Gostei do jogo que o F.C. Porto fez em Barcelos. Tivemos várias oportunidades para marcar e praticamente não deixámos o adversário jogar. Gostei do Jackson, do Lucho e do Alex Sandro, e gostei de ver o Hulk ainda interessado em nós. Falhámos muito, é verdade, mas também falhámos porque o guarda-redes fez a exibição da vida dele. E perdoem-me aqueles (poucos) que esperavam vir aqui ler uma análise lúcida do empate, porque eu também creio que falhámos porque o árbitro considerou que agarrar o tronco, a bacia e a perna do Kléber durante vários segundos não é motivo suficiente para penalty. Árbitro esse que está tão perto do lance que quase que também é agarrado pelo jogador do gil.
Esperei dois dias para escrever porque cheguei a acreditar que conseguia ser como aqueles portistas que alegam que o Porto tem de ser superior às falhas dos árbitros e que tinha de ter jogado muito mais para ganhar. Gostava mesmo de ser assim, mas não sou. Quanto mais vejo as imagens, quanto mais jornais leio, mais penalties vejo (o Mangala também é mandado ao chão na grande área e o James, se não fosse palhacito e não se tivesse encolhido logo, também tinha sido varrido).
Não tenho vergonha, portanto, de assumir que acho que o campeonato começou com o F.C. Porto a ser prejudicado em dois pontos. Sim, também admito que se aquela primeira parte não tivesse sido tão adormecida não teríamos precisado de nos chatear com isto. Mas, assim de repente, lembro-me que começámos os últimos dois campeonatos com vitórias à rasca na primeira jornada e que isso provavelmente se repetiria se pelo menos uma destas faltas tivesse sido devidamente assinalada. A tradição ainda é o que era: os árbitros continuam sem vergonha de nos roubar em Barcelos.
Quem também anda com falta de vergonha é o treinador do gil vicente, estrela de anúncios publicitários e ilustre mestre da táctica do anti-jogo. Comentou ele, no final da partida, que a equipa não jogou fechada e que nem sequer viu nenhum lance polémico. Saberá certamente este senhor que ninguém espera que a sua equipa assuma o jogo contra o bicampeão nacional, mas também não é bonito tentar fazer de todos nós, os que viram o jogo, estúpidos. O gil vicente não só jogou fechado, como passou os 90 minutos a fazer faltas, a demorar uma eternidade em cada lançamento e a aplaudir cada interrupção idiota que o árbitro deixava prolongar. Se ficam contentes com pontos ganhos assim, tal como ficaram com a vitória escandalosa da época passada, tudo bem, são um clube muito pequeno e eu compreendo, mas admitam-no.
Outra vergonha que vai permanecer por cá pelo menos até ao dia 31 de Agosto é a daqueles jogadores que aproveitam cada microfone colocado à sua frente para exprimir desejos de jogar neste ou naquele clube, de brilhar neste ou naquele campeonato, ou de receber este ou aquele salário. Já chega a vergonha de arrastar o mercado até tão tarde, deixando as equipas vulneráveis aos caprichos dos grandes tubarões europeus, não precisamos de mais meninos com a cabeça longe quando já estão pontos em disputa.
O que vale é que os nossos rivais estiveram à altura do momento. Na luz, o benfica, com mais um jogador devido a um erro do árbitro, teve todas as razões para ter ficado contente com o empate, tal foi a qualidade do jogo apresentado. Em Guimarães, o sportem de Sá Pinto manteve a sua estratégia de nunca assumir o favoritismo e cumpriu os mínimos para os seus tão pouco exigentes adeptos. Sem vergonha nenhuma, claro.


