quarta-feira, 8 de julho de 2015

Moutinho, Maxi e a adepta vidente

Se há coisa que eu não faço questão de ter, no que ao FCPorto diz respeito, é razão. Por este clube, sou capaz de pôr de lado todo o orgulho e de até me sentir bem com toda a minha profunda ignorância e incapacidade de ver um bocadinho mais além do que a notícia que sai hoje ou amanhã num jornal. Quando percebo que não tive razão noutro aspecto qualquer da vida – no trabalho ou, Pinto da Costa me livre, numa discussão com o M., por exemplo, -, fico frustrada, zangada, furiosa. Com o FCPorto, a verdade é que não me importo de parecer ter o QI de um pedaço de relva.

Com isto não quero dizer que podem fazer do FCPorto o que quiserem que eu não estarei atenta. Não, alto lá. Eu tenho passado os dias a fazer de conta que me preocupo com a situação na Grécia, mas na verdade o meu Eurogrupo é outro. Serão Imbula e Danilo compatíveis? Estarão André André e Sérgio Oliveira prontos para isto? Terão Casillas e Drogba noção dos cortes aos pensionistas que o Passos quer fazer? Vida de adepta parece fácil quando não é preciso andar a fazer quilómetros de um lado para o outro e a gastar dinheiro, mas procurar respostas para tudo isto é uma canseira.

E todos os anos é isto. A época acaba, normalmente bem mas ultimamente mal, e damos por nós, num instante, mergulhados nesta exasperante preparação da próxima. Enquanto a nossa vida profissional, por muito cansativa e stressante que seja, ainda nos dá uns 22/25 dias de descanso por ano, os nossos clubes não. Nada. Não há um dia em que eu possa estar descansada, um “ufa, hoje não tenho que me preocupar com o negócio do Jackson”, um “ai que alívio, hoje ninguém deu uma entrevista a dizer que não gosta do treinador”. Nunca.

Há sempre um que vai sair e outro que vai entrar, há sempre milhões de um lado para o outro, há sempre o problema da baliza, e o lateral direito que saiu, e a falta de um central possante, e o lateral esquerdo que é um moina, e o meio-campo que foi desfeito, e o ponta-de-lança que me faz chorar, e o treinador que tem de fazer quase tudo de novo, e a falta de FCPorto no balneário, e podíamos ficar aqui um dia inteiro nisto. Tanto podíamos que isto é, afinal, o que eu passo o dia inteiro a pensar.

E é inevitável: chega uma altura em que me convenço mesmo que não só a minha opinião foi construída com base em informações sólidas como a conversa no café, mas também que ela vale alguma coisa. Há um momento em que, de repente, parece que sou eu que está a negociar o Jackson e que só ao perguntar “Como é que é possível que alguém ache o atlético de madrid melhor do que o FCPorto?” vou convencê-lo a não ir. Vá, confessem. Vocês também não acham que, com toda a bagagem negocial que um adepto vai adquirindo ao longo dos anos, tinham conseguido baixar o preço do Imbula? Vocês também não desconfiam, porque negociadores implacáveis como nós são sempre desconfiados, que o Casillas e o Drogba querem é ter um fim de carreira descansados?

O que é engraçado é que, todas as épocas, eu falho redondamente. A equipa nunca é a que eu tenho na cabeça, nunca joga como eu a preparei no estágio em Bedernsshtifadaregeitmafield, nunca ganha todos os jogos por 10-0 como eu lhes passei estes meses a mostrar que era perfeitamente possível. É incrível, estão sempre a desiludir-me. Vá lá que, de vez em quando, há um ou outro que se safa. João Moutinho, por exemplo.

O engraçado de ter um blog onde escrevo desabafos inúteis sobre o meu clube é que depois posso ir ler o que pensava há cinco anos, quando Pinto da Costa foi buscar “um jogador à Porto” a um clube podre. Vou passar a citar a minha parte preferida:

“Quanto aos contras, vejo milhares. O que vale o Moutinho? Nunca vai "explodir", não vai ser melhor do que é. Parece-me um médio banal, com menos de 1,50m, um chorão que está sempre no chão.”

Digam lá: eu não sou brilhante? Previ que o Moutinho não ia explodir e, como todos sabem, não rebentou literalmente nenhuma bomba no Dragão nos anos em que ele esteve cá (M., não vale pensar “infelizmente”). O Moutinho não era exactamente banal no dia em que o fomos buscar - ou, como hoje sabemos mais apropriado dizer, salvar? E não vos parecia mais pequeno? E não se tornou entretanto um atleta que deixou de se atirar para o chão? Enfim, é quase inacreditável como a minha primeira análise foi tão certeira.

Tudo isto para que também fique por escrito o que penso sobre Maxi Pereira.







Serviu este pequeno espaço para eu respirar fundo e contar até 10.







E agora outra vez.







Só mais uma vez.







Falar de Maxi Pereira não é fácil. Foram muitos anos do outro lado. Daquele lado. Muitos anos de luta, de bocas e, sobretudo, de cacetadas (por falar em Moutinho, lembram-se disto?)



Eis o que escrevi na altura:

“O que me impressiona mais não é aquele golpe de kung fu aplicado ao Moutinho. É quando ele se levanta, com a mão no ar, certamente não a pedir desculpa mas antes a alegar que não foi nada – mas o quê, já não se pode espetar um pontapé noutro gajo? –, espera que o árbitro se concentre nos nossos protestos e depois, quando já sente, já sabe, que não vai ser expulso - e juro que nunca mais me vou esquecer deste momento -, ele sorri. Sorri, o grande cabrão.”

Enquanto me lembro disto, cresce-me cá dentro uma vontade de assassinar com as minhas próprias mãos aquele ser muito pouco humano. Não deixa, no entanto, de ser engraçado: o “anão” que “só se atira para o chão” a ser varrido pelo “cabrão” que “só sabe dar pau”. Esperemos, então, que esta memória seja só um bom prenúncio da minha profunda incapacidade de planear uma época do FCPorto.

Daqui a uns dias, ao ver Maxi de azul e branco (só de escrever isto morreu mais um unicórnio fofinho), e sabendo que Moutinho entretanto nos trocou pelo dinheiro do principado, não prometo que, ao rever estas imagens, não note que, afinal, o médio banal de 1,50m não tenha, enfim, exagerado um bocado e que aquele antigo Maxi Pereira do benfica, uma besta abominável, até, vá, tenha pedido mesmo desculpa. Talvez daqui a uns meses, se tudo correr normalmente e eu nunca tiver razão, como eu desejo!, o novo Maxi Pereira seja... hum... falta-me a palavra exacta... Ah, já sei: um cavalheiro.

5 comentários:

  1. Pois...Já agora, a propósito do cavalheiro: http://atascadosilva.blogspot.pt/2015/06/gastronomias-pendentes.html
    Para mim é em sashimi! :)
    Cumps.

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  2. Cara Catarina, o Maxi não é caceteiro, é... raçudo!

    Aproveito e apresento-me:

    http://doportocomamor.blogspot.pt/

    Fico à espera de uma visita!

    Do Porto com Amor,
    LAeB

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  3. O Maxi é um bom jogador. Com a saída do Danilo, passou a ser o melhor Lateral Direito do campeonato.
    Eu percebo isto tudo que escreves. Mas, não foi o que fez dentro das 4 linhas; foi o que disse fora dele:" Árbitros? Basta ver o que acontecia quando o FCP era campeão". Maxi Pereira dixit.
    E agora, junta-se a vocês. Está certo!
    4 Milhões por cada um dos 4 anos de contrato foi o preço da dignidade de Maxi.

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    Respostas
    1. Por acaso são 3 anos... qt ao ordenado, qual a fonte?

      É a mesma treta do investimento... o ano passado o clube do colinho gastou mais que o Porto, mas para a maioria que bebe pela CS jura a todos os santos que foi o Porto que gastou MUITO , MAS MESMO MUITO mais...
      nada de novo...

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