sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Desculpa, Porto. Sou mãe

Olá a todos! Lembram-se de mim? C., mulher, jornalista, grande apreciadora de futebol em geral e do FCPorto em particular, adepta de estádio, mal casada em termos clubísticos (mas a coisa até acabou por dar jeito para termos um blog porreiro sobre um casal que se ama muito mas que odeia o clube do outro). Ora, essa pessoa desapareceu. Uma má notícia para quem vinha aqui parar quando procurava no Google "reacção furiosa e irracional a uma derrota do FCPorto", mas uma boa notícia para quem só precisa dos textos do M. para não se sentir o adepto mais pessimista do mundo.

Sinceramente, já nem me lembro bem do que era ser essa pessoa. Olhando para trás, noto claramente que tinha tempo a mais. Tempo para escrever, claro, mas sobretudo para pensar nas patetices que aqui fui desabafando ao longo dos anos. Não me entendam mal: tenho um grande carinho por este blog, que é também um bocadinho a história da minha relação com o M., e permitam-me até ter um grande orgulho pelo que conseguimos criar aqui. É muito bom saber que, mesmo quase sem lhe dedicar tempo algum, continuamos a ter os nossos fiéis seguidores, e muito obrigada por isso.

O problema é que a minha vida mudou. Tanto. Muito mais do que estava à espera. Tive um filho. Porra, um filho! Um ser humano delicioso, que preenche os meus dias por completo há sete meses. Não me deixa dormir, houve dias que nem comer, leva-me além da exaustão, mas é o meu filho e é perfeito. Seria, claro, um enorme exagero dizer que não tive tempo para vir escrever um texto nos últimos sete meses, mas o que se passa é que, pela primeira vez na vida, senti que não tinha nada para dizer. Na verdade, tive até receio de vir aqui analisar a profundidade táctica do novo 4x4x2 do FCPorto e acabar a falar-vos de tácticas para melhorar o cocó de um bebé (tema que traria certamente mais visitantes ao blog, mas nós não temos essa ambição, podem estar descansados).

Ora, também não deixei de ter tempo para ver futebol ou acompanhar o dia-a-dia do meu clube. Quem nunca adormeceu um bebé ao colo enquanto grita um golo internamente ou leu o Dragões Diário enquanto amamenta... enfim, coisas normais. Estive foi muito tempo sem ir a um estádio (primeiro devido a uma gravidez de risco, depois porque aquele ser humano delicioso de que vos falei acima exigia, até há bem pouco tempo, uma parte do meu corpo quase de hora a hora), mas até isso já recuperei, felizmente. Resumindo, o que se passa é que - e até me custa escrever isto - o FCPorto deixou de ser a minha prioridade.

Olhando para a antiga C., ela tinha uma vida incrível: trabalhava muito, tinha muitos planos com o marido, a família e os amigos, via séries, lia livros, viajava e ainda tinha tempo para, durante tudo isto, pensar muito no FCPorto. Não era só o acto de pensar, era mesmo a preocupação de fazê-lo, acreditando que essa introspecção tinha, de facto, alguma influência no bem-estar do meu clube. Ou seja, o que sinto que mudou na minha vida, de um momento para o outro, é que há um pequeno ser humano que depende realmente de mim e que, portanto, a escolha óbvia foi pedir ao FCPorto para se aguentar sozinho enquanto lhe ensino o básico em termos de sobrevivência.

Se formos bem a ver os últimos sete meses do FCPorto, parece-me que às tantas ainda precisa mais de mim do que um bebé, mas agora não há nada a fazer porque já me apeguei ao miúdo mais ainda do que ao André Silva (só para quem não é mãe ou pai perceber o quanto é que gostamos dos putos!). E não é que não esteja preocupada, é só que já não consigo, por exemplo, dormir mal quando perdemos. Porque durmo mal sempre, percebem? Não é uma derrota que altera a minha vida. Agora se me dissessem assim: C., se o FCPorto ganhar ao benfica para a semana, vais dormir mais de três horas seguidas descansadinha. Garanto-vos que me iam ver na primeira fila, feita louca, aos gritos, desesperada para ir lá para dentro tentar ajudar os nossos rapazes a ganhar (pensando bem, esta imagem já aconteceu tantas vezes que não seria propriamente novidade, mas vocês perceberam o suposto exagero).

Portanto, o que vos queria dizer é que sou mãe. E que o pontapé para a frente que a minha equipa adoptou como táctica para voltarmos a ser campeões me chateia, mas também não me tira o sono (literalmente). E que estou farta do "Somos Porto" como encobrimento de toda uma estratégia que está a falhar há já vários anos, mas também não posso fazer nada além de esperar que um dia o meu filho ainda possa ver o que era realmente o FCPorto que eu conheci. E que vou tentar voltar aqui mais vezes, escrever mais patetices, mas não prometo não acabar sempre a falar de cocó.

Desculpa, Porto. Sou mãe

Olá a todos! Lembram-se de mim? C., mulher, jornalista, grande apreciadora de futebol em geral e do FCPorto em particular, adepta de estádio, mal casada em termos clubísticos (mas a coisa até acabou por dar jeito para termos um blog porreiro sobre um casal que se ama muito mas que odeia o clube do outro). Ora, essa pessoa desapareceu. Uma má notícia para quem vinha aqui parar quando procurava no Google "reacção furiosa e irracional a uma derrota do FCPorto", mas uma boa notícia para quem só precisa dos textos do M. para não se sentir o adepto mais pessimista do mundo.

Sinceramente, já nem me lembro bem do que era ser essa pessoa. Olhando para trás, noto claramente que tinha tempo a mais. Tempo para escrever, claro, mas sobretudo para pensar nas patetices que aqui fui desabafando ao longo dos anos. Não me entendam mal: tenho um grande carinho por este blog, que é também um bocadinho a história da minha relação com o M., e permitam-me até ter um grande orgulho pelo que conseguimos criar aqui. É muito bom saber que, mesmo quase sem lhe dedicar tempo algum, continuamos a ter os nossos fiéis seguidores, e muito obrigada por isso.

O problema é que a minha vida mudou. Tanto. Muito mais do que estava à espera. Tive um filho. Porra, um filho! Um ser humano delicioso, que preenche os meus dias por completo há sete meses. Não me deixa dormir, houve dias que nem comer, leva-me além da exaustão, mas é o meu filho e é perfeito. Seria, claro, um enorme exagero dizer que não tive tempo para vir escrever um texto nos últimos sete meses, mas o que se passa é que, pela primeira vez na vida, senti que não tinha nada para dizer. Na verdade, tive até receio de vir aqui analisar a profundidade táctica do novo 4x4x2 do FCPorto e acabar a falar-vos de tácticas para melhorar o cocó de um bebé (tema que traria certamente mais visitantes ao blog, mas nós não temos essa ambição, podem estar descansados).

Ora, também não deixei de ter tempo para ver futebol ou acompanhar o dia-a-dia do meu clube. Quem nunca adormeceu um bebé ao colo enquanto grita um golo internamente ou leu o Dragões Diário enquanto amamenta... enfim, coisas normais. Estive foi muito tempo sem ir a um estádio (primeiro devido a uma gravidez de risco, depois porque aquele ser humano delicioso de que vos falei acima exigia, até há bem pouco tempo, uma parte do meu corpo quase de hora a hora), mas até isso já recuperei, felizmente. Resumindo, o que se passa é que - e até me custa escrever isto - o FCPorto deixou de ser a minha prioridade.

Olhando para a antiga C., ela tinha uma vida incrível: trabalhava muito, tinha muitos planos com o marido, a família e os amigos, via séries, lia livros, viajava e ainda tinha tempo para, durante tudo isto, pensar muito no FCPorto. Não era só o acto de pensar, era mesmo a preocupação de fazê-lo, acreditando que essa introspecção tinha, de facto, alguma influência no bem-estar do meu clube. Ou seja, o que sinto que mudou na minha vida, de um momento para o outro, é que há um pequeno ser humano que depende realmente de mim e que, portanto, a escolha óbvia foi pedir ao FCPorto para se aguentar sozinho enquanto lhe ensino o básico em termos de sobrevivência.

Se formos bem a ver os últimos sete meses do FCPorto, parece-me que às tantas ainda precisa mais de mim do que um bebé, mas agora não há nada a fazer porque já me apeguei ao miúdo mais ainda do que ao André Silva (só para quem não é mãe ou pai perceber o quanto é que gostamos dos putos!). E não é que não esteja preocupada, é só que já não consigo, por exemplo, dormir mal quando perdemos. Porque durmo mal sempre, percebem? Não é uma derrota que altera a minha vida. Agora se me dissessem assim: C., se o FCPorto ganhar ao benfica para a semana, vais dormir mais de três horas seguidas descansadinha. Garanto-vos que me iam ver na primeira fila, feita louca, aos gritos, desesperada para ir lá para dentro tentar ajudar os nossos rapazes a ganhar (pensando bem, esta imagem já aconteceu tantas vezes que não seria propriamente novidade, mas vocês perceberam o suposto exagero).


Portanto, o que vos queria dizer é que sou mãe. E que o pontapé para a frente que a minha equipa adoptou como táctica para voltarmos a ser campeões me chateia, mas também não me tira o sono (literalmente). E que estou farta do "Somos Porto" como encobrimento de toda uma estratégia que está a falhar há já vários anos, mas também não posso fazer nada além de esperar que um dia o meu filho ainda possa ver o que era realmente o FCPorto que eu conheci. E que vou tentar voltar aqui mais vezes, escrever mais patetices, mas não prometo não acabar sempre a falar de cocó.

Desculpa, Porto. Sou mãe

Olá a todos! Lembram-se de mim? C., mulher, jornalista, grande apreciadora de futebol em geral e do FCPorto em particular, adepta de estádio, mal casada em termos clubísticos (mas a coisa até acabou por dar jeito para termos um blog porreiro sobre um casal que se ama muito mas que odeia o clube do outro). Ora, essa pessoa desapareceu. Uma má notícia para quem vinha aqui parar quando procurava no Google "reacção furiosa e irracional a uma derrota do FCPorto", mas uma boa notícia para quem só precisa dos textos do M. para não se sentir o adepto mais pessimista do mundo.

Sinceramente, já nem me lembro bem do que era ser essa pessoa. Olhando para trás, noto claramente que tinha tempo a mais. Tempo para escrever, claro, mas sobretudo para pensar nas patetices que aqui fui desabafando ao longo dos anos. Não me entendam mal: tenho um grande carinho por este blog, que é também um bocadinho a história da minha relação com o M., e permitam-me até ter um grande orgulho pelo que conseguimos criar aqui. É muito bom saber que, mesmo quase sem lhe dedicar tempo algum, continuamos a ter os nossos fiéis seguidores, e muito obrigada por isso.

O problema é que a minha vida mudou. Tanto. Muito mais do que estava à espera. Tive um filho. Porra, um filho! Um ser humano delicioso, que preenche os meus dias por completo há sete meses. Não me deixa dormir, houve dias que nem comer, leva-me além da exaustão, mas é o meu filho e é perfeito. Seria, claro, um enorme exagero dizer que não tive tempo para vir escrever um texto nos últimos sete meses, mas o que se passa é que, pela primeira vez na vida, senti que não tinha nada para dizer. Na verdade, tive até receio de vir aqui analisar a profundidade táctica do novo 4x4x2 do FCPorto e acabar a falar-vos de tácticas para melhorar o cocó de um bebé (tema que traria certamente mais visitantes ao blog, mas nós não temos essa ambição, podem estar descansados).

Ora, também não deixei de ter tempo para ver futebol ou acompanhar o dia-a-dia do meu clube. Quem nunca adormeceu um bebé ao colo enquanto se grita um golo internamente ou leu o Dragões Diário enquanto amamenta, enfim, coisas normais. Estive foi muito tempo sem ir a um estádio (primeiro devido a uma gravidez de risco, depois porque aquele ser humano delicioso de que vos falei acima exigia, até há bem pouco tempo, uma parte do meu corpo quase de hora a hora), mas até isso já recuperei, felizmente. Resumindo, o que se passa é que - e até me custa escrever isto - o FCPorto deixou de ser a minha prioridade.

Olhando para a antiga C., ela tinha uma vida incrível: trabalhava muito, tinha muitos planos com o marido, a família e os amigos, via séries, lia livros, viajava e ainda tinha tempo para, durante tudo isto, pensar muito no FCPorto. Não era só o acto de pensar, era mesmo a preocupação de fazê-lo, acreditando que essa introspecção tinha, de facto, alguma influência no bem-estar do meu clube. Ou seja, o que sinto que mudou na minha vida, de um momento para o outro, é que há um pequeno ser humano que depende realmente de mim e que, portanto, a escolha óbvia foi pedir ao FCPorto para se aguentar sozinho enquanto lhe ensino o básico em termos de sobrevivência.

Se formos bem a ver os últimos sete meses do FCPorto, parece-me que às tantas ainda precisa mais de mim do que um bebé, mas agora não há nada a fazer porque já me apeguei ao miúdo mais ainda do que ao André Silva (só para quem não é mãe ou pai perceber o quanto é que gostamos dos putos!). E não é que não esteja preocupada, é só que já não consigo, por exemplo, dormir mal quando perdemos. Porque durmo mal sempre, percebem? Não é uma derrota que altera a minha vida. Agora se me dissessem assim: C., se o FCPorto ganhar ao benfica para a semana, vais dormir mais de três horas seguidas descansadinha. Garanto-vos que me iam ver na primeira fila, feita louca, aos gritos, desesperada para ir lá para dentro tentar ajudar os nossos rapazes a ganhar (pensando bem, esta imagem já aconteceu tantas vezes que não seria propriamente novidade, mas vocês perceberam o suposto exagero).


Portanto, o que vos queria dizer é que sou mãe. E que o pontapé para a frente que a minha equipa adoptou como táctica para voltarmos a ser campeões me chateia, mas também não me tira o sono (literalmente). E que estou farta do "Somos Porto" como encobrimento de toda uma estratégia que está a falhar há já vários anos, mas também não posso fazer nada além de esperar que um dia o meu filho ainda possa ver o que era realmente o FCPorto que eu conheci. E que vou tentar voltar aqui mais vezes, escrever mais patetices, mas não prometo não acabar sempre a falar de cocó.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Longos são os dias sem Jonas

A primeira vez que vi o Jonas jogar foi pelo telemóvel. Estávamos a viajar e enquanto a C. via um Porto-Braga (3-1?) no iPad, eu tive que sofrer com um Benfica-Arouca que esteve 0-0 até aos 70 minutos até Talisca (que se Eusébio quiser vai passar 2018/2019 a treinar com a equipa B de lançamento do peso, com a devida escolta de elementos ligados às claques do Benfica, que o levarão ao carro depois dos treinos) abrir a lata. Jonas entrou, marcou de cabeça e correu a apontar para Ola John - desconhecendo ainda que aquele centro perfeito vinha num pacote que incluía uma atitude imperdoável para os adeptos (eu ainda tenho esperanças no Ola John, vejam lá). Em primeiro lugar, notem que tive que ver o jogo no telemóvel e a C. num ecrã maior - roubados, outra vez - e em segundo: Jonas foi uma paixão imediata e assolapada, que dura até hoje. Pesquiso todos os dias novidades sobre a sua lesão, desespero por notícias como se fosse uma mulher da época dos Descobrimentos cujo marido partiu para enfrentar o Adamastor.

É-me difícil gostar mesmo de um jogador do Benfica. Já gostei de vários, mas a percentagem que me ganha é baixa. Embirro com Fejsa porque está sempre a sair da posição, não suporto quando o Salvio ou o Guedes não levantam a cabeça. Renato Sanches parecia-me tecnicamente inferior a mim mesmo, Di Maria era intrinsecamente estúpido, Lisandro é um perigo, Raul Jimenez joga com demasiada pressa. Sou uma pessoa horrível para estar ao lado a ver futebol. Acho sempre que a galinha do vizinho é sempre melhor. Na verdade, o meu pessimismo leva-me a achar que a galinha do vizinho é um dinossauro gigante com a inteligência de um robot do ano 2380 e armas que nós desconhecemos. Sou uma pessoa que desesperou pela partida de Jackson Martinez do futebol português, rumo à brilhante e feliz carreira internacional que lhe vaticinei. 


No Benfica vejo sempre defeitos, coisas a corrigir, fraquezas que os rivais vão explorar sem piedade. Mas em Jonas vejo a paz, o farol que ilumina todo o nosso jogo, a voz da calma no meio do pânico que é a minha cabeça quando o meu clube joga. O que eu mais amo em Jonas - e é "amo", não é "gosto", não é "adoro" nem "venero" - são os braços dele a dar indicações. Jonas várias vezes desce no terreno, recebe e começa com os braços a posicionar os colegas, com uma paciência paternal de quem ensina os filhos a fazer os trabalhos de casa.
Por exemplo: neste vídeo, Jonas parece dar apenas um toque para isolar Gaitan no tempo certo. Mas o que este vídeo não mostra, mas outros disponíveis na net na altura e que eu agora não encontro mostravam, é que Jonas, antes de receber de Raul, tem Renato na sua linha de passe. E grita-lhe e aponta com o braço que deve sair dali e correr para a frente. Renato, bem mandado, avança e leva o defesa (como se vê na imagem), a linha de passe abre, Jonas recebe e assiste. O golo é dele, por esse grito, por essa ordem.
Jonas é o treinador que eu sempre quis o banco. Passo os jogos a gritar indicações: "Abre!", "Olha o Hortinha, Grimaldo!", "MATA, JARDEL, MATA!", "Olha o Liedson ali, olha o Liedson, caralho! Foda-se, quero lá saber se estamos a atacar, olha o Liedson!", etc. Com Jonas, sinto que me posso poupar, sinto que ele faz isso por mim.


A imagem anterior mostra isso mesmo: o Benfica precisa de ganhar ao Setúbal e numa entrada generosa e muito anos 90, resolve sofrer um golo no primeiro minuto. Os próximos 20 minutos são de pressão intensa, mas com algumas precipitações. Jonas faz o empate, vai buscar a bola à baliza e no caminho dá indicações aos colegas. Jonas é o amor: é tudo o que queremos na vida, porque faz o golo do empate, e é ternurento e paciente, aceitando o erro, corrigindo, perdoando a Salvio cada vez que ele não toca a bola no tempo certo, acertando agulhas com Pizzi - com quem se entende às mil maravilhas - gritando horrores a Elizeu. Nunca grito a Jonas quando erra, não lhe peço nada, limito-me a confiar.
Não sei se vai ser um símbolo do Benfica, se sente ou não a camisola, mas digo-vos que pouco me interessa. Porque não lhe posso pedir mais. Eu sofria com Cardozo, sentia os falhanços dele como se fossem meus, mas não confiava em Cardozo. Tinha uma fé inabalável, mas sabia que muito daquilo estava misturado com a minha devoção. O meu amor por Jonas não é fé, é ciência. Se Jonas não tentou aquele passe que eu queria, era porque não dava e eu aceito isso. 


Tinha acabado de trabalhar quando li online que Jonas se lesionara, há uns tempos atrás. Dei um gritinho e senti-me todo a tremer. E agora? Em quem confiar? Quem é que vai conduzir os ataques, quem é que vai organizar a equipa meticulosamente até ao golo? Quem vai finalizar com classe, tabelar, pausar e acelerar? Terei outra vez que gritar para o campo? Sim. E sofrer? Muito. E até quando? Não sabemos. Vejo diariamente notícias à espera da sua recuperação, acredito nas capas do Correio da Manhã, dos desportivos - mesmo quando se contradizem - e de utilizadores do twitter com 4 seguidores. Acho que em todos os jogos vamos perder pontos. Em todas as jogadas sinto a falta dele e acho que sempre que corre mal é porque Jonas não está, e há um "se ele estivesse cá" recorrente, a martelar-me a cabeça. Fujo sempre da pergunta "e quando ele não estiver?" sem ter coragem da resposta.
A equipa - quiçá treinada por ele? - tem-se aguentado bem, conquistado pontos e cimentado a confiança. Mas o inimigo é feroz e a luta é longa. Para a vencermos precisamos de Jonas. Do Jonas inteligente, matador, traiçoeiro, espertíssimo, sempre no lugar e tempo certo. Precisamos do Jonas que é Cardozo e às vezes é Aimar. Preciso que ele esteja em campo para voltar a confiar, para voltar a ter um mínimo de tranquilidade, para saber que tudo se desmonta com paciência, que não há nada a temer. Preciso de tê-lo em campo e anseio por vê-lo trocar a bola com Rafa.

Diz-se por aí que tudo o que nós queremos na vida é o amor. Eu quero o Jonas no ataque do Benfica. Porque amor é o que sinto quando ele tem a bola nos pés e a mete dentro da baliza. Até ao seu regresso, a vida será uma soma de inquietações que temos de vencer com a ajuda de tudo o que ele nos ensinou. Longos são os dias sem ti. Regressa rápido, Pistolas. Um abraço de coração apertado, à tua espera.