O meu clube anda a pedir aos adeptos
para votarem no melhor onze da sua história. À primeira vista, pode
parecer fácil clicar em bonequinhos previamente definidos, mas, para
nós, os doentes, escolher o melhor onze de sempre é uma
responsabilidade enorme.
Às vezes espanta-me a facilidade com
que os clubes se esquecem que os adeptos são aquilo que de mais
importante têm. Por exemplo, este Verão, ninguém do FCPorto me
perguntou quem é que eu achava capaz de ser um bom suplente para o
Jackson (disse suplente, não substituto, se o deixam sair este ano
mato-vos). É incrível, não é? Felizmente, eu também achava que o
Ghilas era uma óptima opção, o que diminui a gravidade de não me
consultarem para este tipo de decisões importantes, nas quais tanto
tempo passo a pensar durante a pré-época.
Daí que pedirem-me para escolher o
melhor onze de sempre me faça sentir finalmente importante. Eu, C.,
simples adepta, sócia apenas desde os 3 anos (um escândalo, eu
sei), posso contribuir para que onze rapazes tenham o orgulho imenso
de ser escolhidos. Mas não é fácil, admito.
Desde logo porque eu tenho 26 anos.
Ora, num clube com 120 anos, isso torna-se um pouco redutor. O
primeiro FCPorto da minha memória tinha Domingos e Kostadinov na
frente. Tinha Baía, João Pinto e Aloísio lá atrás e tinha André
e Rui Barros no meio. Já não tinha Fernando Gomes, Mlynarczyk,
Frasco ou Futre. O FCPorto eu vi, que eu tanto apoiei, tinha o
triângulo Costinha-Maniche-Deco e teve Jardel, Lisandro e Hulk. O
FCPorto da minha geração é um clube com grandes jogadores, mas a
maioria chega de longe, ganha durante algumas épocas e troca-nos por
outro. São craques, mas dificilmente ficarão na nossa história.
Mas o meu FCPorto não sou só eu. O
meu FCPorto é o meu avô a falar do Cubillas, é o meu pai a
exemplificar os livres do Branco e a minha mãe a recordar o
calcanhar de Madjer. O meu FCPorto são décadas de histórias, de
muitas vitórias mas também muitas derrotas, de um Pavão que
faleceu muito antes de eu nascer e de um Pedroto que eu nunca
conheci. O meu FCPorto é muito mais do que eu, do que tu, do que
Pinto da Costa, do que Robson ou Mourinho, do que Deco ou Falcao.
Por isso, escolhi estes, mas podia ter
escolhido muitos outros:
Vítor Baía, o melhor guarda-redes
português de sempre
João Pinto, pelas imagens com a taça
nas mãos
Aloísio, pelo estilo
Fernando Couto, pela raça
Branco, pelos tais livres
André e Frasco, por todos os jogadores
à Porto
Deco, com muita pena de não poder
incluir também Rui Barros
Madjer e Futre, pelo início de uma
grande era
Jardel, porque queria escolher Domingos
mas o M. ficou escandalizado por eu deixar de fora o ponta-de-lança
que mais o fez sofrer.
E vocês? Que onze escolheram?
