Partilhamos amigos e famílias. Partilhamos almoços e jantares. Partilhamos livros e discos. Partilhamos viagens e segredos. Partilhamos uma casa e uma vida. Só não partilhamos o clube.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
A derrota da incompetência
Se há coisa que eu detesto é a incompetência. Se há coisa que eu detesto são frases começadas por "se há coisa que eu detesto", porque na verdade eu detesto muita coisa, mas agora já está, já está. A incompetência mexe particularmente comigo quando é recompensada. Todos os dias vejo gente incompetente a ser promovida numa empresa, num clube, num Governo, e isso deixa-me realmente irritada. Se o mundo fosse um local perfeito, nunca a minha vida poderia depender de um incompetente, fosse num call-center, num hospital ou num Parlamento. E, se o mundo fosse um local perfeito, sobretudo um treinador como Paulo Fonseca nunca chegaria ao meu clube.
Há, no entanto, um ingrediente que aumenta o meu nível de irritação com a incompetência. Porque há incompetentes que são esforçados, coitados, mas que têm noção do seu pequeno valor. Estes normalmente têm o dom de não pisar ninguém durante a sua estadia neste mundo. Mas há aqueles que, dentro da sua evidente incompetência, precisam de estragar a vida a alguém para consagrar a sua alegre ascensão ao reino dos incompetentes. São estes os que me tiram realmente do sério: os que são uma valente merda e acham que são uma grande coisa.
Já devem ter reparado, portanto, que este texto é sobre Scolari. Devo admitir desde já que acho que o Scolari é a pessoa que eu mais odeio no mundo. O que não diz muito sobre ele, na verdade, mas diz muito sobre a provável demasiada importância que eu dou ao futebol na minha vida. Às tantas devia dizer que a pessoa que eu mais odeio no mundo é o Cavaco, sei lá, dava assim um ar mais sério e ativista da minha parte, mas hoje estou numa de ser honesta. Eu já não posso ouvir o Presidente falar em consensos pós-troika, mas mais depressa atiro um sapato à televisão quando ouço o Scolari avaliar a Colômbia como uma equipa com muitos talentos individuais e uma grande disciplina táctica, "tal como o meu time".
Não, Scolari, o teu time não é nada disso. Mas voltemos atrás. Scolari foi campeão do mundo em 2002, com uma equipa que tinha Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, ou seja, com uma equipa que seria no mínimo candidata ao título com um pónei a treiná-la. Também tinha o Polga, é verdade, (saudades tuas, Anderson!) mas às vezes um daqueles incompetentes esforçados também dá jeito. Eu não gostava do Brasil de 2002, nem gostei de um Mundial afastado da paixão pelo futebol e dominado pelos esquemas de arbitragem. Mas o nosso problema só surgiu depois.
Scolari chegou à selecção portuguesa e, como toda a gente sabe, adoptou a estratégia de abrir uma guerra com o FCPorto para ganhar credibilidade junto dos nossos adversários e poder, assim, juntar um grupo de jogadores motivados em mostrar que ele tinha razão. Para isso, fez de Vítor Baía, o português com mais títulos de sempre, o seu novo Romário. Não é segredo que eu acho o Baía o melhor jogador de todos os tempos e de todas as constelações e que, se a Terra fosse explodir e me dessem a oportunidade de salvar alguém, ele seria o escolhido (desculpa M., amo-te muito, pensa que pelo menos assim morríamos os dois juntos e não há história de amor mais linda do que essa). Portanto, esta seria uma razão mais do que suficiente para justificar a minha relação com Scolari.
Mas é a incompetência do homem e a respectiva compensação dela que me tira do sério. Vamos, então, ao Euro 2004, maior orgulho dos adeptos da selecção pró-Scolari e, portanto, pessoas menos credíveis do universo. No primeiro jogo, contra a Grécia, Scolari entrou com o seu onze em campo. Resultado? Derrota. Inesperada, dirão aqueles que tinham uma bandeira na janela. Totalmente previsível, tendo em conta as escolhas e o mau trabalho do seleccionador, dirão aqueles que percebem alguma coisa de futebol. No segundo jogo, Scolari, que é incompetente mas não é totalmente burro, fez entrar os campeões europeus em título. Do FCPorto, pois claro. Resultado? Caminho aberto para a final. Demonstrou sabedoria, porque aprendeu com o erro, dirão aqueles que acreditam em Caravaggios. Mostrou que qualquer um podia treinar aquela equipa, dirão aqueles que sabem que o tal pónei também poria o Deco a titular.
Pelo meio, Ricardo tornou-se a figura de proa da selecção de Scolari. Desde logo pelo tal assunto Vítor Baía, que levava aquelas pessoas que pintam a cara de verde e vermelho a acreditar mesmo que o seleccionador tinha escolhido o melhor. E porque defendeu penalties. Uau, penalties. E logo contra a Inglaterra, uma especialista! O que se assemelha àquele momento em que o totó da turma acerta numa resposta e fica toda a gente espantada e com vontade de bater palmas. É fixe para o totó durante dois segundos, mas se está toda a gente tão excitada e emocionada com uma simples resposta certa, então deve ser um mau sinal a longo prazo. O resultado viu-se, aliás, na final desse Europeu.
Ainda hoje tenho de discutir essa final contra a Grécia com gente que acha que Portugal perdeu por azar. Ficou só 1-0, portanto é azar. E a culpa foi dos gregos, que eram feios e maus. Admito que quando fica 7-1 as coisas sejam mais evidentes, mas quem viu aquela final e tem alguma estima por futebol sabe que a grande derrotada foi a incompetência. Scolari não estudou minimamente o adversário (que, surpreendam-se agora, já tinha derrotado a selecção no jogo de estreia, portanto foi mesmo difícil não estar preparado), os gregos foram muito mais organizados e brincaram com a motivação e as rezas dos portugueses e, parem tudo o que estão a fazer, ainda por cima à custa de um enorme frango do menino do Scolari! Se eu fosse mesmo má, diria que foi perfeito. Olhem, já está, já está.
Este Brasil de Scolari mostrou cedo ao que vinha: desorganização máxima, teimosias tipo Fred, que merece o prémio de pior do Mundial (desculpa, Miguel Veloso), choradeiras e santas que defendem penalties, um discurso anti-árbitros e teorias da conspiração que, se não fossem tão idiotas e sem sentido, até nós poderiam incomodar. Mas lá foi passando e juro que quando vi o remate do Pinilla à barra pensei: "Tu queres ver que a €#%£ da Caravaggio me vai estragar o Mundial?" Felizmente, apareceu a Alemanha.
O que a Alemanha fez ontem foi colocar as coisas no lugar, dar sentido ao futebol, consagrar em números a vitória do trabalho sobre a incompetência, do mérito sobre a crença, da organização sobre a sacanagem. E, por isso, eu tenho de agradecer aos alemães, perdão, ao Guardiola. Não é nada contra o Brasil (a minha primeira memória futebolística até são os festejos em família em 94), note-se. O Mundial é que já estava a ser o melhor de sempre para mim, mas ver Scolari e toda a sua filosofia destruída vai muito além disso. O que vimos ontem e nunca vamos esquecer não foi só uma goleada ou uma humilhação, não foi só uma doce sensação de justiça ou uma vingança dos que não acreditam em santas. Foi uma lição de vida.
sábado, 21 de junho de 2014
Hasta luego, Xavi
Think quickly, look for spaces. That's what I do: look for spaces. All day. I'm always looking.
Em 2008 eu tinha 24 anos e pensava que já sabia tudo sobre futebol. Era um adepto informado, atento à história, plenamente consciente da evolução física do futebol. Achava que era preciso jogar bem, sim, mas que isso já não chegava. Era preciso ser forte, alto, duro, era preciso ganhar os duelos todos. O futebol tinha evoluído para uma idade mais avançada, robotizada. Kaká e Cristiano Ronaldo eram super-jogadores não pelos seus pés, mas, sobretudo, pelos seus corpos de atleta. Até que tu, Xavi Hernández, me ensinaste que não.
Até ao Europeu de 2008, Xavi era para mim - e penso que para todos - o homem que falhou na substituição de Guardiola. Ninguém ousaria dizer que era mau, mas não era Pep. Guardávamos na memória aquele Barcelona-Valência onde o Barça rodava a bola à volta da área che e Pep, em vez de continuar a rodar o jogo da esquerda para a direita, faz um passe mortal para o meio e descobre Kluivert, que fuzila o guarda-redes. Kluivert corre imediatemente para Pep que lhe aponta a bochecha, pedindo um beijo de agradecimento. Guardiola era inigualável, um cavalheiro, um intelectual. Xavi era uma imitação.
A Espanha de 2008 fez o seu jogo perfeito contra a Rússia, nas meias-finais. Foi um banho, uma aula, a primeira lição. Mas foi na final, com 24 anos, que eu percebi que estava na presença de uma inteligência superior. A Espanha ganha 1-0 à Alemanha (assistência de Xavi) e pode ganhar o seu segundo Europeu. Até aos 24 anos, todas as equipas que eu tinha visto a ganhar em momentos decisivos, por muito superiores ao seu adversários que fossem, encolhiam-se. Era uma coisa normal, explicável por psicologia básica: estás a ganhar e vais defender essa vantagem. E defender significava recolheres. No futebol da primeira década de 2000, dos altos, fortes e duros, nada mais normal do que suportar estoicamente bolas bombeadas pelo adversário a quem se cedia a posse porque se estava a ganhar. Até que, com 24 anos, eu aprendi a ver futebol de maneira diferente: com o jogo a acabar, Xavi recolhe a bola no meio-campo alemão. E em vez de se esconder ou de chutar contra o alemão e ganhar lançamento, esperou calmamente por Cazorla e Iniesta. E tabelou. Pôs a bola no sítio onde queria que os companheiros estivessem. "Põe-te aí." - parecia ordenar, como um jogador de xadrez que coloca as peças. Mexeu-se para o espaço livre como quem diz "Põe aqui. Estão a ver como é fácil?". E, com um minuto para acabar o Europeu, a Espanha defendeu com a bola e acabou a jogar na área alemã, quase fazendo o segundo. Lembro-me perfeitamente de dizer ao meu pai "Nunca vi isto na vida". Felizmente para mim e para o futebol, tinha acabado de começar. Foram anos magníficos.
Ao lado de Iniesta, com os seus pés de ouro e com o pontapé decisivo no Mundial de 2010, e ao lado de Messi, para mim o melhor da história, Xavi parecia apenas um apêndice. Essencial, mas nunca a estrela mais brilhante. São dele as assistências para Torres na final do Euro 2008, para Puyol nas meias de 2010, para Villa nos oitavos de 2010 contra Portugal e para Jordi Alba na final do Euro 2012. Marcou o primeiro da manita ao Madrid, pôs a bola na cabeça de Puyol no 1-2 do 2-6 no Bernabéu e na cabeça de Messi na final da Champions em Roma contra o Manchester United. Quase nada. Mas fez-nos quase acreditar que não era imprescindível. Afinal, tudo o que fazia era receber e dar, não é verdade? Punha aquele ar sério de quem não tinha feito nada, cara fechada enquanto Puyol apertava com força a braçadeira e Casillas levantava as taças. Xavi gozava por dentro sabendo que, no fundo, ele é que os punha ali. Estão a ver como é fácil? Um general que não era o mais alto, o mais forte, o com melhores pés. Era só mais inteligente.
Xavi Hernandéz, que eu tristemente só comecei a dar valor em 2008, quando já era um jogador mais que experiente, foi a maior aula do futebol moderno. Explicou-nos, com o seu futebol, que estávamos todos enganados e que não era preciso ser alto nem bruto nem saltar muito alto. Havia que pensar antes, isso sim. E não bastassem as suas aulas em campo, deu entrevistas maravilhosas à Panenka, ao Guardian, cujas citações começam e acabam este texto, e ainda escreveu uma crónica para o El País sobre a morte de Aragonés. Guardiola já brilhava no banco quando nos apercebemos que talvez Xavi, enquanto futebolista, fosse Pep refinado.
O Mundial de 2014, delicioso até agora, torna-se desde já mítico por ser a mais que provável despedida de Xavi dos grandes palcos. Um homem assim, que mudou o jogo, devia sair pela porta grande. Quanto a saídas lembro-me sempre de Michael Jordan - para mim o melhor desportista da história. O último ponto de Jordan é um deprimente lance livre pelos Washington Wizards no seu segundo e escusado regresso. Não que belisque em nada a sua carreira, mas foi completamente escusado. A última jogada de Jordan pelos Bulls tinha sido épica. Perdiam por 3 contra os Utah Jazz no jogo 6 da final e Jordan marca um lançamento com cerca de 20 segundos para jogar. A ganhar por 1, os Jazz metem a bola em Karl Malone, a sua estrela maior. Jordan rouba-a sem o deixar lançar e não pede desconto de tempo. Um para um, finge que arranca para o cesto, o adversário recua e escorrega. Jordan eleva-se e o tempo pára. Bola dentro, um ponto de avanço. Stockton falharia o triplo decisivo e Jordan conquistaria o seu sexto anel. Era a saída perfeita, heróica, como o Deus que foi. O regresso pelos Wizards, para mim, nunca existiu.
Xavi devia, como Jordan, ter saído em grande. Depois daquela assistência teleguiada para Jordi Alba, em Kiev, devia ter renunciado à selecção. Tipos assim não podem sair pela porta pequena. O seu último momento tem que ser mítico. Como o regresso aos Wizards de Jordan, para mim o Mundial de 2014 de Xavi não existiu. Ficará sempre presente aquela primeira aula de 2008 e tudo o que se seguiu desde então.
Este texto é o meu agradecimento. Até em Madrid se estende a homenagem no merenguíssimo As: "Esto duró lo que duró Xavi Hernández". Foi o melhor médio centro que vi na minha vida. Melhor que Redondo, Guardiola, Deschamps e Pirlo. Admito que a opinião é discutível, mas este foi o homem que, na minha idade adulta, me ensinou a ver futebol de outra maneira. Tu sim, eras o puto amo, o cérebro maior do melhor futebol da história.
7 Ligas, 2 Taças, 3 Champions, 2 vezes campeão do mundo por clubes, 2 vezes campeão da Europa por selecções e Campeão do Mundo. Mas mais do que isso, um futebol diferente. E não há Bola de Ouro que supere isso. Aliás, se ta tivessem dado, suponho que a ias receber e passar logo.
Do you see yourself as a defender of the faith? An ideologue?
terça-feira, 17 de junho de 2014
Para a M., que quase foi do Porto
Quem pensa que a dificuldade de ter um marido benfiquista passa só por gostar muito de uma pessoa que era capaz de ceder o lugar num autocarro cheio para o Maxi Pereira se sentar, engana-se. É que eu cresci numa família em que toda a gente está do lado certo da paixão clubística e, portanto, há problemas sérios como "De que clube vai ser esta criança?" que nunca tive de enfrentar. Parecendo que não, influencia muito um bebé que todos os pais, irmãos, tios, primos, avós, vizinhos e porventura conhecidos sejam do mesmo clube e, sendo assim, todas as prendas, músicas de embalar e primeiras palavras sejam naturalmente das mesmas cores. Não só isto não me choca nada, como estou convencida que é o ambiente ideal para uma criança desenvolver valores importantes como "Ou és do mesmo clube que nós, ou então vais ter de procurar outra família".
O M. trouxe-me outra família, que eu adoro e que, apesar de claramente não me colocar tanta comida no prato quando o FCPorto ganha, me trata muito bem. E é nessa família que me deparo, pela primeira vez, com crianças a crescer sema pressão o carinho da orientação clubística sempre no mesmo sentido. Estranhamente para mim, a primeira palavra da nossa sobrinha mais velha não foi "bola", ou "golo", ou "Pôto", que eram os conjuntos de duas sílabas que eu achava que toda a gente tentava ensinar aos pequenos seres humanos. A M. lá foi crescendo à sua maneira, feliz, maravilhosa, querida e fofinha, como uma princesa, sem nunca ligar muito àqueles tios que de vez em quando apareciam e a obrigavam lhe pediam com muito jeitinho para levantar um braço no golo do Porto ou correr para celebrar um golo do benfica.
As dúvidas surgiram por volta dos 4 anos, quando a M. começou a dizer que era do Porto e do benfica, para nos agradar aos dois. Como somos duas pessoas inteligentes e racionais, dissemos-lhe sempre que é impossível ser dos dois clubes ao mesmo tempo e que tinha de se decidir.A pressão O carinho começou a intensificar-se quando, aproveitando aquela fase de menina que vive num mundo de princesas e castelos, o M. lhe mostrou que o benfica tinha uma camisola cor-de-rosa e eu e a mãe a tivemos de convencer que, por dentro do azul e branco às riscas, o equipamento do FCP era cor-de-rosa, mas com brilhantes! Mal sabíamos, claro, que a fantasia um dia não estaria assim tão longe da realidade, mas adiante.
Na verdade, a querida M. sempre tendeu muito para os vermelhos (talvez por ser a cor mais próxima do rosa... percebem, pessoas que desenharam o alternativo deste ano e pessoas que eventualmente o vão comprar?). Durante algum tempo, e porque somos as melhores amigas, gostou de me agradar com uma suposta tolerância ao Porto, mas isso nunca chegou a preocupar o tio M., que às escondidas lhe ensinava músicas que depois eu a apanhava a trautear. Porque as pessoas do benfica são assim: más, porque actuam na sombra e ganham campeonatos nos túneis ou no Algarve, influenciando os árbitros, ou as sobrinhas, sem ninguém a ver. Mas isso eu ensinarei mais à frente à M., quando ela consolidar as ideias do bem e do mal, que é como quem diz do Porto e dos outros todos.
Quando a M. me disse que era só do benfica não consegui evitar ficar triste. Como é que alguém tão doce, tão lindo, tão inteligente, pode torcer pelo benfica? Mas enfim, eu casei com um benfiquista, por isso estas são perguntas às quais ando há muitos anos a tentar responder. Consegui, ainda assim, continuar a gostar da M. da mesma maneira, o que, reparem, mostra como sou uma pessoa espectacular, mas o assunto ganhou outros contornos quando ela se tornou um pequeno Rui Gomes da Silva. Em todas as vitórias, campeonatos e outros títulos ganhos pelo FCPorto nos últimos anos, eu tentei explicar à M. que ainda estava a tempo de mudar para ser mais feliz. Mas ela, mais fiel ao clube do que a todas as regras da lógica, respondia-me sempre: "Isso é mentira. O benfica é que ganha sempre".
E até parece um argumento fácil de contrariar, porque o benfica vai-se a ver e não ganha sempre. Mas experimentem vencer uma criança com factos quando ela coloca aquele ar impenetrável, de quem tem tanta certeza que o benfica ganha sempre como que a Cinderela vai casar com o príncipe. Felizmente, a M. aprendeu a ler muito cedo e então eu pude tomar a atitude mais adulta. Peguei num jornal desportivo, apontei para a tabela classificativa e perguntei-lhe, num tomagressivo descontraído: "Vá, lê lá quem vai em primeiro". Podia ter sido este o meu momento de glória, aquele em que a M., ao ver FCPorto ali em cima, me abraçaria e me diria "Leva-me já ao Estádio do Dragão, não quero ficar mais aqui". Teria sido lindo! Mas não.
"É o Porto... mas o benfica não vai em último!" Portanto, estamos conversadas. A minha sobrinha só admitiria trocar de clube se o benfica fosse em último. E, por muito que eu queira acreditar que um dia o mundo vai ser um local perfeito, onde não há fome nem guerra e o benfica vai em último, achei que estava na altura de desistir. A M. é do benfica e eu juro que não gosto menos dela por isso. O problema, como sabemos, vai ser dela quando descobrir que esteve tão perto de ser de um clube decente.
Talvez ela me venha a culpar porque não aproveitei quando, depois daquele golo do Kelvin que tento encaixar em todos os meus textos, estávamos as duas a brincar e, num programa desportivo que estava a dar na televisão, um comentador diz "Porque o benfica perdeu o campeonato, perdeu a Liga Europa, perdeu a taça, perdeu tudo" e a M., que estava de costas, dá um salto e fica de boca aberta a olhar para a televisão. "C., isto é verdade?", perguntou-me, no seu primeiro duro contacto com o mundo real. E eu, que fui mais tia do que super dragona naquele momento, infelizmente, disse-lhe só "Sim", em vez de lhe enumerar todo o palmarés do FCPorto e de lhe revelar logo ali todos os enganos e falcatruas que os lampiões inventam para convencerem as crianças a torcer pelo benfica. "Mas o meu pai disse-me que o benfica ganha sempre..." Foi ali, aos 6 anos, que a M. descobriu que os adultos não são de confiança, nem que sejam os nossos pais e, claro, muito menos se forem do benfica.
A M. tem agora 7 anos. Já não fala em princesas, já nem sequer gosta de cor-de-rosa. Já passou essa fase, assim como a de me tolerar enquanto 100% portista. Ao meu lado, vai cantando com desprezo a sua versão do cântico "slb... slb... campeões da Liga Europa...", sem saber por que razão eu me estou a rir com aquilo e o tio M. a ficar triste.
"- C., podias ser do Porto, mas gostar do benfica também.
- Não, M., ninguém é do Porto e do benfica ao mesmo tempo.
- Então já sei! Podes só gostar do benfica porque eu e o M. somos do benfica, mas não ficar mesmo a torcer pelo benfica".
Notem que a nossa sobrinha já tem uma dose de humanidade incrível, que lhe permite sugerir que eu podia abdicar de um pouco do meu ódio ao benfica por amor ao meu marido e a ela própria. A pequena M. não vai conseguir o que quer, mas nem por isso desiste.
"- C., por que é que tu não és do benfica?
- Porque o benfica é mau.
- Não é nada. O benfica é o melhor.
- Não é nada, isso é mentira. O Porto é o melhor.
- C., (ar benevolente, de quem está a dizer aquilo só para me ajudar...), se o benfica não fosse o melhor, tu achas que eu era do benfica?"
Mesmo estando do lado errado, tenho de admitir que estou orgulhosa, porque não há factos, derrotas ou números nenhuns que abalem a crença da M. no seu clube. A nossa sobrinha já é uma adepta como nós. Um bocadinho mais convencida, vá.
O M. trouxe-me outra família, que eu adoro e que, apesar de claramente não me colocar tanta comida no prato quando o FCPorto ganha, me trata muito bem. E é nessa família que me deparo, pela primeira vez, com crianças a crescer sem
As dúvidas surgiram por volta dos 4 anos, quando a M. começou a dizer que era do Porto e do benfica, para nos agradar aos dois. Como somos duas pessoas inteligentes e racionais, dissemos-lhe sempre que é impossível ser dos dois clubes ao mesmo tempo e que tinha de se decidir.
Na verdade, a querida M. sempre tendeu muito para os vermelhos (talvez por ser a cor mais próxima do rosa... percebem, pessoas que desenharam o alternativo deste ano e pessoas que eventualmente o vão comprar?). Durante algum tempo, e porque somos as melhores amigas, gostou de me agradar com uma suposta tolerância ao Porto, mas isso nunca chegou a preocupar o tio M., que às escondidas lhe ensinava músicas que depois eu a apanhava a trautear. Porque as pessoas do benfica são assim: más, porque actuam na sombra e ganham campeonatos nos túneis ou no Algarve, influenciando os árbitros, ou as sobrinhas, sem ninguém a ver. Mas isso eu ensinarei mais à frente à M., quando ela consolidar as ideias do bem e do mal, que é como quem diz do Porto e dos outros todos.
Quando a M. me disse que era só do benfica não consegui evitar ficar triste. Como é que alguém tão doce, tão lindo, tão inteligente, pode torcer pelo benfica? Mas enfim, eu casei com um benfiquista, por isso estas são perguntas às quais ando há muitos anos a tentar responder. Consegui, ainda assim, continuar a gostar da M. da mesma maneira, o que, reparem, mostra como sou uma pessoa espectacular, mas o assunto ganhou outros contornos quando ela se tornou um pequeno Rui Gomes da Silva. Em todas as vitórias, campeonatos e outros títulos ganhos pelo FCPorto nos últimos anos, eu tentei explicar à M. que ainda estava a tempo de mudar para ser mais feliz. Mas ela, mais fiel ao clube do que a todas as regras da lógica, respondia-me sempre: "Isso é mentira. O benfica é que ganha sempre".
E até parece um argumento fácil de contrariar, porque o benfica vai-se a ver e não ganha sempre. Mas experimentem vencer uma criança com factos quando ela coloca aquele ar impenetrável, de quem tem tanta certeza que o benfica ganha sempre como que a Cinderela vai casar com o príncipe. Felizmente, a M. aprendeu a ler muito cedo e então eu pude tomar a atitude mais adulta. Peguei num jornal desportivo, apontei para a tabela classificativa e perguntei-lhe, num tom
"É o Porto... mas o benfica não vai em último!" Portanto, estamos conversadas. A minha sobrinha só admitiria trocar de clube se o benfica fosse em último. E, por muito que eu queira acreditar que um dia o mundo vai ser um local perfeito, onde não há fome nem guerra e o benfica vai em último, achei que estava na altura de desistir. A M. é do benfica e eu juro que não gosto menos dela por isso. O problema, como sabemos, vai ser dela quando descobrir que esteve tão perto de ser de um clube decente.
Talvez ela me venha a culpar porque não aproveitei quando, depois daquele golo do Kelvin que tento encaixar em todos os meus textos, estávamos as duas a brincar e, num programa desportivo que estava a dar na televisão, um comentador diz "Porque o benfica perdeu o campeonato, perdeu a Liga Europa, perdeu a taça, perdeu tudo" e a M., que estava de costas, dá um salto e fica de boca aberta a olhar para a televisão. "C., isto é verdade?", perguntou-me, no seu primeiro duro contacto com o mundo real. E eu, que fui mais tia do que super dragona naquele momento, infelizmente, disse-lhe só "Sim", em vez de lhe enumerar todo o palmarés do FCPorto e de lhe revelar logo ali todos os enganos e falcatruas que os lampiões inventam para convencerem as crianças a torcer pelo benfica. "Mas o meu pai disse-me que o benfica ganha sempre..." Foi ali, aos 6 anos, que a M. descobriu que os adultos não são de confiança, nem que sejam os nossos pais e, claro, muito menos se forem do benfica.
A M. tem agora 7 anos. Já não fala em princesas, já nem sequer gosta de cor-de-rosa. Já passou essa fase, assim como a de me tolerar enquanto 100% portista. Ao meu lado, vai cantando com desprezo a sua versão do cântico "slb... slb... campeões da Liga Europa...", sem saber por que razão eu me estou a rir com aquilo e o tio M. a ficar triste.
"- C., podias ser do Porto, mas gostar do benfica também.
- Não, M., ninguém é do Porto e do benfica ao mesmo tempo.
- Então já sei! Podes só gostar do benfica porque eu e o M. somos do benfica, mas não ficar mesmo a torcer pelo benfica".
Notem que a nossa sobrinha já tem uma dose de humanidade incrível, que lhe permite sugerir que eu podia abdicar de um pouco do meu ódio ao benfica por amor ao meu marido e a ela própria. A pequena M. não vai conseguir o que quer, mas nem por isso desiste.
"- C., por que é que tu não és do benfica?
- Porque o benfica é mau.
- Não é nada. O benfica é o melhor.
- Não é nada, isso é mentira. O Porto é o melhor.
- C., (ar benevolente, de quem está a dizer aquilo só para me ajudar...), se o benfica não fosse o melhor, tu achas que eu era do benfica?"
Mesmo estando do lado errado, tenho de admitir que estou orgulhosa, porque não há factos, derrotas ou números nenhuns que abalem a crença da M. no seu clube. A nossa sobrinha já é uma adepta como nós. Um bocadinho mais convencida, vá.
sábado, 7 de junho de 2014
Mundial à Benfica
Facto chocante 1: prefiro que o Benfica tenha um bom lateral-esquerdo na próxima época a que Portugal vença 3-0 a Alemanha.
Itália-Argentina, meias-finais do campeonato do Mundo. Maradona e Caniggia de um lado, uma Itália com Baggio, Baresi, Vialli e Zenga do outro. Local? Nápoles. Na dramática decisão por grandes penalidades, reza a lenda que quando Maradona marcou o seu penalty se ouviu sotaque napolitano nos festejos do golo. Pelo vídeo de youtube, parece-me que, pelo menos, o grito é evidente.
Ninguém pode censurar os napolitanos: vítimas de todos os ataques de toda a Itália, num tratamento praticamente racista, Maradona dera-lhes a doce vingança de se vingarem de todo o norte. Maradona vencera, por exemplo, a Juventus de Platini. Podia uma selecção nacional, no campeonato do mundo disputado em sua casa, ser mais importante do que isso? Claro que não.
Facto chocante 2: prefiro que o Mangala, Fernando e Jackson sejam vendidos e que os substitutos não estejam à altura do que Portugal passe a fase de grupos do Mundial.
Um napolitano não podia não torcer por Maradona como nenhum adepto se esquece do seu clube no Campeonato do Mundo. Eu adoro Mundiais porque sou um devoto. Comecei com o Itália 90, lembro-me com exactidão de Romário em 94 e sofri com a Argentina de 1998 (maldito sejas, Bergkamp!) e daí adiante. Mas nunca a magia do Mundial me impediu de ver o Mundial como benfiquista. Em 1994 fiquei chateado com a expulsão de Thern nas meias e quis sempre a eliminação da Bulgária de Balakov e Kostadinov. Em 98 não queria que Doriva fosse campeão do mundo por ser do Porto, em 2006 festejei mais o penalty do Simão contra a Inglaterra do que todos os outros golos. Eu, como os napolitanos, como os restantes fanáticos, não me esqueço de quem sou.
Facto chocante 3: trocava a presença de Portugal neste Mundial e nos próximos quatro se me garantissem que o Benfica teria um substituto à altura de Garay na próxima época.
Vou-vos ser sincero: já me passou a fase em que era anti-selecção só para chatear. A selecção nacional é-me indiferente. Não o digo por mal, não o digo por provocação, digo-o porque o sinto. Não sofro nem me importo com a selecção portuguesa (descobri, às 11 da manhã de hoje, que Portugal tinha jogado com o México ontem) e acho que é porque não há espaço no meu coração futebolístico para isso. Para mim, ser do Benfica veio colado à minha existência - eu não saberia viver sem o Benfica e não tenho dúvidas que não veria razão na continuação da espécie humana no planeta Terra se o Sport Lisboa e Benfica cessasse de existir. Eu nunca senti isto pela selecção e isto não é algo que se possa ensinar.
Facto chocante 4: a decepção do Portugal-França do Euro 2000, a melhor selecção portuguesa que vi e por quem estava a torcer, não se compara à minha dor com as vergonhosas prestações do andebol do Benfica nos últimos anos.
O que eu quero que a selecção portuguesa ganhe - quando a selecção é futebolisticamente interessante e eu percebo que vai entrar para a história (2000 e 2004) é, no máximo, comparável ao que eu sofro quando vejo um grande jogo de duas equipas estrangeiras e escolho torcer por uma. Eu sei, parece estúpido, mas é verdade. Uma pessoa às vezes empresta o seu apoio a equipas com as quais nada tem a ver (torci, avidamente, pelo Alavés na final da Taça UEFA contra o Liverpool). A selecção, sem ser tão distante como o Alavés, não consegue fazer mais do que isso. Periodicamente, sobretudo no Euro 2000 e no Inglaterra-Portugal de 2004, emprestei o meu apoio à selecção portuguesa. Mas é um empréstimo, uma coisa de curta duração, sem o risco de cicatrizes emocionais.
Facto chocante 5: preferia, na ordem de 821647523178351835406787565223186423653278 vezes mais, que o Benfica ganhasse o primeiro jogo do campeonato (nem que seja contra o Belenenses, em casa) do que Portugal seja campeão do mundo.
Ser adepto é uma paixão louca, uma devoção praticante. Eu sou do Benfica todos os dias, todos os segundos, até nesta altura ridícula do ano em que o Benfica não joga. Sou do Benfica desde sempre, desde que me lembro e tenho a certeza que a minha vida vai ser isto. Não faz sentido sentir dois amores assim. Não faz sentido ter dois clubes. Não se pode ser de dois, não dá. Apoiar uma equipa não é o mesmo que apoiar uma organização não governamental com um postal no Natal, envolve um sacrifício, uma entrega emocional que certos familiares mais distantes não têm direito. Entregar esse carinho a uma selecção que joga de vez em quando é o mesmo que eu dizer que gosto tanto dos meus primos que vi duas vezes na vida do que da minha mulher.
Facto chocante 6: eu preferia que a camisola alternativa do Benfica fosse branca (a minha preferida) a que a prestação de Portugal no Mundial fosse considerada a melhor de sempre da selecção.
Como é que, então, eu vivo um Mundial? De duas maneiras: a primeira com sentido histórico. Quero episódios como o de Rijkaard e Voeller em 1990. Quero ironias poéticas como a bola da Inglaterra que dava o 2-2 contra a Alemanha em 2010 e que entrou claramente, mas não foi assinalada, vingando (um pouco) a injustiça de 1996. E gostava que Messi fosse campeão do Mundo para a que a minha geração, que não viu Maradona em 1986, visse a consagração de um monstro.
A segunda maneira é a do benfiquista. As alegrias de Garay e Enzo serão as minhas e espero que Rojo, Jackson e Mangala sejam raptados numa favela manhosa de São Paulo. Se Portugal for campeão do mundo que seja com 3 golaços do Ruben Amorim, todos com assistência do André Almeida, numa vitória por 3-2 com golos na própria de William Carvalho e Bruno Alves. Ficava contente se Portugal fosse eliminado nos penalties com o Beto a ser expulso por se adiantar. Sempre que Maxi Pereira for a uma bola, estarei por ele.
Facto chocante 7: eu preferia que o Benfica ganhasse o próximo campeonato nacional a que Portugal ganhasse, consecutivamente, todos os Mundiais e Europeus em todo o meu tempo de vida.
Imagino um Portugal-Argentina neste Mundial. Garay avança pelo meio campo e contorna facilmente a pressão de Cristiano Ronaldo. Encosta em Enzo que acelera e passa William Carvalho com a mesma facilidade que Markovic passou por ele em Alvalade. Faz uma cueca a Moutinho e tabela com Messi, aparece isolado, senta Patrício e elimina Portugal do Campeonato do Mundo. Talvez se ouvisse sotaque português no festejo do golo. O meu, pelo menos, seria nítido. Afinal, era golo do Benfica.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O factor humano
Campeones! Campeones! Oe, oe, oe! - Mais de 80 anos, doente oncológico, uns óculos garrafais. Entrou feliz na consulta e celebrava o título de campeão do Atletico de Madrid (e é nesta parte que vos explico que estou a trabalhar em Espanha neste momento). Todo ele era satisfação, felicidade. A mulher, mais composta, tinha um comportamento mais normal de quem está numa consulta. Mas aquele doente não. O homem estava completo, estava mais feliz do que nós podíamos estar. Sentia-se acima de todas as pessoas presentes na sala. Rematou, meio a brincar, meio a sério, em jeito de broma: "Ganhamos no sábado ao Madrid e paramos a terapêutica". A mulher abanou a cabeça, mas ele sorriu e olhou para cima, para um local muito distante, para uma glória eterna. "A sério, a sério" e contou-nos que nos últimos 5 minutos do Barça-Atleti foi para a varanda porque não aguentava mais. Foi dele que me lembrei primeiro quando Sergio Ramos empatou o jogo na Luz.
"O Factor Humano" é um romance de Graham Greene e foi-me recomendado pelo meu pai, de quem herdei não só a melhor qualidade do mundo - ser do Benfica - como o vício de policiais. É um livro de espionagem tenso, o mais próximo de Le Carré de todos os que li do Greene. É um livro jogado a meio campo, sem espectacularidade, mas incrivelmente denso e duro. Saltem este parágrafo se têm intenções de ler o livro: Maurice Castle é um agente duplo na Guerra Fria, mas Maurice não é comunista por ideologia ou por estar zangado com o sistema ocidental. Maurice torna-se um agente duplo tão e só por gratidão, porque fora um comunista que salvara a mulher da sua vida na África do Sul. A gratidão de Maurice é natural, é praticamente inevitável. Como pode ele não ajudar quem o ajudou? Mesmo que se comecem a suceder coisas estranhas à sua volta, mesmo que o preço a pagar seja demasiado alto, é inevitável escolher um lado. Mesmo quando nem temos assim tanto a ver com aquele lado. É o factor humano.
Eu identifiquei-me com aquele velhote do Atleti. Há vitórias que sabem tão bem e uma pessoa sente-se tão feliz que parece impossível que haja alguma coisa melhor na vida do que aquilo. Nunca ninguém que gostasse de história, pintura ou música me disse isto, mas já vi, no olhar de vários adeptos, uma felicidade tal que quase garanto que perceberam o sentido da vida e a fórmula da felicidade através dos seus clubes. Identifiquei-me com aquele velhote do Atleti como já me revi nas palavras até de adeptos de clubes rivais e em muitas loucuras que já ouvi relatar sobre adeptos de futebol. Fazemos promessas, dizemos coisas estúpidas, damos a volta à nossa vida por causa de um jogo. Mas acima de tudo, sentimos uma coisa muito forte. Porque só uma coisa muito forte pode fazer com que um velhote de 80 anos, com uma doença, se torne a pessoa mais feliz do mundo por ver o clube campeão e sinta que está a uma vitória da felicidade plena na vida. É impossível não sorrir com isso.
Eu gosto de futebol de duas maneiras: uma mais intelectualizada - a história, a táctica, etc. A segunda é a poética, a humana, a sentimental. O Atleti, como todos sabemos, perdeu dramaticamente a final da Champions, aquela final de sábado. O lado histórico e o sentimental uniram-se e o Atleti perdeu a segunda final da Champions 40 anos depois de perder a primeira da mesma maneira: nos descontos e com um golaço. Só que desta vez contra o maior rival. É uma coisa arrepiante de lixada. É impossível uma pessoa não sentir compaixão pela dor atletica daquele momento. Durante uns segundos, senti mesmo pena pelo Atletico, mas sobretudo pelo velhote que perdeu, de certo, o brilho no olhar. Sentir-me identificado foi natural. E não foi só por ter também já levado uma pancada assim, foi mesmo por solidariedade de adepto. É o factor humano.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Notas aos campeões
2012/2013 foi um ano marcante para o futebol português. Não é todos os anos que duas equipas estão tão fortes que chegam à penúltima jornada a jogar a uma final e não é todas as épocas que um chouriço de um gajo com cabelo de atrasado mental define o campeonato. Infelizmente, o Sporting não acaba todos os anos em sétimo, o que é lamentável.
Ora, 2012/2013 foi de tal maneira marcante e para nós catastrófico, que poucos benfiquistas apostariam um euro nesta equipa. Quando o campeonato começou e vi Jorge Jesus a ver o Marítimo-Benfica sentado em cima de uma geleira, só me apeteceu esconder-me num buraco até ao Mundial. Tinha tido piada eu sair do buraco, ainda a habituar-me à luz, e perguntar: "Então e o campeonato?" e alguém me responder: "Ó homem, já ganhámos isso há sei lá quanto tempo!".
Como eu, felizmente, não estive escondido e até vi o ano inteiro, vamos então avaliar os nossos rapazes e fechar os assuntos sérios, para depois aproveitarmos o defeso e gozarmos com assuntos menores como a prestação de Portugal no Mundial.
Artur: a única vantagem de Artur é que não se chama Roberto. Tirando isso, aquele ar meio atrapalhado, meio burro nos cruzamentos e a falta de segurança em cada bola foram uma constante até aquele abençoado dia em que se lesionou. Artur, depois de nos ter feito perder o campeonato do ano passado com frangos contra FCP (casa e fora), Nacional e Estoril, estava apostado na mesma epopeia este ano. Espero que vás para o Porto ou para o Sporting. Nota: 3/10.
Oblak: 26 jogos, 22 sem sofrer golos. Mal batido em Barcelos e faltou-lhe a ratice do Beto nos penalties com o clube espanhol que tem três cornos no emblema (devias ter-te adiantado como o outro cabrão, Jan). Foi um dos bastiões e principais figuras do ano. Quando entrou no jogo com o Olhanense mandei mensagem a um amigo a dizer: "Campeões". Como achei bazófia a mais, apaguei e agora não tenho provas. Oxalá fique cá muitos e bons anos. 8,5/10
Paulo Lopes: só pelos festejos no campeonato merece a mesma nota do que o Artur. 3/10
Maxi: tenho uma relação ambivalente com o Maxi. Adoro aquela garra, aquele nunca desistir, a maneira como faz tudo para se superar. Mas acho que o Maxi já comete erros a mais e começa a não ter físico para compensar algumas limitações técnicas. Quero-o connosco muitos anos, mas às vezes não sei se o quero titular. 7/10
Siqueira: partia com uma grande vantagem, já que foi a primeira pessoa com dois dígitos de QI a jogar a lateral-esquerdo no Benfica em muitos anos. E sabe Eusébio o que o lugar é difícil. Pedro Henriques, por exemplo, é melhor comentador na Sporttv do que foi defesa-esquerdo na Luz e cada um entenderá a afirmação como quiser. Qualquer gajo que não se perdesse no túnel e voltasse para a segunda parte ia parecer um craque. Teve um começo fraco, com lesões e várias asneiras (expulsão em Barcelos e, mais tarde, expulsão com o Porto em casa), mas foi subindo ao longo do ano. Espero que fique, apesar de nunca vir a ser um Roberto Carlos. 7/10
Luisão: grande época do capitão. Nem me lembro se fez a habitual birra para sair no princípio da época. Esteve impecável, sobressaindo para mim o derby em casa, onde meteu Slimani no bolso. Fundamental. 8,5/10.
Garay: Suspiro. Dos melhores centrais que vi jogar no Glorioso. Um título em três anos é manifestamente pouco para tanta classe. O Zenit é pouco para ti, rapaz, e deixa-me triste que te vás enfiar naquilo. Pergunta ao Witsel se está a gostar daquela calor porreiro de São Petersburgo. 9/10.
Sílvio: importantíssimo ao longo da época. Rodou com Maxi e Siqueira até àquele lance estúpido. Sem ser um craque (nenhum lateral do Benfica o é, é uma das nossas principais lacunas), esteve sempre a bom nível. 7/10
Jardel: é sempre importante ter gajos destes que sabem que são suplentes e que não chateiam. Jogou contra o Vitória na Luz com um buraco na testa quase do tamanho da lesão cerebral do Cortez sem se queixar. 7/10
Bruno Cortez: entrou para o anedotário do futebol nacional. Quero acreditar que alguém ganhou uma valente comissão e que o trouxe sem o ver jogar. O Bruno Cortez tem um ar tão estúpido que dá a sensação que ainda o temos que manter afastado de Legos com peças pequenas para ele não meter nenhuma na boca e se engasgar. Bruno Cortez foi campeão e isso é extraordinário. É gajo para se engasgar com a medalha. 1/10
André Almeida: o miúdo não é nem nunca vai ser nenhum génio, mas cumpre. Muito por culpa de Jorge Jesus, todas as segundas linhas do Benfica conseguem entrar sem se dar por elas e isso foi um dos segredos da equipa. Vê lá se fazes qualquer coisa no Mundial para te vendermos por um preço que tu não vales (aquele abraço, Cedric!). 6,5/10
Steven, Cancelo, Lindelof, Bernardo Silva: mais títulos do que o William Carvalho e isso é giro. 1/10
Fejsa: o homem do ano. Lesionou Artur e permitiu a conquista de três títulos. Para além disso, fez uma senhora exibição no derby (quem não fez? Ah, o Sporting) e foi uma pena a sua lesão. 6,5/10
Djuricic: Filip fez uma grande exibição naquele primeiro jogo de pré-época em que enfrentamos uns agricultores suiços. O futebol português, apesar de todos os seus defeitos, ainda é um bocadinho melhor do que isso. Infelizmente, Djuricic nunca foi tão bom como naquele dia. Flop do ano (Cortez não conta como flop. Cortez era uma carta fora do baralho à partida). 2/10
Matic: espero que a chuvinha de Londres te caia bem e que apanhes mau tempo (como se aqui estivesse bom...). Matic é um craque, um super-jogador. Mas chateia-me que alguém queira sair em Dezembro. Foi importante para o título, mas perdeu a festa no Marquês. Há pessoas que davam a vida para ir naquele autocarro. 6,5/10
Sulejmani: para um homem com tamanho azar - a queda na final da Liga Europa, que estupidez - foi ainda bastante importante. Marcou uns golitos, fez a posição quando era preciso. Para primeira linha não chega, para segunda linha é óptimo. A ver se compras uma pata de coelho, rapaz. 6/10
André Gomes: só pelo golo ao Porto, só me apetece abraçar-te, puto. Lamento dizer-te que nunca vais ser o Enzo Perez, mas já levantaste o Estádio da Luz e foi isso que eu te pedi uma vez. 7/10 (a nota justa era 6, mas recebes mais 1 pelo golo. Estou um mãos largas)
Rúben Amorim: entre benfiquistas, Rúben: QUE CARALHO TE PASSOU PELA CABEÇA PARA NÃO TERES ESTADO CONNOSCO O ANO PASSADO? Pronto, já passou. Sim, deves ter discutido com o Jesus ou o raio. Mas contigo o ano passado éramos campeões. Não tinha jogado o Roderick (que faz o Cortez parecer o Einstein) no Dragão e tu tinhas ceifado logo o Kelvin.
Vá, deixa lá isso. Tens um número de sócio mais baixo do que o meu e aquela entrevista na Benfica TV confirmou o que o teu futebol já mostrava: és inteligente e do Benfica. 7/10
Ivan Cavaleiro: matei-te futebolisticamente quando fez a falta sobre Montero que deu o 3-3 aos lagartos no jogo da Taça. Um jogador inteligente nunca faz aquilo. É a segunda linha que menos gosto no Benfica. Desculpa lá, Ivan. Pareces ser bom rapaz e até metes umas coisas simpáticas para o Benfica no instagram, mas não vai dar. 4/10
Salvio: é um luxo ter um homem destes como 12º jogador e foi uma pena que te tivesses lesionado tão cedo. Aquela "mão" em Turim foi uma sacanice do árbitro. Fica connosco, rapaz. Se fores para o Zenit o teu instagram vai ser uma seca, só com bonecos de neve, portanto é melhor ficares com a malta. 7/10
Markovic: miúdo, quando passaste pelo William Carvalho e meio Sporting e fizeste aquela cuecada ao Patrício, fiquei doido. A jogada para o primeiro golo contra o Porto confirmou-o: és areia demais para um clube sem dinheiro como nós. Espero que fiques mais um ano e que saias campeão. Aquela confusão em Turim foi uma burrice, pá. E a tua foto de fundo no twitter é altamente, já agora. 8,5/10
Gaitan: vá, todos: NICO! NICO! NICO! Finalmente, porra! Não sei se bateu com a cabeça na parede e se finalmente acordou, mas abençoada parede. Um dos homens do ano. De brinca na areia (tipo Dominguez) a craque a sério (tipo Enzo Perez). Merecia ir á selecção argentina em vez de Rojo. Sim, até a defesa esquerdo Gaitan é melhor do que o Rojo. Não acredito que haja uma coisa no mundo que o Rojo faça melhor que o Gaitan. 9/10
Enzo Perez: casa comigo, Enzo. Eu enganei-me e casei com uma portista, bem gira até, mas se tu quiseres eu largo tudo e vou ter contigo. 9/10 porque fizeste aquela burrice em Turim (não há homens perfeitos).
Ola John: esqueci-me que foi campeão e não fosse um aviso na caixa de comentários ia continuar a esquecer-me. 1/10
Funes Mori: quem? 1/10
Cardozo: um terço de época de sonho, dois terços para esquecer. Oxalá regresses, meu caro. Eu não esqueço e sei que sem aquele teu terço de época nunca teríamos chegado a Turim onde falhaste o penalty. As tuas lágrimas são as minhas e é de coração partido que te dou negativa. 4/10
Lima: gosto do Lima. Nunca vai ser um ídolo, nunca terá um cântico mítico, nunca é o primeiro de que nos lembramos. Mas está lá, tipo relógio. Um 8/10 sólido
Rodrigo: tu vais já levar uma praga, rapaz. Nós somos o topo da tua carreira. Não vais chegar ao Barça nem ao Real Madrid e nunca passarás de um Zenit ou de um Valência, clubes infinitamente menores que o Glorioso Sport Lisboa e Benfica. És excelente para Portugal, falta-te um bocadinho para seres um grande ponta de lança europeu. 8/10
Jorge Jesus: o nosso mister aprendeu e essa foi a sua maior qualidade. Que JJ nos pôs a jogar à bola, nunca ninguém duvidou. Mas éramos uma equipa de excessos, um comboio sempre prestes a descarrilar. Este ano não. JJ aprendeu e convidou os adversários a subir para que os pudéssemos matar em contra-ataque. Por defeitos de educação, JJ continua a dar tiros no pé em frases e actos. Ainda assim, espero que continue. Se JJ continuar e não vendermos tudo (ouviu, Vieira?), partimos na pole position para 2014/2015. 9/10
Somos campeões. Enterrámos o fantasma Kelvin, ficou o europeu. Vencemos também porque não havia rival (o Porto de Paulo Fonseca foi o melhor anti-depressivo para o Benfica do ano passado), mas vencemos.
Agora chega de festejos e de bazófia. Tudo concentrado no próximo campeonato (não, não é o do Mundo. É mesmo a Liga 2014/2015).
terça-feira, 20 de maio de 2014
10 razões para o Quaresma não ser convocado
Eu, como sabem, não nutro qualquer afecto pela selecção. Não
é por mal, a sério, mas já tenho o meu coração de adepta completamente
preenchido. Daí que normalmente a minha única preocupação em qualquer
convocatória para um Mundial seja quais os jogadores do FCPorto que vão, em que
condições físicas, se convém mostrarem-se bem para os vendermos ou se vou ter
de torcer para que nem entrem em campo para ninguém os ver, etc. Coisas bem
mais importantes do que torcer por uma bandeira vermelha e verde, como
imaginam.
Confesso que nesta altura estou mais preocupada com o
Mundial do Mangala, do Jackson, do Quintero, do Ghilas, do Defour, do Reyes e do Herrera
do que com o de qualquer outro cidadão do meu país, à excepção do Varela que,
se Pinto da Costa quiser, vai fazer um grande Mundial e ser vendido por uns 15
milhões. Posso, eventualmente, pensar um pouco se não seria melhor o Garay
brilhar para ser vendido, mas não muito para não render muito dinheiro, ou se o
Slimani não podia lesionar-se durante uns 6 ou 8 meses só para garantir que o
Montero é titular durante meia época. Enfim,
assuntos que me vão ocupando a cabeça enquanto o Lopetegui não apresenta uns
três ou quatro reforços de grande categoria.
Há, no entanto, portistas que se preocupam com a selecção. E
custa-me muito ver camaradas a sentirem-se injustiçados quando um dos nossos
não é convocado. Eu, que até sou insuspeita, porque não sou grande adepta deste
rapaz, percebo a natural insatisfação de um portista que já estava a pensar
compilar no YouTube umas fintas e trivelas do Quaresma no Mundial para ainda o
vendermos a um árabe maluco qualquer. É por causa disto que estão chateados,
certo? Ou é só porque gostam dele? É que se é por isso, isso passa, porque o
importante é ele estar bem connosco e não ali. Bem, na verdade também admito
que possam estar assim só porque, do ponto da vista da selecção, o Quaresma até
merecia ir ao Mundial. E que até parece uma perseguição ao FCPorto, porque um
dia um seleccionador brasileiro não convocou o melhor guarda-redes do mundo e
arredores para a baliza nacional, e agora é este, porque se o Quaresma fosse de
outro clube e não andasse a falar em morrer em campo pela camisola azul e
branca ele até o levava, e isso tudo.
Só que eu precisava de ter moral para falar disto e não
tenho. Eu festejei quando o Queiroz não levou o Moutinho ao último Mundial,
porque estava convencida que “o anão” (era assim que carinhosamente o tratava
na altura) não valia nada (parece que foi considerado um dos flops do ano em
França, que pena, espero que a conta bancária lhe saiba bem), por isso penso
que é neste momento que devo calar-me. Às tantas os lagartos também ficaram
furiosos na altura, e continuam porque agora estão convencidos que o Adrien é o
Yaya Toure em beto, e por isso não seria justo eu entrar por aí. Se o André
Almeida seria convocado se estivesse noutro clube qualquer? Bem, provavelmente
não, mas imaginem que o André Almeida chega ao Brasil, partilha o quarto com o
Ruben Amorim e depois chateiam-se com a Playstation e para o ano dão início a
uma crise de balneário do benfica? Não seria genial? Então não nos cansemos com
isto. É nestes cenários que temos de pensar, portistas, tudo o resto são
piners.
É do FCPorto
Os jogadores do FCPorto são maus,estão habituados a ganhar títulos quando o que a selecção quer é divertir a malta e ficam melhor
de azul do que de vermelho (e nestas coisas das grandes competições de
selecções já se sabe que a estética conta muito, até porque o capitão de
Portugal gosta de mudar de penteado ao intervalo). Dos prováveis titulares da
selecção, pelo menos Pepe, Bruno Alves, João Moutinho, Raul Meireles e Postiga já
experimentaram este lado negro e obscuro do futebol português, embora agora
sejam todos óptimos e fofinhos e grandes jogadores. Como o Vieirinha, por
exemplo, que desde que deixou o Porto passou a ser mais seleccionável para
certas pessoas que se incomodam com estas coisas.
É cigano
O Quaresma é feio, tem muitos brincos e anéis e veste-se
mal. E é lindo fazer-se piadas pelo facto de ser cigano. Dá imenso jeito para
os adversários passarem o jogo a chamar-lhe nomes e para os adeptos soltarem o
xenófobo preconceituoso que há em cada um de nós. Vamos, então, poupar os
brasileiros de fazerem esta figura triste que tanta gente por cá faz.
Tem mau feitio
O Quaresma chateia-se, fala mal, esbraceja e indigna-se. Com
os árbitros, sobretudo, mas também com jogadores adversários que fazem questão
de usufruir da alínea anterior. Numa selecção que bate em árbitros, destrói
balneários, com treinadores irados atrás de adversários para “proteger o menino”
(era o Quaresma, que ironia tão bonita) e um historial de grande categoria como
este, não podia haver lugar para um anjinho.
Não joga para a equipa
Ele é muito bom tecnicamente, tens uns pés únicos, dos
melhores do mundo mesmo, mas não passa a bola quando deve, só pensa nele,
parece que está mais preocupado consigo próprio do que com a selecção, pode ser
decisivo no ataque mas depois acabamos a questionar-nos se também não devia
ajudar a equipa na defesa, gosta de assumir o jogo mas depois passamos muito
tempo a questionar-nos onde anda… Ai, desculpem, isto era para falar do
Quaresma a perdi-me aqui a falar do Ronaldo.
É criativo demais
Eu, que mais uma vez sou insuspeita porque não sou fã do
Ronaldo, tenho de admitir que esta selecção parece pouco mais do que ele. Se
estiver em forma, é capaz de tudo. E quase sozinho, como se viu contra a
Suécia. Daí que faça imenso sentido não levar o Quaresma. Para quê ter alguém
que sabe o que fazer à bola quando toda a estratégia passa por chutar para a
frente para o Ronaldo? Seria um desperdício de talento.
Não sabe defender
Recua pouco, faz faltas desnecessárias, não mete o pé, fica
lá à frente à espera que lhe passem a bola em vez de vir atrás tentar organizar
o jogo e é tão preguiçoso que depois o apanham em fora-de-jogo. Apesar de
passar muito tempo no ataque, marca poucos golos e não decide jogos. Ai, porra,
lá estou eu a distrair-me e a falar do Hugo Almeida em vez do Quaresma. (notem
que não disse Postiga porque, se há coisa que o homem sabe fazer bem, é
defender! Sobretudo na grande área dos outros)
Não respeita tácticas
O Quaresma é um génio e os génios são quase sempre maus
tacticamente. Já o Rafa, por exemplo, tem tudo para ser um mestre da táctica,
dado que vai continuar no banco mesmo quando for preciso entrar alguém para
abanar com o jogo.
Não aguenta 90 minutos
O Quaresma já não é o que era. A finta não sai tão rápida, o
cruzamento vai mais baixo e a substituição por um craque tipo Varela seria
inevitável. A selecção não precisa de jogadores instáveis fisicamente lá na
frente, até porque já tem o Nani, o Vieirinha, o Postiga e o Éder para fazerem
esse papel.
O seleccionador
Um treinador cuja maior conquista foi ficar em segundo no
campeonato quatro anos seguidos e que tem um palmarés com duas taças e duas
supertaças não pode falar a mesma língua que um jogador com 18 títulos
oficiais.
Cheira mal dos pés?
Sei lá, mas faltava-me uma e, já que o Paulo Bento pode
justificar-se com argumentos estapafúrdios, achei que também podia.
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