segunda-feira, 11 de agosto de 2014

2014/2015

Perdon a todos los jugadores y a el entrenador del Oporto, pero voy a escribir en portugués porque mi español no es todavia perfecto

Está quase. Vem aí. Preparados? Vai começar uma nova época e nenhum de nós consegue prever se vamos ganhar ou perder tudo, se temos treinador ou contratador de espanhóis, se há uma equipa ou apenas um plantel. É está a beleza da coisa, certo? A expectativa, a ansiedade, o incalculável. Então vamos lá, vamos a isso.

O FCPorto mudou muito em dois meses. Saíram Mangala e Fernando, só o futuro nos dirá o quanto perdemos Helton e graças a nosso senhor Pinto da Costa por agora mantemos Jackson. Afastámos todos os Licás e Josués (moços, nada contra, mas isto é outro nível) e fomos buscar Tellos e Olivers. Temos treinador. Não faço ideia se foi aposta certeira ou não, se seremos tiki-taka ou flop-flop, mas, pela primeira vez em mais de um ano que nos pareceu uma eternidade, vejo uma ideia a ser efectivamente treinada.

Uma ideia. Não era pedir muito, pois não, treinador da equipa que traja de amarelo (sem ser o alternativo do sportem, desculpem a confusão)? Enfim, adiante, que não sou de chorar sobre Fonsecas derramados. O FCPorto da pré-época pelo menos apresentou-se aos adeptos. É isto que eles querem. Bola no pé, muita calma e cabeça no sítio. Só de pensar no duplo pivot, quase que choro a escrever isto, de tão simples que é.

Mas uma ideia e um conjunto de jogadores de qualidade não fazem uma equipa vencedora. São um bom princípio, é verdade, mas não chega. Até porque estamos a falar do FCPorto. E não sei se nuestros hermanos já terão percebido o que isso significa. Nós queremos jogar bem, queremos que eles tenham sucesso e possam sonhar com grandes carreiras, mas, sobretudo e até apenas, nós queremos é ganhar. O mais rapidamente possível.

Sim, eu sei que um treinador inexperiente nestas lides e jogadores muito jovens não são o cenário ideal para as vitórias imediatas, mas, se eu escrevesse que eles têm todo o tempo do mundo para mostrar o que valem, estaria a trair o FCPorto com o qual cresci. Os nossos adversários, ainda inebriados com os títulos aos quais não estão habituados (aqui incluo os verdes, que não ganharam nada mas ostentam aquela aura de vitória simplesmente por estarem vivos), dizem que, se não ganharmos o campeonato este ano, é o fim do mundo. Tentam, desta forma, colocar-nos uma pressão enorme desde o primeiro dia.

O que eles não percebem é que têm toda a razão. No FCPorto, já ninguém anda a celebrar o penta, o duplo Mourinho e o poker de Villas Boas (o quê?? Quatro títulos na mesma época? Isso não é só do benfica??). Jardel, Deco e Falcao são passado. O golo do Kelvin parece que foi há 92 anos. É exactamente essa a pressão que nos colocamos, que nos torna tão diferentes de vocês e, em último caso, que nos faz ganhar mais. No FCPorto, não sabemos nem aceitamos perder. Nunca. Em nenhuma situação. E o ano passado perdemos. Com estrondo, aliás. Como nunca vimos. Daí esta exigência, esta vontade, esta fome.

Ninguém, a não ser os portistas, sabe o que isto é. Queremos tanto que comece, depressa, já não aguentamos mais! Neste momento, ao contrário da grande maioria dos arranques a que o meu clube me habituou nos meus 27 anos, tenho saudades de que as coisas nos corram bem. Tenho saudades de ver entrar 11 jogadores em campo com um espírito de missão em prol da minha, da nossa, felicidade. Tenho saudades de ganhar. Porque, no FCPorto, uma época só com uma Supertaça é mesmo o fim do mundo.

Que volte tudo ao normal. Já.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Até amanhã, camarada

O José Cardoso Pires dizia que não era do Benfica, era do Nené - António Lobo Antunes

Eu devia estar a escrever sobre a terrível pré-época do Benfica, sobre a falta de um guarda-redes, de um central, de um trinco e até de um avançado. Aliás, quando disse à C. que ia escrever sobre o Cardozo, ela até soltou um "Outra vez?", talvez com razão. A verdade é que já escrevi duas vezes sobre Cardozo e nem sequer vos vou prometer que é a última. Se eu escrevesse um texto por cada vez que me sinto agradecido ao Tacuara, era provável que não fizesse mais nada na minha vida. 

O futebol mudou e os nossos ídolos ficaram com a nossa inocência, algures lá atrás, perdida no tempo. O amor à camisola é uma expressão em desuso, é uma fantasia de uns totós que ainda vão ao estádio. Hoje, o futebol (e a vida) é uma combustão muito rápida: os jogadores chegam, metem o emblema no Instagram, dão uma conferência a dizer que sempre ouviram falar no Benfica, têm um estandarte ao segundo jogo, há quatro bandeiras do seu país na central ao terceiro, marcam um golo e são uns heróis e no próximo mercado estão a fazer o mesmo num clube qualquer, sem metade da história do Benfica, mas que lhe paga a quadruplicar. Eu chego a esquecer-me que jogadores fabulosos, como Nemanja Matic, estiveram na Luz: é tudo muito depressa. A culpa é nossa, que pactuámos com isto. Eu, por exemplo, fico logo fã de qualquer gajo que faça bem a transição defensiva (num dos meus dias mais desvairados sou capaz de por o Ramires no melhor onze do futebol do século XXI). Eu, sócio pagante, nem me apercebi que o meu clube já gastou cerca de vinte (!) milhões de euros em jogadores sem conseguir um reforço sem ser Derley. A máquina tritura-nos.

No meio disto, desta confusão toda, com uma pré-época tenebrosa a desenrolar-se, anuncia-se a saída de um ídolo da Luz: Oscar Cardozo. O nosso Tacuara, homem de golos e mais golos, nunca foi consensual. Talvez os maiores aplausos que tenha ouvido na Luz tenham sido na segunda volta de 2013/2014, quando fez os piores jogos vestido à Benfica. Um homem que tantas e tantas vezes nos salvou e foi assobiado, foi aplaudido e incentivado numa fase onde era mais empecilho que o matador ponta de lança que foi, só para que ninguém esqueça, na primeira metade de 2013/2014. 
Uma das coisas mais fantásticas da relação de Cardozo com o Benfica é que sobreviveu ao tempo. Cardozo podia ter-se ido embora na primeira ou na segunda época que fez connosco. Mas não, ficou sete temporadas, número quase irreal nos dias que correm e na realidade do Benfica. Sete, como o número que levava nas costas. Cardozo teve tempo de ser o melhor marcador estrangeiro da história do Benfica, tornar-se o nono (?) melhor marcador do clube de todos os tempos e de inscrever, com letras de ouro e vermelho, o seu nome na história do derby. Com 13 golos aos verdes, Cardozo era já um símbolo de terror. Recordo-me que, o ano passado, naquele 2-0 de banho aos verdes, a Luz praticamente cair quando Tacuara entrou, a poucos minutos do fim. Eles já estavam de rastos, o jogo decidido e o Benfica muito por cima. Mas quando Cardozo se apresentou a arranjar a camisola, junto à linha, todo o estádio achou que íamos marcar mais três ou quatro. Repito, na segunda metade da época, Cardozo era pouco mais que inofensivo, mas sete anos e tantos, tantos golos depois, Cardozo conseguiu aquilo que o futebol moderno parecia fazer impossível: tornou-se um símbolo. E, a ganhar 2-0, com os verdes de rastos, a Luz cresceu porque vinha aí um símbolo de golos, de vitória no derby. Aquele calmeirão podia estar lento e desengonçado, mas aquele sete nas costas já era história.

Essa história vai-se embora. Não vai, sequer, para um Everton, para um Valência ou para qualquer outro clube desses, a milhares de anos da nossa história, mas ainda assim respeitáveis. Não, Cardozo, aquele homem que só de estar prestes a entrar contra o Sporting fazia com que a Luz se sentisse mais forte, vai sair, como se nada fosse. Um homem destes tinha que ter uma saída séria, com agradecimento público de presidente e treinador e com a possibilidade de ser aplaudido de pé pelos adeptos que lhe devem tanto. Um jogador que decidiu ir ao lado do caixão de Eusébio a pé e não no autocarro, com os restantes jogadores. Este homem não é para tratar como os outros, que se despedem no Facebook.
Eu sei, Cardozo hoje já só era isso mesmo - história. Mas a história é para ser respeitada e aplaudida. Cardozo devia sair com cumprimento e vénia de treinador e presidente. E devia ter tido uma saída suficientemente estudada para lhe darmos um último aplauso de pé no estádio da Luz. Eu sei - racionalmente - que tenho que estar mais preocupado com a compra dos 4 reforços que nos faltam urgentemente e com a possibilidade das saídas de Enzo e Gaitan (hoje infinitamente mais úteis que Cardozo), mas vai partir um dos poucos que já merecia mesmo que lhe pedissem a camisola, que merecia um bandeira. 

Eu, ao contrário do José Cardoso Pires, nunca fui do Cardozo. Ele é que decidiu ser do Benfica.