segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010



Sem nada a acrescentar.

Eu só quero Benfica Campeão!

Faltam dez jornadas, um  terço do campeonato. Mais pontos, mais vitórias, melhor ataque, melhor defesa. Mas, ainda assim, falta um mundo para o que tanto desejamos. Acredito que o Benfica é a melhor equipa portuguesa. E, também eu, pessimista militante, já saí da caverna do negativismo e acredito que vamos ser Campeões. Apesar disso, acho que vamos sofrer estupidamente até lá.
Primeiro porque este tem sido um campeonato em que três equipas estão com números muito acima da média, com muito poucos pontos perdidos. Depois porque temo uma quebra física do Glorioso. Tenho medo que a Liga Europa, com os seus milhares de jogos na fase decisiva da coisa, nos leve para um poço sem fundo. Não se pode estar bem lá fora sem estar bem em casa. E mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. Quero é ser Campeão. O resto são tretas.
Terceiro, e esta é a mais importante de todas as razões: porque ninguém quer, para além de nós, que o Benfica ganhe. Ninguém. Aliás, daí vem todo o ruído desta época. O Benfica vencer é contra o sistema, é contra as regras impostas. Daí que, quando o Benfica vai à frente, um "notável" azul e branco lance um livro sobre o caso Calabote (que foi há mais de 50 anos e aconteceu num ano em que os azuis foram campeões, tal foi a influência directa do bicho. Já sobre os Calheiros há poucas peças literárias do mesmo autor.). O Benfica ir à frente faz com que a decadência verde e branca venha finalmente ao de cima (quase 30 anos com dois campeonatos ganhos são um dado que sempre ficou escondido debaixo da crise Benfiquista). O Benfica ir à frente faz com que o presidente do Braga mande bocas, avise que os seus jogadores vão ser assediados, que não precisa de antecipar jogos, isto quando o seu clube devia ter começado a segunda parte do jogo contra o Benfica com 8 contra 11 segundo as imagens, mas começou com 10 contra 10. O Benfica na frente faz com que cada lançamento de linha lateral nos nossos jogos seja esmiuçado, com que cada lance seja gritado histerica e loucamente.  O Benfica ir à frente faz com que a principal claque do clube cujo presidente o país ouviu a dar indicações a um árbitro para chegar a sua casa escreva "Falsidade e Roubalheira" a vermelho, tal é a raiva, tal é o desespero que têm para não nos ver a ganhar.
Durante anos e anos deixámos que os anti se rissem e festejassem as nossas classificações e equipas medíocres. O tempo que passou foi tanto que eles se habituaram. O Benfica ganhar é algo de estranho para eles. Vai contra aquilo que demoraram anos a construir (da maneira que todos conhecemos). Daí que quando o Benfica ganha uma Taça da Liga com um penalty mal marcado árbitro tenha que pedir desculpa (nunca, em toda a minha vida, um árbitro pediu desculpa por nos roubar. A lista é infinita).
Este é o nosso principal adversário: o ruído que todos vão fazer para tentar com que o Benfica não seja Campeão. É preciso não esquecer que, apesar da proporção não ser essa, para cada comentador Benfiquista há dois Anti Benfiquistas e que vamos ter que ouvir a campanha a dobrar até ao fim.


Faltam dez jornadas, temos melhor equipa.
Vamos a eles, Rapazes. Sem medos.
Força Benfica!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desculpa futebol, mas estamos em guerra

Sinto que tenho de pedir desculpa a esta grande paixão de todos nós que é o futebol. Nas últimas semanas, não temos falado dele, M. É só túnel para aqui, escutas para acolá. Honra seja feita ao plano do Rui Costa. Estão a conseguir meter-nos todos na lama.

Mas não há como fugir. Quando te resumi o nacional-Porto falei “n” dos lances polémicos e só depois é que me lembrei de te dizer que o Rúben Micael é jogador. Se bem me recordo, disse-te que:

- Podia ter sido assinalado penalty a favor do nacional, porque efectivamente a mão do Fucile está no Edgar. Assim como a do Edgar está no Fucile antes. Para mim, não era nenhuma das duas. Ou então o Fucile foi menino em não se ter atirado para o chão, porque toda a gente sabe que em Portugal aquilo dá origem a uma “falta atacante”.

- É penalty claro sobre o Álvaro Pereira. Não há como negar. O jogador acerta-lhe e ele não pode rematar para golo.

Claro que depois vi o resumo da RTP...



... e percebi que estava enganada.

- É penalty claro do Fucile sobre o Edgar.

- O Álvaro Pereira atira-se para o chão.

Mas depois vi o resumo da SportTv...



... e vi que há imagens que o jornalista da RTP se esqueceu. Façam lá o exercício de ver os dois e reparem nas imagens que não passam na primeira. É tudo uma questão de se ver o que se quer ver.

E depois chegaram as imagens do túnel, desta feita na SIC.

- Que não têm som.
- Que passam das imagens corridas quando não se passa nada, para uma sucessão de frames quando há confusão.
- Onde eu, que sou mesmo muito portista, vejo o que quero ver. E, com muita pena minha, não vejo o "acto contínuo", em que o "Sapunaru deu um salto e, no ar, desferiu um pontapé com a perna direita, de frente para o steward Sandro Correia, atingindo-o de raspão na zona abdominal". Eu, que achava o Sapunaru um menino, gostava de ter visto isto. Mas não vi. Nem vi que o Hulk "tentou de imediato agredir novamente o referido Sandro com mais dois socos e desferiu ainda um pontapé com a perna esquerda". Pois, estou a citar o despacho da acusação. Os senhores (e o Rui Santos e a benfica TV...) viram isto, eu não.

Mas depois vi os jornais...







... e percebi que não sou a única a ver o que quero ver. Todos o fazemos, não é?

Isto é lixo. É nojo. É porco. É mau jornalismo, é mau futebol. É planeado por más pessoas.

E agora a questão é: quem se vai afundar na lama? Até agora, temos sido nós. Eles têm sido mais manhosos, coisa a que não estou habituada. Mas, por muito que me incomode, o nosso discurso de “somos melhores” tem de acabar. Temos de entrar na pocilga e começar a chafurdar. Vamos para cima deles.

Vamos acordar cedo num domingo e lembrar-nos de exigir logo um sumaríssimo para o Javi Garcia. É um pequeno passo, mas temos de começar por algum lado.

Quero aquele Porto feio, porco e mau. Quero sangue, suor e lágrimas. Quero todos os clichés que sirvam para dizer que não os podemos deixar jogar este campeonato sozinhos.

P.S. Por que é que só as minhas peças têm comentários? E por que é que os nossos comentadores são todos lampiões? Onde andam vós, meus camaradas tetra-campeões?

A Luz ao fundo do túnel

Chegaram as imagens! Várias coisas: o fóculporto já não é o que era. A "organização exemplar" numa cena de porrada no túnel deixa o João Pinto à porta?! O clube que tem sempre tudo sob controlo comete um erro assim? Isto é como meter o Falcao a jogar a defesa. O João Pinto de fora. Já não é como no meu tempo. Se bem que Sapunaru e Hulk honram velhas glórias como Paulinho Santos e Fernando Couto (o caceteiro do fóculporto, não o central fino que nasceu em Itália e pontificou no Euro 2000. Para mais informações sobre o primeiro ver aqui). Tenho ideia que Sapunaru não jogou, mas vê-se que o rapaz estava com vontade. Já o Hulk lembro-me bem de ter jogado, mas percebe-se agora que estava a guardar as energias para o final (mais uma vez, eu ainda sou do tempo em que a "energia" deles era tanta que até andavam à porrada quando nos marcavam...). Para mim não há grande polémica, e admito já que não vejo muito bem ao perto e que - coincidências! - continuamos sem som no computador cá em casa: Sapunaru e Hulk agridem os stewards. Sinceramente, não consigo discernir mais grande coisa. Aliás, as imagens são um conjunto de frames que mal dão para discutir ou ver grande coisa. Cada um vê o que quer.
Apesar disso, e isto deve ser da minha miopia, não vejo o chefe de segurança do fóculporto em grande perigo no meio dos "mouros". É que pela nota de culpa do instrutor do processo essa é a alegada razão para os jogadores do clube de azul saírem de maneira tão desorientada do balneário. Se alguém o encontrar que avise.
Mais: eu não sou anjinho nenhum. Acredito piamente que os stewards provocaram. E não me choca nada. Aliás, eu, se fosse steward, tinha provocado e bem. Estou farto de ter apanha bolas que dão a bola rápido ao adversário quando nós estamos a ganhar, estou farto que jogadores nossos, lesionados, não se atirem para o chão para o jogo parar e serem assistidos e passamos ali um minuto a poder levar um golito. Estou farto de ser papado por parvo. Estou farto de parecer do ceportém.
Estas imagens são brutais. E porquê? Porque são o símbolo de uma política consciente do Benfica. Finalmente percebemos que temos que deixar de ser meninos de coro e que os podemos fazer cair nestas coisas. Finalmente temos um canal de televisão que passa a mensagem aos adeptos. Já não há "notáveis" a vir mandar bocas. Já não há chibos a virem dizer que vem aí o Totti e dois dias depois aparece o Tote (mas ainda há falhas que permitem que eles saibam que o Ramires vai jogar).
Passámos a ataque: as escutas para a net para descredibilizar, as imagens para mostrar como eles são violentos, "A Bola" finalmente controlada outra vez (sim, não tenho vergonha de o dizer). Estava farto de ter todas as capas a destabilizar, de não ter poder nenhum e ser comido. Deixámos sempre esse terreno para eles. Achámos que bastava ser melhores no campo. Acham coincidência termos estado este tempo todo sem o ser? Se eu gostava que isto não estivesse em guerra civil? Adorava. Discutíamos só a bola em si, era maravilhoso. Mas há muito que o futebol português não é assim. Eles organizaram-se e durante 25 anos comeram-nos vivos. Na primeira vez em que metemos à frente do futebol um tipo que é do Benfica como eu e que percebeu que o alvo são eles, deixámos de falar no café que "o árbitro estava comprado" e temos imagens deles a agredirem stewards na TV. Eu vi o Paulinho Santos a agredir o JVP e o canal que transmitiu o jogo só descobrir as imagens quando outro canal o passou. A diferença desses tempos para agora são um mundo.
Talvez levem o que eu escrevi a mal, mas tenho-vos a dizer que estamos a discutir o campeonato com eles e com um clube controlado por eles, só para terem em mente a dimensão do polvo. O que estas imagens mostram, mais do que quem agrediu quem, é a ferida aberta no clube do Martins dos Santos. É mandar sal. Se formos Campeões (falta muito, muito, muito) por mim até podem dar uma faixa aos stewards.
Eu vi uma equipa com o Paneira, Rui Costa, Paulo Sousa, JVP, Futre, Isaías, Kulkov, Mostovoi, Iuran, Mozer e Schwartz não ser campeã porque éramos uns meninos. Porra, e se éramos melhores que eles... Mas, ao fundo do túnel, podemos finalmente ver a Luz e voltar a discutir o domínio do futebol português. Lamento imenso que tenha de ser assim, mas já perdi a inocência há muito. A eles!
(Weah para steward na Luz, já!)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mais escutas

Senhor presidente de um certo clube que vamos chamar de Orelhas: Tou, amiga!
Senhora jornalista que por acaso até parece um senhor jornalista e que vamos chamar de Pinhão: Diga, senhor presidente!
Orelhas: Preciso da sua ajuda outra vez.
Pinhão: Então ainda não chegou escrever-lhe um livro?
Orelhas: Não, pá! O gajo safou-se. Não sei como. Agora vamos ter de entalá-lo de outra maneira. Tens alguma ideia?
Pinhão: Opá, eu tenho o sonho de publicar as escutas na Internet. Mas acha que agora é uma boa altura? Nós até vamos à frente, se calhar é melhor guardar...
Orelhas: Não, tem de ser agora! O gajo já anda a falar muito e qualquer dia as pessoas reparam mesmo nos roubos de catedral. Diz-me lá como é que é isso das escutas na Internet.
Pinhão: Eu trato-lhe disso, não se preocupe. Mas se isto funcionar o nosso clube for finalmente campeão tem de me prometer uma estátua.
Orelhas: Está prometido, cara amiga! E já se sabe que eu não falho uma promessa! Adeus!



Pinhão: Tou, amiga!
Senhora procuradora que por acaso é casada com um senhor de um certo clube e que vamos chamar de Morgado: Oh minha querida amiga, estava agora mesmo a escutar o seu telefone e já sei o que me vai pedir. Até já lhe enviei um e-mail com as escutas todas para facilitar a coisa.
Pinhão: E ainda dizem que a Justiça é lenta, hein?
Morgado: Eh eh eh! Ah pois é! Vamos lá ver se é desta que eu reabro o caso pela 2847138573105532ª vez e a coisa cola! Boa sorte!



Senhora de alta credibilidade na Justiça portuguesa e que vamos chamar de Carolina: Tou, amiga!
Pinhão: Olá amiguinha! Já ouviste o que eu meti na net?
Carolina: Já! E estou um bocado chateada! Vocês agora fazem as coisas sem me consultar? Eu podia ter-te dado também umas escutas que tenho aqui de ele a dizer-me coisas íntimas…
Pinhão: Epa, desculpa, mas teve de ser tudo muito rápido. O presidente tá todo cagado com o gajo. Aqueles foras-de-jogo aos golos regulares do Porto andam a dar um bocado nas vistas.
Carolina: Vocês são mas é uns ingratos! Qualquer dia revelo umas coisas sobre vocês...
Pinhão: Oh minha grande alternadeira, tu vê lá se te calas que ninguém acredita em ti. Já recebeste a tua fruta dos cofres do nosso clube, não te chega? Sabes, já não estou para te aturar, adeus!



Orelhas: Tou, amiga!
Morgado: Olá senhor presidente…
Orelhas: Queria agradecer-lhe o seu contributo. A malta já está toda louca com as escutas. Eu não sei trabalhar lá com aquela coisa do iu tube, mas já mandei a benfica TV passar aquilo o dia todo. É uma alegria! E tive outra ideia espectacular: mal o benfica perca um jogo, aquilo começa a passar outra vez automaticamente. E os burros dos meus adeptos nem reparam! Eh eh eh! Sou muito bom!
Morgado: Olhe senhor presidente, mas eu tenho más notícias... Isto pode dar para o torto... Se descobrem quem divulgou aquilo estamos feitos...
Orelhas: Não se preocupe, está tudo controlado. A partir de hoje, o futebol português entrou num novo ciclo. O ciclo em que o meu benfica vai ser campeão!
Morgado: Espero que sim, espero que sim...
Orelhas: Melhor do que isso só se o gajo for preso! Ou morrer! Bem, isso é que era! Olhe, para comemorar até vou ligar a um grande amigo meu, até à próxima!



Orelhas: Tou, amigo!
Senhor árbitro que vamos chamar de João Ferreira: Então, pá! Tudo bem? Precisas que vá apitar um joguinho do nosso benfica?
Orelhas: Não, não… A gente vai com seis pontos de avanço do Pinto da Costa, para já não é preciso.
João Ferreira: Já sabes, quando quiseres estou ao teu dispor, meu querido Luís Filipe Vieira...
Orelhas: Xiu! Não digas o meu nome! Já imaginaste se estamos a ser escutados? Podemos ter azar, agora vai parar tudo à Internet...
João Ferreira: Mas tás a brincar? Está tudo controlado. As nossas escutas não interessam a ninguém. Somos apenas dois amigos a falar.
Orelhas: Claro, eu sou uma pessoa muito séria. A mim nunca me hão de apanhar nestas coisas. Quer dizer, por acaso já apanharam. Mas isso não interessa a ninguém! Vá, cumprimentos aí para casa!

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Eu sou uma pessoa sem moral e princípios. Como tal, adoro estas escutas. Já me ri imenso e volto a rir sempre que penso naquele "tou um bocado fodido com o meu amigo..."

Castigos por causa de túneis, escutas no Youtube... o que se seguirá? Um e-mail do amante gay do Pinto da Costa? Uma fotografia de quando o Jesualdo ainda era mulher? Um vídeo de adeptos do Porto numa grande orgia? Não sei, mas que o nível está a baixar, está. Nada a que não estejamos habituados vindo de onde vem.

Sempre em frente!

Eu ainda não ouvi as escutas. É verdade. Não é que não queira, mas não tenho som no computador (uma certa pessoa, ligada a um certo clube, conseguiu lixar o som há uma semana...).
O que as escutas mostram já era público. Já jornais tinham mostrado, já se tinha lido e falado. Mas ouvir é mais forte, não é? (Deve ser. Eu ainda não ouvi) "A fina ironia", "a organização exemplar" e restantes predicados com que o Rui Orlando nos costuma brindar, ali, todos expostos. É, como é que hei-de dizer, um bocado irónico.


Eu acho que está tudo tão límpido nas ditas escutas (que eu, ora que porra!, ainda não ouvi) que nem vale a pena comentar muito o facto. Podem vir com nomenclatura penal, com os recursos, com as validades, com anulações, com supremos. O conteúdo, esse, ninguém nos tira.
A "fruta de dormir" fica para a história como a pior metáfora de sempre.
O código deontológico de jornalista d`O Jogo tem "coisas muito giras".
O Antero Henriques já dá graxa ao Pinto há tanto tempo que o Salvador nem campeão lá chega.
O Bettencourt, se ainda não respondeu a isto, é porque não tem mesmo coluna vertebral.
Mas há duas coisas que me escapam, e isso anda a consumir-me, daí que o texto não me esteja a sair bem:




Falta-me ouvir o ambiente de convivência, de compadrio. O "estou?" e a seguir aquele cumprimento de quem há muito se conhece, há muito conversa. Falta-me aquele espírito de fraternidade, de gente que se move toda por uma boa causa, que, no fundo, no fundo, só quer que as coisas corram bem! Falta-me o tom conciliador do Major, o tom de cãozinho do Antero, a canalhice do Pinto e o Deco a tentar perceber como é que se torna a chantagem "fantástica". Sem isso, todo o texto é um bom argumento, mas ao qual faltam as personagens de eleição. Reconforta-me saber que os vídeos ficarão para a eternidade. Espero que alguém se dê ao trabalho de os traduzir para que lá fora saibam aquilo que estamos a aturar há anos e anos.

Mas, mesmo antes de ouvir as escutas, já tenho uma grande desilusão. Já soube que as minhas preferidas não estão na net.
É assim: eu cresci com o Coroado a expulsar três jogadores num Benfica - Torreense no Estádio da Luz, com o Calheiros a expulsar o Iuran e o Pacheco no Beira Mar - Benfica de 92/93 que nos dava o título sem que alguém consiga, ainda hoje, explicar porquê. Eu vi o Fortunato Azevedo, o Rosa Santos - que até é columbófilo e tem no pombal o emblema do seu clube pintado muito grande. O Pratas a fugir do Domingos e do Couto. Mas se havia personagem que me metia medo era Martins dos Santos.
O Martins dos Santos era um daqueles tipos que tinha um brilho nos olhos quando apitava o Benfica. Cada lance podia ser uma oportunidade para brilhar. Era um criativo, era imprevisível. Ora, as escutas acerca deste artista é que são, para mim, as mais espectaculares e requintadas. Ora vejam:

De acordo com a certidão, Martins dos Santos foi o árbitro convidado para o jogo inaugural do Estádio do Dragão como forma de pagamento de "anteriores benefícios" ao FC Porto. O clube terá pensado em convidar outro árbitro, mas o presidente da AFP, Adriano Pinto, tranquilizou Martins dos Santos, garantido-lhe a presença no desafio com o Barcelona, a 16 de Novembro de 2003.

"A certa altura, eu zanguei-me, porque não queriam que... deixar o senhor inaugurar o campo (...) e foi de lá de dentro que escolheram outro, e eu tive de dar um murro na mesa para... para voltar a ser... você. (...) Eu sou contra a ingratidão, você sabe bem disso...", referiu Adriano Pinto a Martins dos Santos


E esta era a escuta que eu queria ouvir. Porque nesta escuta o que salta aos olhos do leitor é a amizade. O modo como Adriano Pinto, homem de bem, amigo dos seus amigos, "dá um murro na mesa". O leitor percebe, sente a raiva. Caramba, também eu a sinto. Com Calheiros reformado, iam dar a inauguração a outro que não Martins dos Santos?
 A decisão não seria "ingrata", seria um crime! E é bonito ver como o conto não só nos dá uma moral de amizade forte, como acaba bem e Martins dos Santos apita o jogo de inaguração. Afinal, após o fóculporto - Rio Ave de 2003/2004, apitado por si, Martins dos Santos já tinha dito que "o que eu queria era que me corresse bem o jogo (...) que me corresse bem o jogo e que ganhasse quem ganhou". É preciso ser-se muito insensível para não ver a injustiça, a trama, o conluio que ia na Torre das Antas para impedir que o homem lá fosse. Apetece dar um murro na mesa. Felizmente tudo acabou em bem e Martins dos Santos apitou o jogo. Ficou 2-0. Sabem como é que o primeiro golo foi? De penalty e injusto. Um conto de fadas.
Mas, para melhorar, e são estas coisas que o Youtube não resolve (falta autenticidade, não vemos as caras, não vemos os sorrisos, as gargalhadas...), há na história de Martins dos Santos, um factor ainda mais bonito: o genético. Não é que o filho, Daniel Santos, apitou este ano o fóculporto - Mónaco, jogo de apresentação aos sócios? A ingratidão foi vencida! Já dizia o outro, sempre em frente!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

É normal que eles estranhem

Há, no mundo azul e branco, uma estupefacção generalizada com os castigos de Hulk e Sapunaru em relação aos incidentes do túnel na Luz. É normal. Primeiro porque o fóculporto, nomeadamente o seu presidente, está habituado a uma velocidade brutal da justiça. Por exemplo, antes de ser detido pela PJ, Pinto da Costa (PdC) foi avisado por uma fonte da mesma, permitindo a sua fuga. Ou seja, é normal para quem está habituado a uma justiça super rápida (que se antecipa a si mesma! Isto é que é um país civilizado!) que tudo isto seja estranho e demorado. Aliás, pela bitola desse aviso da PJ, tenho a avisar os adeptos do fóculporto de muitas e muitas desilusões pela vida fora.
Há ainda o factor orgulho. Para o fóculporto,  perder a invencibilidade nos túneis é um mito que cai, só havendo correspondência de derrota tão grande em casa na final do Campeonato do Mundo de 1950, quando em frente de 200 mil espectadores, o Brasil perdeu "a Copa" para o Uruguai ou no soco espectacular de Weah a Jorge Costa. Imaginem o vexame: nos túneis! Que dirão figuras históricas como João Pinto ou  o Guarda Abel, craques imortais desse campeonato particular?
Estou curioso para o castigo já que, se o melhor marcador do campeonato foi expulso - no jogo entre 1º e 2º - sem fazer nada (provam-no as imagens) e ainda levou dois jogos, quero ver o que poderá acontecer a quem pelos vistos bateu mesmo. Obviamente, no seu estilo de vítima - perdão, "com a sua habitual ironia"! - PdC já veio dizer que há roubos de Catedral. É normal que o diga. Homem de bem, sem quaisquer problemas com a justiça e de uma imparcialidade que faz corar Jesus Cristo, PdC deve estar a referir-se àquele fabuloso gesto técnico de Cristian Rodriguez na Luz, um verdadeiro paradigma de como deve actuar um lateral direito de andebol.
É normal que eles estranhem e que nós também. Se for como o Apito Dourado, vão ser meses e meses até lhes tirarem 6 pontos (quando Itália nos parece um país padrão para os castigo sobre corrupção acho que está tudo dito...). Se for como o Caso Calheiros, resta-nos dizer a Hulk que espere sentado. Nós, Benfiquistas, estamos há anos há espera que nos expliquem porque é que o clube dele pagou viagens ao Brasil a um árbitro que lhes deu o campeonato de 92/93 e foi figura emblemática de tantos outros.
Concluindo, compreendo perfeitamente a estranheza que os andrades sentem. Um clube culpado de tentativa de corrupção, com dois ex presidentes do Conselho de Arbitragem como seus comentadores (Lourenço Pinto no Record e Guilherme Aguiar na SIC), com óbvia influência sobre éne clubes de menor nomeada no futebol português, e que nunca foi verdadeiramente responsabilizado por tudo isto, é de repente apanhado num túnel. É como se um ladrão roubasse, matasse, violasse e depois fosse apanhado a roubar numa mercearia. E, vejam lá, estranham que a pena não saia! Que o processo é demorado! Que não há justiça em Portugal!
É normal que eles estranhem. E não deixa de ter a sua piada.