quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O que faltava

Se és do sportem, começa a ler o texto só daqui a quatro minutos por favor. 

O Bruno é o homem que faltava ao futebol português. E não estou a ser irónica, como o árbitro Manuel Mota quando só deu quatro minutos de desconto depois uma segunda parte do mais puro anti-jogo que eu já vi. Jogadores a deitarem-se no chão até quando caíam sozinhos, choro, lágrimas, pernas no ar, macas, um terror, pobres coitados, tanto sofrimento junto. Já não via uma coisa assim desde o Porto-benfica, juro.

Digo-o porque, sem o Bruno, o sportem estava condenado a ser o terceiro grande só duas vezes por ano – quando jogava contra os rivais da Segunda Circular. E este é o maior, e provavelmente único, elogio que lhe posso fazer: até aqui, ninguém do FCPorto se importava com o sportem.

Eu, confesso, sou uma grande ativista do ódio contra o sportem desde sempre. É verdade que, quando vivia no Porto e eles eram campeões (não sei se se lembram, já foi há tanto tempo), nem se dava por isso. E todos sabemos que o sentimento “anti” cresce sobretudo baseado nisso: no colega do lado que é de outro clube e nos f%&# a cabeça quando ganha. No meu caso, foi um coisa televisionada, como já expliquei aqui.

O M. costuma dizer, na brincadeira (será?), que só se apaixonou por mim porque eu odeio o sportem. Reparem: eu ser do Porto, o clube que destrói o dele, ainda aguenta; agora uma pessoa que não odeia o outro rival não tem qualquer credibilidade para ele. Entretanto, a verdade é que ele foi percebendo a diferença entre odiar o sportem em Faro (o M. quer que os nossos filhos sejam do farense, quando o clube tem um leão como símbolo e tem sportem no nome, valha-me deus, qualquer dia queres que se chamem Bruno!!!!) ou em Lisboa e odiar o sportem no Porto. É que o sportem praticamente não existe para um portista. Lá em casa, no Porto, sabe-se sempre quem joga contra nós e contra o benfica, mas contra o sportem não. E este é só um exemplo do desprezo que o Bruno tem que combater.

A estratégia dele é conhecida e tenta copiar (muito mal, muito mal...) uma que vimos funcionar há 30 anos. Não lhe interessa se, na altura, o Porto era o clube da “província” e precisava de se afirmar perante a “capital” com um discurso de incitamento à guerrilha e se, agora e sempre, o sportem é tudo menos isso.

Ver o sportem a adoptar a postura de “contra tudo e contra todos” é engraçado, porque reparem que nem no ano passado, quando andavam pelo sétimo lugar, alguma vez os vi argumentar que estavam assim porque estava tudo contra eles. Nem quando lhes apanharam o vice a pagar a um árbitro. Aliás, nem nas primeiras jornadas deste ano, com foras-de-jogo constantes e um empate contra o rival com a ajuda do árbitro. Isto surge, naturalmente, quando o sportem, a meio da época, já deixou a Taça de Portugal e a Taça da Liga pelo caminho e quando até o Montero já deixou de marcar golos em fora-de-jogo.

Nada contra a estratégia de criar teorias da conspiração para desculpar derrotas. Faz parte. O que o Bruno fez de diferente é que se virou para o nosso lado. Exclusivamente para o nosso lado. E nós estamos habituados aos Gomes da Silva desta vida vestidos de vermelho, mas de verde realmente ainda nos faz alguma confusão. Principalmente quando mantêm aquela pose cavalheiresca, tão à sportem, com um tom erudito e um ar tão lavadinho. Como é que uma pessoa entra na lama da argumentação com alguém que tem o cachecol sem dobras e sem manchas pousado em cima dos ombros?

Eu estou habituada a falar sobre roubalheiras, polémicas, apitos, nomeações e etc com um vermelho que está convencido que a fome no mundo vai acabar quando o Pinto da Costa sair do Porto. Mas a verdade é que não estou habituada a falar com um verde sobre a roubalheira que foi o sportem-marítimo da Taça da Liga, por exemplo. Ou da ilegalidade do primeiro golo deles em Penafiel. Ou do escândalo que foi o marítimo ter subido ao relvado depois do FCPorto. Ou do penalty por marcar sobre o Carlos Eduardo. Ou de como o nosso jogo deveria ter terminado sempre depois devido ao anti-jogo do qual já falei.

Estivesse o futebol português como há um ano e nesta altura eu não teria de fazer isto. Mas não está. Porque o Bruno chegou e odeia o FCPorto e vai fazer de tudo para convencer os outros clubes todos que nós somos maus. O Bruno era o homem que faltava para que todos se odeiem a todos e passemos a semana a levar com ameaças de boicotes e jogos com os juniores. Não é o primeiro, não será o último, e ainda lhe falta aquele pequeno pormenor de ganhar para que isto resulte.

10 comentários:


  1. @ C.

    à hora em que escrevo estas linhas são 14:57h no Continente, menos uma nos Açores, menos quatro minutos no Dragão e menos cinco no reino de alvaláxia :D

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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  2. Sinceramente acho injusto que o Porto tenha que justificar o atraso de um jogo, e o sportem não tenha que justificar o atraso mental do bruno de carvalho. É o sistema, pá.

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  3. Cara C,
    O Bruninho, presidente do Sporting, clube que nem me aquece nem arrefece, é tão Ridículo! É a melhor coisa que consigo dizer desse senhor, porque a pior é muito má mesmo e não me fica bem escrever aqui...

    Cumprimentos

    Ana Andrade

    www.portistaacemporcento.blogspot.com

    www.artigosonlineanaandrade.blogspot.com

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  4. Sou leitor assíduo deste blog, vi a reportagem no Portocanal, não vi a reportagem na benficatv, porque não tenho nem nunca hei de ter:-)

    O que vim comentar aqui é off-topic, e aproveitar para pedir permissão ao M para publicar esta maravilha de texto

    http://laemcasamandoeu.blogspot.pt/2012/03/somos-todos-fc-start.html

    no meu blog pelethebest.blogspot.pt

    Há outros blogs que também fizeram posts sobre os heróis de Kiev, mas o texto do M está BRUTAL, completo, cheio de emoção. excelente no tempo e no compasso, digno de um adepto apaixonado por futebol, e principalmente, pela força e magia que o velho desporto bretão inspira em todos nós.

    Como brasileiro, peço licença para fazer algumas "adaptações" tipo guarda-redes(goleiro), nazi(nazista), bancada(arquibancada) e etc...explicar que a URSS era a Rússia antiga, e que agora é dividida em 15 países, e meter lá mais umas fotos.

    E no fim do post, antes do vídeo da ESPN, deixo o link do seu texto original.

    Quanto a este post, eu entendo perfeitamente o desespero do burro de carvalho:é que o melhor ex-porting dos últimos tempos não consegue vencer o pior Porto dos últimos tempos, nem o pior Benfica da era Jorjesus:-)

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    1. Pode usar o texto desde que linke para aqui por favor. Abraço do M. que não está a conseguir responder :)

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    2. Ok C., devo publicar o texto(com algumas modificações, fotos e enxertos, mas a essencia tá toda lá) hoje à noite.Aproveito e coloco o vosso blog na minha bloglist.

      Há também mais 4 links de textos de outros autores sobre o FC START que coloquei após o post, mas o texto do M é o que melhor consegue exprimir o que foi o sentimento e o orgulho daqueles homens, era o texto que eu queria ter escrito.

      Thanx e mais uma vez, parabéns pelo blog.

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  5. Já publiquei o texto no meu blog, quando puderem, vão lá dar uma vista de olhos:-)

    http://pelethebest.blogspot.pt/2014/01/o-rei-sylvester-stallone-e-fuga-para.html

    E já adcionei o vosso blog à Minha Lista de Blogues

    Sobre a actualidade, só digo que:
    1)saldos é a 300km a sul

    2)resultado não homologado adia meia final da taça da treta, cheira-me a burro...de carvalho

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  6. Se lá em casa manda você, é porque o gajo que lá vive veste saias...
    Mas okapa, brincadeirinha à parte, o blogue até está giríssimo!

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