Há coisas que uma pessoa conta nunca escrever na vida, mas o benfica foi mesmo melhor do que o Porto. Não há como fugir. E isso, mesmo depois de uma época em que praticamente já nos aconteceu tudo de mal, é assustador. Um portista sabe que não é possível ganhar sempre, mas nunca esteve preparado para isto. Arrisco até acrescentar que nem sequer um benfiquista estaria.
O que aconteceu na quarta-feira não foi só uma meia-final da Taça, não foi só mais uma eliminação inglória, não foi só mais um clássico. O que aconteceu na quarta-feira foi que, por momentos, nós vimos o que é estar do outro lado. O que é não estar à altura de um rival. O que é perder não só no resultado, mas sobretudo no nosso orgulho.
O que eu percebi naqueles instantes é que este ano nenhum resultado está a nosso favor e nenhuma superioridade numérica ajuda. Porque o Porto, o meu Porto, não é este.
O Porto que eu conheço sempre teve adversidades, mas alimentou-se delas. O Porto que nós vivemos tão intensamente não faz aquela figura triste de cair em todas as armadilhas (vergonhosas, diga-se) do adversário. O nosso Porto não é ingénuo, nem desiste, e não tem medo de correr mais, suar mais, lutar mais.
E isto tem de acabar. Já, agora. Estamos todos a pensar na próxima época, mas eu até já só exijo que saiam desta com o mínimo de respeito pela camisola que vestem. Que se lixe o próximo treinador, que se lixem as vendas e as contratações, que se lixe o Mundial e a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O que é preciso, imediatamente, é recuperar o Porto.
O Porto que eu conheço sempre teve adversidades, mas alimentou-se delas. O Porto que nós vivemos tão intensamente não faz aquela figura triste de cair em todas as armadilhas (vergonhosas, diga-se) do adversário. O nosso Porto não é ingénuo, nem desiste, e não tem medo de correr mais, suar mais, lutar mais.
E isto tem de acabar. Já, agora. Estamos todos a pensar na próxima época, mas eu até já só exijo que saiam desta com o mínimo de respeito pela camisola que vestem. Que se lixe o próximo treinador, que se lixem as vendas e as contratações, que se lixe o Mundial e a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O que é preciso, imediatamente, é recuperar o Porto.

Temos de voltar a ser o clube que se une quando as coisas não estão fáceis, que grita, com sotaque, quando nos querem roubar o que é nosso, que nunca baixa a cabeça de vergonha e que, mais ainda do que vitórias, exige o máximo respeito pela nossa identidade. Temos de voltar a ter um treinador competente e jogadores que percebam que esta merda não é um estágio para um clube de outro campeonato. Temos de voltar a exigir não que o Porto ganhe sempre, mas que, mesmo quando perca, seja à Porto. Temos de voltar a acreditar que, tal como noutras épocas más, vamos sair disto mais fortes, mais avisados do que temos de superar e mais atentos aos obstáculos que nos aparecem à frente. E só assim, azul e branca, esta bandeira avançará.


