Adoro fotografias. Adoro pegar nos nossos álbuns de vez em quando e recordar-me dos sítios que já visitámos, dos momentos que já passámos, das pessoas que já conhecemos. Admito, contudo, que não somos um casal lá muito fotogénico. Sempre que estamos à frente de um monumento e nos sentimos obrigados a tirar uma fotografia os dois, começamos logo a sorrir, com vergonha daqueles dois segundos entre a pose e o clique. É estúpido, não faz sentido e acabamos por ficar basicamente sempre mal.
Mas sabemos que aquela fotografia vai ser um dia fundamental. Para nós, que vamos achar que éramos lindos quando éramos novos. Para os nossos filhos, que vão achar que os pais se vestiam de maneira ridícula. Para os nossos amigos, que vão contar aos nossos filhos que estávamos bêbados quando tirámos aquela fotografia. As imagens nas quais ficamos tão feios hoje vão contar a nossa bonita história um dia.
E também é assim no futebol. Eu tinha poucos meses de idade, mas na minha cabeça está aquele frame exacto do calcanhar de Madjer, visto uns anos mais tarde. Tinha 16 anos e alguém me tirou uma fotografia a festejar o 3-2 em Sevilha como uma alucinada. Sempre que o FCPorto ganha um título, ou seja, várias vezes ao ano, guardo os jornais do dia seguinte para eternizar aquelas capas.
Daqui a umas décadas, sei que vou olhar para aquelas imagens e vou poder dizer aos nossos netos:
- E aqui está o João Pinto a roubar a Taça dos Campeões Europeus só para ele. Aquilo é que era um jogador à Porto
- E nesta temos o Vítor Baía e o Jorge Costa a levantarem a mesma taça a meias. Aquilo é que eram uns campeões
- Estão a ver este moço cheio de acne a beijar a taça? Chamava-se Deco e era um mágico
- Olha, querido neto, é por causa deste rapaz com este penteado estúpido que te chamas Kelvin.
Enfim, há muitas razões para eu recordar estes jogadores. Uns sentiram o Porto, outros brilharam no Porto, outros as duas coisas ao mesmo tempo. Todos ganharam no Porto. Mas, admitindo que a minha memória não será a mesma, e que os nossos netos, portistas fanáticos, vão querer saber tudo, também ouvirão respostas destas:
- Ui, esse era o Quim, só sei o nome dele porque decorei o 11 que entrou em campo em Viena
- Esse acho que era o Carlos Alberto ou um nome qualquer de duo brasileiro, um anormal com mania de estrela que marcou o primeiro golo em Gelsenkirchen
- Postiga. Esqueçam...
- Não me lembro do nome. Era um super-herói qualquer... Vai perguntar ao teu avô que ele sabe porque o gajo humilhou o benfica.
A memória de um adepto é a coisa mais justa do futebol. Dos grandes, dos únicos, dos nossos, vamos lembrar-nos sempre. Também nos vamos recordar do colombiano que marcou de calcanhar ao benfica, nos deu uma Liga Europa e depois trocou-nos por um clube pequenino. Também não esqueceremos o russo que marcou nas finais europeias. Até o Jorginho continuará vivo na minha memória enquanto durar o efeito daquele campeonato ganho em alvalade.
Mas sabemos que aquela fotografia vai ser um dia fundamental. Para nós, que vamos achar que éramos lindos quando éramos novos. Para os nossos filhos, que vão achar que os pais se vestiam de maneira ridícula. Para os nossos amigos, que vão contar aos nossos filhos que estávamos bêbados quando tirámos aquela fotografia. As imagens nas quais ficamos tão feios hoje vão contar a nossa bonita história um dia.
E também é assim no futebol. Eu tinha poucos meses de idade, mas na minha cabeça está aquele frame exacto do calcanhar de Madjer, visto uns anos mais tarde. Tinha 16 anos e alguém me tirou uma fotografia a festejar o 3-2 em Sevilha como uma alucinada. Sempre que o FCPorto ganha um título, ou seja, várias vezes ao ano, guardo os jornais do dia seguinte para eternizar aquelas capas.
Daqui a umas décadas, sei que vou olhar para aquelas imagens e vou poder dizer aos nossos netos:
- E aqui está o João Pinto a roubar a Taça dos Campeões Europeus só para ele. Aquilo é que era um jogador à Porto
- E nesta temos o Vítor Baía e o Jorge Costa a levantarem a mesma taça a meias. Aquilo é que eram uns campeões
- Estão a ver este moço cheio de acne a beijar a taça? Chamava-se Deco e era um mágico
- Olha, querido neto, é por causa deste rapaz com este penteado estúpido que te chamas Kelvin.
Enfim, há muitas razões para eu recordar estes jogadores. Uns sentiram o Porto, outros brilharam no Porto, outros as duas coisas ao mesmo tempo. Todos ganharam no Porto. Mas, admitindo que a minha memória não será a mesma, e que os nossos netos, portistas fanáticos, vão querer saber tudo, também ouvirão respostas destas:
- Ui, esse era o Quim, só sei o nome dele porque decorei o 11 que entrou em campo em Viena
- Esse acho que era o Carlos Alberto ou um nome qualquer de duo brasileiro, um anormal com mania de estrela que marcou o primeiro golo em Gelsenkirchen
- Postiga. Esqueçam...
- Não me lembro do nome. Era um super-herói qualquer... Vai perguntar ao teu avô que ele sabe porque o gajo humilhou o benfica.
A memória de um adepto é a coisa mais justa do futebol. Dos grandes, dos únicos, dos nossos, vamos lembrar-nos sempre. Também nos vamos recordar do colombiano que marcou de calcanhar ao benfica, nos deu uma Liga Europa e depois trocou-nos por um clube pequenino. Também não esqueceremos o russo que marcou nas finais europeias. Até o Jorginho continuará vivo na minha memória enquanto durar o efeito daquele campeonato ganho em alvalade.
De vocês, James e Moutinho, não prometo que vá lembrar-me. Não levem a mal. Eu sei que deram tudo no Porto, que são jogadores excepcionais e que irem para um clube de merda não tem mal nenhum desde que vos paguem bem. Hoje ainda sou capaz de lembrar-me do golo do Moutinho na reviravolta da Taça em 2010/2011 ou da cavalgada do James para o segundo golo na luz de 2011/2012. Daqui a 20 anos, esses foram só pequenos momentos na história do meu grande clube.
Quando mostrar aos nossos netos as fotografias que guardei dos últimos três anos, vou contar-lhes tudo sobre o Lucho, por exemplo. Vou rir-me com eles do Helton e vou fazer questão que saibam a importância do Fernando. Vocês, quando muito, serão “aqueles dois morcões que nos valeram 70 milhões de euros”. Os nossos netos nunca saberão os vossos nomes.
Quando mostrar aos nossos netos as fotografias que guardei dos últimos três anos, vou contar-lhes tudo sobre o Lucho, por exemplo. Vou rir-me com eles do Helton e vou fazer questão que saibam a importância do Fernando. Vocês, quando muito, serão “aqueles dois morcões que nos valeram 70 milhões de euros”. Os nossos netos nunca saberão os vossos nomes.




