Eu e a C. somos fãs da série How I Met Your Mother. Não, não é o Breaking Bad, nem é o Dexter, nem o Newsroom. Mas é uma série divertida, com várias referências à cultura-pop e com uma homenagem à interacção entre amigos: as piadas que nunca ninguém esquece, os hábitos, as pequenas histórias. É óbvio, mesmo para quem gosta da série, que houve ali várias temporadas a mais só para fazer render o produto. Mas, para dois namorados (sim, mesmo casados, nós namoramos), poucas séries podem ser tão boas de ver no sofá de manta. Especialmente para nós, que a vemos desde o princípio juntos. A série retrata as aventuras (e desventuras) de Ted Mosby e do seu grupo de amigos até conhecer a mãe dos seus filhos (a quem vai contando a história, daí o título da série).
A série, que acabou por explodir devido à fantástica interpretação de Neil Patrick Harris, actor gay cuja personagem Barney Stinson entrou para a história da televisão, faz-nos sempre torcer por Ted. Ted é o tipo porreiro, um bocado geek, a quem todos os desastres amorosos se vão sucedendo, mas por quem estamos sempre a torcer porque sabemos, lá no fim, que ele vai conhecer a mulher dos sonhos dele, ter dois filhos, continuar com os amigos e ser muito feliz. É tudo uma questão de tempo.
O Benfica é o meu Ted Mosby. É o clube por quem estou sempre a torcer e que sigo fielmente (se bem que, neste caso, sem a C. Aliás, muito longe da C.). Sigo o Benfica desde que me lembro e, com as mesmas probabilidades de o influenciar do que a uma personagem fictícia de uma série de televisão, vejo sempre o Benfica (não só nos jogos) com a ansiedade que todas as decisões sejam tomadas correctamente, em busca do bem maior: voltar a dominar o futebol português. É óbvio que a analogia tem um pequeno senão: eu posso rir-me ou ficar triste com as decisões de Ted Mosby na proporção directa da qualidade do episódio, diálogos, a atenção com que estou, etc. Infelizmente, os erros do Benfica têm sido mais marcantes para a minha pessoa e bem mais longos do que 9 temporadas (a última ainda não completa).
Mais ainda, o Benfica nunca me garantiu que ia, de facto, atingir o seu objectivo, encontrar o seu amor e ter dois filhos. Eu vejo o Benfica apaixonada e sofregamente sem sequer ter o colchão de segurança que, um dia, tudo vai acabar bem.
No último episódio da série, há uma cena em que a mãe (a futura mulher de Ted Mosby), canta uma pequena versão do "La vie en rose" da Edith Piaf. Numa série que teve vários momentos altos, mas também muitos episódios para encher chouriços, a canção, soberbamente interpretada por Cristian Milioti, seguida de um mónologo terno de Ted, foi um ponto alto na série como há muito já não havia.
Foi bom lembrar que, embora seja um grande cliché, a série é sobre a busca do amor. E isso não é necessariamente um cliché.
Ontem o Benfica ganhou ao Sporting. Foi muito melhor e, durante alguns períodos, tive a minha sensação preferida no derby: de que somos mais em campo, como se ocupássemos mais espaço, fossemos sempre mais fortes e mais rápidos. O que é facto é que, para mim, benfiquista doente, nada é mais lindo do que a camisola vermelha. Nada. E estranho sempre que uns de vós, pessoas que eu até aprecio (houve uma com quem me cheguei a casar), tenham escolhido clubes com riscas no equipamento, com umas cores pálidas, praticamente envergonhadas pela sua existência. A minha sensação preferida nestes jogos é quando sinto, cá dentro, que as camisolas vermelhas são de facto maiores. É um cliché, eu sei.
Ganhar um derby é bom, e eu adoro isso, mas isso não significa que vamos ficar com a mãe no fim. Li esta semana teorias de fãs que dizem que a mãe pode ter morrido e é por isso que Ted conta a história do seu amor aos filhos. Não é um drama tão grande como não ser campeão outra vez, mas também é triste.
Quando Dier caiu, de camisola verde pálido, e Enzo rematou, vermelho berrante ao peito, foi "la vie en rouge".

