Don Corleone: I'm gonna make him an offer he can't refuse. Okay? I want you to leave it all to me. Go on, go back to the party.
O Padrinho, livro de Mario Puzo, filme de Francis Ford Coppola (1972)
Vou ser-vos sincero: eu queria a Juventus. Porque acho mais provável passar a Juve em dois jogos do que ganhar-lhes uma hipotética final a um jogo em casa deles, porque é uma eliminatória em que eles são favoritos, mas, sobretudo, porque está na hora de ajustar contas. Está na hora de nos deixarmos de choros, de traumas e temores. É hora de matar fantasmas.
Quando em 1993 calhámos com a Juventus nos quartos de final da Taça UEFA, eu era um menino inocente e puro. Mal conhecia o nome Juventus para além de um pequeno quadradinho da banda-desenhada de Eusébio, lembrando um golo seu do meio-campo, que eu já tinha lido vezes sem conta. Quando os recebemos na Luz e vi o jogo com o meu pai na televisão pequenina do quarto dos meus pais, achei estranho os constantes berros dele, cheio de medo dos contra-ataques dos Baggio e de Vialli. Lembro-me do jogão de Vítor Paneira, dos dois golos e daquele pontapé de bicicleta de Vialli à barra que silenciou a Luz e aquele quarto. Ganhámos 2-1. Eu, na minha inocência, achei que ganhar já era bom e que íamos passar. O meu pai condenou-nos logo. Foi o único jogo que essa Juventus perdeu na Taça UEFA.
A equipa do Benfica de 92/93 tinha Neno, Veloso, William, Mozer, Hélder, Schwartz, Traidor de Viseu, Rui Costa, Kulkov, Yuran, Mostovoi, Isaías, Paulo Futre (que não podia jogar com a Juve), Rui Águas, João Vieira Pinto e o grande Vítor Paneira. Não fossem os irmãos Calheiros e teriam sido naturalmente campeões nacionais. Aos 9 anos (e aos 99) eu morreria com este plantel e, apesar de todos os avisos paternais, pedi à minha mãe para me ir buscar mais cedo ao infantário para eu ver a segunda-mão, que dava na SIC. Do outro lado estavam Moeller, Kohler, Dino e Roberto Baggio, David Platt, Vialli, Torricelli, Antonio Conte. Mas eu não tinha medo. E nem as sábias palavras do meu pai que ainda hoje me ecoam nos ouvidos me inibiram: "M.: estes roubam mais do que o Porto."
Logo a abrir, canto para a Juve. Eu tinha só 9 anos, mas eu sabia que a pequena-área é dos guarda-redes nestes lances. Quando Kohler se atirou de cotovelo em riste e partiu o nariz ao Silvino, pedi falta. Nada. Golo. Silvino, de nariz a sangrar, é substituído. Como sempre que o Benfica sofria um golo, comecei a chorar. A minha mãe, cheia do seu instinto maravilhoso, veio consolar-me, mas mal tenho memória dos outros dois golos da tarde. Lembro-me de soluçar muito de choro e de não querer lanchar. O meu ódio à Juventus é jurado desde esse dia. Eu, que era uma criança boa e gentil, ri-me com vontade quando li, uns meses mais tarde num quadradinho recôndito n`"A Bola", que o central da Juventus Júlio César, num jogo do Brasil, tinha sido assaltado e perdido a medalha de vencedor dessa Taça UEFA. Anos mais tarde, com os ultras da AS Roma num Roma-D. Kiev, foi com prazer e raiva que cantei o mítico cântico anti-juventino: E’ lunedì, che umiliazione, andare in fabbrica a servire il tuo padrone, oh Juventino cucciapiselli, di tutta quanta la famiglia Agnelli, e Juve merda, Juve juve merda, e Juve merda...
Desde Maio do ano passado que todos nós, benfiquistas, vivemos com medo. Do Kelvin, do Ivanovic, da nossa própria sombra. A equipa passeia pelo campeonato, está segura de si mesma e está rodeada de adeptos em coletes de forças, cheios de medo de serem felizes (isto não é nenhuma crítica, ninguém tem mais medo e está mais traumatizado do que eu). Em Maio do ano passado, fomos pontapeados na cabeça várias vezes, gozados por tudo e por todos. Em Abril deste ano, estamos mais do que vivos, às portas de tudo. Exijo o campeonato. Está aí mesmo, quase, quase. É o nosso principal objectivo, aquele em que estamos todos concentrados. Mas é tempo, também, de o Benfica querer mais. O Benfica far-nos-á imensamente feliz se for campeão, mas nesta fase não pode querer só campeão. Tem mais por conquistar e deve olhar para a Juventus e para a Liga Europa como uma oportunidade. Uma oportunidade de lembrar o grande Eusébio e o seu golo histórico à Juve em 1968. Uma oportunidade de vingar aquela fabulosa equipa de 1993. E tem uma oportunidade de ir a Turim e conquistar aquilo que Amesterdão nos tirou.
O Benfica, se for campeão, já faz uma grande época. Mas, se o Benfica eliminar a Juventus e for a Turim ganhar a Liga Europa, esquecerá não só os traumas de 2013, como lembrará Eusébio e vingará uma geração que ficou marcada por não poder continuar a celebrar aqueles dois golos de Vítor Paneira.
Benfica, vou fazer-te uma oferta que não podes recusar: está na hora de te vingares. Está na hora da vendetta.

É mesmo isto.
ResponderEliminarVamos BENFICA!
Jaime
eu acredito, vencendo na Luz sem sofrer golos.
ResponderEliminarCARRRRRREEEEEEEEGGGAAA BENFICA !!!!!!
E mais nada!
ResponderEliminarum desperdício de 14 caracteres (17 contando os espaços entre palavras)
ResponderEliminarO que dizer...
ResponderEliminarVítor Paneira... um ídolo...
A Juventus... a verdadeira encarnação da corrupção do futebol...
A eliminatória... para passar e ir a Turim :)
Enorme abraço
Dizer que não se gosta do Ronaldo por ele ter marcado um golo ao Porto é uma imbecilidade de todo o tamanho, estava apenas a fazer o seu trabalho. Dizer que não gosta do CR7 por um gesto irreflectido - que de facto não foi bonito - por parte de um miúdo acossado à força toda por todos e ao qual exigem este mundo e o outro é uma imbecilidade ainda maior, enfim, não deixam saudades no mais futebol com as vossas piadinhas pseudo-intelectuais.
ResponderEliminarTêm a sua opinião e só temos que a respeitar. C., e M., hoje vi o Mais Futebol. Foi aí que descubri este blog. Adorei a vossa participação no programa e vou comprar o livro. Benfica rumo ao 33°
EliminarOh que horror! Coitadinha da Catarina!
ResponderEliminarTenho um Benfiquista cá em casa. Daqueles que se "enfeita todo" para ir ver
ResponderEliminaros jogos. Um gosto ter chegado a este blogue. Virei sempre que possa.
Tentei registar-me, mas não deu. Vou tentar no Facebook.
E viva o Benfica!
Irene Alves
M., obrigado por lembrares esse jogo tão importante, provavelmente o melhor que o Paneira fez com aquela camisola (dou de barato os 6-3, pois era fáci!). Hoje, vingámo-nos, a jogar como eles, que sabe melhor!
ResponderEliminarQUEM É O "TRAIDOR DE VISEU " ?
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