domingo, 14 de dezembro de 2014

Oportunidade

Isto não era esperado. A pré-época foi desastrosa, a planificação péssima, a equipa foi quase toda destruída e o nosso rival reforçou-se muito e bem. Tudo apontava para mais um campeonato fácil do Porto, daqueles resolvidos quase antes de acabar a primeira volta. No entanto, recebem-nos a 3 pontos de distância (sim, podem passar para primeiro, mas o campeonato não acaba depois deste clássico como previsto nas minhas sempre pessimistas previsões de Agosto) e com várias dúvidas que têm vindo a ser disfarçadas. Quem é este Porto a quem nós temos de ganhar hoje e porque é que é muito importante e dificil fazê-lo?

O FC Porto é o inimigo público número um do Benfica. Fosse o Benfica um clube sério e toda a estrutura estaria de tal maneira concentrada na sua destruição que eu seria forçado a divorciar-me da C. só para não haver riscos de espionagem. O Benfica só pode voltar a ser o clube hegemónico que já foi se o FC Porto deixar de o ser. Esta frase, aparentemente elementar, ainda não foi assimilada na direcção do Benfica, que se sentou à mesa com os azuis para "salvar o futebol português" ou uma treta do género. Se a destruição do futebol português equivaler à destruição do FC Porto, parece-me que a direcção do Benfica está a cometer um erro que só teria paralelo se António Costa estivesse acampado em greve de fome pelo prisioneiro 44 à frente do estabelecimento prisional de Évora. 
O FC Porto é, pela sua teia de organização, uma estrutura demasiado bem preparada e perigosa. Vou-vos dar um exemplo: Lopetegui. Eu não acho Lopetegui um bom treinador e parece-me que se não tivesse aquela concentração de craques no Olival que o FC Porto estaria bem abaixo do Benfica. No entanto, a sua contratação revela um pensamento estratégico e com visão e isso preocupa-me. Preocupa-me que alguém na Torre das Antas (que eu imagino como um local escuro e cheio de magia negra) tenha pensado que o futebol mudou, que o conceito Guardioliano de posse é o que está na berra e que é preciso alguém que domine isso e a formação: e chegaram a Lopetegui. Não é Lopetegui que me assusta, é quem pensou nele, é quem se debruçou sobre a evolução do futebol mundial actual até chegar a um nome. Esse método, essa capacidade de descobrir Robsons e Mourinhos (os dois desaproveitados em clubes rivais), é o que me preocupa no FC Porto. (eu gostava que alguém me viesse dizer agora que o bom do Julen tem é uma grande cunha de um empresário ou assim, mas eu, como futuro presidente do Benfica, assumo sempre o melhor dos meus adversários)

Porque é que isto é particularmente preocupante? Porque nós somos justamente o contrário: temos uma direcção que historicamente escolheu treinadores sem método até que descobriu, por obra e graça de Eusébio, Jorge Jesus. E Jesus elevou o futebol do Benfica a um nível que obrigou o FC Porto a dar Brahimi, Tello e Oliver ao seu novo treinador, além de manter Jackson e Danilo, jogadores a quem desejo lesões de tal modo graves em ambos os joelhos que serão publicadas no New England Journal of Medicine. Como tal, nós hoje somos reféns de JJ, temendo mais a sua saída do que um eventual regresso do Vale e Azevedo, e eles confiam quase cegamente na direcção deles, mesmo quando tentaram aguentar Paulo Fonseca até a um limite que nem um adepto do Betis ia aguentar (esta piada só será percebida por quem, como eu, viu tudo o que aconteceu ao Betis a época passada). 

E isto leva-nos a uma conjuntura estranha e particularmente bizarra antes do clássico: o Porto, historicamente um clube certeiro e silencioso, aparece a 3 pontos de desvantagem mesmo depois de ter feito all in e o Benfica, que em condições estilo anos 90 já estaria a planificar a época 2015/2016 dado que amanhã se consumariam os 18 pontos de atraso para os azuis, aparece no Dragão com o mesmo treinador e esquema táctico há 5 anos. 

Vamos, então, enfrentar o nosso rival em condições bem melhores do que eu imaginava há uns meses atrás. Nada disto me torna optimista e confesso-vos que odeio visceralmente este jogo e que acho que não vai correr bem. Mas o que eu queria mais explicar é que independentemente do resultado do clássico, há uma organização no FC Porto muito forte e que só várias vitórias consecutivas do Benfica podem fazer cair. Ganhar hoje seria uma delas. Não era e não é esperado que assim fosse, mas é o que é: se o Benfica ganhar, sai do Dragão com 6 pontos de avanço e até a pessoa que raciocinou correctamente até chegar ao nome de Lopetegui fica em causa. Eu sonho com isso há anos. Vamos a eles, rapazes!

5 comentários:

  1. Vamos lá a ver... A ultima vez que vi um Porto esmagador foi na época de Villas Boas, logo, se nessa altura não temiam o Porto e aconteceu o que aconteceu... Não consigo perceber tanto pessimismo para o jogo de hoje... Como Portista, ainda não vi o Porto jogar futebol "esmagador" esta época.

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  2. És um mariquinhas. Não é com medo que se enfrentam estes jogos, é de peito feito. Infelizmente há mais como tu na estrutura do Benfica, daí tanto insucesso no confronto directo nos últimos anos. Pensa Paneira, homem!

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    1. Vês? É assim, peito feito, concentração, armadilha montada e está morta a presa!

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  3. Está agora tudo à espera do post a descrever as emoções do sonho de ontem depois de tamanha relutância antes de um jogo ;)

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  4. A C. deve ter expulso o M. de casa, de certeza!!

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