segunda-feira, 11 de maio de 2015

Lo-pe-te-gui

A época correu mal. Não pode tirar-se outra conclusão quando se trata do FCPorto e, por isso, se trata de ganhar. Não há desculpas, não há atenuantes: a época correu mal porque não ganhámos.

Reconhecer o óbvio não pode passar, no entanto, pelo esquecimento. A “desculpa”, dizem, são as arbitragens. Recorremos a elas para justificar um pedaço do falhanço. Mas lembremo-nos sempre que, a determinado momento, quando o primeiro classificado tremia, foram cruciais. Ainda assim, o FCPorto chegou a cinco jornadas do fim com a possibilidade de ir ao estádio do rival discutir o título. “Ainda assim”, aqui, é a expressão fundamental.

Mais. A “atenuante” foi a maneira como chegámos lá. Com uma carreira muito boa na Liga dos Campeões, por um lado, e uma derrota tão humilhante quanto esperada, por outro. Estávamos cansados, fisicamente e de espírito. Ninguém se pode esquecer daqueles 3-1 ao Bayern, pois está claro. Nem dos 6-1.

Recorrer a estas “desculpas” e “atenuantes” é pouco para o que estamos habituados. Ganhar contra tudo e contra todos, lembram-se? O mínimo que tinha de exigir-se naquele jogo decisivo era o que sempre se exigiu ao FCPorto: meter mais o pé, querer mais. Nada disto aconteceu. Bater palmas àquilo envergonha-nos.

Do outro lado, um vazio. O campeão em título podia ter acabado com uma equipa de miúdos, desmotivados pela goleada sofrida, de rastos. Imaginem o cenário ao contrário: no Dragão, o FCPorto que viria a ser bicampeão tinha esmagado o rival. O KO desta época não seria um amigo gil vicente ou guimarães, não mais se falaria em capelas, não seriam necessários mais bate-bocas nem trocas de nomes. Seria um murro em cheio nas “desculpas” e “atenuantes” dos outros. É a isso que estamos habituados. Eles não.

A nós, no entanto, interessa-nos a lição a tirar de duas épocas seguidas sem sermos campeões. O que aconteceu depois daquele golo do Kelvin? Fácil: enquanto nós dançávamos, eles agarraram-se às feridas e voltaram à luta. Não venderam tanto quanto precisavam, seguraram o treinador falhado. E nós a dormir. O 92 sempre na nossa cabeça. Fomos buscar um “treinador da moda”, um daqueles que os comentadores tornam no melhor do mundo mas depois fazem de conta que não ficaram surpreendidos com o fracasso. Não construímos um plantel. No FCPorto, até um Paulo Fonseca é campeão. Não foi, claro.

As feridas, desta vez, eram nossas, e eram muitas. Como também estamos habituados, a estratégia mudou, e para melhor. Fomos à luta. Fomos buscar um treinador, um daqueles que ninguém gosta, e é chato, e é arrogante, e fala muito, e mexe-se ainda mais. Incomoda. Ainda por cima fala espanhol. “O basco”. Que horror. Fomos buscar uma ideia. Fomos buscar jovens, talentosos, com vontade de se mostrar e de jogar bom futebol. Fizemos um esforço raramente visto e conseguimos manter Jackson. Boa. Vamos a eles, então.

Eu não me esqueço das expectativas, assim como não me esqueço do que falhou. No início, faltou criar um 11. Depois, faltou conhecer bem o campeonato português. Já antes, tinha faltado o que nos falta há uma década. Faltou-nos pegar neles e explicar-lhes o que isto é. Faltou-nos algum dos nossos entre eles. Faltou-nos o que os maluquinhos como eu ainda acham possível neste futebol global dos likes no facebook e equipamentos cor-de-rosa. Faltou-nos Porto.

Coube ao treinador disfarçar isso. Foi ele que nos defendeu, foi ele que falou, foi ele que foi à luta. Cada vez que o ouvi a falar de arbitragens, a virar-se contra jornalistas e rivais, quis e quero acreditar que o fazia e faz por perceber o que é o FCPorto. Contra tudo e contra todos, lá está. A equipa cresceu, melhorou, levou-nos a gostar dela e de futebol, outra vez. Mas falhou, outra vez, caraças. Falhou na Madeira e na luz. Ensinou-nos, espero, que o FCPorto não luta só em conferências de imprensa. Luta, sobretudo, em campo.

Resumo assim o ponto onde ficamos: estamos muito melhores do que há um ano, mas muito piores do que o FCPorto nos habituou. Temos de ir à luta, outra vez. Entre as vendas inevitáveis, os empréstimos e as manias das estrelas que querem “dar o salto”, temos de encontrar o nosso equilíbrio. Temos de crescer, mas crescer à Porto. Não podemos querer ganhar a Liga dos Campeões para mostrar ao mundo o que é o Porto e ao mesmo tempo não ir a casa do rival mostrar-lhes quem somos.

Não se pode ganhar sempre, mas também não se pode perder sempre da mesma maneira. O ano passado perdemos por falta de comparência, este ano perdemos com “desculpas”, “atenuantes” e erros que não podemos repetir. Não podemos voltar a ficar surpreendidos com equipas pequenas que só defendem, dão pau e perdem tempo. Não podemos voltar a ficar indignados cá fora, mas uns anjinhos lá dentro. Não podemos assobiar quando se está a tentar construir alguma coisa, nem podemos bater palmas quando se destruiu tudo. Também precisamos de encontrar esse equilíbrio na bancada, já agora.

Porque o benfica vai ser bicampeão. Não o benfica dos 15-0, mas também não o benfica dos 5-0 no Dragão, nem o que nos deixou ser campeões em sua casa. Nem sequer o benfica do Maicon e do Kelvin. O benfica que vai ser bicampeão é o benfica que Jorge Jesus demorou quatro anos a construir. É um benfica esperto mas saloio, feio mas duro. É um benfica que goleia mortos, mas que não tem coragem de nos matar. É um benfica que já percebeu que nós não somos o FCPorto a que nos habituámos, mas que também já percebeu que eles não são o benfica que apregoam.

E Jorge Jesus vai ser campeão pela terceira vez em seis anos. No benfica, temos de admitir que é um feito. E vai sê-lo porque aprendeu com os erros. Deixou de gostar de futebol, abdicou de tudo pelo resultado. Em seis anos, mudou muito. Só continua o mesmo asco. O mesmo que quando ganha diz “eu”, mas quando perde diz “nós” ou “eles”. O mesmo que nunca admite um erro, mas dá raspanetes públicos a qualquer “Manel”. O mesmo que agride jogadores adversários ou funcionários do seu clube, o mesmo que não fala mal só porque não sabe falar, mas sobretudo porque não diz nada de jeito. O mesmo que não teve a coragem de vencer este campeonato contra o FCPorto, mas que precisou de vir cá para fora tentar humilhar quem não teve a coragem de vencer o campeonato contra ele.

É Jorge Jesus no seu “melhor”. O treinador que achou que ia ser considerado o melhor do mundo no belenenses nunca poderia acertar no nome do treinador que lhe pediu satisfações. Não podia ficar calado quando, dias depois, sentiu finalmente o título no papo. O Jorge Jesus que foi humilhado de mil maneiras diferentes pelo FCPorto não provocou só Lopetegui, provocou-nos a todos. Não é um nome ou uma época que estão em causa. É que, quando ganha uma luta desta forma, Jorge Jesus esquece-se não só do manto protector que o cobriu, mas sobretudo do manto sagrado da ver-go-nha. Ou Governha. Ou Nhavergo. Como quiserem.

15 comentários:

  1. O Benfica está na frente porque ganhou 2-0 no Dragão. Simples.

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  2. Nhavergo é defender a postura de provocação continuada durante anos a fio, a diminuição continuada do trabalho dos outros. Governha é defender atitudes hipócritas e o mau perder, e ignorar todos os meios de pressão e manipulação, usados para atingir os fins.uma vergonha ignorar a criaçao e repetiçao de factoides, com base em lançamentos ou cantos, em foras de jogo bem tirados e oh-só-mesmo-o-benfica foras de jogo mal tirados. Até à insanidade dos próprios benfiquistas.

    Vergonha é não reconhecer que quem do outro lado foi "humilhado de mil maneiras diferentes pelo FCPorto" em campo e com total impunidade chegou a ser agredido e até apedrejado fora dele, conseguiu o feito de manter o foco no seu caminho antes durante e depois das humilhações. Por muito que lhes custe, é muita coisa de jeito.

    Humilhação por humilhação, que fiquem a sofrer até ao fim, jogo por jogo, conferências de imprensa hipócritas a marcar uma agenda que já só com muita falta de vergonha se pode engolir, uma atrás da outra, devagarinho. E a culpa é do JJ.

    Um abraço sem vergonha
    Vermelhinho.

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    1. De anónimo para anónimo mau ganhar é ignorar todos os meios de pressão e manipulação usados bla bla bla

      Um abraço sem vergonha

      AZULINHO

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  3. Quem fala assim não é gago. Ou gaga, neste caso.

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  4. este post mostra que ainda não perceberam o que vos aconteceu. olham para o Benfica em vez de olharem para dentro. como o Sporting.
    continuem assim.

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    1. Oh but we will! Claro que continuaremos. Sempre Porto.

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    2. enquanto o Pintinho da Costa não for contestado, e continuar a cegueira do culto do 'querido líder', não apenas duvido muito como acho que até merecem o tombo e a seca que vão atravessar depois da era desse e sua entourage de discípulos.

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  5. Um dos piores artigos que já li, enquanto ADEPTA de futebol... talvez um pouco menos de "palas nos olhos" e mais racionalidade, sejam precisos :)

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    1. Das mesmas palas que nos últimos anos utilizaram e que continuam a utilizar para branquear os vossos títulos, beneficiados sempre foram, até quando estiveram para desaparecer e estiveram perto de ir parar à 2ª divisão (e da conversa: epá não batam mais no Benfica coitado!), a diferença é que agora conseguem constituir um plantel e jogam um pouco mais à bola, mas o "andor" sempre existiu ... este ano bateram recordes, mas os corruptos são os outros. Um dos piores artigos porque toca na verdade que doí a muitos milhões ... adepta de futebol não! adepta benfiquista! isso sim!

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    2. Apito Dourado....

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  6. A mesma narrativa desculpatória vomitada n vezes esta época, desde a equipa de "meninos", o treinador que precisa de se adaptar e conhecer o campeonato português (coisa que o Adriaanse não precisou e foi logo campeão na primeira época), os arbitragens (eu diria que 11 (onze) homens fazem maior diferença que os 3 (três) gajos da arbitragem), o "colinho", o "manto protetor" (ainda estou para saber o que é isso) e o diabo a quatro. Até tem a teoria que se vê em muito lado, que precisam de jogadores com "anos de casa", com "mística" (seja lá isso o que for) e que "sintam o clube" (se assim fosse o Benfica dispensava o Jonas e o Gaitán e punha a jogar o Parreira e o Jorge Máximo). O Lopetegui, que até é razoavelmente competente (muito mais que o verruga no nariz muito querido dos média, o Marco Silva) não passa a compreender o que é "ser Porto" só porque manda uns bitaites engraçados.

    A senhora, e muitos outros portistas pela blogosfera fora, fala em mariquices acessórias que nada traduzem a realidade do que se passou. Fala em "Ser Porto". Sabe o que é isso, ou o que foi isso nestes trinta anos para cá? Não foi "ter raça", não foi "querer mais que os outros", pois o futebol é muito mais que uma luta de galos, foi ser mais competente que os outros, e continuar a sê-lo enquanto os rivais andavam a dormir e a dar desculpas, as mesmas desculpas que a senhora acabou de debitar. Sempre a mesma merda ano sim, ano sim, e como os portistas se riam (e com razão)! "Para o ano é que é!", "Se não fossem os bois de preto, queria ver", "Quando o Pintinho morrer, quero ver como vai ser", enquanto se lembravam de conquistas cada vez mais longínquas. O que hoje vejo na maior parte dos portistas é a mesma coisa, choradeira constante, desculpas constantes, teorias da conspiração cada vez mais estapafúrdias, enfim, a mesma coisa que os benfiquistas faziam estes anos todos e com o mesmo efeito, que é ser ridículo.

    No fundo, no fundo, os portistas sabem disso, que a equipa deles perdeu tudo e nada ganhou (nem juízo, pelo que se lê por aí) porque não foi tão competente como a "rival". Admitir isso não significa genufletir perante o rival, e é isso que os adeptos em geral teimam em não perceber. Não vais passar a ser um corno-manso só porque admites que o adversário foi melhor que tu. Porque é que Jesus, o Senhor Nosso Salvador, se levantou e meteu mãos à obra? Não foi porque acreditou e acredita no seu próprio trabalho, mesmo quando teve o Vieira a depenar-lhe o plantel quase todo e dar-lhe matraquilhos pés-de-barrote como o Bebé? Então os jogadores do Benfica não são homens, não são jogadores de futebol? Será que eles também não querem ganhar, também não querem superar-se perante um adversário bastante mais poderoso e demonstrar que vale a pena trabalhar e fazer um esforço, mesmo quando todos os vaticínios estão contra ti? Porque vale a pena, e valeu mesmo a pena.

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  7. Arbitragens... deixa ver... o paços-porto da segunda jornada em que ficou penalty nítido por marcar contra o porto a 5 minutos do fim e terminou 1-0 para o porto? Ou o penafiel-porto dos 2 golos offside? ou o boavista-porto em que o jackson devia ter sido expulso com 0-0 a 15 minutos do fim? ou o jogo de setúbal em que fica penalty claríssimo por marcar por mão do alex sandro, quando havia 1-0? talvez se esteja até a referir ao penalty que ficou por marcar no estoril por falta do casimiro! ou ainda ao porto-rio ave, em que com 0-0 brahimi agride um defesa adversário, em que o 1-0 é precedido de falta e depois do 1-0 em 5 minutos ficam 2 penaltys claros por marcar contra o porto.

    devem ser estas as arbitragens de que fala. ainda podia mencionar a agressao do quaresma ao nani em alvalade quando porto perdia 1-0. o penalty de indi por marcar no ultimo minuto em casa contra o braga. golos irregulares do jackson ao paços e setubal... enfim, é isto.

    ainda tiveram mais erros a favor que o benfica e têm a lata de reclamar.

    a maneira como fala de jesus é ridícula e sem qualquer argumento. jesus provocou quem? jesus andou meses a ser provocado pelas ridículas conferências de imprensa de lopetegui, constantemente a diminuir o seu trabalho.

    tivesse pinto da costa contratado jesus há 6 anos, quando lhe pediu para esperar mais um ano enquanto o jesualdo ficava um 4 ano (inedito com pinto da costa) e o porto estava era a comemorar o 10 titulo consecutivo.

    e este ano mostrou isso mesmo: o benfica vendeu 5 titulares, mais um sexto em janeiro, teve jogadores influentes lesionados o ano quase todo (fejsa, amorim, silvio, ate podia ter sido util o sulejmani) e mesmo assim foi campeao porque jorge jesus é um treinador de elite mundial.

    enquanto o porto perde o campeonato depois do maior investimento de sempre do futebol portugues, no fundo porque o lopetegui chegou a portugal sem respeito por nos. nos, portugueses, sejam benfiquistas ou portistas. mas acima de tudo sem respeito pelos portistas. chegou ca como se vos viesse ensinar o que e ganhar. o que voces ja sabiam. acho que para o futebolzinho dos portuguesitos ele chegava e sobrava. e entao andou 3 meses a fazer experiencias de laboratorio, a trocar de meia equipa todas as semanas.

    acima de tudo lopetegui desrespeitou os adeptos do porto e o clube-porto. e alguns de voces recusam-se a perceber isso.

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  8. O Jesus "não teve coragem de ganhar o campeonato contra o porto"? A sério?
    Eu quase que juro que ele foi ao dragão ganhar 2-0 limpinho....
    O basco é que nunca teve coragem de ganhar contra o grande Benfica porque sabia bem que seria humilhado, isso é que é a triste realidade. ;)

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