Olá a todos! Lembram-se de mim? C., mulher, jornalista,
grande apreciadora de futebol em geral e do FCPorto em particular, adepta de
estádio, mal casada em termos clubísticos (mas a coisa até acabou por dar jeito
para termos um blog porreiro sobre um casal que se ama muito mas que odeia o
clube do outro). Ora, essa pessoa desapareceu. Uma má notícia para quem vinha
aqui parar quando procurava no Google "reacção furiosa e irracional a uma
derrota do FCPorto", mas uma boa notícia para quem só precisa dos textos
do M. para não se sentir o adepto mais pessimista do mundo.
Sinceramente, já nem me lembro bem do que era ser essa
pessoa. Olhando para trás, noto claramente que tinha tempo a mais. Tempo para
escrever, claro, mas sobretudo para pensar nas patetices que aqui fui
desabafando ao longo dos anos. Não me entendam mal: tenho um grande carinho por
este blog, que é também um bocadinho a história da minha relação com o M., e
permitam-me até ter um grande orgulho pelo que conseguimos criar aqui. É muito
bom saber que, mesmo quase sem lhe dedicar tempo algum, continuamos a ter os
nossos fiéis seguidores, e muito obrigada por isso.
O problema é que a minha vida mudou. Tanto. Muito mais do
que estava à espera. Tive um filho. Porra, um filho! Um ser humano delicioso,
que preenche os meus dias por completo há sete meses. Não me deixa dormir,
houve dias que nem comer, leva-me além da exaustão, mas é o meu filho e é
perfeito. Seria, claro, um enorme exagero dizer que não tive tempo para vir escrever
um texto nos últimos sete meses, mas o que se passa é que, pela primeira vez na
vida, senti que não tinha nada para dizer. Na verdade, tive até receio de vir
aqui analisar a profundidade táctica do novo 4x4x2 do FCPorto e acabar a
falar-vos de tácticas para melhorar o cocó de um bebé (tema que traria
certamente mais visitantes ao blog, mas nós não temos essa ambição, podem estar
descansados).
Ora, também não deixei de ter tempo para ver futebol ou
acompanhar o dia-a-dia do meu clube. Quem nunca adormeceu um bebé ao colo
enquanto grita um golo internamente ou leu o Dragões Diário enquanto amamenta... enfim, coisas normais. Estive foi muito tempo sem ir a um
estádio (primeiro devido a uma gravidez de risco, depois porque aquele ser
humano delicioso de que vos falei acima exigia, até há bem pouco tempo, uma
parte do meu corpo quase de hora a hora), mas até isso já recuperei, felizmente.
Resumindo, o que se passa é que - e até me custa escrever isto - o FCPorto
deixou de ser a minha prioridade.
Olhando para a antiga C., ela tinha uma vida incrível:
trabalhava muito, tinha muitos planos com o marido, a família e os amigos, via
séries, lia livros, viajava e ainda tinha tempo para, durante tudo isto, pensar
muito no FCPorto. Não era só o acto de pensar, era mesmo a preocupação de
fazê-lo, acreditando que essa introspecção tinha, de facto, alguma influência
no bem-estar do meu clube. Ou seja, o que sinto que mudou na minha vida, de um
momento para o outro, é que há um pequeno ser humano que depende realmente de
mim e que, portanto, a escolha óbvia foi pedir ao FCPorto para se aguentar
sozinho enquanto lhe ensino o básico em termos de sobrevivência.
Se formos bem a ver os últimos sete meses do FCPorto,
parece-me que às tantas ainda precisa mais de mim do que um bebé, mas agora não
há nada a fazer porque já me apeguei ao miúdo mais ainda do que ao André Silva
(só para quem não é mãe ou pai perceber o quanto é que gostamos dos putos!). E
não é que não esteja preocupada, é só que já não consigo, por exemplo, dormir
mal quando perdemos. Porque durmo mal sempre, percebem? Não é uma derrota que
altera a minha vida. Agora se me dissessem assim: C., se o FCPorto ganhar ao
benfica para a semana, vais dormir mais de três horas seguidas descansadinha.
Garanto-vos que me iam ver na primeira fila, feita louca, aos gritos,
desesperada para ir lá para dentro tentar ajudar os nossos rapazes a ganhar
(pensando bem, esta imagem já aconteceu tantas vezes que não seria propriamente
novidade, mas vocês perceberam o suposto exagero).
Portanto, o que vos queria dizer é que sou mãe. E que o
pontapé para a frente que a minha equipa adoptou como táctica para voltarmos a
ser campeões me chateia, mas também não me tira o sono (literalmente). E que
estou farta do "Somos Porto" como encobrimento de toda uma estratégia
que está a falhar há já vários anos, mas também não posso fazer nada além de
esperar que um dia o meu filho ainda possa ver o que era realmente o FCPorto
que eu conheci. E que vou tentar voltar aqui mais vezes, escrever mais
patetices, mas não prometo não acabar sempre a falar de cocó.
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