domingo, 19 de janeiro de 2014

Tempo para pensar

Já lá vão mais de três anos desde o meu último desgosto amoroso. O André deixou-me e eu pensei que o mundo ia acabar, mas afinal acabei por encontrar a felicidade ao lado do Vítor. Nos últimos dois anos não vivemos uma grande história de amor, mas a verdade é que o sexo contra o benfica era fantástico.

Sabes, quem me ouvir falar até parece que estou sempre a trocar de companheiro, mas a verdade é que são eles que me têm trocado por outras atrás do dinheiro. Quanto a isto não posso fazer nada: por muito boa que eu seja e por muita estabilidade que lhes dê, nunca vou ser rica como aquelas pindéricas russas e árabes.

Por isso, tenho de arriscar. Já não há muitos rapazes novos e jeitosos por aí que ainda estejam solteiros. E tu soubeste engatar-me bem. Eu bem vi como tratavas a tua ex, lá em Paços de Ferreira. Parecias o sonho de qualquer adepta. Vitórias a jogar bonito – o que mais se pode pedir?

E ela, como toda a gente sabe, era muito mais burra do que eu, portanto não me foi nada difícil conquistar-te. Tu sabias ao que vinhas: eu já não sou a mesma pessoa que há três anos. Já não estou à espera de um grande amor, mas também já não estou de coração partido. Sou uma mulher mais madura, não me deixo apaixonar por qualquer ruivinho que aparece e já não acredito em contos de fadas. Só quero um homem que me trate bem, que me dê a mão na rua, que me aqueça a cama no inverno, sabes?

Não peço muito em troca. Só preciso de ganhar, ganhar, ganhar. Escusamos de ter a posse de bola do Barça de Guardiola ou de fazer uma jogada como o último golo do Messi. Não estou à espera de muito, porque não me quero magoar. Mas tu nem isso me estás a dar. Pareces cada vez mais distante, como se estivesses condenado a aturar-me. Às vezes até parece que não gostas de mim. Porquê, Paulo, porquê? O que se passa contigo? Não podes ter deixado de ser um bom partido assim tão depressa. Ou será que nunca foste? Será que me enganei?

Eu sei, eu sei que também não estou nesta relação de pedra e cal. Já não consigo dar-te os filhos que dei ao André e ao Vítor – o Falcao, o Hulk, o Moutinho, o James. Mas porra, Paulo, temos o Fernando, o Lucho, o Jackson, o Mangala, o Danilo, o Alex Sandro, tanta coisa que outro homem qualquer era capaz de matar para ter. Mas contigo assim isto não está a funcionar. Não está, escusas de vir para a televisão fingir que está tudo bem entre nós porque não está.

É verdade que a nossa relação não está perdida, mas eu preciso de um tempo para pensar. O problema – espero - não és tu, sou eu. Sou eu, que ainda agora na luz gritei amo-te mais alto do que todos os vermelhos que lá estavam e, mesmo assim, levei com a tua indiferença, com a tua incompetência, com a tua falta de vontade em estar comigo. Senti-me como uma daquelas mulheres que chega a casa do trabalho, arruma tudo num instante, faz o jantar preferido do marido e veste a sua lingerie mais sexy, mas, quando ele chega, vai directo para a cama e não usufrui de nada.

Não pode ser, Paulo, assim não pode ser. Tens pouco tempo para me mostrares que queres lutar por esta relação. Eu não desisto de ti, acredita. Estarei sempre aqui para o que precisares, ao teu lado, a gritar da bancada. Conquista-me outra vez, mostra-me que podemos ser felizes. Agora é a tua vez de me dizeres amo-te todos os dias.

14 comentários:

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  2. Excelente!
    "Nos últimos dois anos não vivemos uma grande história de amor, mas a verdade é que o sexo contra o benfica era fantástico."
    Muito muito bom :)

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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  4. Lá diz o povo... «O amor é cego!»

    ;P

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  5. "...o sexo contra o benfica era fantástico..."
    Demais!!!
    Texto fantástico!

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  6. parabéns! por mais um excelente texto.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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  7. Muito original - embora como adepto do género masculino tenha uma visão menos colorida da relação...

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  8. Tocaste no ponto G. Bom Texto

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  9. Pergunto-me porque omitiste deste texto a relação bem mais estável com um homem maduro como Jesualdo... Se calhar não há imaginação que faça de ti essa amante.

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    1. Caro João: omiti Jesualdo como muitos outros treinadores do FCPorto. A brincadeira da relação surgiu com Villas Boas e, cronologicamente, só lhe seguiram Vítor Pereira e agora Paulo Fonseca.

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