sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Hora de apoiar


Nós, os adeptos, temos uma maneira muito especial de olhar para o nosso clube. Bastam-nos 30 bons minutos para ficarmos todos excitados, bastam-nos outros 60 maus para ficarmos indignados. Nos dois últimos anos ganhámos ao maior rival e adormecíamos nos restantes jogos, mas agora andamos todos com saudades disso. Não acho que sejamos estúpidos – somos é irracionais.

Daí que fique surpreendida quando um jogador está a perder em casa um jogo tão importante da Liga dos Campeões, ainda por cima sendo prejudicado pela arbitragem, e não tem qualquer reacção. Nada, nicles. Nem um espasmo de reacção. Não é que ele não queira ganhar, mas está cansado, não sabe o que fazer e não quer ter a responsabilidade de ter a bola no pé nas últimas oportunidades que temos. Se esse jogador fosse um adepto, nunca estaria cansado (a não ser que tivesse a minha preparação física, mas vocês percebem, estamos no plano emocional), saberia pelo menos que algo tinha que fazer e não teria qualquer problema em levar a bola sozinho desde que tivesse o mínimo de capacidades exigível para isso.

Mas o problema é esse: nós não sabemos, efectivamente, jogar como eles. Isto pode chocar-vos (principalmente a ti, M., que às segundas e quartas espalhas magia por esses pavilhões com os teus amigos), mas o Defour é mesmo melhor jogador do que nós todos juntos. E quando eu o vejo à nora claro que sou capaz de gritar que para estar ali aquele manco mais valia eu, mas não, não valia. E não o digo apenas pela habilidade técnica ou pela minha manifesta falta de preparação física, mas também porque a irracionalidade de um adepto raramente beneficia uma equipa.

É por isso que fiquei impressionada quando, no fim do jogo com o at. madrid, o nosso treinador foi tão calmo e ponderado na sua análise à derrota. Desde o primeiro golo deles que eu estava esbaforida, enervava-me com cada passe falhado, insultava todo e qualquer jogador que fizesse uma falta idiota (Josué e Mangala: caso não tenham percebido, esta foi para vocês), apetecia-me bater em alguém (como por exemplo um guarda-redes que sai àquela bola completamente fora de tempo), enfim, um sem número de palavras e acções das quais me iria arrepender em poucos minutos. Se me tivessem colocado um microfone à frente logo a seguir ao fim da partida, eu iria ser tão calma e ponderada como o Jesus com a polícia. Quase que posso arriscar que iria desancar a equipa, o treinador, os dirigentes, o árbitro, o roupeiro, o contabilista e a troika. Não é que não tivesse alguma razão, a questão aqui é que isso não seria benéfico para o clube. O treinador, que não tem de ser adepto e que trabalha todos os dias para aquilo, é que tem de ser racional e, felizmente para o Porto, o nosso foi e isso dá-me esperança que um dia ele possa perceber que NÃO É NORMAL ANDARMOS 60 MINUTOS SEM CONTROLAR A BOLA E A CHUTÁ-LA PARA A FRENTE SEM SENTIDO.

Os adeptos são uma parte essencial do futebol, mas só o são quando cumprem a sua tarefa: apoiar. Não quero assim defender que devemos ser todos inertes, que não podemos opinar, que não temos o direito de insultar um jogador que faz uma falta idiota. Claro que sim, também faz parte, e devemos ser sempre exigentes com quem representa temporariamente um clube que é nosso desde sempre e para sempre. Só que a dura realidade é que há sempre alguém que é pago para ter essas preocupações e resolver esses problemas e, no Futebol Clube do Porto, essas pessoas devem fazer isso muito bem, porque no final normalmente ganhamos nós.

Ok, já todos percebemos que 30 bons minutos não chegam, que é inadmissível que os outros 60 sejam tão maus, que não há outro Moutinho no mundo, que é preciso mexer melhor na equipa durante os jogos e que temos de conseguir tudo isto em pouco tempo para não estragar a época. Qualquer portista já reparou que é tempo de andar preocupado, de rezar para que o Herrera seja uma solução, de temer qualquer adversário que já tenha topado como contornar a nossa desorientação. O que qualquer adepto tem de tentar aceitar (e notem que só escrevo isto mais de 48 horas depois do fim do jogo porque até aqui continuava a só insultar toda a gente e com uma enorme vontade de bater em alguém) é que no domingo há mais e a nós só nos cabe aparecer lá para apoiar aqueles jogadores que fazem o nosso clube ganhar mais do que os outros.

2 comentários:

  1. Está tudo muito correcto, agora vamos pedir-lhe que aprenda rápido para que no final da época continuemos a ser os primeiros;)

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  2. o defour não é melhor jogador.

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