensar os desequilíbrios da equipa). É claro que aquilo está uma confusão maior do que a nossa cozinha cheia de lixo, mas, se alguém se lembra de o deitar fora antes de nós nos compormos, podemos ter problemas. A única coisa que me deixa mais relaxada é saber que ainda existem adeptos deste clube que perdoam tudo ao treinador desde que este bata num polícia. Melhor só se o presidente viesse a público prometer uma Liga dos Campeões com o melhor plantel dos últimos 30 anos. Ai isso aconteceu mesmo? Que bom, adoro novos ciclos.

7 comentários:

  1. Avé, C.!

    É tal e qual o que penso ... Subscrevo inteiramente.

    Excelente blogue, continuem!

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  2. Concordo com quase tudo, excetuando o pormenor Izmailov, o treinador já justificou a não inclusão e a questão dos jogadores, não estarem cansados? não me parece !
    Saudações Portistas...

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    1. Quando eu escrevi ainda não tinha sido explicado, daí falar do Izmailov. Eu acho que não estão nada cansados, veja-se o Lucho que acho que nunca teve de trabalhar tanto na vida, coitado. Saudações portistas, sempre

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  3. Continuo sem perceber a referência "sportem" ao invés de Sporting e a minúscula "benfica", quando se percebe que não é uma regra. FC Porto aparece "FC Porto".
    Quanto ao "roubo do cabrão do árbitro", chamar-lhe-ia lei do compensamento. Até aqui tem sido um forrobodó com a autora a não admitir uma falta do Jackson...
    Admita de uma vez que o "benfica" tem razões de queixa sobre a arbitragem e que o primeiro lugar a curto prazo parece-lhes um desígnio.

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  4. Novo ciclo, velhos hábitos.

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  5. Maravilhoso....como sempre :)

    Ju :)

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  6. Muitos parabéns pelo blog! Escrevo porque vi ontem a reportagem no Porto Canal sobre o "lá em casa mando eu"... fiquei agradavelmente surpreendido, confesso! Acima de tudo porque não sou o único a viver a paixão pelo meu Porto... sozinho! Sei que cada vez somos mais...mas nem todos temos a felicidade de ter alguém que nos é muito querido como benfiquista (é optimo para data tanga :), no vosso caso marido e mulher. No meu caso o meu melhor amigo de sempre, mouro pela influencia do Pai... infeliz pela escolha que fez... mas muito bom para mim, para poder festejar os grandes e contínuos triunfos do nosso grande porto com um benfiquista... sabe sempre melhor! Por partilharmos a mesma situação, vos escrevo para dar os parabéns (mais uma vez) pelo blog e pela maneira como encaram a situação e a vida futebolística... assim como eu! Termino apenas a dizer que a nossa geração (37 anos... não devemos andar longe), é uma privilegiada... vimos o Porto a ganhar tudo (e ao vivo tb), somos uns felizardos! Parabéns! Cumprimentos em especial para o seu marido... imagino o que sofre diariamente... e se vier mais um elemento para a vossa família... eu baptizava-o de Deco (seria magico... com toda a certeza :) se for menina... todos os nomes serão bonitos... desde que seja portista :) Cumprimentos, Bruno Pinto Silva

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