Voltemo-nos, assim, para os demais.
O grande inimigo do Benfica é, como é óbvio, o clube do
Guarda Abel. O Porto mantém a sua estrutura e o seu futebol. Um 4-3-3 com anos
e anos, que ataca sempre pela certa, não deixando os adversários contra-atacar
ou respirar no seu território. Contratou um bom avançado (a sua principal falha
o ano passado), mas mantém-se sem suplentes à altura no meio campo (que bom que
era que Moutinho tivesse um acidente ou se tornasse um Spur) e, na frente, depende
de Hulk. E é aqui que temos que pedir a todos os anjinhos e aos Zenits e aos
Atléticos para nos fazerem o favor de levar o homem de cá. Aparentemente, o
Porto passará a jogar com James e Varela ou Atsu nas alas e, salvo qualquer
descoberta na segunda divisão japonesa, o poder de fogo do clube de Martins dos
Santos vai descer muito. Restará ao Porto – e é muito – a sua habitual competência,
o seu sangue frio. E isso chega para os tornar favoritos. No entanto, um bom arranque do Benfica (e voltamos ao primeiro
parágrafo) poderá expor as feridas que os azuis escondem tão bem: os ordenados
em atraso, os casos recorrentes dos jogadores que querem sair, Álvaro Pereira e
Kléber à porrada, etc.
Se o Benfica fosse competente, podia ambicionar por sal nas
feridas do rival. Assim, resta-nos esperar que Hulk saia, que ninguém entre, e
que um milagre aconteça.
Os verdes continuam o seu caminho estranho. Apesar de já não ter Polga (aquele abraço!), o
Sporting tem um plantel curto e com muito pouca gente que meta respeito e medo.
Quando olho para os seus 11, invejo claramente Ínsua e acho que Carrillo se
tornaria um grande extremo no Manchester United. Falta-lhes um criativo no meio
campo, mas, mais do que tudo, falta-lhes exigência. O Sporting já não é – aos olhos
de todos – candidato ao título. Até para os seus adeptos. O derby será, como
sempre, um jogo perigosíssimo, e conto com o defensivismo de Sá Pinto para
tentar tirar pontos aos azuis, já na 6ª jornada. Espero, também, que alguém lhe
tire os comprimidos para podermos, finalmente, vê-lo mandar uma bolachada num árbitro.
Sá Pinto: pelo Artur Jorge e pelo Liedson, terás sempre o meu eterno e
incondicional apoio.
O Braga é um caso sério e preocupante. Tem o mesmo plantel
da época passada, um treinador que vai querer acabar com o mito de 2004/2005 e uma
estrutura férrea que se senta, com igual à vontade, nos camarotes do Dragão e da Luz. Apesar de nem uma
Taça terem ganho nos últimos anos, o golpe “à Boavista” está quase à vista de
todos. Aprecio especialmente Leandro Salino, Amorim (jogadores que cabiam no
plantel do Benfica de caras, e o segundo só não lá está porque -> voltar ao primeiro parágrafo) e Lima. E odeio Mossoró, a quem desejo, sem
qualquer pudor, que alguém lhe enfie a chuteira pela perna dentro, deixando-o
sem jogar até aos 45 anos, quando poderá voltar a jogar na sua terra local, que não
sei qual é, mas à qual irei só para o insultar. É dos jogadores que mais odeio
no campeonato e que sonho encontrar a passarem na passadeira quando guio.
São
uma maior ameaça que os verdes e nunca é demais repeti-lo.
Marítimo e Nacional continuarão a ser terrenos perigosos,
pejados de brasileiros e de jogadores de Leste que parecem agigantar-se contra
o Benfica. A claque feminina do Nacional continuará a ser mais irritante que o
seu presidente (e isso é difícil). Danilo Dias podia ser suplente num grande ou ir para o Braga. E
o Porto ganha lá sempre. Mais facilmente na Choupana do que nos Barreiros. É
tudo o que sei sobre as ilhas.
Em Guimarães estará uma equipa falida cheia de jogadores que
não conheço. É bom que sejam minimamente bons, senão acabam com aquele
marroquino que, apesar do golo ao Porto há dois anos, se foi embora por estar
cansado das ameaças. O que aprecio em Guimarães é a independência daquela gente
insana. Odeiam com a mesma força Benfica, Porto, Sporting, Belenenses, Académica,
Braga e Boavista. Julgo que nem a claque feminina do Nacional é bem recebida lá.
Respeito isso.
Olhanense, Académica, Rio Ave, Setúbal, Beira Mar, Gil
Vicente e Paços de Ferreira vão manter-se como a prova de endurance do
campeonato. Vão estacionar o autocarro e bombear bolas para os seus brasileiros
rápidos da frente, passar o tempo todo no chão e a fazer anti-jogo, à espera de
um milagre numa bola parada ou num contra-ataque. Em Olhão, Coimbra e Vila do
Conde moram treinadores ex-Porto (coincidências do futebol português), pelo que
poderemos esperar 11 cães de fila em marcação cerrada e de faca nos dentes
contra nós, contrastando com o futebol de ataque, agradável, com dois avançados
e dois extremos bem abertos, com que enfrentarão (corajosamente!, rezarão as crónicas)
os azuis. Malgrado o primeiro parágrafo, é rezar para que o Benfica seja mais
competente contra estes adversários do que Porto e Braga. O Sporting cometerá o
seu habitual suicídio nestes jogos.
Estoril e Moreirense são-me desconhecidos (eu trabalho, não
tenho tempo para conhecer toda a gente, ok?), mas lutarão com o lote de cima
para não descer e comportar-se-ão de igual forma. O jogo com o Estoril servirá
para recordar o famoso “EstorilGate”, mas este fim de semana ninguém se lembrou
de um célebre Gil Vicente – Porto jogado em Guimarães, pois não?
Da primeira à última equipa comentadas, uma coisa os une: todos detestam o Benfica. É bom que o Benfica aprenda a lição depressa. A de que é o alvo a abater em todos os estádios.
Da primeira à última equipa comentadas, uma coisa os une: todos detestam o Benfica. É bom que o Benfica aprenda a lição depressa. A de que é o alvo a abater em todos os estádios.
Não estivesse o Benfica tão focado em auto-mutilar-se e em
insistir nos seus erros, e até podia estar cheio de ambição. Assim, bem,
prometi a mim mesmo que não escrevia sobre isso. Anda lá, Zenit, compra o Hulk
e dá lá 25 milhões de prenda de casamento à Fernanda!






