Não faço ideia se desta vez acertámos. Pelos vistos não andei a ver tantos jogos das camadas jovens da selecção espanhola como devia, por isso não me sinto em condições de o avaliar já à partida. Vou então acreditar que o mister sabe que o duplo pivot está para o FCP como o Putin para o Prémio Nobel da Paz. Vou partir do princípio que até no País Basco ou na Catalunha se sabe que no Porto não há lugar a medos perante egos e superegos. Vou dar-lhe todo o apoio possível desde que veja trabalho, raça e muita vontade de ganhar.
Até aqui, tudo entendido? Passemos então à parte em que tento explicar-lhe no que veio meter-se. O Futebol Clube do Porto. Isto não é fácil, sabe? Para uma portista doente como eu, este clube é tudo. Foi este clube que já me fez do mais feliz ao mais triste que possa imaginar. São os valores deste clube que partilho desde o berço com uma longa família de portistas. É este clube que eu sigo e que tenciono continuar a seguir até me tornar numa daquelas velhinhas que se vestem com adereços da cabeça aos pés e gritam impropérios muito alto e fininho contra os árbitros e os rivais.
Este é um clube diferente. Sim, eu sei que todos os adeptos estão convencidos que são do melhor clube do mundo. Eu não sou excepção, claro. Mas não é só por isso. O FCPorto é um clube que faz das dificuldades uma força, que torna os obstáculos em factores de união e que, sem esquecer décadas de sofrimento e de derrotas, só admite continuar a ganhar como nos últimos 30 anos.
Nós, no Porto, somos a visão de Pedroto, a ambição de Pinto da Costa, a bi-bota de Fernando Gomes, a sapiência de Robson, as mãos de Baía. Somos os Aliados em festa, o Dragão em chamas ao minuto 92, mas sobretudo as Antas encharcadas numa noite de temporal contra a Lazio. Somos o calcanhar de Madjer e a cabeça de Falcao, somos Costinha em Manchester e Alenitchev nas finais. Somos os meus avós, os meus pais, o meu irmão e até somos um rival à medida do meu marido.
É isto que o mister tem de saber desde já. Não conhecer o Porto, não ser Porto, é um erro que, neste clube, não tem perdão. E não basta ir ao museu ver as taças e os bonecos em 3D. É preciso senti-lo, mesmo. Depois do caos desta época, estamos sedentos de portismo. Queremos ganhar, mas ganhar à Porto. Exigimos sangue, suor e lágrimas por esta camisola. Não toleramos mais brincadeiras, mais incompetência, mais falhanços, mais pernas a tremer contra os rivais, mais bolas atiradas para a bancada com displicência, mais braços caídos e rostos envergonhados.
Isso não é o Porto. Isso que viu até numa vitória no último sábado não é mais do que um muito reduzido esboço da nossa vontade de ser sempre superior aos outros, mesmo a feijões, mesmo quando por vezes se perde, mesmo quando já nada se pode ganhar. Isso é exactamente o que não queremos na próxima época.
Mister, veja se percebe: a sua tarefa não é nada fácil. Nós não estamos só tristes com as derrotas deste ano. Estamos furiosos, revoltados com o que a nossa própria equipa nos fez e cheios de garra para começar de novo. E isto é o Porto, onde uma época só com uma Supertaça é uma catástrofe. Por isso, prepare-se: também nós já estamos a trabalhar na próxima época. Somos muitos, mas serão muitos mais aqueles que estarão contra si, contra nós. Eles estão muito fortes, mas nós somos o Futebol Clube do Porto. Se perceber isto… bienvenido, tio!
Nós, no Porto, somos a visão de Pedroto, a ambição de Pinto da Costa, a bi-bota de Fernando Gomes, a sapiência de Robson, as mãos de Baía. Somos os Aliados em festa, o Dragão em chamas ao minuto 92, mas sobretudo as Antas encharcadas numa noite de temporal contra a Lazio. Somos o calcanhar de Madjer e a cabeça de Falcao, somos Costinha em Manchester e Alenitchev nas finais. Somos os meus avós, os meus pais, o meu irmão e até somos um rival à medida do meu marido.
É isto que o mister tem de saber desde já. Não conhecer o Porto, não ser Porto, é um erro que, neste clube, não tem perdão. E não basta ir ao museu ver as taças e os bonecos em 3D. É preciso senti-lo, mesmo. Depois do caos desta época, estamos sedentos de portismo. Queremos ganhar, mas ganhar à Porto. Exigimos sangue, suor e lágrimas por esta camisola. Não toleramos mais brincadeiras, mais incompetência, mais falhanços, mais pernas a tremer contra os rivais, mais bolas atiradas para a bancada com displicência, mais braços caídos e rostos envergonhados.
Isso não é o Porto. Isso que viu até numa vitória no último sábado não é mais do que um muito reduzido esboço da nossa vontade de ser sempre superior aos outros, mesmo a feijões, mesmo quando por vezes se perde, mesmo quando já nada se pode ganhar. Isso é exactamente o que não queremos na próxima época.
Mister, veja se percebe: a sua tarefa não é nada fácil. Nós não estamos só tristes com as derrotas deste ano. Estamos furiosos, revoltados com o que a nossa própria equipa nos fez e cheios de garra para começar de novo. E isto é o Porto, onde uma época só com uma Supertaça é uma catástrofe. Por isso, prepare-se: também nós já estamos a trabalhar na próxima época. Somos muitos, mas serão muitos mais aqueles que estarão contra si, contra nós. Eles estão muito fortes, mas nós somos o Futebol Clube do Porto. Se perceber isto… bienvenido, tio!
Um texto exemplar que o Lopetegui como blogger que é deveria ler como parte integrante da sua aprendizagem do Ser Porto!
ResponderEliminarGrande texto (mais uma vez)!!!
ResponderEliminarSE o Lopetegui tiver a qualidade do Moncho Lopez ou do Ljubomir Obradović ...
Relativamente ao ultimo jogo no Dragão, o slb veio MAIS UMA vez jogar como equipa que é: jogar à defesa, perder por poucos ou empatar (tipo equipa pequena).
" Relativamente ao ultimo jogo no Dragão, o slb veio MAIS UMA vez jogar como equipa que é: jogar à defesa, perder por poucos ou empatar (tipo equipa pequena). "
EliminarRui Costa .... oi !
C., nunca mais começa a próxima época??
ResponderEliminarÉs grande, Catarina!
ResponderEliminarEspero mesmo que o tio leia isto para saber onde se veio meter, o que é o nosso FCPorto e o quão exigentes nós somos!!!
ResponderEliminarOdeio o defeso mesmo em ano de mundial. Sedenta de futebol, mas com o meu clube a jogar!!
POOOOOORTOOOOOOOOOO
BGinho Azul e branco
Uma excelente definição do que é ser Portista
ResponderEliminarC., o que pensa o seu pai do Lopetegui? Impossível não fazer esta pergunta depois do seu delicioso texto sobre o Paulo Fonseca, Vítor Pereira e o canguru que seria campeão... :)
ResponderEliminarBoa memória! :) Está à espera para ver... Por enquanto, só preocupado que o Vítor Pereira não vá parar a um rival
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